Por: Raquel Alves Tobias

Vento que corre entre os dedos.
Agarrado aos pés, todo o caminho andado.
Úmido.
Colado, ultrapassado.
Passado.
Sorrindo, chorando.
Doce, amargo.
Tragado.
Inutilmente guardado para alguma ocasião.
Repetição.
Névoa de ilusão.
Vento que corre entre os dedos.
Leva a cola.
Evapora.
E grão a grão
Cai-se em nova construção.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Mauricio Luz

O que é o Céu?
É uma palavra? Um substantivo?
Um lugar infinito acima de nossas cabeças?
Como tantas pessoas procuram o Céu
Sem saber o que é
Ou onde está?
Pois, afinal, o que é o Céu?
Um depósito infindável de estrelas,
Nosso berçário e nosso túmulo?
Ou é uma esperança, um shangri-lá,
que tantos anseiam em alcançar,
mas tomam passos que as as afastam
De onde querem chegar?
Oh, Céu. Estás distante,
Ou mais próximo do que imagino?
E eu o quero longe e quase inatingível,
Para não fazer agora o que deveria fazer
Para alcançá-lo de imediato?
Céu! Ele é tudo,
E também nada.
Por isto não o vejo, não o alcanço, não o tenho!

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Expansão

Por: Bia Latini

Expansão

Deixa o amor entrar
Deixa permear
Cada camada
Não reduz, expande
Não caracteriza, desnomeia
Não corrompe, une
Não aprisiona, liberta
Afrouxa, desaperta
Faça a coisa certa
Vista-se de horizonte
Entenda-se infinitude
Mergulha no mar de inimagináveis possibilidades
Imerja em plenitude
Seja céu aberto
Escancara a janela da alma
Não sentencia, desperta
Desapega das setas
Seja o próprio caminho
Às vezes acompanhado, por vezes sozinho
Exista naquilo que não tem cerca
Exala naquilo que não tem cheiro
Permita-se escorregar no que não se tateia
Semeia…
Por outro ângulo, de outra visão
Sem fechar interpretação
Aterrisa
E faça voo outra vez
Seja ponto de mutação
Solta as baquetas e deixa a banda tocar, sozinha, sua singular composição.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Mauricio Luz

Agradece! Agradece aos momentos que viveste hoje.
Raiva, alegria, cansaço, medo e esperança!
Carinho, dúvida, fé, ignorância!
Amor, compaixão, tristeza!
Tantas emoções e sentimentos e palavras e ações.
Tantos erros, tantos acertos!
Agradece a cada momento.
Aos passos e aos tropeços, aos sonhos e desilusões,
Às utopias e distopias.
Agradece. Agradece e entregue-se!
Entregue-se ao mistério do tempo e da vida!
O paradoxo onde cada segundo é o derradeiro e também,
O primeiro.
Impossível de ser repetido, imitado, revivido, xerocado.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Higiene completa

Por: Priscila Menino

Higiene completa

Desde pequenininhos nos é ensinado a fazermos a limpeza diária do corpo.
Nossos pais nos mandam tomar banho e escovar bem os dentes, não é negociável, a gente precisa fazer.
Crescemos e mantemos (ou deveríamos manter) a necessidade da limpeza diária e higiene pessoal.
Acontece que ninguém nos ensina a fazermos a mesma limpeza diária em outras áreas também.
Esquecemos ou desconhecemos a relevância que isso tem.
Devíamos ter os mesmo rituais de limpeza física para a limpeza da mente, mas ignoramos o que não tem cheiro e nem se pode palpar, mas que traz incômodos tão reais quanto um odor pode causar.
E assim vamos vendo milhares de pessoas com acúmulos de sujeiras mentais, buscando refúgio em subterfúgios que não solucionam, apenas amenizam.
É como se, ao invés de tomar uma boa chuveirada, usasse um desodorante barato, não resolve, pode até mesmo piorar, é necessário limpar com água e sabão.
Assim como é preciso que a pessoa ache sua própria forma de limpeza mental, seja ela através de terapia, meditação ou com uma simples caminhada de contemplação.
Vez ou outra também precisamos tirar toda crosta de sujeira de amizades tóxicas e hábitos negativos também, afinal, tão importante quanto ter uma aparência física boa é ter também a mente sã em meio a tanta loucura.
Por isso que eu acho que precisamos aprender que auto limpeza não é só física, deve englobar a todo o restante também ou pode começar a incomodar.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Pexels

AM OR

Por: Bia Latini

AM OR

Em nossa sociedade a frase “Eu te amo” traz uma beleza, mas um certo peso
Normalmente dita entre os amantes, já começa pelo momento “certo” de dizê-la e daí relega-se ao sentir o mental, o crivo, o julgamento.
Ainda apresenta-se seletiva, pois só “deveria” ser sentida ou dita POR ou PARA “aquela pessoa certa”.
Como se nosso sentir tivesse tantos semáforos, cancelas e porteiras quanto às vias terrestres…
Temos medo de dizer “eu te amo” e sermos precipitados, mal interpretados, não correspondidos.
Mais do que isso: temos medo de nos permitir ao amor. Como se amar fosse uma moeda de troca, uma barganha, um trunfo.
Ainda tem as camadas da imortalidade, da permanência, da fidelização, que nos impõem uma análise muito crítica bifurcadora do que é pra sempre daquilo que é passageiro. E o que é permanente nesta vida, minha gente?!
Pensem…
Deveríamos ter prazer em sentir amor!!
Amor
Sentir
Apenas sentir
Deixar vir
Deixar ir…
Que possamos ressignificá-lo, entendendo o amor não como amarra e sim como soltura, liberdade!
Amar alguém é dizer: Eu te amo tanto, que quero vê-lo livre e feliz
Seja para parceiro, filho, mãe, pai, amigo, avô…
Amar, aceitando que nem sempre essa liberdade e soltura terão pouso ao nosso lado e está tudo bem.
O importante é deixar o amor fluir em nós e quando algo flui, ele transita, dança, corre, percorre, caminha…
Não se acumula
Que possamos amar tantas e tantas pessoas, permitindo o pulsar, o acolher, deixar voar, permitir ser, sentir, libertar, viver e deixar viver
Com amor, por amor, sendo amor.

Por Bia Latini

Ps de uma associação que me ocorreu:
AM (“sou” em inglês)
OR (“ou”em inglês – conjunção que expressa liberdade)


Créditos da imagem: Unsplash

Explode em Réveillon

Por: Bia Latini

Explode em Réveillon

Quando vierem pensamentos ruins
Como um céu de granadas
Troca por um céu pretinho, beeem estrelado!
Pensa no dia do Réveillon
Aquele monte de fogos de artifícios, explodindo cores, chuvas metalizadas
E pensa que cada explosão daquelas é: paz, amor, saúde, viço, riso, oportunidades, possibilidades, falta de juízo, banho de chuva, cama quentinha, abraço de um amigo, beijo molhado, corpo suado depois de uma baita corrida, bolo saído do forno, aquele amor de infância, um telefonema surpresa, pastel de feira, sexta-feira à tardinha, nascer do sol, mar cristalino, lua cheia, andar de mãos dadas no começo do namoro…..
Deixa esses fogos estourarem frenéticos, com toda sua potência e majestade
Inundando sua mente de verdade
Seu coração de sentir
Seu umbigo de se abrir
Seu sangue de fluir
Seu encantamento de pulsar
Irriga qualquer catinga
Desliga seus campos minados
Faz marinado, assado, ensopado dos pensamentos passados
E deixa a chuva cair abençoando o solo bom
Toma uma taça de vinho
E beija a vida de batom

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Que tudo é esse?

Por: Bia Latini

Que tudo é esse?

Eu vivo dizendo que ainda não aproveitei tudo….
Mas que tudo é esse?
Tem gente que aproveita nada de tudo e outras, tudo de nada
Acho que eu mirava muito na superfície, na porção, na geografia e pouco na consistência, na energia empregada, na forma como se consome, como se nutre,
Como se está presente e não ausente
Tem muito moribundo ocupando espaços
Muito sonâmbulo fazendo travessias
Muito robô fincando bandeiras
E até zumbis vendendo miragens
Tem uma galera viajando pra fora,
Mas quem realmente viaja pra dentro?

Tudo e nada
Nada e tudo
De onde se parte?
Para onde se olha?
O que é muito e o que é pouco?
E aí? Vambora?

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pixabay

Inominado

Por: Bia Latini

Inominado

No diferente me abasteço
Ele não é igual
Não me reconheço
E, por isso mesmo, me expando
Enlargueço
Ultrapasso o tropeço
Extrapolo fronteiras, além do avesso
Descubro meu novo espaço no mundo:
Uma forma mais plural, intangível, inominada e larga de existir
Rompendo a redoma da compressão,
deixo de sobreviver e vivo…
a completa magnitude da incompreensão da imensidão.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Presa fácil

Por: Bia Latini

Presa fácil

À flor da pele é seu estado atual
Acho que gosta de sentir com intensidade:
Saudade, dor, ardor, amor, paixão
O raso parece que não lhe sustenta
E, de tão intensa, não aguenta
A pressão
Tamanha imensidão do sentir!
Instalou um amplificador em seu sistema
Fazendo eco em êxtase, frenesi, corrosão, depressão
Tudo é muito!
Como se testasse,
fizesse experimentos de si mesma
Dissecando, aproveitando, comendo a vida em toda sua potência
Atestando sua própria existência
Desafiando limites
Sem chegar, porém, às camadas limítrofes com as sombras
Há um certo lacre de proteção, de defesa, de pudor
Um desacelerador
Um botão de emergência interceptador da dor
Um detector de incêndio, de metais, das zonas abissais
Nas quais
Sente-se presa fácil de outros animais
Encurralada,
Para, reclama, chora,compara, ataca, esperneia
Escamoteia
Não se reconhece mais
Assim…toda entrega ficou pra trás.

Por Bia Latini


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