Ritmo

Por: Juliana Latini

Ritmo

Sabe aqueles dias em que você se sente esquisito?
Parece que a frequência das diferentes partes do corpo não está em harmonia… e tudo à nossa volta também não combina…

Ontem, eu me senti assim… Então, parei, respirei muitas vezes, oxigenei todo o meu corpo e percebi que o problema estava em mim.

Entendi que nesses momentos preciso sintonizar-me comigo mesma, para perceber qual é a minha frequência. Caso contrário, tudo à minha volta começará a ditar os ritmos e – loucamente me perderei de mim – mais uma vez. Como uma dança de música desconexa que me exaurem todas as forças. Basta!
Decretei para mim mesma:
“A partir de agora, estou em sintonia com a minha frequência e me movimento nessa energia de dançar a minha música, curtindo cada detalhe, até os mais simples”.
Tudo dentro de mim dançou mais feliz a vida.
E uma surpresa…aqueles que estão ao meu redor parecem sentir os novos fluxos e acabam por orbitar comigo, ainda que em diferentes sentidos, mas cada um respeitando seus espaços, tal como a Terra e a Lua.

Um conselho que te dou…
Pare, respire e sinta o seu ritmo.
Seja reggae, ska ou regional
Seja rap, pop ou rock
Seja blues, jazz ou bossa
Aceite o seu ritmo e vá com ele desfrutar com alegria cada dia.

Nesse seu embalo, nem mais devagar, nem mais acelerado.

Vá na sua e quem quiser que vá contigo.

Antes de terminar, um pedido eu faço:
Perdão a quem eu julguei ser inapropriado.

O ritmo de cada um é algo sagrado!

Juliana Latini


Créditos da imagem: Pixabay

Por: Raquel Alves Tobias

A loucura certa no momento errado.
No momento errado, a loucura certa.
O momento certo na loucura errada.
Na loucura errada, o momento certo.
Regra de três
Regra de dois
Regra de vários
Um cálculo:
a vida imprecisa.
A ferida.
Haveria outra alternativa?

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Pixabay

Estrato Germinativo e Fossa das Marianas – Rumo às camadas mais profundas

Por: Bianca Latini

Estrato Germinativo e Fossa das Marianas – Rumo às camadas mais profundas

Pensei que estava curada
Ledo engano, doce ilusão
Que pretensão
Pura acomodação: para não cavar mais camadas
E não mergulhar mais profundo
Não adentrar nas zonas abissais do meu mundo
Talvez esteja alimentando meu ego e ainda não nutrindo meu Eu mais profundo
Quantas descascadas mais, para chegar às células tronco?
Quantas apneias, expurgadas e despidas de quem fui até aqui?
Quantos remelexos, varridas, sacodidas de poeira?
Quantos escombros para me dessoterrar e me tirar de tantas vestimentas?
Quantos epílogos? Quantas ementas?
Quantas tormentas e noites sem dormir?
Quantas páginas de caderno para escrever?
Quantas lendas a descobrir?
Perto de casa, longe daqui…

Por Bia Latini
16/02/2021


Créditos da imagem: Pixabay

Semente de Mim

Por: Mauricio Luz

Semente de Mim

Olhei dentro de mim, e encontrei uma semente.
Plantei –a no chão firme e fértil de meu compromisso,
E a reguei com a água de minhas emoções.
Dei-lhe alento com o meu foco,
E queimei as ervas daninhas com o fogo de minhas ações.
A semente germinou.
O tronco cresceu.
Folhas surgiram, flores nasceram.
Frutos apareceram.
Pessoas vieram, usufruíram do frescor de sua sombra,
Saborearam os doces frutos.
Alguns os levaram, outros os comiam e cuspiam as sementes.
E as novas sementes germinavam.
Os novos troncos cresciam.
Novas folhas surgiam, novas flores nasciam.
Novos frutos apareciam.
E quando novamente olhei dentro de mim, encontrei uma semente,
Multiplicada em floresta,
Em outras pessoas que não apenas dentro de mim.

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

A Hora do Só

Repost | Por: Diogo Verri Garcia

“A Hora do Só”

Quando apressa-se em achegar a madrugada
Em que me finjo aos outros desfraterno,
Pois não há mal que faça um ruído, um nada.
Permaneço só, privado da distração malfamada,
Pois é nesta hora apenas
que tenho no silêncio um subalterno.

Diferente de quando toca a alvorada
E tudo mais insiste em dizer: – é dia!
O zelador que canta, o cão que persiste e ladra,
Até o vigário que, sem culpa alguma, Deus lhe valha,
Faz em minha porta romaria.

Até quem nunca, por razão alguma, me chama,
Insiste em fazer-me atender telefonema.
Assim, as horas voam, com sol lá claro,
E eu, já tão aprazado,
Aguço-me em ver a distração que é a menor dentre as pequenas.

Por isso, quando tudo se cala
E o céu sente sono,
Anoto: ter café vale igual a ter palavras.
Estando madrugada,
Sinto-me como se um minuto fosse longo; que a pressa desse abono.
Quando antes, ainda claro,
Cada segundo me calava.

Por: Diogo Verri Garcia

(Rio de Janeiro, 09/12/19, 2h05)


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Sobre saber pedir ajuda

Por: Priscila Menino

Sobre saber pedir ajuda

Hoje, depois de milhares de processos de auto conhecimento e terapia, eu posso afirmar que me conheço e sei quem sou.
É claro que é necessário um adendo aqui, pois, a despeito de quem sou hoje, eu sei que ainda há muita coisa pra se conhecer, aprender, reaprender e ressignificar, afinal, somos uma eterna mudança.
Mas, apesar disso, inquieta que sou, estava eu vestindo minhas roupas de volta, após ter feito uma tomografia e fui acometida de uma onda reflexiva que me acertou em cheio dentro de um banheiro, totalmente despida de bloqueios.
Pensei no quanto é necessário pedir ajuda, já que, apesar de julgar me entender bem comigo mesma, precisei de um auxílio de uma geringonça para olhar como estava minha cabeça internamente.
Apesar de eu “morar” no meu corpo e ter consciência de todos os meus sentidos e mapear minhas emoções constantemente, eu precisei do auxílio de um elemento externo para rastrear e identificar o que estava me causando dores de cabeça, pois sozinha não foi possível sanar a dor.
É por isso que não devemos ter vergonha de pedir ajuda externa, ainda que entendamos que temos tudo sob controle.
Aquela epifania me fez ver quantas vezes eu ignorei meu corpo pedindo socorro por não estar suportando sozinho a barra, já que eu ignorava e ratificava meu suposto orgulho próprio.
Imaginei quantas pessoas sofrem caladas sem buscar ajuda, as vezes sem nem mesmo entender a razão da dor.
Então não tenham medo de pedir ajuda, ninguém está sozinho, ninguém, acredite!

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Pixabay

Para de olhar pro lado!

Por: Bianca Latini

Para de olhar pro lado!

De onde vem esse medo de cair
De me emburacar?
Expor a ferida
De me machucar?
Esse medo de ficar contente e depois me frustrar
Que me faz ficar infeliz por antecipação
Sofrendo por um possível revés, um baita senão
De onde vem esse medo de errar, fracassar e não ser boa o bastante?
Por que não vivo, simplesmente, agora, neste exato momento, neste breve instante?
O que há por vir, o que será….
Isso é puro hipotetismo, perda de tempo, blablabla
Por que me comparo tanto e acabo me diminuindo?
Quem foi que disse que a grama do vizinho é mais verde?
Às vezes ele só é mais livre, mais autêntico, mais topetudo, mais marqueteiro ou vive a vida em puro flerte
De onde vem esse comedimento em não ser muito grande, não querer aparecer, me destacar, em não parecer que o pavão quero enfeitar?
De onde vem essa síndrome de tentar caber, pertencer e me ver reconhecida?
Deveria ligar o “foda-se”, fazer o que der na telha, sem plateia, sem conselhos, sem espelho, sem aplausos, sem aprovação
Ser destemida!
De onde vem esse medo de ter medo?
De não ser corajosa o suficiente
De ficar atrás de muita gente
A vida não é sobre quem chega primeiro, Quem é o melhor
Não há competição e sim evolução
Essa jornada é individual
Sem muito confete, sem carnaval
Você com você mesmo
Seus projetos, suas verdades, seus aprimoramentos, seus entendimentos, o que faz sentido e o que é pura enganação
Suas potências, suas resiliências, suas etapas, suas trocas de faixas, suas viradas, suas sacadas…
Sua consciência e a forma como lida com tudo a sua volta
O objetivo não é ganhar e sim expandir
O outro não é concorrente e sim seu assistente
Entende isso e para de querer virar vidente
Vive o hoje, o agora, sem vergonha, sem reprimenda, sem medo de ser ousada e até “fracassada”
Faz piada de si mesmo, senta na mesma calçada, ri e chora
Depois comemora a vitória de ter vivido a verdade
Independente da maldade, da falsidade, do pensamento alheio
Vive sem receio
Vive teu meandro de peito aberto , de cara limpa
Sem colocar nenhum escafandro
Nada no teu mar
Enfrenta tuas correntezas
E, absolutamente, PARA!!!
de querer ter sempre certezas!

Bianca Latini


Créditos da imagem: Pinterest

Clássicos da Literatura: Fernando Pessoa

Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.

À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
«Que farei eu com esta espada?»
Ergueste-a, e fez-se.

(Fernando Pessoa)


Créditos da imagem: Unsplash

Leveza

Por: Juliana Latini

Leveza

Cargas alheias, decidi tirar dos meus ombros.

Vi que me apegava a elas para me distrair das minhas.
Olhei para dentro de mim e não consegui me enxergar claramente.
Decidi encarar-me e iniciei o trabalho de limpeza e organização de tudo que me fazia respeito.

O que eu buscava?
Na primeira autorreflexão, veio-me uma resposta: Busco a mim mesma.
No decorrer do processo, outra resposta saltou-me: leveza.

Olhar com leveza para tudo que precisava carregar nessa vida.
Aprendendo a eliminar o que já passou, a despressurizar a alma, a descarregar a mente, a desobstruir o coração.
Aprender a viver de forma leve… descansar, desfrutar, apaziguar..
Olhando para frente, para o alto e para dentro!

Sabe o que eu mais aprendi nessa faxina interior?
Que quando a gente entende o sentido, tudo fica mais leve, mais harmonioso.
A gratidão começa a brotar onde outrora estava árido, ríspido.
E o melhor: a grandeza da vida se manifesta na simplicidade.
Despertar para a natureza, para as suas belezas e para a sintonia dela é despertar para o que habita dentro de mim. Isso mesmo! Descobri um jardim em meu interior. Onde repousa a paz e as borboletas.
Agora, sabe o que eu faço quando estou em silêncio?
Passeio por esse jardim e o contemplo.
Cultivo-o com amor.
Respiro o seu frescor.
Alimento-me dos seus frutos.
Sacio a minha sede em sua fonte.
E observo…
a leveza.

Juliana Latini
28/01/2021


Créditos da imagem: Nappy

Por: Raquel Alves Tobias

Hoje te vi de novo, ali de canto, calada.
Observando e tentando entender.
Ouvindo risadas e piadas.
O peito trêmulo, quebrando a casca
Expondo a parte a se esconder
Entorpecidamente furiosa
Oscilou novamente por entre as partes
De casca e carne, e a quebra que faz doer
E doeu
E doeu…
Mais uma vez, como em muitas
E soltou,
E soltou…
Dessa vez como antes nunca

O vento sopra pela fresta
Talvez sim, talvez não.
Mas amanhã, cheira a verão.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Pixabay