Subliminares do Desatento
Por: Bia Latini

Subliminares do Desatento
Fala, que eu não te escuto
Pode falar, tossir palavras, regugitar
Pode concatenar, delinear, aglutinar ideias e compartilhar comigo
Eu não estarei aqui para aparar, acolher, devolver o que compreendi, o que vivi durante a sua fala
Eu não estava aqui
Eu nunca estive
Estou com fone de ouvido colado no meu umbigo e ouço apenas o som das minhas peristalses
Fala, pode falar!
Eu não vou mesmo escutar
Tua voz passa por mim, mas não deixo que ela me habite, muito menos teu coração
Eu nem sabia que você tinha um
Estou ao seu lado há uma década
Mas nunca parei para reparar
Que a boca soluça o que ele palpita
Então, no meu mundo, o que entendo é que você sempre apita
Feito uma chaleira velha em fogo alto
Grilando como um velho grilo ingrato
Na verdade, nunca parei para perceber os seus sapatos
Se os tivesse desamarrado e os tirado dos seus pés algum dia…
Veria…
As pedras que nele moravam.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Google Imagens