Entrega

Por: Bianca Latini

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Devo parar de ter medo de perder
E entender que nada me pertence
Que sou ser perfeitamente impermanente
Num mundo não perene, transitório
Nada é meu
As coisas, situações e pessoas
Apenas passam por mim
Acredito que devo praticar o desapego
E essa é uma tarefa árdua!
Aprendemos de forma diversa
Cultuamos o consumir, o ter, o adquirir
Até quando tentamos meditar
Agarramos-nos aos nossos pensamentos e não queremos deixá-los partir
Em geral, somos egoístas, possessivos, enraizados
Queremos voar, mas permanecemos agarrados em preconceitos, limitações e medos
Queremos leveza, mas não nos livramos dos excessos
Queremos paz, mas permitimos que as angústias façam morada em nós
Esperamos franqueza e transparência do mundo externo
Mas somos turvos e obscuros conosco
É preciso deixar, libertar, despossuir
É preciso ficar de mãos vazias
De pés descalços e despidos de qualquer vestimenta
Chegamos aqui nús e assim também retornaremos
A hora que essa dinâmica for algo sobre a qual nem pensamos, apenas exercemos
Seremos realmente livres e unipresentes

O tempo pára

Por: Mona Vilardo

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O tempo pára

Hoje terei que discordar do Cazuza, mesmo sendo seu aniversário.
Cazuza, preciso dizer que o tempo pára. E, estranhamente, parou no mundo todo, para todos nós. Mas, olha que curioso, no tempo que parou eu escutei o canto dos pássaros na minha rua, que sempre está cheia de carros e onde esse canto não tem vez. Que canto bonito tem o pássaro que voa por essas bandas de cá.
Com o tempo congelado, pude também ver que a vizinha da minha frente é uma senhora bem senhorinha mesmo, que todos os dias às 15h senta na poltrona de vime da sua varanda e olha pra frente, como se estivesse assistindo o filme da sua própria vida passar. Aliás, filme é o que mais se compartilha nesses dias de tempo parado. Nem sei se vou dar conta de assistir todos, porque o melhor seria se o tempo estivesse como antes, andando.
Será?
Bem, voltamos às coisas que tenho visto durante esse tempo estacionado.
Nesse tempo suspenso, pude perceber que o vizinho do outro prédio a minha frente é o cara que sempre tá no ponto de ônibus toda terça feira, quando eu também pego ônibus nesse mesmo ponto. Quer dizer, pegava, né? Com o tempo parado tudo é tão incerto, e os ônibus também pararam. Cazuza, você estava completamente enganado em afirmar que o tempo não pára. Ainda bem que você não tá mais aqui pra rebater minha afirmação. Eu, discordando de você? Desculpa aí!
Está bem, devo concordar que ando preocupada se agora é “Matar ou morrer”. É cada coisa que a gente pára pra pensar com o tempo imobilizado.
Desculpa, também discordo que “Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão”, se você estivesse aqui não escreveria isso. Depois desse tempo estático, mais que isso, sem certeza nenhuma do amanhã, vai ser difícil ninguém sair sem nenhum arranhão, até mesmo os mais lúdicos e loucos. Eu juro que nessas horas “é melhor não ser um normal’ – manda beijo pro maluco beleza aí em cima, e avisa que tá puxado por aqui.
Ok, Agenor (olha, tô te chamando pelo nome de batismo), você venceu a batalha. Sua genialidade é muito maior do que a minha. Realmente é triste pensar que nesse tempo não vai ter beijo de namorada.
Antes de terminar, lembrei de uma coisa que você também tem razão: Eu não tô derrotada, saiba que ainda estão rolando os dados. E a caridade nunca se fez tão necessária.

4 de abril de 2020, aniversário do Cazuza, que é sempre tão passado e tão atual.

Por: Victor Cabral

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Todos os poemas tem seu nome
Em matéria ou forma
Essa é a minha norma
Você, o alimento que a vontade come

Nem toda nudez será castigada
Mas adorada, quiçá usada pro nosso prazer
Cada verso uma oração, rimas rezadas
Cada curva uma benção, pernas cruzadas

Nosso beijo no asfalto, se for só encenação
Não terá sido pouco, minha dama
Da condução do meu gozo, você chama

Seus pés, em procissão, sobre meu peito
Essa pressão que aperta o coração, aceito
Carinho dolorido, como o poeta ama

 

Palavras de uma alma inacabada

Por: Diogo Verri Garcia

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(Palavras de uma alma inacabada)

Crescer é romper,
É amar, é colher.
É se lamentar mesmo quando
o lamento não for grande.
É saber reviver, depois de chorar lágrimas de sangue.

É notar que a vida passa frente à face,
Ágil, como se um único dia fosse toda a vida.
Curto demais, feito o bem e o mal que faz,
Traz passagens que tanto faz muitas delas esquecidas.
Assim, achamo-nos sempre tão certos e santos,
Sem seguirmos serenos (nem pacientes, ao menos),
Na angústia ou na paz.
Na ansiedade, tornada a fé abastanto.

Crescer não é a hora em que a noite mais demora,
É o que nos dá e tira o ar
E nos balança as pernas.
É viver, pois que em um minuto, tudo vira o mundo.
É saber que o ganho da alma,
Para sempre inacabada,
é ser eterna.

Imensidão

Por: Bianca Latini

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O amor não é conjunção condicional
Ele não é vírgula, parênteses ou ponto final
Ele é oração inteira
Com todas suas nuances, palavras
Com toda grandiosidade de sentidos
E múltiplas interpretações
O amor é riso em picadeiro de circo
É palhaço em dia de espetáculo
É criança com pipoca na mão
O amor não é drama, nem suspense
Ele é filme de ação ou comédia pastelão
O amor não é epílogo, ementa, introdução
Ele é enredo, cinema, dissertação
O amor é longo, fluido, livre
E na sua liberdade ele constrói pontes
Acessa desertos
Planta gentilezas
Amadurece frutas verdes
Aveluda tecidos ásperos
Desentorta ferragens
Emudece palavras ríspidas
Desestimula descrenças
Alinhava bordados
Rendados
Põe fitas, barras e arremates
Costura fios soltos
Faz ninho e não vive sozinho
Ele respira troca
Alimenta-se de afirmações do coração
É amplitude, imensidade, constelação.

Sonho Perdido

Por: Mona Vilardo

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– Veja o sol dessa manhã tão cinza: Foi o que pensei no dia seguinte daquele dia triste.

– Então me abraça forte: Foi o que disse um pai ao abraçar outro pai, na tarde daquele dia sem respostas.

– Mas deixe as luzes acesas agora: Foi a fala da mãe que queria ver a foto do filho na estante, no anoitecer daquele mesmo dia, como se fosse uma despedida.

– Sempre em frente: Era o lema daquele jovem que acreditava num sonho, até aquele dia que onde tudo virou cinzas.

– Não temos tempo a perder: Era o que pensava aquele rapaz que tinha fome de vitória todos os dias.

– Temos nosso próprio tempo: Dizia o amigo quando consolava aquele colega que pensava em desistir dia após dia.

– Nosso suor sagrado é bem mais belo: Pensava o garoto que sentia saudade de casa diariamente.

– Selvagem: Foi a maneira que eles foram tirados dos seus sonhos, dos seus pais e do mundo. Do Ninho!

– E o que foi prometido, ninguém prometeu: É o que acontece em nosso país, estado e cidade cada dia mais.

– Somos tão jovens, tão jovens: Poderia ser o grito de guerra daqueles 26 garotos um dia antes do incêndio acontecer. Eles eram mesmo tão jovens!

Fevereiro acabou, mas para aquela legião de sonhadores do clube rubro negro, o mês mais curto do ano foi ainda menor, terminou dia 8, numa sexta de manhã;

– Nem foi tempo perdido: Foi tempo doado e sonho roubado.

Sonho perdido


Crédito da imagem: pixabay

Interceptaram o Futebol (Conto)

Por: Diogo Verri Garcia

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Era tempo de Vasco e Fluminense, válido pela decisão do principal campeonato sulamericano de futebol. O primeiro jogo, no histórico estádio das Laranjeiras, ocorrera há alguns dias, com vitória segura do Fluminense, pelo placar de 2 a 1. A partida seguinte e derradeira, realizar-se-ia em São Januário, dali a algumas semanas, a casa do Vasco da Gama.
Falamos desse primeiro confronto, de jogo foi duro, com equipes disputando centímetros do campo e desfilando a classe das bolas corretamente passadas, das matadas no peito e das jogadas divinamente invertidas, havendo espaço até para uma chilena bem executada pelo jovem jogador tricolor de vinte e poucos anos que, após recusar nova proposta da Europa e os excessivos ganhos em euros, permanecia pela quinta temporada seguida de bonito futebol pelo clube (o que, por tudo, em algo insere nosso conto na categoria ficcional).
Os esquadrões eram fartos, havendo dificuldade da audiência para identificar qualquer um que tivesse menor intimidade com a bola. A exceção era Joínho, também conhecido como Turcomenistão (teríamos dado a ele o nome de um Estado brasileiro, mas creio que poderia induzir, erroneamente, o leitor), jogador tricolor que era seguramente aplaudido quando passava a bola, quer para a linha de fundo, quer para o adversário, eis que pior – e nisso, torcedores contra e a favor concordavam – era vê-lo na posse da esférica.
Joínho (Turcomenistão), jogou apenas duas ou três partidas naquele campeonato.
A primeira, quando acertou um chute ao estilo voleio na boca do estômago do adversário, posto que errou a bola – ali, tendo sido expulso, não pela falta, em si, mas pela oportunidade de livrar-nos do mau futebol.
A segunda, em partida válida contra o Bangu, equipe que seguia bem no mesmo campeonato principal, ocasião em que o estádio experimentou dois recordes: o gol de Azimundo, do Bangu, aos três minutos, o mais rápido daquela temporada (após falha berrante de Joínho); e a substituição do próprio Joínho, aos quatro, para alívio da bancada tricolor e lamento do treinador adversário, que se viu obrigado a também queimar uma substituição, tirando de campo seu jogador mais gordo e bem pago do elenco, para inserir alguém que, enfim, jogasse bola (o que gerou sérios protestos do empresariado).
Naquela temporada, a terceira partida de Joínho durou até o segundo tempo, contra a equipe do Tirolesa do Chile, quando tropeçou na bola e desabou fortemente contra o chão, batendo a cabeça e fraturando o fêmur.
O novo treinador tricolor, que recentemente chegara, estava disposto a recuperar Joínho, devolvendo seus áureos tempos de um Turcomenistão clássico (alcunha que lhe deram devido à sua imponência nas melhores temporadas). Diziam alguns – e, nisso, também o departamento médico – que a partida do fêmur serviu para consertar a perna torta. E que a grave batida da cabeça (aqui, depositadas as maiores esperanças) teria desconectado alguma parte do cérebro responsável pelo mau jogo.
O importante era que Joínho estava curado e, nos treinamentos com bola que antecediam seu retorno, não cometera nenhuma bizarrice ou tropeço, para espanto e orgulho da mídia esportiva, das sociais das laranjeiras e dos seus próprios companheiros.
Finalmente, depois de vários meses, voltava Turcomenistão, para a primeira partida da final…
O jogo, que começara, estava intenso. Como de costume, a bola era bem distribuída no campo de relva impecável das laranjeiras. O setor sul não era ocupado, em demonstração de paz: pombas cabras brancas tomavam o local. Na ocasião, dirigente de uma equipe asiática foi barrado mesmo antes da entrada do estádio, em comum acordo entre os dois presidentes, que consideravam um descalabro receber propostas milionárias em final de jogo. Tudo transcorria da melhor maneira, em partida que, soube-se depois, superou a audiência das finais do fraco campeonato inglês.
Para os atletas, aquele dia de calor do Rio de Janeiro não ofuscava seu bom desempenho físico, fruto de comprometimento nos treinos, salários em dia e de longas noites de sono, sem festas. O futebol jogado era clássico, era bom!
E já passados mais de quarenta minutos da primeira etapa, Joínho tinha dado dois chutes de perigo contra a meta vascaína e, pasmem, ainda não havia se chocado contra a trave. A torcida tricolor ficava esperançosa e, desde os vinte e cinco, já havia parado de pedir sua substituição. A narração estava em polvorosa e o jogo entre Vasco e Fluminense era o que se assistia e sobre o que se falava nos cafés de Paris e nos bares de Barcelona.
Até que, finalmente, o momento mágico ocorreu: Joínho recebeu a bola na ponta esquerda, deu um drible de “direita canhota” – nomenclatura dada a devido à torção que causou em muitas pernas, incluindo a sua, e assim posteriormente alcunhado, em tentativas de repeti-lo pelas crianças nos colégios e nos bairros –, partiu em velocidade evitando todo tipo de marcador ou zagueiro. Não deu o passe: não, pois não precisava. Desvendou a zaga vascaína, desconcertou o melhor perseguidor e, em um intento firme, jogou a bola nas redes do Vasco da Gama, para delírio da torcida tricolor e aplausos até dos adversários, que reconheciam a plasticidade do desenvolvimento. Era ele, Joínho, o homem da partida, o garantidor da vitória de sua agremiação, que a classificava a requerer um mero empate no jogo de volta.
Nos dias seguintes, via-se o Rio de Janeiro ocupado por camisas e bandeiras do tricolor fluminense. Joínho foi recebido pelo embaixador da nação que lhe emprestava nome: o Turcomenistão: concederam-lhe cidadania, prometeram-lhe vaga na seleção nacional (incautos, como se o Brasil não o quisesse!), envolveram-no nos louros da bandeira, também verde. Foi-lhe dito que o detalhe vermelho do estandarte nacional passaria a ser grená! Era Joínho o ídolo, o mito, o novo rei! Até que…
Até que algo impensável aconteceu:
Na manhã de um sábado, um jornal publicou uma mensagem desoladora, que causou comoção, receio e desconfiança por todo o campeonato. O que ali estava escrito, repercutia mal até na mídia esportiva estrangeira. A divulgação primeira ocorreu por meio do periódico internacional “The Bombing Ball”. Era uma conversa vazada entre Joínho e um amigo próximo, em que aquele narrava minudências – até então ocultas – daquela data e, mais precisamente, do mágico momento ocorrido, no qual desfilou toda a sua técnica e habilidade.
Os jornais, incrédulos, noticiavam o fragmento mais marcante, que era composto, respectivamente, das falas do amigo e de Joínho:
– E aquela hora que você, com uma passada a mais, repentina e larga, ofuscou dois zagueiros do Vasco?
– Tropecei!
– Mas ainda evitou um carrinho?
– Quase caí!
– E o gol bem feito, de batida certeira?
– Chutei mal!
– Mas teve antes um passe seu de trinta metros, não teve?
– Quis me livrar da bola…
E após aquilo tudo, estava a verdade, desmistificada…
Passados uns dias, foram dados detalhes a mais do evento, quando se soube fruto de um ataque orquestrado contra os aplicativos de mensagens instalados nos telefones dos jogadores do Fluminense (suspeita-se do adversário zagueiro que foi driblado; ou do padeiro de ascendência portuguesa…).
Desvendadas as falas, sobre as quais recaíram severas dúvidas de autenticidade (como salientava a defesa, não dos caneludos zagueiros, mas dos bons escritórios), o sentimento tricolor tomou-se como de dissabor e de medo. Joínho defendeu-se, a zaga vascaína pediu anulação do jogo. Joínho perdeu a nacionalidade adquirida turcomena e quase foi excomungado. Ainda foram suscitadas opiniões diversas em meio a um debate acalorado que varou a semana.
Na partida seguinte, tudo voltou ao normal: Joínho, em duas jogadas sorrateiras, meteu mal o pé na bola, que se precipitou contra a rede, que, infelizmente, era tricolor. O Vasco da Gama sagrava-se campeão sulamericano, para desespero do Real Madrid.


Crédito da imagem: pixabay

Medo de quê?

Por: Bianca Latini

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Medo de morrer??
Eu tenho medo é de viver infeliz!!
De perceber que não sou dona do meu próprio nariz
Que dou voltas no mesmo círculo
E nem expando meu raio

Tenho medo de perceber que podia ter feito
e não fiz
Que passei no mundo como atriz
Encenando um papel que nem me cabia direito
Achando que tudo daria um jeito
Empurrando com a barriga
Deixando tudo pra depois

Tenho medo de não ter coragem de ouvir
meu corpo mudo de “voz”
Mas que fala através de sensações,
reações biológicas, químicas, físicas, mecânicas
Tenho medo de não ser precisa ao meu termostato natural
Esse que todo mundo tem e nem se dá conta…

Tenho medo de viver no medo
E esquecer de viver, também, a morte
Porque a morte faz parte de todos os processos da vida
Um esgotamento de propósito, desvivificação de algo que se nutria
Impermanência…
Passagem para um novo ciclo…

Por melhor que seja a música
Uma hora ela há de acabar…

 

Por: Victor Cabral

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Eu faço coisas bonitas quando penso em você
Junto palavras que eu acho que te façam rir
(Seu sorriso é peça chave)
De quantas maneiras diferentes eu posso te fazer sentir
(Nossas línguas: engrenagem)
Tudo o que penso e acho que deves saber

Eu nunca vou te ter
Pois te tendo, não serei mais esse eu
Mas outro, aquele que tem e não só deseja
O que vive e não só planeja
Que ouça mais e que nem tanto escreva
Pois se te tens ao alcance das mãos
Não rabiscaria mais o papel

Eu faço coisas bonitas quando penso em você
E tenho orgulho


Créditos da imagem: pixabay

 

Por dentro: fora da casca

Por: Bianca Latini

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Por dentro: fora da casca

Vambora
Vamos trocar essa roupa suja
Vamos limpar essa alma muda
Vamos fazer festejo e faxina
Dentro e fora das nossas ruas
Não vamos mais nos esconder
Na epiderme dessa casca que não nos traduz
Essa pele que nos faz parecer algo
que não nos faz feliz
É pele de atriz
É vida sem chafariz
Chega de olhar para o lado
E achar que eles tem o que nós não temos
Talvez eles sejam mais livres, mais libertos
E, por isso, mais bonitos
Talvez estejam apenas fingindo alegria, altivez, sensatez
Por dentro, fora da casca,
podem estar insanos e descabelados
Austeros e gritando de dor
Esmagados
Sem saber como sair desse envólucro
que se confunde com quem
Um dia deixaram de ser


Créditos da imagem: pixabay