Amizade

Por: Bianca Latini

Amizade

Amizade é rio

Correnteza de prosperidade

Jornadas que confluem

Influem

Fundem-se, somam-se

Às vezes separam-se

Mas a nascente do rio permanece em sua matriz jorrante

De água, de amor, de bem-querer, de acolhimento, paz, risada, entendimento, divergência, frutificação de nova percepção, através do olhar do outro

Amizade é abraço, laço, ponte, tijolo, contrução de afetos

Entrega e Recepção

Percepção

Amizade é expor-se em sua nudez, perder a dita sensatez do que  o outro espera que sejamos

Grandes amizades só surgem da permissão à vulnerabilidade, da exposição do nosso eu mais menino, mais desprotegido e também mais louco e feliz, sedento por novas experiências

É na exposição das nossas feridas, dos nossos medos, desejos e piradas, que as amizades ganham raízes nutritivas, que são como que passaporte para uma rede de proteção, onde nos sentimos seguros e amparados pelo acolhimento e o espaço que o outro nos dá para sermos nós mesmos

Tem amigo que chega no início das nossas vidas, pela amizade dos nossos pais, amigo do colégio, do prédio, da faculdade, amigo dos nossos amigos, amigo do trabalho, de um esbarrão na rua, pela “obra do acaso”, amigos que tinham tudo para ser desafeto….mas…o feto da amizade é feto fértil, potente, latente, ainda que fisicamente distantes os amigos. E basta um sorriso, um olhar, uma palavra, ou mesmo um silêncio….para que, num instante, nossa vida se transforme num imenso abraço!

E viva a amizade-laço!

Por Bia Latini

Por: Mauricio Luz

Um movimento, uma ondulação
E uma doce fenda revela
Um pouco de você.
Revela sem revelar
Instiga o devaneio, a fantasia
Como a água do mar faz
Com a sede do náufrago que
Perdido no oceano
Sonha em chegar na praia.
Ah, fenda! Não está só no vestido!
Está na minha vontade, na minha arrogância
Mostrou o rasgo no meu tecido de aparências,
A divisão entre o meu querer e o meu dever
Placas tectônicas que provocam
Mil terremotos em mim.
O que fazer? Para onde olhar?
Como desviar-me das curvas que
Me jogam contra meu controle,
As minhas regras?
O que fazer quando a visão da sereia
Me alcança desamarrado do mastro?
Mais um movimento, mais uma ondulação,
A traidora fenda revela
um pouco mais de você
E de mim.
Justamente, vejo-me perdido,
Quando posso ter me encontrado.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

A viagem

Por: Mauricio Luz

A viagem

Dizem que a vida passa
Quando menos se espera,
Ela se vai
Mas somos nós que passamos,
Navios vagando no oceano da existência
Na ilusão de que são portos seguros
Até sempre lembrados de sua condição,
Pelas surpresas do imponderável.
Navegando e vagando
Entre as vagas que se erguem
No mar de mistérios que nos cerca
Outros navios encontramos.
Tamanhos diferentes, cores distintas,
Diversos, únicos e incontáveis
Como os átomos que formam o vento
Que nos dão alento.
A rota traçada pelo mais exímio capitão,
Não controla as tempestades do navegar.
Tampouco as bonanças e as boaventuras,
E os demais navios com os quais certamente cruzará.
Mas das poucas coisas que o navegante experiente
Sabe e sente
Os outros navios com os quais se encontra
Trazem mercadorias e especiarias
Que alimentam o corpo e a alma:
O tempo concedido, O sincero respeito,
O amor perfumado e sincero.
E a certeza inconsciente de que são muitos barcos, muitos desvios
Mas o destino é o mesmo
E o impreciso navegar fica mais leve
Quando pão e o vinho das experiências da viagem,
São divididas na mesa da refeição da Amizade.
Multiplicam-se infinitamente,
Concedendo energia e graça ao corpo e à alma,
A certeza de que se a chegada é a mesma,
Não importa o destino,
O importante é a viagem.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Por: Mauricio Luz

Às vezes, me é tão difícil
Estabelecer fronteiras, reconhecer divisas
Onde começam e acabam as coisas!
Pois não seria o infinito
Formado de pequenos finitos?
E o que chamamos de morte não integra
O misterioso processo da vida?
O que é o Todo senão o Nada?
Aquilo que se chama de matéria
Não é apenas o vazio condensado?
O que é o tempo senão o espaço
Que separa dois agoras?
Não seria a eternidade
A soma de todos os momentos?
E se o fim de algo gera um novo começo
Há realmente fim?
É tão difícil estabelecer fronteiras!
Será que elas mesmo existem?
Ou são as grades da cadeia de ilusões
Que eu mesmo forjei
E nela me aprisionei?

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Não esqueçamos o Natal do Ser

Por: Bia Latini

Não esqueçamos o Natal do Ser

O quanto vivemos fingindo
Sobre aquilo que nem sabemos que gostamos?
Sobre aquilo que não nos oportunizamos?
Natal vem chegando e queremos comprar presentes
Tem presente mais caro do que clareza, percepção?!
Podemos enfeitar a árvore
Mas joguemos luz sobre nós mesmos
Sobre nossos seres famintos, sedentos, carentes e disfuncionais

Façamos limpeza em nossas casas para morada das ceias
Mas não nos esqueçamos de fazer faxina em nossas ruas internas, abrindo espaço para o que precisa desentupir, desengargalar

Prestemos atenção aos nossos rompantes:
eles falam muito sobre quem estamos deixando de ser
Sobre aquilo que abandonamos fazer
Sobre a fluidez, da qual poderíamos nos prover
Sobre todo presente que deixamos de receber
Pois estarmos aqui:
Rotacionando no rodamoinho da matriz
Aspiralando para o ralo do “todo mundo” e depois não sabemos de onde vem tanta insatisfação
As nascentes dos nossos rios não jorram mais água
Elas dragam Rivotril

Que possamos montar o falso pinheiro
Fazendo alusão ao Eu verdadeiro
Ir colocando as partes, arrumando a base, os galhos…e a cereja do bolo… ou melhor, da arrumação…
É ela: a Estrela, no cume
Aqui em nossa analogia, vulgo: coração

Cantemos as canções Natalinas
Sem deixar, cristalinas, as músicas que pulsam em nós.

Viva o Natal do Ser!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

O poro ainda pora

Por: Bia Latini

O poro ainda pora

O poro ainda sente
O poro ainda ressente
O poro ainda se defende dos perigos de outrora
O poro ainda pora
O poro ainda demora em tanta escassez
O poro tem medo de todos vocês
O poro chora
O poro está, mas não vive o agora
O poro não segue
Ele vai
Mas sempre fica
Na memória
No gatilho
O poro ainda pora na carência
Na latência da dormência da falta doída
A ferida fechada, mas ainda aberta
Ainda viva
Ainda reprimida pela máscara
Pela cortina
Pelo manto do verniz que acoberta
ator, atriz
Dilacerados
Usurpados de si mesmos
Hóspedes da própria casa
Joguetes nas mãos do acaso
Reféns dos próprios dramas
Que comece a marcha para os labirintos humanos…

Quem vai cavar a própria cova?

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Os Quatro Elementos – Terra

Por: Mauricio Luz

Os Quatro Elementos – Terra

O perfume que exalas
Após a chuva que te encharcas
É uma irresistível sedução para meus sentidos
Exaustos de plástico e artificialidade
Ah, Terra, Terra…
Descalço, eu te sinto
Que meu pisar não deixe cicatrizes
Mas as marcas do amante que se entrega à amada
Recebe meus passos como beijos!
Ah, Terra…
Que me apoia sem condições,
Que me alimenta sem restrições,
Que me suporta incansavelmente!
Concedeu-me partes de si mesma
Para que eu me formasse
E em teu colo amoroso,
Pudesse contemplar as estrelas!
Teu toque me energiza, tuas cores me enlaçam,
E a vida que gera impulsiona a minha.
Ah, Terra, obrigado!
Sei que não tenho te amado como poderia
Mas nossos laços são indestrutíveis.
O que te faço me afeta mais a mim do que a ti,
Pois meu corpo é teu, tua dádiva, teu presente!
E quando voltarmos a ser um só,
Receba-me em teu leito para que possa renascer
Nas flores e frutos que brotam de ti

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Chispa Divina

Por: Mauricio Luz

Chispa Divina

Gatinho, na varanda
Seus felinos olhos azuis
Contemplam a chuva que cai
Será que buscam entender
De onde vem? Para onde vai?
Por que tudo isto?

Eu, na varanda
Meus humanos olhos castanhos
Contemplam o pequeno felino
E me vejo encarando um espelho
Será que quando contemplo as estrelas
Tenho a mesma expressão?
E que o sorriso que dou ao observar
a curiosidade felina
É o mesmo sorriso que provoco
Quando observado por olhos atemporais?

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

A vida simplesmente é…

Por: Bia Latini

A vida simplesmente é…

A vida é simplesmente assim
Ela é
Ela simplesmente é
Ela flui, às vezes para, entope, desenrola, recomeça, pausa, se mostra, revela
Ela engargala e parece que não tem brisa
Depois vem tufão
Tudo brota, morre, se reconta
Desmonta
Ergue
Frui, flui, embui
A vida singelamente é
Com a magnitude da simplicidade dos capítulos, dos ciclos, dos momentos
Basta a permissão do piscar dos cílios
Essas cortinas da nossa janela visual
Temos pele, farejador, orelhão
E o Rei de Copas
A vida mora em nós
Ela habita antes de nascermos
E não desintegra quando o transeunte vai embora
A vida é
Ela simplesmente é…..

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Desconhecido

Contemplação ao corriqueiro

Por: Priscila Menino

Contemplação ao corriqueiro

Vez ou outra me pego pensando na falta que faz contemplar o corriqueiro.
Ali estava eu, você, nós, dia normal, nada atípico.
Correria, telefonemas, trabalho, refeições, mais um dia chegando ao fim.
E o sol vai indo embora e eu paro e penso na beleza de viver mais um dia normal, com minhas pessoas normais (ou anormais).
Nada espetacular, só um momento no qual parei, olhei e agradeci por viver o extraordinariamente normal.
Entre tanta agitação, tantas obrigações, tanta falta de tempo, eis eu aqui, contemplando a beleza de viver, a beleza da vida, de sentir a felicidade de viver o corriqueiro.
Criamos planos demais, projetos demais e não olhamos o aqui agora.
Injustos com a vida que nos agracia todo dia com um novo por do sol, com mais uma noite de sono deitados em nossos infinitos.
Quero é mais observar a beleza de esvair o olhar em meio ao crepúsculo e sentir a felicidade de somente sentir o meu agora.
Que vire rotina: contemplar o corriqueiro.

Por: Priscila Menino


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