O PERTINAZ CAMINHO
Postado no 3 de fevereiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

O PERTINAZ CAMINHO
O caminho que não tem passos,
Onde é formidável o caminho.
Dos pés gelados, caudalosos, se fosse tentado o caminhar.
É caminho em que tem vento e que tem pássaros
Que levantam voo ao nos aproximarmos a passar.
O caminho que tem folhas e não tem terra,
Que balança quem passa, mas se balança sozinho o caminho.
É caminho que, furioso, nos amedronta as pernas.
Mas, amiudado, tão mais ao seu jeito zela,
Sem nunca padecer em desalinho.
É Caminho bom para quem passa,
e para quem olha.
E até para quem faz graça, relutante,
Por medo de se ver passar.
É caminho do qual jamais me canso,
Pelo qual veloz avanço, em descanso.
Segue em balanço,
O mar.
(Diogo Verri Garcia, Rio 13 de janeiro de 2020)
Créditos da imagem: Unsplash
Postado no 31 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Quem é você, saudade?
Chegada, dúvida ou partida?
Mordida de fruta doce
Saliva de sede ativa
Veneno inflamável
Abraço apertado
Beco sem saída?
Quem é você, vontade?
Insônia da despedida
Temor da felicidade
Tremor de penicilina
Mão que acaricia
Entre o pêlo que eriça?
Quem é você, desejo?
Carente de si
Doa a quem doar-se primeiro
Que seja casa enquanto beijo
e na paz do meu travesseiro, more.
Raquel Alves Tobias
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Freepik
Que sonho é esse?
Postado no 28 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Henrique Mirabeau

Que sonho é esse?
Que sonho é esse?
De ouvir cavalos a relinchar, e vê-los em morros verdes a galopar, com seus cascos fortes na terra a pisar , anunciando que a liberdade ali está.
Que sonho é esse?
De ver vacas leiteiras em campos verdes a pastar e de longe no eco do Vale, ouvir suas crias a berrar.
Que sonho é esse?
De ver as quaresmeiras e outras lindas árvores e flores a brotar , com lindos pássaros no céu a voar, com as maritacas a cantar.
Que sonho é esse?
Parece-me uma verdadeira orquestra, uma viagem na natureza, de ver e ouvir toda essa beleza, que me traz uma leveza na alma e uma vontade de aqui ficar , com um desejo que esse sonho jamais vai acabar.
Henrique Mirabeau (Fazenda Vale das Palmeiras 18/03/22)
Créditos da imagem: Unsplash
Amor e seus sabores excêntricos
Postado no 25 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Amor e seus sabores excêntricos
Acho que posso me atrever a dizer que nosso amor é como aquelas improváveis combinações de comidas excêntricas, tipo misturar macarrão e feijão.
Quem está de fora, acha nojento e improvável a mistura.
Não assumem, mas tem um vontade enrustida de experimentar uma combinação ousada assim.
Quem já experimentou e não gostou, criticará o nosso gosto peculiar e sairá por aí dizendo que não vale a pena nem tentar.
Mas, enquanto isso, nós dois estamos aqui com nossa improvável aventura culinária que deu certo e se encaixou perfeitamente no nosso paladar. Nos apetece.
A gente, em primeira impressão, estaria encaixados em mundos opostos, com valores calóricos distintos, formatos, modelos, cores e tamanhos anatomicamente antagônicos. Mas quando a mistura aconteceu, ali surgia uma combinação tão nossa, tão atípica, tão cheia de sabores, que não há mais como se apartar.
Há quem olhe até hoje e diga que a combinação não tem qualquer lógica ou chance de vingar, pobres tolinhos, mal sabem eles como a gente é feliz com nossa combinação descombinada e saborosa. Tomara que tenham sorte de encontrar o sabor que agrega amor original no tempero deles, pois, afirmo, vale a pena!
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
QUANDO O VENTO SE TORNA EM ARAGEM
Postado no 22 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

QUANDO O VENTO SE TORNA EM ARAGEM
No marco zero, tudo é calmo e quieto
Que de tão silencioso é deveras isento.
É quando começa a aragem.
Que movimenta o silêncio
De rumor rigoroso, experto.
De acanhamento que chega a ser lento,
Mas que já muda algo em paisagem.
Ouve-se um zumbido que apita ao ouvido
Pois não há nada mais para se ouvir,
nem para ver.
Antes da aragem, que é ainda menor que a brisa,
Até onde as ondas do mar se alisam.
Nem uma folha:
não há o que se permita mover.
Tudo começa tão calmo,
Mas logo chega a aragem.
A disposição do mar é de um nada,
A calmaria impera.
Sequer há o que indique a direção do vento,
Que mal acaricia as velas.
Há morosidade, quase uma lerdeza,
O pundonor das coisas é um regalo a recolhimento.
O vento, sem disposição para nada, ele não se moverá.
Mas já move o véu da chama, que nem para isso inflama;
não balança a flâmula, que reclamarará.
O brio do silêncio é castiço
Não se mexem nem as folhas, nem os panos,
Posto que nada sequer nessa paisagem
tem a pretensão de mudar.
É espelhado e parado, sem reclamos, o mar…
Quando então o vento se torna algo mais que aragem.
Ainda que, sendo pouca a mudança,
Parece tudo inerte, dentre o que mais se avista ou avisa,
Dentre as gramíneas, há uma leve brisa.
Desfraldam-se atentos os tempos dos litorais.
É aragem, que ameaça ser ventania,
E nos varais já carregam as pazes e as camisas.
Mas não ainda bastante;
não solta as folhas lá dos coqueirais.
É caminho para quem espera a ver o momento
Que descaminha as cercanias;
Sobe um aroma de chuva, cheiro de grama ou de arruda no ar.
Chacoalha os contornos das águas,
E assim balança o mar.
Há a virada do tempo.
A vida para, espreita a ver o que passa.
É o início do vento.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, fev. de 2019)
Créditos da imagem: Freepik
Postado no 19 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Olá outro a quem não quis feliz.
Olá outro com quem competi.
De tanto ver-me em ti, repeli.
Refleti sombras entre opostos
Entre carne e ossos expostos
Esvaziando-me de mim,
perdi-me, assim.
Encontrei a falta.
e faltei.
Chegando ao ponto em que comecei:
nua, vazia e cheia de choro.
Apenas em busca de consolo
da imagem que construí.
Bebendo as perguntas
engolindo as respostas
como água do mar.
Gota a gota a secar
esperando no mesmo lugar.
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Freepik
Nutriente
Postado no 16 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Nutriente
Quero juntar minhas cinzas
E nelas ressurgir
Sentir as minhas dores
E nelas me curar
Desentupir minhas veias
E meu sangue drenar
Canalizar meu rio de pensamentos
Para o melhor mar
Tocar os pés
no chão úmido da floresta
Experimentar o orvalho em minha pele tocar
Quero falar manso
Ouvir as águas
Sentir o vento
e o sol em meus tecidos penetrar
Quero fazer fotossíntese
Nutrir-me e reciclar
Trocar gás carbônico por oxigênio
Quero ser EU a própria floresta
Fonte de recursos naturais
Verdes, cores, sensações, texturas
Biodiversidade em festa
Bia Latini
Créditos da imagem: Unsplash
A justiça e seus sabores e dissabores
Postado no 13 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Eu me peguei pensando no motivo de ter escolhido a minha profissão: advogada.
Se eu fosse bem racional e ignorasse meus devaneios, pensaria que na minha família não tinha ninguém advogando e seria, a princípio, mais árduo e penoso galgar o meu espaço no mundo juridiquês.
Hoje, com o advento de um auto conhecimento maior, percebo que foi uma forma pessoal de buscar ajudar o mundo com menos injustiças, pois essa pequena, mas impactante palavra me incomoda profundamente desde quando me entendo por gente.
Lembro-me quando me deparei na minha profissão com a primeira injustiça que vivi na pele, me rendeu boas noites de insônia e uma dor estranha latente no peito por indignação.
Ocorre que o conceito de injustiça é absoluto e simplista segundo o Aurélio, mas na prática é tão relativizado.
A nossa sociedade possa por mudanças constantemente e podemos afirmar que já evoluiu bastante na busca da garantia de uma mínima justiça. Hoje, por exemplo, negros e mulheres têm direito a ter voz ativa, independente do gênero, cor ou crença (ou deveriam ter, ao menos).
Me dói sentir a dor da injustiça em tantos casos que vemos por aí, saber que ser advogada não me dá superpoderes mágicos para mudar tanta coisa que vejo constantemente que me causam uma sensação desesperadora de que a vida humana não importa tanto quanto deveria nesse sistema louco que se diz civilizado.
Já nos alertava Lulu Santos: “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
Bem, mas enquanto não posso mudar o mundo, posso, pelo menos, usar meus textos para levar um pouquinho de amor e de afago para quem ele alcance, afirmando que a injustiça será sempre dura para aqueles que tem empatia ao próximo, mas vamos fazer a nossa parte, mesmo que pareça ser apenas um grão de areia no meio do deserto do Saara.
Afinal, desde sempre e até que se prove o contrário, o amor e o sorriso são contagiantes e, ainda melhor, não custam nada. Um gesto de gentileza pode salvar a vida de alguém, um tratamento humanizado pode trazer esperança.
Meu desejo, minhas intenções, minha orações e meus pensamentos positivos é que estejamos caminhando para um mundo cada vez melhor, onde os Josés, os Joãos, as Marias, os Moisés, os Georges e todos nós sejamos tratados com humanidade, respeito e paz, até lá, nos perdoem… não percamos o otimismo e a fé.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
CONTO ÀS TRÊS VIDAS
Postado no 10 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

CONTO ÀS TRÊS VIDAS
O relógio não anda para trás:
O tempo passou.
Já aqui, o conto de três vidas jaz.
Que tivemos, feito o som tão leve,
Mas que escorreu na misteriosa imprevidência,
Tal como o silêncio das coisas, a ausência
Que há no ponto final de uma bossa.
Três vidas: a minha, a tua e a nossa.
A minha, que andou modificada,
Digo, até grata, essa vida que foi
Por ter tido, em algum tempo,
A presença tua.
Mas que não suportou, posto que sufocada.
Levou um pouco de ti,
Deixou tanto de si,
E, estando livre, foi comemorar nas ruas.
A tua, que começou sem graça,
Até calada, meio que negando
O que existiu logo no primeiro momento.
Mas quando sentiu-se enraizada,
Havia já deixado outra vida cansada,
Posto que insegura, de alma dura,
Não segurou viver os bons momentos.
A nossa, de que haverá lembrança,
Até que a idade apague
E registre ao longe,
Junto a tantos outros cantos ocupados da memória,
Uma caixa a mais.
Anestesiando, se restou tormento.
Recordando apenas as bonanças,
Risos fáceis e ordenança.
Contando com a intercessão do tempo,
Que então deixará
Em sua versão,
Só felicidade e paz.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 04/01/2020)
Créditos da imagem: Freepik
Postado no 7 de janeiro de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Você chega e estou de canto
Meu olhar perdido em pranto
Não consegue esperar
Eu só quero arroz branco!
Quero paz, um acalanto
Já cansei de procurar
Tenho sono, tenho pressa
No mundo nada mais resta
Só vazio a se espalhar
Não mamãe, não se abale
É tudo imaturidade
Só você pode ajudar
Vem, me pega, me eleva
Você é tudo que me resta
Vem, me ensina a caminhar
Faz de mim a tua vida
Abre as portas, me convida
À eternidade do meu lar
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Unsplash
