Azul ou rosa?

Por: Thiago Amério

Azul ou rosa
Não importa a cor
Quem julga por roupa
Segrega com dor

Ser humano é feito
De dignidade e valor
E com todo respeito
Aceita todos os jeitos
E iguala o amor

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Ps.: reflexão real em Praga, Czech.

Poema à Praia

Por: Diogo Verri Garcia

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Nossos melhores caminhos levam à praia,
Onde vige a lei de Deus,
A regra do vento, o compêndio das águas,
Onde não sobra espaço para problemas teus.

Que ficam na praia, sem se lastimar.
Ficarão por lá, sem voltar contigo.
Até teus erros já gostam da praia.
Lá encontraram leveza, porque lhes é permitido.

O vento toca o rosto,
a água abre os caminhos.
Se veio algum desgosto contigo, veio:
voltará sozinho.

Os grãos de areia que te encontram na praia
São obra do mar
e ao tempo convém
dispersá-los ao sol,
entregues a quem os tocar,
Como orações pequenas que são,
de paz e bem.

(Diogo Verri Garcia. Rio de Janeiro, 14 de janeiro 2019).

Tua Geografia

Por: Tadany Cargnin dos Santos

No céu de tua boca

Encontrei noites de luzes

Na caverna de teu hemisfério

Plantei minhas prazerosas cruzes

 

Nas curvas de teus quadris

Deslizei o gozo da paixão

Na doçura dos teus lábios

Comprendi o sabor da imensidão

Na pradaria de tuas costas

Senti o aroma cálido do desconhecido

No suave dançar de teus pés

Entendi o gozo de ser abduzido

Na geografia de tua estrutura

Fui aluno aplicado, alegre e diligente

Na matemática de nossa travessura

Um mais um não eram dois, éramos equivalente.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Tua geografia.www.tadany.org®

Flutuantes inspirações

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Por: Mona Vilardo

 – Porque que quando colocamos os pés no chão a brincadeira acaba? – Mafalda após parar o balanço.

Dia 2 de janeiro li a frase da Mafalda, essa personagem argentina cheia de voz.

Passei a virada do ano em Salvador praticamente embalada com o refrão “Tira o pé do chão” de Ivete Sangalo. Salvador e Ivete se completam como acarajé e vatapá, (acho melhor que pão com manteiga em se tratando da primeira capital do Brasil), não acham?

 Se completam também as tirinhas da Mafalda e movimentos de revolução – ou seria melhor dizer evolução?

Gosto das duas: Mafalda e Ivete, e me identifico com brincar de balanço e tirar o pé do chão. Uma metáfora sobre viver com alegria e leveza. Não se trata de um “deixa a vida me levar”, mas sim de manter um olhar lúdico nessa a montanha russa que é a vida.

Sendo atriz, a canção de Chico Buarque “Beatriz” sempre me encantou, e um verso em especial parece que fala diretamente a mim: “Me ensina a não andar com os pés no chão”.

Beatriz tem várias dentro de si: é moça, é contrário, é divina, é mentira e comédia. Como nós que também somos vários ao mesmo tempo. Milhões em um.

Mafalda, Ivete e Chico: acho que tenho boas inspirações para me acompanhar no ano que começa! Tirando o pé do chão se caminha a passos largos!

Topografia do terror

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o antigo quartel general 

da “polícia” de hitler 

virou um memorial 

aberto todo dia 

gratuito a quem for ver 

sem nenhuma área verde 

 

Porque nada pode crescer 

no lugar onde se ordenava

a morte por ser autêntico 

Judeus, ciganos, homossexuais,

Deficientes, todos diferentes 

E ao mesmo tempo iguais 

Na fatalidade inconsequente

 

Morte. Terror. Vazio doente.

Na busca por culpados

Sacrificaram inocentes.

Multiplicaram assassinatos.

Coisificaram inimigos.

Incendiaram abrigos.

O holocausto contra a vida.

 

Alemães se julgaram donos

Da verdade e da superioridade 

Esqueceram quem nós somos

E aniquilaram a humanidade 

 

Agora resgatam essa memória 

Para não mais esquecer 

E entrar pra a história

O que não pode se perder:

A dignidade do ser humano

E o respeito em todo jeito de ser 

Em Garopaba

Por: Diogo Verri Garcia

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Em Garopaba, até dia chuvoso encanta,
Observar baleias-francas no mar que tanto agrada.
O pesqueiro branco, de nome rubro Agostinho,
Do mar não volta sozinho,
O vento forte o afaga.

De montes verdes, areia escura e água clara,
O mar em Garopaba compete a beleza com o sol.
Por entre as praias, a vida encontrou enseada:
serena, tem tempo que não se acaba, na paciência da rede ou do anzol.

Por agora, faz-se intenso o céu cinzento.
As águas seguem o tempo briguento,
Espelham a cor, moldam-se ao vento,
Grisalho se torna o mar.
Se faz calor, em Garopaba também faz frio.
Não é viver janeiro no Rio, onde a brisa se recusa a gelar.

Despede-se o poeta que escreve a Garopaba.
Lugar a que não foi.
Por quem fotografou, conheceu:
O barco, a chuva e o vento em Garopaba,
o mar que não se acaba,
o mar que almiranta.
E escreveu: em Garopaba, até dia chuvoso encanta.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro – Garopaba, 05/01/2019)


Nota do autor: os versos foram inspirados na imagem do fotógrafo gaúcho e amigo de longa data Ricardo Moglia Pedra. O clique, segundo ele, dado despretensiosamente, enquanto passava o fim de tarde em Garopaba, com sua família, retratou o barco branco (o pesqueiro Agostinho), o mar de Garopaba e o dia chuvoso. Logo abaixo da foto, foi posta por ele a legenda: “Em Garopaba, até dia chuvoso encanta”.


Créditos da imagem: Ricardo Moglia Pedra (@ricardomogliapedra). Acervo pessoal. Praia de Garopaba.

A Estrela

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Uma estrela caiu no chão

Ela veio de outras galáxias, abrindo novas porteiras

Veio intensa, brilhante como um lampião

E ao bater no solo, seu calor gerou uma tímida fogueira

Ao que assisti como profunda admiração

E pensei ser uma cósmica e mística brincadeira

Então, nela joguei toda minha preocupação

Tudo o que era desnecessário, todas as asneiras

Cada deslize, cada dor e cada aversão

Cada papel inútil de dentro da carteira

E o que era uma singela chama, virou um fogueirão

Porque havia acumulado, mesmo sem querer, tanta besteira

Mas que a partir de agora, não mais existirão

Pois foram todas incendiadas, restando apenas uma bela clareira

Um novo espaço para reerguer a sagrada construção

Da estrela que quer brilhar, cintilar sem fronteiras.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. A Estrelawww.tadany.org®

 

A metamorfose do silêncio

Às vezes o silêncio vale mais do que mil palavras.
Torna-se o grito mais alto.
O som que contagia a melodia se disfarça em pausas.
Em constantes inspirações a arte respira.

Inspira. Infla.
Pira. Esvazia.
Preenche. Completa.

Surge a música do compasso desfeito.
O poema do papel abandonado.
A dança do sono estático.
A pintura do quadro desbotado.

Fartura.
O vazio se transforma. 
E a arte-resposta revive. 
Da voz da própria boca-muda,
Que ao falar colore o mundo. 

 

 

 

No tédio da realidade

 

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

No tédio da realidade

Encontro razões para a rebeldia

Dos pecaminosos pulpitos da mediocridade

Consegui desde há muito minha divina alforria

Das garras agourentas da licenciosa sociedade

Desvencilhei-me com encantadora alegria

Na tristeza peçonhenta da crueldade

Descubro avalanches de rancorosa covardia

Nos lentos e tediosos instantes da normalidade

Acho que a vida inexiste, humana desvalia

Nestes gloriosos segundos de inspiradora espontaneidade

Em palavras me desnudo, escravo eterno da poesia.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.No tédio da realidade.www.tadany.org®

 

À Zero Hora

Por: Diogo Verri Garcia

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O tempo é estampido
Quando o relógio vira,
Os fogos queimam e ascendem,
Um novo tempo almeja-se,
Os festejos transcendem.

Percebemos que doze meses atrás
Um pouco de mais era almejado.
Também fizemos promessas.
Talvez menos ou mais festejado.

Mas nada mudará; talvez tudo mudou.
Certamente um reluto, e o entusiasmo vigora como a mola da alma.
O propósito é como o vapor, um foco resoluto.
Engaja e impulsiona,
e vistas as resoluções, acalma.

Com o mesmo entusiasmo de hoje,
Doze meses atrás, era esperado o momento.
Como se um algo novo bastasse, pondo finda a vigência do que houve em outrora.
Por si, nada muda: a intencionalidade é irmã do tempo.
Mas já basta, a vida passa.
O relógio soa: zero hora.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 29 de dezembro de 2018)


Créditos da imagem: pixabay