VAI, RAPAZ! (#repost)

Por: Diogo Verri Garcia

VAI, RAPAZ! (#repost)

Te disseram que o tempo é morada,
Caminho para todos que sofrem.
Te falaram que a vontade ficou endividada.
E com dúvida, se se entrega ou se corre.

Veja que ela também quer os teus olhos,
Mas teme do mundo a reprovação.
Nota que face à tua galhardia,
Ela também se arrepia, tem taquicardia, muda a respiração.

O que adianta se só vês essa tal menina,
Se é outra que – mesmo tu não querendo – tanto te quer que te beija?
Vai, rapaz! Rompe logo essa sina,
Ou te dedica de vez a quem também te deseja.

Quem te fala é quem tem vivência,
Porque coerência não é o dom da tua idade.
Vai, rapaz! Roube logo dela um beijo,
Que ela larga o mundo e passa a ser tua!
E esqueça o resto, pois nada mais te importa,
Desde que passastes por ela, ao acaso, na rua.

Ou então te cala e cultives a moça
Que te vê com vontade e quer te ter por rapaz.
E espere que os olhos mais belos te esqueçam,
E que vocês dois não se encontrem jamais.

Vai, rapaz! Saudade perdura!
Mesmo que sejas forte, isso machuca e adoece.
Vai rapaz, liga logo para ela.
Se não o fizeres, se arrependa, e não haverá santo, nem prece…

Dedico a ti um conselho: confie no instinto,
Mesmo que seja confusa e irracional a razão.
Pegue pra ti! Toma logo essa moça
Que te embaralha os pés, te aquece o corpo e te dá emoção.

Vai, rapaz! Amor só se tem um na vida,
E o tempo para outros é abismo e cilada.
Sou eu teu espelho, e cá venho te avisar:
Fica com ela, serás feliz, e mais nada.

Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 25/07/2018
*publicado originalmente em 25/07/2018


Créditos da imagem: pixabay

Ao fogo, água!

Por: Bianca Latini

Ao fogo, água!

Queria que um dilúvio caísse e lavasse as mentes incendiárias
Que inundasse toda destemperança e falta de senso de pertencimento
Que encharcasse os corações ocos
E levasse com toda força d’água
A ignorância e a maldade
O vazio de ética e de consciência planetária
Será mesmo que eles acham que somos coisas distintas??
Eles, nós e a natureza??
Queria que a correnteza arrastasse a desumanidade, o pensamento egoísta, a ganância, o atrevimento em querer extirpar o que não se terá conserto, remédio ou qualquer remendo
Queria, também, que não diluísse o gosto de fel na boca dos que hoje profanam e queimam o que há de mais belo e sagrado
Pois eles, certamente, colherão o gosto amargo de viver no deserto
Eles podem não se dar conta e nem fazer correlações
Mas, daqui a algum tempo, tentarão sobreviver com a semeadura de sua insanidade vermelha e devastadora
E não conseguirão, nem mesmo, chorar o dilúvio que não os lavou.

Super-heróis das rotinas

Por: Priscila Menino

Super-heróis das rotinas

Quem é que nunca perdeu o controle, ao ponto de sentir a iminência de uma explosão interna?
Quando pequena, eu sentia uma pequena inveja e admiração do Incrível Huck, imagina só que maravilha ganhar força sobre-humana quando estivesse com raiva, ficar com uma tonalidade atípica de um brócolis maduro e deixar evidente para quem está próximo que aquele não é um momento propício para se manter por perto.
Nesses momentos de perda de controle, eu só queria mesmo ter um superpoder de correr o mais rápido possível, ao ponto de ultrapassar o Flash e me refugiar em uma ilha secreta da Marvel, onde ninguém pudesse me importunar e nem me encher de mais preocupações, eu deitaria ali, tomaria um agradável sol solitário, observando os pássaros, manteria a frequência da respiração e, evidentemente, eu usaria meus músculos bem definidos para abrir uma água de coco e me deliciar com a paz do barulho das ondas.
Acontece que a gente tem que voltar para a realidade, onde a raiva, a perda de controle, as preocupações, as dores e os dissabores não fogem e não há um alerta amarelo de estafa que informe que há um colapso psicológico próximo de acontecer (desculpe Huck, mas verde não integra minha melhor paleta de cores).
Então me deito em minha cama, afofo meus travesseiros, beijo o rosto de minha filha já entregue a um inocente sono, seguro as mãos do meu super esposo, pego aquele livro que irei finalizar a leitura hoje e vejo que sobrevivi a mais um dia, a mais uma semana e a uma vida inteira tipicamente humana, com meus rebolados diários e a força de uma mulher maravilha que habita em mim.
Ah, percebo então que não tenho olhares biônicos; não tenho músculos definidos como uma pedra; não corro mais do que 10 km/h; mas tenho minha escrita para levar esperança e eternizar meus pensamentos; tenho meu sorriso para ser gentil com quem eu encontrar no meu caminho e ser uma kriptonita contra energias negativas; tenho o carinho do meu parceiro de aventuras e tenho o abraço da minha filha para ser meu anel de poder.
Sou uma humana cheia de super-defeitos, mas, parando para pensar, talvez isso que me permite ser a mulher maravilha que ganha diariamente milhares de batalhas que o Huck com aquela força toda, jamais conseguiria. Uma salva de palmas para todas os super-heróis e super-heroínas da vida real!


Créditos da imagem: pixabay

Descredenciado Poeta (#repost)

Por: Diogo Verri Garcia

Descredenciado Poeta (#repost)

A poesia, quando sai do poeta,
É livre, sem responsabilidade.
Quem assume seu próprio risco é o leitor
Que lê o que quer, adota suas próprias verdades.

Descredencia cada palavra dita,
Que não pertence mais a quem as fez.
Os prantos podem se tornar sorrisos;
Os risos, desatar de vez.

As saudades, que eram felizes em mesa de chope,
Lembram palavras tristes, ofensivas e torpes.
A dor, que quem escreveu quis contar,
Pode virar samba de Chico, ao som de “Vai passar”.

A poesia, quando ab-roga seu dono,
É livre, nunca será de mais ninguém.
É feito o amor que traz ao mesmo tempo beijo e abandono:
Ama instantes a ti, ama logo mais outro alguém.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 11/08/2018)

*publicado originalmente em 22 de agosto de 2018


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Eco

Por: Bianca Latini

O outro é um espelho da gente
Uma extensão
E para ser mais preciso
A mesma coisa
Uma unidade
O outro somos nós
Como queres ser tratado?
Queres ser amado?
Respeitado?
Compreendido?
Perdoado?
Queres ter paz?
Leveza?
Alegria?
Queres a felicidade?
O que tens semeado?
Que sons saem de tua boca?
Em que ritmo são lançadas tuas palavras para o exterior da tua casa?
Quais as tuas reais intenções quando acaricia teu semelhante com um conselho?
Pões veludo aparando tuas críticas?
Por que as faz, de fato?
O que há por trás do teu véu?
Por debaixo da tua máscara?
Rei, Rainha, majestade
Cara, coroa
Leitão, leitoa
Quem tu és de verdade??

Pontos de vista

Por: Priscila Menino

Pontos de vista

E eu passava todos os dias pelo mesmo local, quase nos mesmos horários, como um ritual em um looping diário.
Certo dia, após um retiro quase sabático de uma pandemia que a obrigou a permanecer em casa, retomou o caminho.
Surpresa! Notou as árvores que dançavam no ritmo imposto pelo vento, deixando rastros de flores no chão, tal como um registro colorido de flores de ipê saudando o dia.
Notou ainda a coreografia dos pássaros que faziam uma sinfonia de sons, até então tão imperceptíveis.
Ah, e o céu? Um show a parte se fez em meio a nuvens bailadas pela valsa da imensidão azul celeste.
Foi então que percebeu o quanto o modo automático do dia a dia a fazia esquecer dos pormenores, daqueles pequenos detalhes que pareciam apenas um cenário do caos constante da correria urbana.
Agora ela sentia que tudo sempre estava ali, bastava saber notar, enxergar, sentir e absorver aqueles pequenos-grandes detalhes de uma rotina constante e impressionantemente bela.
Passou então a ver, em meio ao caos, a beleza e felicidade daqueles momentos tão significativos.


Créditos da imagem: pixabay

Mar em Oração (#repost)

Por: Diogo Verri Garcia

MAR EM ORAÇÃO (#repost)

Seja forte, como o mar é forte,
Mas te amolde e te quebre como as ondas que batem.
Seja leve, como o mar é leve,
Com ondas breves, como as que rompem a tarde.

Seja bravo e te defenda do argumento,
Quanto te calarem o pranto e te pretenderem agonia.
Seja estupendo, feito o mar em tormento,
Se te transgredirem a luz, não permaneças em calmaria.

Veja a onda que explode e prensa o rochedo:
Seja fereza sem raiva; tem equilíbrio, tem paz.
O mar que alimenta e refresca: é servidão sem medo.
O mar que retira, repõe – nas ondas de leva e traz.

E quando o sublime solar pelo céu se exaltar,
Seja como o mar e reflita a luz que lhe toca.
Se acerque dos que te doam a paz sem te cobrar,
Tal qual um corpo de água salgada,
Que se cerca de terras nas bordas.

Mas se o céu te parecer mais cinza,
Não o espelhes na dúvida, olhe para o mais profundo de ti.
Não te tornes pedante, descrente ou ranzinza.
E te acalme: contenha-te do furor, do desamor, do frenesi.

Seja leve, como o mar é leve.
Feito as águas que chacoalham ao vento,
E que repousam tão logo a brisa pausar.
Trazem paz alheia ao amalgamento.
Seguem mansas e resilientes.
Sem apatia, são benevolentes.
Fortes e calmas, bem sabem:
Tudo tem o seu tempo.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 16/08/2018).

*publicado originalmente em 29/08/2018.


Crédito da imagem: pixabay

Alinhavos invisíveis

Por: Bianca Latini

Alinhavos Invisíveis

A vida é tão perfeita
Que alinhava caminhos
Insere atalhos
Desnuda servidões
Sugere encontros
Pincela dificuldades que elevam pontes
E aproxima pessoas que permaneciam equidistantes
Apaga percursos e impõe melhor visão do viajante
Visando exercitar seu olhar atento, seu poder de observação
A vida vai bordando e desbordando
No mais perfeito coser
Aos não crentes, sem explicação.

Gratidão, gratitude, gratiluz

Por: Priscila Menino

Gratidão, gratitude, gratiluz

É engraçado como a gente aprende a se incomodar e banalizar conceitos que a gente nem mesmo sabe direito o significado real.
O mundo vive em um processo de transformação evidente. Seja pela pandemia, seja pelo interesse mais constante das pessoas em assuntos mais holísticos, é fato irrefutável que as gerações estão cada vez mais instigadas com a busca do conhecimento, a descoberta de novos conceitos e desconstrução daqueles dogmas e verdade absolutas que existem desde quando nos entendemos por gente.
Minimalismo, autoconhecimento, meditação, aromaterapia, thetahealing, busca pelo sagrado e vários outros conceitos geram um desconforto em quem insiste em ignorar que a tendência é que haja cada vez mais espaço para esses assuntos estarem em voga.
Eu posso afirmar que há alguns anos atrás eu satirizava a prática da meditação, hoje me ajuda como um refúgio do meu caos interno de pensamentos constantes.
A gente precisa aprender a nos abrirmos mais para as mudanças, estarmos aptos para entendermos todo o processo de evolução.
Mas precisamos também entender que quem não quiser viver isso, não há uma fórmula mágica para enfiar goela a baixo, é uma decisão pessoal e intransferível.
De forma particular e ínfima, posso afirmar o quão bem me faz me permitir buscar mais conexão com meus pensamentos internos, me entender na minha essência.
Quisera eu ter me permitido há anos atrás.
Mas, sabendo que tudo tem seu tempo e acontece da forma como deve ser, cabe a mim sentir a gratidão de poder ser livre para buscar o que é o meu sagrado e respeitar o momento de cada um.


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Decúbito, 2 de 2

Por: Diogo Verri Garcia

(DECÚBITO, 2 de 2)

A paz, que uma vez se ausentou,
de outra forma retorna.
Em saber que a mão do destino
Raramente erra a porta.
Demonstrou tudo
O que havia entre o nada e o engano.
Clareou a fundo
O que não estava em planos.
Deixou a vida torta,
Crendo falar tão certa.
Foi por Deus,
Vê-se o acaso que traz,
Ver traçada outra meta.

Foi dado o que podia,
A luz que me vinha,
Tudo o que esperava.
Dei horas, palavras
E tanta explicação.

Houve alegria,
paz e felicidade,
Nessa passagem
em que houve verdade,
Mas virou só estação.

Ficou auxílio, em saber com certeza,
Bem como a lembrança,
Trazida por quem
que não mais vem e te beija.
A saudade perderá lembranças com o tempo,
De onde quer que esteja.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 26/04/2020)


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