Flávia Beatriz Borges, autora convidada (parte 3)

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Meu coração se viu partido

Ante a dor que dilacerou a minha alma

Sem contar os tantos feridos

A exortar a minha ressurreição

Ó desespero, quanta desilusão!

Se, em meio a tanta frustração,

Nada nascesse, tudo seria mesmo em vão

Mas não.

Eis a flor de lótus que nasceu da lama

Quanta brama!

Beleza sublime em contraste com sua origem

Ou, talvez não (?!)

É do sofrimento que vem a consolação

Até mais, olha só a flor e me diga

Se não vê a redenção?

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira


Sobre a convidada:

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira é Juíza de Direito e está muito feliz em apresentar seu intento poético ao Literarte.

O tempo do tempo.

Por: Diogo Verri Garcia

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Depois de um pouco esperar, o tempo chegou.
A demora nos trouxe sobriedade
em saber que a distância do tempo não é intocável,
que a vontade melhor difere da nossa vontade.

É um caminho que não engrandece a angústia,
Eis que angustiados somos nós, per si.
É passagem por onde não se andarilha, se busca
A solução que aprouver do que houver a remir.

O importante é que o tempo segue
E o mundo gira no entorno de sua própria passagem,
demais desigual do que a nossa vontade espera.
E tem-se na vida lição maior de verdade:
Seremos nós, da nossa exata diretriz, ora donos;
Mas, ora parte, feito só passageiros à janela.

(Diogo Verri Garcia, Rio 14/01/2019)

Entre culpas e desculpas

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Alguns pela vida andam se desculpando

Daquilo que nunca tentaram e, por medo, não tentarão

Outros caminham pela senda culpando

Aqueles que o ignoram, antipatizam com sua inanição

E entre culpas e desculpas, seguem pela vida minguando

Até que a morte os carregue, os livre de sua penosa aflição.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Entre culpas e desculpas. www.tadany.org®

 

 

Quando as Farmácias Fecharem

Por: Mona Vilardo.

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A palavra “apoteose” vem do grego, onde APO significa “alto”, e THEOS, “deus”. Representa a elevação de alguém ao estatuto de divindade.

Diante do significado dessa palavra, posso dizer que o meu Carnaval de 2019 foi apoteótico.

Essa palavra se encaixa perfeitamente no Carnaval do Rio de Janeiro. Na Apoteose do Samba, onde desfilam escolas que se dedicam um ano inteiro para essa época do ano, o “deus” é o próprio gênero musical, nascido no Brasil, mas precisamente no Rio, pelos lados do Estácio, “bem junto ao passo do passista da escola de samba” (já cantava Luiz Melodia)

Mas a minha apoteose foi muito distante da cidade maravilhosa, lá onde os deuses são mitológicos, celebrados por todos os cantos, pontos turísticos e em camisetas estampadas “Só sei que nada sei”.

Alguém já sabe arriscar onde foi?

Acertou quem pensou na Grécia (Hellas).

Poderia escrever uma grande declaração de “philia” ao bloco carnavalesco de 18 pessoas que estavam comigo lá, no “Templo da Civilização”, mas escolho me ater ao que ficou muito marcado em mim: a dificuldade de encontrar farmácias pela rua.

Que curioso! Na terra de Hipócrates, considerado o pai da medicina, não se encontram quase farmácias. Nenhuma oferecendo grandes descontos na compra do melhor remédio pra dor de cabeça, estômago ou aquela bolinha que te livra da ansiedade.

Na terra de Hipócrates,  eu encontrei ARTE para todos os lados, encontrei flores no inverno e muitas árvores de tangerina. Diante dessa constatação, tirei algumas conclusões que divido com vocês.

Quando as farmácias fecharem, teremos menos doentes.

Quando as farmácias fecharem, teremos mais sorrisos largos e mãos dadas.

Quando as farmácias fecharem, teremos menos corre corre e mais “Bom Dias” – Kalimera, em grego.

Quando as farmácias fecharem, teremos olho no olho e mãos estendidas.

Quando as farmácias fecharem, teremos a tal apoteose de uma sociedade menos doente e mais humana.

Talvez, quando isso acontecer, o que é considerado divino para cada um esteja mais perto de nós, menos inalcançável ou, até mesmo, menos perturbador para alguns.

Apoteótico foi ver as farmácias fechadas numa Atenas viva e cheia de significado.

Voltando à música de Luiz Melodia: “Se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio…”

Com todo respeito ao negro gato, saí da Grécia cantando “Se alguém quer matar-me de amor, que me deixe aqui mesmo”

Opa! Tha ta Pume, Hellas!

* Opa é o que os gregos falam quando estão muito felizes e algo bom aconteceu.

*Tha ta Pume – Os gregos não dizem tchau, dizem “até breve”. Tha ta Pume.

Literarte lembra: 14/03, Dia Nacional da Poesia.

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Literarte lembra: 14/03, Dia Nacional da Poesia. Poeme-se!

Aquela que Ninguém Quis

Por: Diogo Verri Garcia

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Quais os mistério que ela tem?
Contou com a sorte ao embarcar
no romance que ninguém mais quer
nas contas que não poderá pagar.

O que mais há, que desperta furor,
desrazão, gracejo e algo mais?
Por certo, não haverá amor.
Uma vez, temeu mudar seu rumo, mas quis mantida a paz.

Quanto ao novo?
Durou semanas, não mais que um mês.
Começou sortudo, terminou a destempo.
Começou crendo amor, terminou contando o tempo.

Restou por muito, demais até.
Todos os que tentam fincar raízes
Desistiram a tempo de salvarem-se,
Viveram para melhor outra fé.
E seguiram, sem ela, felizes.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 14/01/2019)


Créditos da imagem: Pixabay

A natureza da mente humana

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

A natureza da mente humana é uma infinda fonte de imaginação

Ela busca em todas as partes, visíveis e invisíveis, uma deleitosa expressão

Tudo isto parece ter sido aprisionado quando na escola, entrei para a educação

Pois lá começou o tormento, tudo era impressão, repressão, memorização e supressão

Passaram-se muitos anos, muitas dores, muita angústia e muita insatisfação

Até que deste calabouço mental, consegui minha absolvição

E a luz do conhecimento e da liberdade, novamente me brindaram a primordial visão

Hoje sigo tranquilo, agradecido e compartilhando uma que outra declaração

Cujo objetivo é despertar a leveza do viver e da harmonia gloriosa da comunhão

De que só existe uma luz, e ela está latente dentro do teu coração

Para ser exaltada em vida, numa existência plena e sábia, uma sublime integração.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.A natureza da mente humana. www.tadany.org®

 

 

 

 

 

Palavras Sentidas – Thiago Amério

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Se as palavras que são ditas,
cujas as formas são escritas,
São difíceis de explicar…
Imagine as que sentidas
(Não passíveis de tocar),
não se podem ser ouvidas…
Será que sabem falar?

 
Ora, não é porque ninguém as vê,
que são frutos de ilusão,
na realidade é da mais pura linguagem:
– o idioma do coração.

Desperto num sonho acordado

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Desperto num sonho acordado

Numa esbelta e quotidiana ilusão

Sonhava que um néctar inebriante e encantado

Jorrava incessantemente da fonte deste coração

E que o líquido tinha sua própria vontade

Seguindo seu fluxo, extravasava por todo o ambiente

E o que dele se ensopava, exaltava sua bondade

Por meio de um sorriso ameno e de um olhar ardente

E ao despertar deste sonho, ainda meio sonhando

Pude sentir esta essência, docemente palpitando

Então, levantei do sonho e segui peregrinando

Pois notei que a realidade do amor, estava naturalmente despertando.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Desperto num sonho acordado. www.tadany.org®

 

O acabar da euforia

Por: Diogo Verri Garcia

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Escrevo a ti, é quarta-feira.
Não a de cinzas, mas a seguinte e regular, dia morno e de labor.
Hoje há falta de chuva, de cansaço e de moleza,
Em perceber que abandonou-se a alegoria,
Que cedeu lugar à tristeza.
O carnaval, enfim, terminou.

Sobra o acaba da euforia
Que teria lugar por mais dias.
Lamenta o que jaz até quem, tal qual a mim, descansa.
Em meio ao repinique que rastilha
Eram lampejos de alegria
E folião se empolga quase feito criança.

Caminhantes por caminhos e ladeiras
Vestidos de heróis e faladeiras
Com bolhas nos pés a sustentar,
Entre porteñas que já não cantavam tango,
Alemães já quase mancos
com as pernas tortas, a cansar.
Juntando esforços, corrente humana e virtuosa,
Sempre vagante, fervorosa por samba, itinerantes entre os blocos.
Começando os dias passados,
terminando com eles já tortos.
Vestindo camisas vistosas, exuberantes colares,
Cultivando sorrisos expostos,
Feito estandartes aos ares.

Mas o que há no carnaval
se os dias são poucos,
Se o trânsito no Rio é louco
Se a cidade toda para?

É incerto; sei que o mundo foge do igual.
Mesmo para quem não se importe,
Ainda quando há chuva, quer nos refresque ou incomode.
Nada é comum,
Não há paz ou euforia que baste,
Quando jaz carnaval.

(Diogo Verri Garcia, 05/03/2019)


Créditos da imagem: pixabay