Nem tudo é o que parece…

Por: Bianca Latini

Nem tudo é o que parece…

Nem tudo é o que parece ser
Às vezes, o que parece brincadeira é puro aprendizado
O que sugere lazer
é um não saber como realmente esvaziar e deixar ser
Ainda tem o que parece ensinar, no entanto aprisiona
Acredito que o óbvio, muitas vezes, precisa ser dito
E nem sempre o “errado” é o maldito
O que está dentro não é necessariamente o que precisa ficar interno
Pelo contrário: é justamente o que mais precisa sair
A felicidade não é o que está do lado de lá, mas O Agora, neste exato momento, bem aqui
O que parece torto, pode ser o mais reto
E às vezes o mais tolo é o que julga ser esperto
As aparências enganam; as vestes disfarçam
Os chapéus, os bigodes, as armaduras, as incertezas, o embrulho do presente, os mecanismos de defesa…
A fruta que parece linda, mas abrindo-a está apodrecida
A flor que parece bela….e vendo bem de perto… está totalmente amarela!!
O sapato da moça bem arrumada sugere vestir-lhe muito bem, mas seus pés estão imprensados!

Então…comece olhar para o que não se vê
E sentir o que não se toca
Abre a porta do coração e o sentir para a sua percepção
Não pense que é misticismo, vá com tudo na intuição!
E lembre-se: pode ser que o caminho mais certo seja onde informaram-te ser contramão!

Por Bianca Latini
Em 21/03/21


Créditos da imagem: Pinterest

Clássicos da Literatura: Eugenio Montale

MAREZZO

[…]

Fora está o sol: flamante
na sua ronda para.
O céu cavo ilumina-se estuante,
vidro que não estala.

Um pescador dentro de uma canoa
arremessa uma linha da corrente.
Vê-se que o mundo do fundo se afeiçoa
como se deformado de uma lente […]

Eugenio Montale (italiano, Nobel de literatura em 1975)


Créditos da imagem: Pixabay

Cuidado

Por: Juliana Latini

Cuidado

Medo de quê?
É comum acreditarmos que aquilo que ocupa o nosso cotidiano é menos importante…
E se eu te disser que a simplicidade cotidiana, sem títulos e sem flashes, é a vida?
Não estamos perdendo-a ao cuidar: da casa, da criança, das plantas, dos animais, do próximo e de si mesmo.
Cuidado!
Cuidado para não se perder, tentando encontrar a vida em outros lugares!

Por: Juliana Latini


Créditos da imagem: Pexels

O menino e o mar

Por: Bianca Latini

O menino e o mar

Marcas que marcam o tempo
Cortes, feridas que que se fizeram outrora
E ainda doem agora
Imortalizados por memórias, sensações, não pertencimentos
Queria ter dito e não disse…
Morreram aqui dentro comigo
Mas permanecem vivos
No sussurro baixinho
Na inquietude do coração, que às vezes não bate sereno
No menino que ainda sonha com o mar
Sua pesca, seu mariscar
E com o fundo dele:
como um lugar calmo e seguro
Onde só ouve a sua respiração
Lá embaixo não há lembranças…
Apenas apneia de presença
Para se ter o ar

Em 20/05/20
Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Arquivo Pessoal

Por: Raquel Alves Tobias

Oitenta batidas por minuto
na mão da menina
a baqueta e a lira

O desfile: sete de setembro.

A melodia cresce
e decresce

Agudos.

Metálicos.

Contínuos.

Estridentes.

Um segundo, uma hora
uma vida

O espasmo da pálpebra
ofusca a pupila

E a força da mão
que toca
a baqueta
procura na letra
o porquê
da batida

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Arquivo Pessoal

Silêncio

Por: Mauricio Luz

Silêncio

Tantos sons, tantos ruídos
Quantos padrões a serem seguidos!
Tantos barulhos, tantas ordens
Quantos conselhos, quantos pedidos!

Silêncio, Silêncio
Quero encontrar-te
E imerso em tua quietude,
Ouvir minha própria voz

Pois hoje pertenço
A tudo que tenho
Lembranças das vozes
Que ecoam em mim
Vozes que me disseram
O que é ser feliz

Silêncio, Silêncio
Quero abraçar-te,
Sentir meu respiro,
A batida do coração.
Que laços devo cortar,
Que pontes devo partir,
Para alcançar o vazio
Que a tudo preenche?

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

O mar no caminhar daquela moça

Por: Priscila Menino

O mar no caminhar daquela moça.

Acompanho de perto aquela moça,
Que lindo coração.
Se jogou na vida, levou porrada do destino, levantou.
Caiu outras vezes, mas continua levantando.
Leva muitos nos ombros, mas segue firme no salto.
Aliás, não posso deixar de falar dela sem falar da sua alma feminina.
Veio do piso de chão, mas sempre teve seu toque de menina moleca, seu charme natural.
Se faz de durona, mas ninguém sabe que chora assistindo filme de comédia romântica.
Odeia incomodar, aliás, ela sempre acha que está incomodando, mal ela sabe o quanto a presença dela traz alegria.
Seu estopim é curto, não pise no calo dela, ou verá uma leoa pronta para atacar, bruta como só ela.
E falando em leoa, defende sua cria com unha e dentes, é bonito de se ver a harmonia deles.
Seu coração é enorme e, se você for da afeição dela, ela te apoiará sempre.
Leal como tal, quem falar mal de um amigo dela, ela compra a briga e faz até inimizades, se preciso for.
Ela é guerreira, se vira como pode, sempre buscando seu lugar ao sol.
Mas na verdade, até o sol admira o brilho dela. E que brilho.
Deve ser por isso que ela ama tanto o mar, seja por estar presente até nas letras do nome dela, ou seja pelos raios de sol que batem na água e reluzem no seu caminhar.
Siga, moça, continue a brilhar…

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Pixabay

Mamanguá

Por: Bianca Latini

Mamanguá

Sabe quando você conhece um lugar
E ele te penetra e te emudece?
Porque nenhuma palavra seria
tão precisa ou eficaz para descrevê-lo?!
No quesito sensação
Poderia falar em inebriamento
Beleza exuberante
Natureza viva
Cores em seu esplendor
Povo e sua raiz
Gente Simples
Feliz
Gente da terra
Do mar
Gente que nasceu banhada
Em água salgada
Verde esmeralda
E traz em suas prosas e suas contaçōes de histórias
A cristalinidade
Desse manancial
Crianças que são crianças
E brincam sem brinquedos de plásticos
Elas interagem com a natureza pulsante
Sobem árvores, catam frutos, sentem a textura da areia
Pulam decks que interligam suas casas
às “ruas ” aquáticas
Não há buzinas, fumaças, engarrafamentos
Apenas rastro de espuma
dos propulsores de barcos,
dos remos das canoas, dos caiaques,
de seus navegantes
Mamanguá
Fiorde ou Ria?
Independente da tecnicidade
Sua atmosfera é mágica
Suas montanhas, seus manguezais,
suas águas, sua cria
Deixará em mim sua marca de exuberância e simplicidade
Sua fotografia e seus contornos estarão sempre vivos na janela da minha alma
Sua atmosfera deixará no no calor da pele enorme saudade…

Por Bianca Latini
Em 08/03/2020


Créditos da imagem: Arquivo pessoal

Por: Diogo Verri Garcia

Ser poeta
é um sentimento engraçado
Que apreende a pequenez do muito
e dá razão à grandeza dos traços
de versos que havia
Onde nada mais existia.

A obra dele tem condão
no porquê descompassado
de dar tão certo.
De tratar-se no simbolismo do acerto,
E quedar-se desperto,
Por sublimar a riqueza,
Que os torna versos bem mais
Do que as razões de quem tem só tudo mais,
Mas traz a alma vazia.

Do trabalho seu,
de subjetivação corpulenta
há seja o que nos desorienta, seja o que dá resultado.
Quer formalizando o anverso,
Quer formulando o retrato
Da imagem que a razão de si faz
Quando a vida argumenta;

Na franqueza que traz
já no décimo quarto,
não dá estrofe do verso,
mas no confinamento de um peito apertado.
Encontrado no março
que só apreende a quem se ama.
Pois é o que cabe, é o que jaz.
Há trama, há drama
E uma forma a mais de haver poesia.
Que só não compreende
Quem tem a alma, de todo, vazia.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 14/03/2021 –
Dia Nacional da Poesia)


Créditos da imagem: Arquivo pessoal (14/03/2021)

Clássicos da Literatura: Cecília Meireles

Mulher ao espelho

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seu
se morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Cecília Meireles


Créditos da imagem: Unsplash