Compartilhamentos virais de sorrisos

Por: Priscila Menino

Compartilhamentos virais de sorrisos

Dizem que a vida vale a pena de ser vivida. Eu concordo.
Mas acho ainda mais que a vida é melhor ainda quando compartilhada.
E eu não falo de compartilhar a vida somente com companheiros afetivos, mas também compartilhar a vida com quem nem mesmo conhecemos.
Parece confuso, eu sei, mas, calma, eu vou explicar.
Sabe aqueles momentos que você observa uma pessoa na rua, e, despretensiosamente, balbucia um cumprimento e recebe do outro lado um animado “bom dia”?
Ou aquele momento que você observa um cachorrinho na esquina, para, abaixa-se e faz um carinho, recebendo de volta um olha afetivo e carinhoso?
Então, é aí que eu digo que a vida é melhor quando compartilhada e a gente tem oportunidades de compartilhar vida e alegria o tempo inteiro, só precisamos estar atentos a isso.
Um “bom dia” com um sorriso alegre (ainda que por detrás das máscaras), pode salvar a vida de alguém que nem conhecemos e nos salvar também de sermos insensíveis com os que estão ao nosso redor.
Se cada um plantar uma sementinha na vida de cada pessoa, já garantimos mais amor e mais empatia, afinal, afetos são virais.
Eu sigo aqui buscando plantar essas sementinhas e espalhar sorrisos, vai que daqui a pouco surge um belo jardim por aí, assim espero.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Freepik

Tear locomotivo

Por: Bia Latini

Tear locomotivo

A vida é sobre isso:
Aquilo que você faz durante o movimento
Sempre achei que deveria esperar o trem parar, para eu descer e começar a aproveitar o que tinha nos cenários, no imaginário, no itinerário
Mas não é bem assim…
As paisagens passam, a beleza chega, o bebê chora, a comida esquenta, esfria, esquenta e esfria de novo….
Tudo com o trem em locomoção
Com a roda em rotação
Não há como apertar um botão e fazer tudo parar no tempo que a gente definiu
Até porque o tempo não pertence a gente
Ele sequer existe!
Há quem diga que é nossa invenção
O que há é linha contínua, infinita, ininterrupta
Só pára se a gente se limita e constrói barreira
Na mente, ela pode ser derradeira
Besteira!
Esquece esse monte de muralha e um tanto de bandalha
Ri, chora, vive, comemora…
Enquanto o trem caminha
É tudo ao mesmo tempo
Tudo junto e misturado
A tristeza e a alegria, siamesas, dão bom dia
A saudade e a expectativa saúdam, concomitante, a locomotiva
O “bom” é “ruim”
E o “ruim” é “bom”
Na mesma proporção: dois irmãos. Andam de mãos dadas
Você escolhe suas lentes diariamente
E sempre tem a chance de trocá-las
Uma coisa não exclui a outra
A morte não elimina a vida e a vida não impossibilita a morte
Derradeiros, começos, cambalhotas, passagens, viagens, túneis, catapultagens
É como um jogo de videogame multidimensional
Só que aqui os personagens sãos verídicos, imortais e sem programação de chip
Aqui é a vida real!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Memória, Esperança e Consternação: os três tempos

Por: Diogo Verri Garcia

(Memória, Esperança e Consternação: os três tempos)

Tempo é tudo que nos falta,
É sonata em nota tão alta
Que não se sustenta por todo o evento.
É vento… sussurros pequenos…
Sacode a alma,
que não se asserena, nem se assenta.
Por ser misterioso, quiçá enganoso.
Nunca nos mostra seu inteiro argumento.
É só passageiro; e se limita a dizer: sou o tempo.

Tempo
É o pródigo que se encaminha e nos envolve,
O transitório que nos evolve,
Por se lhe gastar em cada segundo,
Sem nada saber conter,
nem se lhe decrescer;
não há, pois, dele por nós, em não passar,
qualquer esperada consideração.

É o ator dos arrependimentos.
Perante o tempo,
A mais feliz das idoneidades
É saber deixar e receber saudade.
Do amor completo,
O peito deserto…
Trazer deveras próximo ao coração.
E, das lembranças, tê-la feliz às poucas bobagens;
Jamais tomá-las, quanto às tristes vaidades,
em consideração.
Pois tudo se resume
a memória, esperança e consternação.

Tempo
É folhagem que se solta
E fuligem do que se apaga.
Chuva vendeira, constante e frágil,
Que nos calha, pouco a abespinhar-se.
E não se consome, nem por nós se acaba,
Pois inevitavelmente cai…
A ponto que deixamos de o perceber.
E, galopante, ligeiro corre,
Fascinante e sensato, decidido a ser rio.

E vão, em vão,
Em tantas e volumosas irrigas,
Passa-se em vida, dentre bonitas gargalhadas
e tão gentis brigas.
Que ao cabo,
Sendo, em razão de tantas águas,
tudo tão frio e caudaloso;
o constante intrépido desafio.

Assim, há, em nós, sempre a saudade,
Vai faltando a memória,
quiçá, a consternação.
Mas, ainda por ser bondoso,
Queda-se o tempo também tornado religioso,
Ao nos dar a esperança,
por crermos haver,
logo após,
Um tudo,
Nunca um tão vazio.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 12/02/2012)


Créditos da imagem: Pixabay

Quando estiver, esteja

Por: Bia Latini

Quando estiver, esteja

Quando estiver, esteja
Às vezes a gente fica, sem permanecer
Doa, sem entrega
Mergulha, sem molhar
Atira-se, com os pés presos na bola de ferro
Beija, sem sentir o gosto dos lábios
Fala, sem dizer
Agradece, sem gratidão
Perdoa, sem liberar a mágoa…

Parece muito óbvio
Mas o óbvio precisa ser dito, compreendido, desenhado, sentido, vivido, vivenciado
Não é sobre dar rasante
É sobre imergir e SER a própria imersão
Não é sobre VER o machucado
E, sim, SER a ferida, o corte, a ardência, a potência da latência
Para, no processo de cura,
Poder, enfim, SER o amor
E não mais esperar por ele….

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Abre-Alas

Por: Bia Latini

Abre-Alas

Chega!
Eu já me perdi muito nessa vida
Agora eu quero me achar
Sei que ainda vou me perder mais
Quero apenas passar por uma boa fase de acharias, sabe?!
Só um “cadim”
Um “tiquim” de honestidade comigo mesma, com minha história, minha potência criativa e embelezativa,
soterrada por tantas não autorizações, sabotagens, viagens psicodélicas de menos valia e diminuição da integralidade que somos
Da riqueza que nossos corpos guardam
Da majestosa essência viajante de longa data, que traz impressa memórias celulares, corporais, degenerativas, regenerativas, restaurativas, abissais
Que eu seja a extração de todo suco,
o insumo de todas as minhas experiências, frustrações, descobertas, descaminhos, repescagens, pontos de virada, ressurreição…
Vou rodar minha baiana a dar a mão à Carmem Miranda
Meu amor, hoje estou pra jogo….de alegria, glórias, festas e confetes pro Ser que está sendo construído e relembrado, bem aqui dentro desse casulo metamorfótico.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Raquel Alves Tobias

Quem é você, saudade?
Chegada, dúvida ou partida?
Mordida de fruta doce
Saliva de sede ativa
Veneno inflamável
Abraço apertado
Beco sem saída?

Quem é você, vontade?
Insônia da despedida
Temor da felicidade
Tremor de penicilina
Mão que acaricia
Entre o pêlo que eriça?

Quem é você, desejo?
“Carente de si
Doa a quem doar-se primeiro
Que seja casa enquanto beijo
e na paz do meu travesseiro, more.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Unsplash

Cabra-cega

Por: Bia Latini

Cabra-cega

E de repente estou a repetir padrões
Emuladores das minhas opções de chegada
Que escolhas serão essas
Que me fazem cair no mesmo bueiro, tropeçar na mesma lombada?
São eles, os soldados inibidores da liberdade da alma
Aqueles que querem aprisionar-nos em padrões, jargões, fantoches, piadas
Sabotadores
Convidam-nos a mantermo-nos anões, mudos, ensurdecidos, beatos, canonizados
Morais, moralizados
Reduzem-nos a um corpo imaculado
Condutas, posturas, tradições, verdades a serem cegamente encenadas
Costuras …
Desse nosso invólucro corporal
Nas bordas, muito bem arrematadas
Religiões, culturas, sociedades
Em sua essência endividadas, disfarçadas,
Mal amadas
Pretendem que repousemos em leito de obediência, acomodação, IRRESISTÊNCIA
Sugerem que morramos em vida
E vivamos apenas a vida eterna quando a morte chegar…

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Bonsai

Por: Mauricio Luz

Bonsai

Como ousas? Como se atreve a brilhar tanto?
Com que audácia és autêntico e se mostra para o mundo?
Eu me submeti aquilo que me ordenaram
Acreditei no que me disseram as pessoas que eu amava
E que me amavam muito
Mas não a ponto de permitir me amar
Do jeito que eu quisera
Passivo, segui as trilhas que me deram
Ativo em ser aceito e considerado.
Pelo caminho, deixei sonhos e fantasias.
Busquei a ordem e a primazia.
Eu me formei, conformei, deformei.
E uma felicidade de plástico eu alcancei.
Aí, você vem.
Quer ser você.
Vem você, que sai do armário.
Que vive de arte, clamando poesias em troca de poucas moedas.
Que canta nas noites, embalando a boemia,
Que sorri quando quer sorrir, chora quando quer chorar.
Aí, você vem!
E apenas sendo,
Joga na minha cara a coragem
Que eu não tive em ser eu mesmo.
Apenas sendo,
Desmente a minha compaixão ensaiada,
Minha humanidade certificada.
Você vem!
E apenas sendo,
Cospe na artificialidade na qual eu me moldei
E chuta os castelos de mármore que construí
Sobre as areias de regras sem sentido.
Você vem!
E como um implacável espelho
Me mostra as marcas que lutei tanto para esconder
As cicatrizes do que amputei para me encaixar
As rugas do tempo que se foi para que eu não fosse.
E quer minha consideração? O meu abraço?
Eu não consigo! Eu não posso!
Meus olhos se acostumaram à escuridão
E doem à luz da menor chama da menor vela.
Tudo que ilumina meus recantos escondidos,
Minhas gavetas, meus baús secretos,
Precisa ser apagado e eu continue
Na paz sombria que vivo.
Vá embora! Não te quero aqui!
Pára de me lembrar do que poderia ter sido
Se não fosse o molde, o corte, o formato!
Sou um bonsai humano
A potência da árvore
Reduzida a uma planta de vaso.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Faróis

Por: Bia Latini

Faróis

Ser pai e mãe é ser alavanca, maçaneta
É ser degrau, escada
Piscina sem água
A água é justamente o filho
E a piscina pode ser rasa, funda, bem demarcada ou de borda infinita, permitindo ver o horizonte
Ser pai e mãe é ser ponte, farol, guia
É ser veículo e não caminho em si
As pegadas: firmes ou amedrontadas, vão depender do quanto você abre a porta do carro para que seu filho vá a pé
E ser um bom veículo é, também, por vezes, saber se fazer bicicleta, que é transporte com liberdade, velocidade, abertura, vento batendo na cuca que refresca os pensamentos e faz sonhos voarem
É lidar com a dualidade de querer reter e precisar soltar
É saber que não se é dono, apenas instrutor, semáforo, indicador
Ser pai e mãe é não saber e achar que tem que saber
Depois concatenar e assimilar que não se é Deus
Apenas humano, trocando com outro humano que veio depois
É errar porque faz parte da vida
De quem é pai e mãe ou não…
É que quando colocam algo ou alguém sob sua guarda, você sente o peso nas costas,
os dedos e os holofotes apontados para o seu desempenho
Mexe com seu ego e sua potencialidade, seu senso de capacidade
Estarta um julgamento, um apertamento do ” tem que ser” e do “preciso performar”
Mas não!! Esquece isso tudo!
Permita-se apenas ser, transbordar…
Toda sua essência, sua caminhada, buscando ser melhor, fazer o melhor
Sabendo que isso nem sempre vai acontecer e está tudo certo!
Afinal, o que é a vida, senão ela mesma?
Ser pai e mãe é dar-se oportunidade:
De doar e receber, sem expectativa no outro e em si mesmo
É apenas se permitir e sentir
Deixar-se vulnerável, exposto à aprendizagem.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Por: Mauricio Luz

Por que me nomeias?
Por que me classificas?
Qual o motivo de quereres
Limitar-me por substantivos
Que não mostram minha substância?
Por que me rotulas?
Por que me analisas?
Qual o motivo do anseio
Em diminuir a grandeza incalculável do ser
Ao tamanho de tua própria prisão?
Por acaso queres que me reduza
A uma identidade que me foi imposta
Por impostores que não identificam a si mesmos?
Por aqueles que transformam em bengalas
O que seriam degraus de uma escada?
Lagartas, que por medo de voar,
Jamais ousam abandonar o casulo!

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay