Explode em Réveillon

Por: Bia Latini

Explode em Réveillon

Quando vierem pensamentos ruins
Como um céu de granadas
Troca por um céu pretinho, beeem estrelado!
Pensa no dia do Réveillon
Aquele monte de fogos de artifícios, explodindo cores, chuvas metalizadas
E pensa que cada explosão daquelas é: paz, amor, saúde, viço, riso, oportunidades, possibilidades, falta de juízo, banho de chuva, cama quentinha, abraço de um amigo, beijo molhado, corpo suado depois de uma baita corrida, bolo saído do forno, aquele amor de infância, um telefonema surpresa, pastel de feira, sexta-feira à tardinha, nascer do sol, mar cristalino, lua cheia, andar de mãos dadas no começo do namoro…..
Deixa esses fogos estourarem frenéticos, com toda sua potência e majestade
Inundando sua mente de verdade
Seu coração de sentir
Seu umbigo de se abrir
Seu sangue de fluir
Seu encantamento de pulsar
Irriga qualquer catinga
Desliga seus campos minados
Faz marinado, assado, ensopado dos pensamentos passados
E deixa a chuva cair abençoando o solo bom
Toma uma taça de vinho
E beija a vida de batom

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Que tudo é esse?

Por: Bia Latini

Que tudo é esse?

Eu vivo dizendo que ainda não aproveitei tudo….
Mas que tudo é esse?
Tem gente que aproveita nada de tudo e outras, tudo de nada
Acho que eu mirava muito na superfície, na porção, na geografia e pouco na consistência, na energia empregada, na forma como se consome, como se nutre,
Como se está presente e não ausente
Tem muito moribundo ocupando espaços
Muito sonâmbulo fazendo travessias
Muito robô fincando bandeiras
E até zumbis vendendo miragens
Tem uma galera viajando pra fora,
Mas quem realmente viaja pra dentro?

Tudo e nada
Nada e tudo
De onde se parte?
Para onde se olha?
O que é muito e o que é pouco?
E aí? Vambora?

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pixabay

Inomado

Por: Bia Latini

Inomonado

No diferente me abasteço
Ele não é igual
Não me reconheço
E, por isso mesmo, me expando
Enlargueço
Ultrapasso o tropeço
Extrapolo fronteiras, além do avesso
Descubro meu novo espaço no mundo:
Uma forma mais plural, intangível, inominada e larga de existir
Rompendo a redoma da compressão,
deixo de sobreviver e vivo…
a completa magnitude da incompreensão da imensidão.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Presa fácil

Por: Bia Latini

Presa fácil

À flor da pele é seu estado atual
Acho que gosta de sentir com intensidade:
Saudade, dor, ardor, amor, paixão
O raso parece que não lhe sustenta
E, de tão intensa, não aguenta
A pressão
Tamanha imensidão do sentir!
Instalou um amplificador em seu sistema
Fazendo eco em êxtase, frenesi, corrosão, depressão
Tudo é muito!
Como se testasse,
fizesse experimentos de si mesma
Dissecando, aproveitando, comendo a vida em toda sua potência
Atestando sua própria existência
Desafiando limites
Sem chegar, porém, às camadas limítrofes com as sombras
Há um certo lacre de proteção, de defesa, de pudor
Um desacelerador
Um botão de emergência interceptador da dor
Um detector de incêndio, de metais, das zonas abissais
Nas quais
Sente-se presa fácil de outros animais
Encurralada,
Para, reclama, chora,compara, ataca, esperneia
Escamoteia
Não se reconhece mais
Assim…toda entrega ficou pra trás.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Zelo constante

Por: Bia Latini

Zelo constante

E a cada desalinho
Falta de cuidado
Descuido de carinho
O pássaro vai ficando
Sem ninho
A balsa começa a perder o prumo
O amor inicia a prosa sem rumo
É a planta em processo de desidratação
É preciso o olhar com densidade
Sutileza, sensibilidade
Para perceber o detalhe
A mão colocada no ombro
Aquele sorriso no olhar que afaga, acolhe, entende e recebe os outros olhos, que não proferiram um só verbo, mas quiseram dizer tudo
O zelo é vigília constante
Ele se faz pavão não é na multidão
Mas no miudinho
Naquela pitada de sal, açúcar, cominho
No ingrediente secreto, que é diminuto
e o mais arguto
Transforma o prato no majar dos deuses
Efiteuses de agregação
De que adianta extremidades pomposas, graciosas, alardeadoras de afeto
Se o recheio do entremeio não é repleto?!
Falta dialeto, protocolo, duto, afago, olhar sincreto
Ei! Faz-se no pequeno!
Deita na rede do dia a dia e embala suas palavras na doçura, na ternura, na desabotuadura
Que seus gestos sejam colo, parapeito, escada, corrimão
Que seu corpo seja sombra pro outro
Naqueles dias mais quentes de verão.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

MAR EM ORAÇÃO

Por: Diogo Verri Garcia

MAR EM ORAÇÃO

Seja forte, como o mar é forte,
Mas te amolde e te quebre como as ondas que batem.
Seja leve, como o mar é leve,
Com ondas breves, como as que rompem a tarde.

Seja bravo e te defenda do argumento,
Quanto te calarem o pranto e te pretenderem agonia.
Seja estupendo, feito o mar em tormento,
Se te transgredirem a luz, não permaneças em calmaria.

Veja a onda que explode e prensa o rochedo:
Seja fereza sem raiva; tem equilíbrio, tem paz.
O mar que alimenta e refresca: é servidão sem medo.
O mar que retira, repõe – nas ondas de leva e traz.

E quando o sublime solar pelo céu se exaltar,
Seja como o mar e reflita a luz que lhe toca.
Se acerque dos que te doam a paz sem te cobrar,
Tal qual um corpo de água salgada,
Que se cerca de terras nas bordas.

Mas se o céu te parecer mais cinza,
Não o espelhes na dúvida, olhe para o mais profundo de ti.
Não te tornes pedante, descrente ou ranzinza.
E te acalme: contenha-te do furor, do desamor, do frenesi.

Seja leve, como o mar é leve.
Feito as águas que chacoalham ao vento,
E que repousam tão logo a brisa pausar.
Trazem paz alheia ao amalgamento.
Seguem mansas e resilientes.
Sem apatia, são benevolentes.
Fortes e calmas, bem sabem:
Tudo tem o seu tempo.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 16/08/18).


Créditos da imagem: Pixabay

Percebendo caminhos

Por: Bia Latini

Percebendo caminhos

A luz sempre acha seu caminho
Rosa, espinho
Pergaminho sem escrita
Uma letra a cada passo
Um infinito sem trajeto reto
São curvas, montanhas, vales
A cada novo olhar, um cenário é materializado
A cada percepção,
A cada entendimento,
A cada clareza, desvendagem: a sua passagem
Um tijolo de paralelepípedo para cada etapa
E assim, o trajeto vai se construindo alí, naquele instante
A cada bifurcação, autoaceitação
A cada tirada de venda, de casca, de roupagem…
Ruas, arandelas, arcos, pontes…
Monte Sinai
Seu tempo, seus argumentos
Seus monumentos vão ficando pra trás.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Viva o circo! – Parte 2 – Algo sobre nós…

Por: Bia Latini

Viva o circo!- Parte 2 – Algo sobre nós…

Como deixamos sair esta voz que há dentro de nós?
Esta Voz que sai rouca, fininha, tímida, mansinha
E às vezes nem sai?
Essa voz potente que veio brotando na gente
Crescendo que nem semente
Muitas vezes nem se sente…
E quando se percebe
Estamos com uma energia acumulada, uma insatisfação, uma busca desenfreada
Uma necessidade de fazer coisas
E nada satisfaz!
Como libertamos essa leão criativo que quer rugir?
Essa borboleta do tamanho do mundo, com asas imensas e coloridas, que quer valsar pintando pelos ares da vida?
Como desabrochamos nossas abotoaduras, para deixarmos sair tamanha potência que cresceu em nós?
Um libido, um algo proibido, um estrondo, um cupido, algo grande demais…
Sugeriram-nos ser simples, discretos, a guardar nossas opiniões nos bolsos, a calarmo-nos, a ficarmos na nossa e a não pagarmos mico
Daí a gente não paga mico, o mico cresce e vira gorila enjaulado
Enclausurado
Na masmorra do tanto faz
Libertemos nossos gorilas, nossas borboletas, nossas bailarinas, nossos malabaristas, nossos palhaços e o circo inteiro!!!
Ergamos esta lona cansada,
Agora mofada, desbotada
Deixada pra trás
O circo continua vivo em nós!!
Ele sempre esteve!
É o nosso Eu criativo, sinestésico
Nosso Eu artista
Que tira uma carta mágica da cartola
Pinta uma tela em branco
Desfaz qualquer quebranto
Chora e ri sem nenhum espanto
Morre e vive
Nasce e morre
Conta, reconta, refaz
Reconstrói
Às vezes destrói…
Mas faz parte do processo….
No final de tudo, a lona está de pé!
Cheia de colorido e diversidades
Com muita história pra contar, muitas jornadas, itinerários, excursões pra fora e, principalmente, pra dentro
Há muita vida no epicentro do picadeiro da nossa essência pulsante
Viva o Circo!!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

O difícil e necessário equilíbrio

Por: Priscila Menino

O difícil e necessário equilíbrio

A vida é agora, não amanhã, não depois do almoço, é aqui e nesse momento.
Quantos sonhos a gente deixa isolados e esquecidos, tal como aquelas anotações que esquecemos no bloco de notas do celular.
O medo de não conseguir nos impede até mesmo de tentar.
A necessidade de uma perfeição utópica, nos impede de fazer acontecer e precisamos aprender a conter isso.
Mas também devemos ter cuidado com a auto cobrança excessiva, tudo vai acontecer no tempo que for pra ser.
Não adianta tentarmos correr antes de caminharmos, como dizem os clichês por aí. Mas faz sentido!
O verdadeiro desafio é equilibrar a busca por conquistar nossos sonhos, com o tempo e paciência que a caminhada nos exige.
Em tempos de agilidade em tudo, é necessário dosar nossa ansiedade e força de vontade.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Unsplash

Aos viventes

Por: Bia Latini

Aos viventes

A vida é
Perder para ganhar,
Abrir mão para conquistar
Viver, fluir, celebrar
O que viemos aprender aqui?
Que rota tomar?
O quanto se perde, para se achar?
Do que se está fugindo?
O quanto se mergulha e põe a cabeça na água?
Quem vive mais?
Os mais sãos ou os mais loucos?
O que é a loucura?
Qual a melhor parte da fissura?
Romper é atestar a vida
Fazer alquimia, comprovação do que parece etéreo
Chacoalhar para sentir o frisson
Ruir pra renascer
Bailar, secar, morrer
Depois brotar com força total
Fazer dos aprendizados Carnaval
Ao que deve ir: vendaval
Aos miseráveis: a luta
Aos sapientes: investigação, dor, alegria
Aos que vivem de passado: nostalgia
E aos que apenas vivem: presente!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash