Agora eu juro que vou.
Postado no 16 de junho de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Agora eu juro que vou.
A amizade é algo realmente intrigante. Somos seres humanos, com histórias diferentes, famílias distintas, crescemos em meios diferentes, vivemos cada qual a sua caminhada e mesmo assim a gente vive amizades que parecem mais encontros de almas.
Quando jovens, a gente quer ter mil amigos, estarmos rodeados de barulho e agitação, sempre planejando a próxima “social” para reunir o pessoal. Nossas preocupações eram saber qual a mãe mais legal e liberal, para que este ser humano tão imaculado intervisse por nós com as outras mães. Ah, como eram momentos de tensão até sair o esperado veredito. Quando tínhamos a sonhada permissão, comemorávamos de forma tão radiante quanto um gol aos quarenta e cinco do segundo tempo na final da Copa.
Acontece que os anos vão passando e, de forma imperceptível e inconsciente, os caminhos se desencontrando em meio às obrigações que vão surgindo na medida em que vamos envelhecendo. Agora temos a liberdade de ir e vir sem a permissão dos nossos pais, mas nos falta tempo.
Hoje, em meio ao isolamento social, eu senti falta mesmo foi de poder encontrar meus amigos, de poder viajarmos juntos e compartilharmos muitas e muitas risadas e rodadas de cerveja em um copo sujo.
Isso me fez refletir a importância que tem a amizade nas nossas vidas e a importância que tem no cultivo delas.
Eu não vou negar que por várias vezes eu tive preguiça social e inventava uma desculpa esfarrapada para não estar naquele encontro marcado há um mês atrás. Ah, se eu pudesse imaginar o quanto eu sentiria falta deles, eu não hesitaria em estar presente.
Quando tudo isso passar, eu quero mesmo é receber amigos em casa, abastecidos com nosso arsenal etílico e com músicas tão ecléticas que mais parece ser uma playlist de uma pessoa com sérios conflitos de identidade (desculpe, Freud).
Quem diria que esses pequenos detalhes seriam tão importantes?
Fica o ensinamento da importância do agora, de aproveitarmos ao máximo a companhia daqueles que amamos e dos sorrisos que compartilhamos. Me aguardem, amigos, em breve teremos muitas viagens com boas histórias para me inspirar a escrever.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
MANUAL DO AMOR DE SEMPRE
Postado no 12 de junho de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

MANUAL DO AMOR DE SEMPRE
Ao pretenderes tratar
Ou falar a quem se gosta,
Não queiras mais se atormentar,
Compreender, tergiversar.
Para a sorte do teu bem,
entenda:
Não responder já é resposta.
Quem quer encontrar, dá sempre um jeito,
Não há razões, palavras, preceitos,
um nada
que justifique o sumir.
Se o amor tanto quer te falar,
Não há carga vazia em celular,
Tempo que é pouco, hora ruim
ou coisa alguma que lhe possa impedir.
Por outro lado,
Quando o amor tanto te custa,
Ou porque é fraco,
ou porque, de tão extremado, te assusta,
Perceba que estás no outro lado da regra.
Se de alguns amores tu gostas,
mas neles não encontras paz ou resposta;
Outras, que já te admiram tão mais,
Sonham a ti haver-se em entrega.
Então sinta que amor não é jogo,
É canto próprio para sábios,
embora tão mais propício a poucos;
mas que vem destinado a todos.
Onde seguimos todos nós,
em cada forma ou caminho,
a buscar sua metade outra.
É amor o que não resiste se só for compaixão,
Dele se exige, em perder, a aflição,
É querer em ter algo tão mais
A ponto de ser até capaz
De persistir por uma só e única boca.
Tudo,
que no acaso inicia
E tão bem vai,
No propósito de então ser feliz,
Passa-se a fazer feliz,
Sem esperar haver outra opção.
A vontade de se lançar em laços
natos, algo tão mais que irmão,
Por bem que não haja fraternidade,
É causa maior e indiciária de felicidade.
E mesmo em cada incerteza que bate,
É achar-se no dom
de ter na vida um afago.
Pois amor, mesmo quando acanhado, nunca é pouco,
Mas apenas tanto vale quando tem saudade própria,
Que se reproduz, pois tem fermento,
gera alguma cópia.
Então achamos, finalmente, na vida a simplicidade.
Amor, que é bom, é o bem maior
Que se compõe em amenidades.
Mas só quando é de verdade.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 05 de julho de 2020).
Créditos da imagem: Unsplash
O espinho do eu
Postado no 7 de junho de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

O espinho do eu
Eu sou espinho
Que espinha
Todo dia
Roço no espaço
E no tempo
Todo o tempo
Entre a roupa
A pele e a vida
Se mova!
Incomodo
Parado!
Incomodo
Não haverá paz,
Não!
Não me esquecerás,
Não!
Não encobrirás…
Dipirona
Algum “colato”
Salicilato
Anestesia não há!
Não fujas!
Nada resolverá
Estarei ali
Sempre
A cutucar
De tanto roçar
Me fiz ferida
Quente, crescente
E agora
Infeccionada.
Dia após dia
Vai doer, latejar
Pulsar e pulsar
E então você saberá
Que agora é cirúrgico
É extremo
Chegou o momento,
O fim da linha
Se nada for feito
Vira sepse
Vira morte
É preciso um corte
Que vai doer mais,
Muito mais
E em superfície vulcânica
Efervescente
Em rubor doloroso
Nenhum acalento chega
Mas é preciso
Seja inciso
Um corte
Um grito
O alívio…
O que se esvai
Traz a paz
Foi-se o peso
Foi-se a dor
Vira você
Vira eu
Vira nós
E expande
Todos os nossos sóis
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Magnific
Notas sobre uma chave Philips
Postado no 3 de junho de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Notas sobre uma chave Philips
Vou começar esse texto de uma forma diferente, com uma indagação: Você sabe o que é uma chave Philips?
Esses dias fui a uma loja comprar uns adesivos colantes para grudar um quadro na parede e vi dois rapazes em uma conversa aleatória, a qual passaria totalmente despercebida se um comentário não tivesse me chamado a atenção: “lá em casa mulher não se mete em reforma, ela não sabe nem o que é uma chave Philips, não pode opinar”. Meu asco sobre aquela frase foi imediato, mas me ajudou a refletir sobre isso e como ainda existe machismo encrostado na sociedade em uma forma mascarada (ou não).
Eu e minha filha morávamos em um apartamento sozinhas, onde eu fui obrigada a aprender um pouco de cada coisa para manter o bom funcionamento do nosso lar.
Mexi em chuveiro que não estava aquecendo, troquei lâmpada queimada, usei chave de fenda pra pequenos ajustes e a bendita chave Philips para apertar parafusos.
Sabe o isso significa? Ao contrário do que muitos podem pensar, nós mulheres podemos não sermos exímias operadoras de instrumentos de mecânica ou de marcenaria, mas a gente se vira e resolve, aliás, se tem uma coisa que a gente faz bem é se virar.
Nós Mulheres possuímos habilidades sobrenaturais de sermos malabaristas no dia a dia ser perder o rebolado.
Enquanto isso, há alguns que ainda acham que não sabemos o que é uma chave Philips e quando devemos usar e -o pior- acham que isso define ou não alguma coisa.
Já deveríamos ter passado da fase de deixar claro para a sociedade toda que podemos ser o que quisermos e estarmos onde for a nossa vontade, não são nossos genes XX que nos fazem termos necessidade de sermos conduzidas por um macho alfa.
Aliás, chave Philips pode também ser chamada de padrão estrela e aí inevitavelmente podemos afirmar que nós mulheres somos verdadeiras estrelas na arte de lidar com situações que externam os pensamentos machistas que insistem em prevalecer, quando na realidade é tão simples: todos somos iguais e sexo, ideologia, Religião, crença, nacionalidade e afins não definem capacidade!
Meu desejo é que possamos aprender a respeitar todo ser humano e enquanto não posso mudar o mundo, posso ensinar minha filha a usar a chave Philips no parafuso do brinquedo dela.
Ps: esposa do desconhecido, você é capaz de qualquer coisa, acredite!
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Magnific
FLOR EM CANÇÃO
Postado no 29 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

FLOR EM CANÇÃO
Tá aí
A coisa mais bela que a vida pra mim
Trouxe em você e em mais ninguém.
Insensato
Eu me torno em seus braços em meio a carícias
Até pra dizer que me faz tão bem.
Não há problema em deixar transbordar
Algum lugar lá no meu peito
Risos e um poema
Ilustrado em bom som
Para completar bem nesse tom.
Eis a luz
Que nos meus versos vem me iluminar.
Inspira as tardes
E dá mais vida ao tempo que virá.
Rezo por ela,
Olha Deus como fica o coração.
Deixo de lado a saudade que clama
E faço de um samba uma flor em canção.
Bem feito pro peito, que se deixou levar,
Sorriu pro amor, gostou demais
Indo na onda, entrou no mar.
Tudo isso até parece
O calor do sol quando é verão:
Tão bem me faz, mas vai virando insolação
Olhos tão verdes que me fazem entrar,
Pra me afogar.
Está aí…
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2008)
Créditos da imagem: Unsplash
Turbulência
Postado no 24 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Turbulência
Chega!
Não procure.
Chega!
Apenas dure.
Aperte e pulse.
Quando a máscara cair,
ao primeiro sinal de rarefação,
puxe-a para liberar o fluxo.
Então, respire.
Fundo.
Primeiro você.
Depois o mundo.
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Unsplash
Acostamento do céu
Postado no 20 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Acostamento do céu
Na fila de embarque, prestes a entrar no avião, na minha frente estava um casal de senhores.
Nitidamente, a mulher estava com expressão de pânico do voo vindouro, enquanto o senhor ao seu lado a tentava acalmar, achando até graça da situação.
Acabei ouvindo a senhora dizer que o maior medo dela era que qualquer problema mecânico, no céu não teria acostamento para parar e ajeitar, era só queda sem segunda chance.
A senhora estava com receio real de não ter um acostamento para parar em meio a um pouco provável pane na aeronave, ao ponto de estar congelada antes mesmo de embarcar, cogitando não ir mais.
Intriguei-me pensando nisso.
Qual a lógica do raciocínio de que ter ou não acostamento pode salvar a vida da pessoa?
Afinal, pensei, se é chegada a nossa hora, pode haver o maior acostamento do mundo, mas não será suficiente, simplesmente partiremos rumo ao desconhecido.
Estranhamente, nós seres humanos temos necessidade de estarmos controlando a vida.
Acabamos nos privando de algo com medo de perdermos essa falsa sensação de controle.
Mas é fato que independente de acostamento ou não, nada está em nosso controle total, até mesmo o ato vital de respirar pode ser feito de maneira inconsciente, queria você ou não.
Claro que, por outro lado, o planejamento mínimo da vida nos dá uma orientação, mas a qualquer momento a rota pode mudar e pode ser necessário arremeter.
Portanto, penso que é muito melhor acreditar e decolar na vida, aproveitar a paisagem e garantir que, quando chegar a nossa hora da partida final, tenhamos embarcado em vários voos de alegria.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Magnific
QUANDO ALGUÉM PULA DE UM TREM
Postado no 16 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

QUANDO ALGUÉM PULA DE UM TREM
Quando alguém pula de um trem…
Não falo de morte, leitor; deixe de afobação.
Digo com ele prostrado, já chegada à estação,
Pois é a melhor parada depois de tanto assistir.
São algumas as horas passando a paisagem,
Que não tenho nele notado,
Se quem vê de fora, me nota em viagem.
Posto que passo despercebido em existir,
De tão que é veloz, de Barcelona a Madrid.
Lá por fora apressam-se as árvores, ligeiras,
Que se movem mais do que o correr contra o vento,
Destinado às cabeceiras.
E externando o olhar, pouco vejo de gente;
A paisagem, de tão vazia, é cerrada,
Que embaça meus olhos atentos aos rostos,
Mas noto mais as moças e tão menos os moços.
Deixa borrões no lugar de folhagem, que mal se importa aparente.
Move-se aqui no espaço entre a distância e a hora,
Com destino em alhures e origem em outrora.
Nem gotas de chuva aderem ao movediço,
De tanto que corre,
Feito o vento lá fora.
Quando alguém pula de um trem,
Pois tem a perna adormecida,
Em que pesem as poucas horas.
É porque correu por muito; do que o costume, além.
Mais do que poderia,
De tanto parado, sem sair, sem dormir,
Enquanto o mundo zunia, lá fora do trem.
Quando alguém pula de um trem,
Corre na pressa que quase esquece das malas,
Quer um bar em Barcelona,
Para algumas centenas de tapas.
Ao persistir-se faminto,
De tanto andar, sem nem um passo prover.
Mas cansou-se, ao ver o vento correr.
(Diogo Verri Garcia, Madrid-Barcelona, 01 de septiembre de 2015)
Créditos da imagem: Unsplash
Postado no 12 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Pára e escuta
Um ruído silencioso envolve a sala. O controle espera sobre a mesa pela mão que irá mudar de canal.
As histórias de hoje do velho BUK lembram as feiras da semana, uma repetição cíclica desinteressante. O sol brilha na almofada da poltrona em forma de ondas, desenhando a cobertura metálica da garagem. Lentamente o dourado ergue-se com o pôr do sol. Há gritos vindos da TV do outro lado.
Na pele corre uma minúscula formiga foragida das entranhas infantis e doces do sofá. Soltou-se da trama tecidual densa onde alimentava-se de migalhas. Seu caminhar exploratório acabou findando em sua morte. Brava criatura.
Dois quadros geminados de halo dourado expõem labirintos vagos.
E em meio a toda descrição, emerge o indiscreto pensamento que me leva até você.
Assim como todos os caminhos.
Assim como toda a espera.
E entre todos os por ques oscilam o sono e a queimação.
Contradições ácidas.
Seria o amor uma dor epigástrica?
Uma úlcera nascida de corrosão estática?
De quem procura e nunca acha?
De quem dorme para que não arda?
Pois queimar leva à alma,
E a conexão, à frustração.
Então, levanta fumaça!
Coração em combustão…
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Magnific
A linha tênue entre empenho e abusividade
Postado no 8 de maio de 2026 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

A linha tênue entre empenho e abusividade
Li uma matéria da BBC que contava que uma artista plástica chamada Gillian Genser levou 15 anos pra finalizar uma escultura chamada de “Adão”.
Na obra, ela usava conhas de mexilhões azuis lindas, que julgou ser um material excelente e apropriado para se trabalhar.
Insistentemente, ela sentia dores de cabeça e náuseas, mas ainda assim persistia em finalizar sua obra.
Não podia acreditar que, coincidentemente, a sua doença inexplicavelmente “auto imune” teria iniciado no mesmo período que iniciara a sua obra prima.
Não percebeu que a obra levou anos de vida vital, pois estava a envenenando em decorrência do acúmulo de metais pesados presentes nos insumos que usava na escultura, pois estava muito engajada em finalizar aquele trabalho iniciado.
Refleti então em quantos Adãos há nas nossas vidas sem que percebamos?
Quanto espaço damos para coisas tóxicas que nos deixam levar a vida sem que tomemos coincidência disso?
As vezes a linha entre empenho e abusividade é muito tênue e nos deixa meio perdidos, como se estivéssemos fora de nós mesmos.
Por isso é preciso estarmos atentos a pequenos grandes detalhes, se há algo que tira a nossa paz, não é saudável.
Cuidemos antes que levemos 15 anos para perceber o quanto a vida se esvaiu.
Se precisar, busquemos ajuda, mas, de maneira alguma, de jeito algum, deixe que nada leve a energia vital tão relevante pra viver na plenitude mais elevada.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Magnific
