Geração X, Y, Z… até onde vai ser?

Por: Priscila Menino

Geração X, Y, Z… até onde vai ser?

Estava eu aqui refletindo sobre as gerações e as mudanças na sociedade. Eu faço parte de uma geração que, em uma grande maioria, teve pais que lutaram para buscar oportunidades de emprego e busca de condições melhores. As mulheres ainda estavam encontrando seu espaço no mundo corporativo e deixando de ter ser a única responsável por manter o conforto do lar e a criação dos filhos saudáveis e ortodoxos. Meu pai sempre nos contava que veio do interior do Paraná para a então recém capital do Brasil em busca de melhores oportunidades e para “crescer” na vida. Ele não pode estudar, pois tinha que optar entre estudar ou trabalhar para obter dinheiro para auxiliar na renda doméstica. Aprendeu com meu falecido avô a a profissão de mecânica. Acostumado a rir das mazelas da vida, meu pai vivia falando que meu avô falava: “meu filho, estude ‘medicina’, mas ele entendeu “oficina’” e acabou sendo mecânico por herança do meu avô. Meu pai é o que se pode denominar como uma pessoa autodidata, um verdadeiro “MacGyver fundido com Chuck Norris” (se alguns da minha época ou mais novos não souberem, perguntem ao oráculo Google). Para vocês terem ideia, já vi meu pai produzir peças para carros e resolver o problema mecânico do motor, arrumar armários em casa, fazer ajustes na lavadora, ajustar o jardim de casa, montar e desmontar um brinquedo que tinha parado de funcionar e fazê-lo ser ainda melhor após isso e mais umas mil coisas que envolvem uma furadeira, uma chave de fenda ou uma chave Philips. E o mais impressionante é que ele não concluiu a quarta série, mas, quando eu preciso de alguma ajuda, seja ela qual for, ele dá um jeito de aprender pra resolver. Não fala nada de inglês e não se ajustaria em uma sala de cursinho o ensinando o verbo to be, mas me ensinou a amar Beatles, respeitar Bee Gees, ABBA, Roxette, Air Supply, The Police e mais umas lista enorme de bandas e cantores internacionais.
Para compensar o que não teve, meu pai e minha mãe pagaram escola particular para mim e para meus irmãos. Houve dias que eu não via meu pai (muitos e muitos dias), pois ele precisava entregar os carros prontos e nunca teve uma organização de um esmero administrador de empresas, afinal, ele aprendeu com meu avô e ele também não era um bom administrador. Eu e meus dois irmãos tivemos oportunidade de estudarmos e nos formamos, pois meu pai de uma forma instintiva queria que fôssemos “dôtores”.
Eu saí de casa cedo, casei jovem e me formei jovem também, seguindo os passos da minha mãe, que se casou com apenas 16 anos.
Mas a maioria dos meus amigos não tiveram um caminho similar. Minha geração teve uma grande dificuldade de entender o que era se rebelar contra uma predeterminação que nossos pais queriam para nós, com os limites de ser exatamente o oposto.
Em seguida, veio uma nova geração, com ainda mais informação e acesso a tecnologia que acabou optando por não fazer os métodos tradicionais de educação, conheço tantas pessoas que optaram por não concluir o ensino médio, por exemplo.
Agora a ironia da vida é que curiosamente nossos pais ou avós não puderam estudar e ter uma formação acadêmica por não poderem, seja pela dificuldade financeira ou pela dificuldade de locomoção ou mesmo pela dificuldade geográfica.
Enquanto isso hoje a juventude está deixando de fazer os métodos tradicionais de postulados de “educação básica” em decorrência de uma opção.
Aí eu me pergunto: será que eu serei vista como uma pessoa antiquada pelos meus netos quando eu disser como era complexo o período de provas na faculdade e conciliar isso com os dois estágios que eu tinha nos turnos opostos?
E como estão as novas profissões que vão surgir na nova sociedade com essa juventude? Bem, aparentemente vamos esperar para ver e eu espero estar sentada tomando uma taça de um bom vinho e com propriedade dizendo aos meus netos: “me ensina a mexer nesse troço aqui, na minha época, a gente ainda precisava procurar as respostas, vovó não está habituada com essas mania de vocês…”

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Pexels

EM GAROPABA

Por: Diogo Verri Garcia

EM GAROPABA

Em Garopaba, até dia chuvoso encanta,
Observar baleias-francas no mar que tanto agrada.
O pesqueiro branco, de nome rubro Agostinho,
Do mar não volta sozinho,
O vento forte o afaga.

De montes verdes, areia escura e água clara,
O mar em Garopaba compete a beleza com o sol.
Por entre as praias, a vida encontrou enseada:
serena, tem tempo que não se acaba, na paciência da rede ou do anzol.

Por agora, faz-se intenso o céu cinzento.
As águas seguem o tempo briguento,
Espelham a cor, moldam-se ao vento,
Grisalho se torna o mar.
Se faz calor, em Garopaba também faz frio.
Não é viver janeiro no Rio, onde a brisa se recusa a gelar.

Despede-se o poeta que escreve a Garopaba.
Lugar a que não foi.
Por quem fotografou, conheceu:
O barco, a chuva e o vento em Garopaba,
o mar que não se acaba,
o mar que almiranta.
E escreveu: em Garopaba, até dia chuvoso encanta.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro – Garopaba, 05/01/2019)


Nota do autor: os versos foram inspirados na imagem do fotógrafo gaúcho e amigo de longa data Ricardo Moglia Pedra. O clique, segundo ele, dado despretensiosamente, enquanto passava o fim de tarde em Garopaba, com sua família, retratou o barco branco (o pesqueiro Agostinho), o mar de Garopaba e o dia chuvoso. Logo abaixo da foto, foi posta por ele a legenda: “Em Garopaba, até dia chuvoso encanta”.


Créditos da imagem: Ricardo Moglia Pedra (@ricardomogliapedra). Acervo pessoal. Praia de Garopaba.

O voo dos três poderes

Por: Priscila Menino

O voo dos três poderes

Em uma das minhas idas e vindas das minhas viagens, estou em um voo saindo do Rio de Janeiro e voltando para minha amada, idolatrada Brasília, quando me deparo que próximo ao meu assento estavam três importantes figuras públicas.
A minha frente estava um ministro do STF, próximo a ele, estava sentada uma Diretora de uma Agência Reguladora e, finalmente, observei um deputado que já foi motivo de muito assunto nos noticiários há alguns anos, por decorrência de um dos escândalos que o Brasil teve marcado em sua história.
Ironicamente, todos estavam sentados do mesmo lado no avião, apesar de nem sempre estarem no mesmo lado na posição política.
Acabei me pegando escrevendo sobre esse atípico voo, que mais parecia que eu estava na praça dos três poderes do céu, pois havia ali representantes do Poder Judiciário, do Poder Executivo, do Poder Legislativo, respectivamente e euzinha representando o povo (preciso dar uma moralzinha pra mim também rs).
Pensei, primeiramente, em como o Brasil possui tamanho continental, mas é demasiadamente pequeno, considerando que, apesar da diminuição da malha aérea na pandemia, todos estavam em um mesmo voo em uma aleatória segunda-feira comum.
Depois, filosofei um pouco mais e pensei em como nós como meros seres humanos que estávamos em um pássaro de ferro, estávamos sendo controlados por um ser humano.
Apesar dos cargos políticos ou não, todos ali estávamos em uma mesma hierarquia, éramos seres humanos que dependíamos das habilidades do piloto, pois nossas vidas estavam (quase literalmente) em suas mãos.
Pensei na fragilidade da vida e em como a gente estava em uma condição de igualdade, afinal, estávamos todos no mesmo barco (ou mais especificamente no mesmo avião), onde os nossos cargos, profissões, ideologias e tudo mais, não importam, se porventura uma improvável tragédia ocorresse e o avião caísse, somente o Divino poderia escolher nosso destino, pois ali éramos todos meros mortais, na nossa condição mais frágil e vulnerável.
Ao pousar, meu lado leonina pensou: que bom que tudo correu bem, ninguém lembraria de falar de mim com um avião tão cheio de gente pública assim.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Unsplash

VERSO CONSTRUTOR

Por: Diogo Verri Garcia

VERSO CONSTRUTOR

A vida de quem ponderou a mais,
Transforma qualquer candura e paz
em questionamento.
Deixa, passada, tanta questão imperar,
que sem permitir explicar,
Transfaz ternura em alento.

Não notou o quão gigante
O bem maior que ela, a vida, te quis,
Pois quedou-se matriz
da desconfiança que se tornou mútua.
E, de tanto assim ponderar,
Destronou a alegria, pretensiosa em ficar,
Causou a paciência enxuta.

Mas a vida, tão bela, balança,
Não cansa de transfigurar-se
A querer-te ensinar
O que me havia passado contigo.
E eu, com meus calos, me calo,
Estafado de pretender responder,
Já, inconveniente, bradar,
Na angústia de fazer-te notar,
Que ela, a vida, é bem,
O nosso tempo maior,
Que tão mais descuidado
Se faz incompreendido e perdido.

Mas passa, passa a paciência,
Passa a insistência
E vem a compreensão.
Pois nada mais
é melhor instrumento,
Quando se há de viver o seu próprio tempo
Para uma construção.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 29/03/2020).


Créditos da imagem: Unsplash

Família tradicional

Por: Priscila Menino

Família tradicional

Vi uma notícia que me fez refletir.
A reportagem falava sobre a extinção da família tradicional brasileira.
Fiquei pensando no que se entende por família tradicional e por qual motivo se eleva essa condição a uma relevância considerável.
Ideologias religiosas a parte, penso que família deve ser baseada em laços fraternos de amor, ainda que tenham horas que momentaneamente queriam se matar, afinal, faz parte de toda boa família.
Eu posso afirmar que a família que constituí e da qual me orgulho muito não é a tradicional brasileira.
Minha filha é fruto do meu primeiro casamento, portanto, já fui divorciada.
Meu esposo tem outros dois filhos que não são meus filhos biológicos.
Mas o que nos une são laços de amor.
Amor real, que supera o dia a dia e está junto por uma opção e não por uma imposição de qualquer natureza.
E por isso eu me incomodo tanto com esse fascínio de alguns com o que se considera “família tradicional”.
O que deveríamos sempre valorizar não seria o amor acima de tudo?
Se houver amor, qual o problema de ser um casal do mesmo sexo com filhos ou de se ter uma mãe solo?
Aliás, fazendo uma analogia com o mundo gastronômico, de uma forma geral, os sabores tradicionais são os mais sem graça.
Gosto mesmo é daqueles sabores excêntricos, instigantes e provocativos; com tempero e sabor.
Uma família unida pelo amor, seja ela de qual forma, modelo, crença, raça ou do jeito que for, é bonita demais para encaixar nos esteriótipos “tradicional” ou “não tradicional”.
Me espanta que em pleno século XXI ainda usemos esse tipo de classificação tão simplória e retrógrada.
Se tem o tempero do amor, tem sabor. E onde há amor, não é insosso.
Por isso me incomoda esse termo “tradicional”.
Portanto, nada insosso para mim, obrigada!
Nem na vida e nem na gastronomia.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Unsplash

VINTE E CINCO

Por: Diogo Verri Garcia

VINTE E CINCO

O que há em beijos
Que começam e te deixam?
E ameaçam, com boca próxima,
Não sente culpa; transparecem o desapego
De um nada mais…
E veem sussurros
Que terminam dando nós nos teus ouvidos,
Que transforma o precavido,
A aventurar-se nesse abraço,
A deleitar-se,
Sentir amor, viver em paz.

O que há nos olhos?
Que mudam as cores só de olhar,
Juram amores, sem jurar.
E fazem os meus olhos
Perderem brilho e contorno, a me entreter,
No entorno que há, desapercebido.

Qual é a graça de tais ensejos
Que fazem a alma e a paz morrerem de alegria,
Permitem até ao amor que jaz sentir melhoria?
Que faz alguém como eu, haver-se bem demais,
Como se houvesse ela tocado o centro
De um coração que, por precaução, sempre atento,
Mas que se desprecaveu ao vento,
Dado o tempo em que a alma se desfaz,
Já que, sem tais beijos, tornados seus ás,
É tão vazia.

O que, por fim, caberá, sem nada lá haver?
E se perdurou por perceber
Que aqueles olhos brilham tão mais
Do que só euforia.
Pois haviam deixado algo
Que então, meu peito, não arcais,
Pois tomado de jeito, não abstrais
Que só será deixado só,
Algum dia.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 30 de maio de 2020).


Créditos da imagem: Magnific

Jesus está voltando?

Por: Priscila Menino

Jesus está voltando?

Reparei uma faixa na rua com os seguintes dizeres: “Jesus está voltando”.
Me peguei então refletindo sobre isso. Afinal, Jesus está voltando ou ele está no meio de nós o tempo inteiro?
Gosto de pensar em Jesus como uma divindade que nos auxilia na nossa jornada, nada personificado, mas algo muito maior e mais onipresente, com uma bondade imensurável, nada carrasco e punitivo.
E é por isso que eu penso que, independente de conceitos e axiomas religiosos, Jesus não está voltando na sua literalidade, ele já está entre nós.
Vejo Jesus no abraço fraterno de uma criança com os pais, vejo Jesus na flor que brota sem cuidado algum, vejo Jesus no gesto de gentileza que torna o dia mais feliz.
Vejo Jesus até mesmo no nascer do sol, no por do sol, nos dias nublados, na chuva que cai e lava.
Personificar Jesus em um ser que tem um horário de chegada e da saída do nosso planeta é simplório demais para dimensão do que significa para mim e da forma leve que o sinto em cada pequeno momento que poderia passar despercebido, mas com consciência e atenção a gente passa a identificar.
E que venha mais e mais consciência para sentir e agradecer.

Por: Priscila Menino


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LISBOA EM FINAS TARDES (TEMPO À JANELA)

Por: Diogo Verri Garcia

LISBOA EM FINAS TARDES (TEMPO À JANELA)

Passou,
Mais um dia passou aqui da janela.
Algum frio e vento, estupendo e seco.
Fim de tarde vagarosa e bela.

Por aqui, o tempo não cravou estandartes,
Nem usurpou os dias feito fossem suas meretrizes.
Lugar em que as passagens de horas são afáveis.
Diferente de onde venho, onde não criam raízes.

Dia não frívolo, como aos poucos evapora um copo d’água.
Não há obrigação de pressa, para que aqui se apresenta má.
Tempo à beça, que nos resta de um dia já vazio,
Pomos o sol e nos acorda o sol pelas manhãs.

Por ora – palavra que me lembra do relógio que, por cá, não envaidece -,
É tanto tempo, que cabem mil dias em um só.
Murmurinhos: sopram em tons de vento, enrijecendo a pele que adormece,
Pondo em bons alentos os cabelos em nó.

Calma há, que não se sabe nem da metade.
Estará enterrada a pressa – eu que vi seu gurufinho.
Onde não há momentos para a vaidade daquele calor que nos maltrata,
Só pasteis de nata, tantos sabores e vinho.

Mais um dia em que a correria padece.
Nem cedo chega a noite,
Despede-se a tarde, em tons de luz e de prece.

(Diogo Verri Garcia, Lisboa, 27 de Agosto de 2015)


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Smize

Por: Priscila Menino

Pleased curly haied woman wears protective face mask to prevent coronavirus spread dressed in casual black t shirt expresses positive emotions isolated over yellow background. Quarantine time

Smize

Aprendi recentemente uma nova invenção de palavra propagada por Tyra Banks: smize.
Trata-se de uma mistura das palavras “smile” com “eyes”, ou seja, algo equivalente a sorrir com os olhos.
Em tempos de uso de máscaras como apetrecho obrigatório para nosso dia a dia, fica impossível vermos claramente as expressões faciais, restando então na necessidade de aprendermos a “lermos” olhos e olhares.
Minha filha esses dias me disse: “mamãe, eu te reconheceria de máscara em qualquer lugar do mundo”. Acho que ela, no auge dos seus cinco anos de idade, já adquiriu a habilidade de fazer algo que eu venho aprendendo já adulta: ler olhares e saber identificá-los em meio a multidão. Mais um vez constato: tola sou eu que insisto em achar que eu que sou a educadora da nossa relação.
Penso então que em tempos normais de temperatura e pressão, quantos olhares nos passaram despercebidos? Quantos sorrisos sinceros são ignorados quando temos distrações diversas por aí? Sabemos nós ler o olhar até mesmo daqueles que vivem conosco diariamente? Sabemos sorrir tão livremente, ao ponto dessa alegria escapar pelos olhos?
Divagando por aí, certa vez a moça ouviu dizer que seu sorriso era lindo e radiante, o que causou evidente estranheza, pois seus dentes eram tortos e não pareciam típicos de uma propaganda de pasta de dentes. Acontece que essa moça sorria utilizando os olhos e aqueles eram penetrantes como a alvorada de pássaros no nascer do dia.
Ah, fico estarrecida ao pensar que precisamos ter sido acometidos por pandemia para aprendermos o valor de um sorriso tão sincero que está xerocado através dos olhos.
E já que estamos aprendendo diariamente a lidarmos com o nosso novo normal, que possamos aprender a não deixarmos que nada oculte ou crie barreiras para os nossos “smizes”.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Magnific

BATALHA SOBRE AS ONDAS

Por: Diogo Verri Garcia

BATALHA SOBRE AS ONDAS

Devemos caminhar longe daquilo que nos faz mal,
Do que nos desalegre,
Ou que nos extermine.
Não é questão de regra,
De bom trato social.
Como se dizer adeus,
Para, enfim, reabraçar fosse anormal.
Mas há limitação entre o não triste ser
E a busca do que por bem vá guarnecer,
Para pretender – o melhor pretender,
Isso sim existe.
É feito achar-se no não terminado em oficial,
Mas que terminado está, antes que se termine.

Para que ter tal trabalho em querer compreender,
Se essa opção não traz remédio, quando nem remediada a vida será.
Melhor viver, deixar viver e passar.
Seguir sem o tédio de uma das grandes dores,
Quando hábil e sábio é ver a vida
em cada um de seus fartos e vários amores.
Que te amam quando te sentem perto,
Até, passado meio metro, já deixarem de te amar.
Mas se é feliz, em cada palmo,
Sempre e só enquanto se está.

Por isso ame, tal qual se ame,
E ame a outrens dando de si
Algum tanto de tudo e cada pedaço de nada.
Uma mistura de “algo a esconder”
Com outra pitada de “coisa alguma a temer”,
De sorte que,
Ao fim, em devoção,
Haja só boas lembranças, sorrisos e promessas,
Que receba dessas almas boas rezas
Na oração da longa estrada.

Quando, finalmente,
Ao encontrar alguém que ame,
E ame tudo em troca,
De tão exato,
Por certo nem perceberás.
Tanto correto dizer que assim não notas,
Fecharás outras portas,
Todas as quais deixarás,
sem despautério, sem duvidar.
E, portanto, adentrando em uma só razão e caminho,
Graças a cada traço de quem
Já te trouxe dor, fulgor, mas formou-te raiz,
Estarás, então,
Em alinho,
Feliz
E, desta vez,
Sem nem notar.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 23 de maio de 2020)


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