Leitor Também Escreve: Jaqueline Dergan

Plenitude

Acalmo meu coração
Abro mão de minhas compulsões
Cobiças
Anseio pela vida e pela libertação
Libertação de mim mesma
Quero a simplicidade
Conectar-me com a natureza
Conectar-me comigo mesma.
Busco desenfreadamente minha essência
Busco o contentamento
Contentamento…
No equilíbrio sei que está o segredo de todas as coisas.
De amar. De desejar. De viver.
Que meus desejos não ultrapassem o meu equilíbrio.
Que eu alcance a dádiva de sorrir em paz com cada coisa que não seja possível de se ter no exato momento em que as quero. Talvez nunca.
Que ainda assim, eu possa agradecer, e me sentir plena, pelo simples fato de viver.

Por: Jaqueline Dergan


Créditos da imagem: Unsplash

Os Verdadeiros Castelos

Por: Bianca Latini

Os Verdadeiros Castelos

Não gosto de mesmice
Muita coisa deste mundo, pra mim, é tolice
Dinheiro, dinheiro, dinheiro
Ganhar, perder, reter e ter cada vez mais
Catalisador da vida em looping
Opressor de nossas expressões mais verdadeiras
Se nos apegarmos, viveremos sempre em precipício
Com medo de despencar e jamais voltar
Com medo de não sobreviver
De não pagar contas, de não ser gente
E viver como indigente
Esse pedaço de plástico, papel
Por nós, transforma-se em
Respeitoso Quartel
Quartel General
Ditando nossos ritmos
Engendrando nosso tempo
Costurando nossas artes para que se calem e nada falem
Para não despertarmos o rebanho
Para continuarmos, a dele, fazer parte
O mote é não acordar do Sonho, da Ilusão
Somos levados a acreditar que os NOSSOS sonhos mais íntimos, guardados a sete chaves, é que são tolos, fúteis, inservíveis
Matamos nossas sementes, antes mesmo delas sequer começarem a germinar
Praticamos aborto logo nos primeiros sopros de vida
Embora defendamos Leis protetoras do mundo externo
Corrompemos, fissuramos, rachamos e, por fim, desmoronamos nossos profundos castelos, que parecem irreais
Mas não são!
Eles sim: nossa verdadeira riqueza, ainda que etérea
Eles não precisam de paredes, torres, calabouços
Eles existem por si mesmo
Carecem de entendimento
Existem apenas no Sentir…
Saibamos NÓS nos PERMITIR

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Pinterest

Clássicos da Literatura: George Orwell

“O assustador, refletiu Winston pela décima milésima vez enquanto forçava os ombros dolorosamente para trás (com as mãos nos quadris, giravam o tronco da cintura para cima, um exercício considerado benéfico para os músculos das costas), o assustador era que talvez tudo aquilo fosse verdade. Se o partido era capaz de meter a mão no passado e afirmar que esta ou aquela ocorrência jamais acontecera – sem dúvida isso era mais aterrorizante do que a mera tortura ou a morte.
O Partido dizia que a Oceânia jamais fora aliada da Eurásia. Ele, Winston Smith, sabia que a Oceânia fora aliada da Eurásia não mais de quatro anos antes. Mas em que local existia esse conhecimento? Apenas em sua própria consciência que, de todo modo, em breve seria aniquilada. E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido – se todos os registros contassem a mesma história –, a mentira tornava-se história e virava verdade. ‘Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado’, rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora alterado. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda.”

George Orwell (1984)


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Posicionamento

Por: Juliana Latini

Posicionamento

De onde vem a sua força?

Dos braços, da conta bancária, dos outros?

Pois digo que a força vem da fraqueza!

Quando nos sentimos fracos, temos condições de experimentar os males de tudo aquilo que nos oprime, entristece, até que resolvemos reagir!

Inicia-se um movimento interno, como uma engrenagem, para declarar um basta! De dizer: “Não suporto mais essa situação. Já chega!”

Daí vem a força de dizer o primeiro não.

Como uma foice diante de um capinzal, onde cada golpe no matagal se transfigura como um não, vamos abrindo espaço, até que a luz do sol começa a nos alcançar novamente, diminuindo aquela sensação de sufocamento. O alvo vai ficando mais claro, mais possível, mais palpável.

Ao perceber esse horizonte, renovamos nossas forças e continuamos o trabalho. Um trabalho, cabe dizer, que não tem remuneração, a não ser, o bem estar de ter novamente o espaço necessário que precisamos para existir, para respirar com calma, para sermos nós mesmos.

Nesse terreno, agora bem delimitado, reforço as minhas estacas e descubro o valor de saber os meus limites, de me posicionar com os outros e não permitir que nada, nem ninguém entre sem o meu consentimento.

Aprendi que o não é um fechar de porta desse espaço interior. Se não me faz bem, preciso dizer não.

Daí em diante, é preciso duas coisas. A primeira é limpar todas as toxinas que deixaram essa terra amarga e, para isso, não conheço outra receita a não ser perdoar o que passou. A segunda é manter essa nova condição, usando a força despendida com a confusão interior, para impulsionar aquilo que realmente gera crescimento.

Trabalhar nessa terra exige planejamento, execução e fé que em determinado tempo os frutos surgirão.

Os sonhos adormecidos são fincados na terra em forma de sementes. Cuidando diariamente para não deixar o capim dominar novamente. Sem pressa. Pois contra o tempo, não tem como lutar.

Só digo que a constância, a paciência e o posicionamento atuam como adubo nesse processo de amadurecimento.

Juliana Latini (05/04/2021)


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Regresso das Águas

Por: Diogo Verri Garcia

Regresso das Águas

Até olhos d’água intermitentes,
aclaram-me, tão mais que se preenchem,
pois em muito aflitos.
Entremeiam um curso em plano caudaloso,
Em tenaz pranto honroso;
tímido,
resiliente aos vãos agitos.

Que se isentam no ameno inverno,
no qual não faz frio
para que seja agoureiro,
Mas ruborizam a névoa clara
Que se escondem ao menor verão.
São os olhos que secam;
dissimulam até findar janeiro,
Pois em dois meses mais,
terão exposição.

São olhos que reforçam tais torrentes,
Tornam-me tão seco e, a mais,
Tão só,
desprecavido.
Como que toda sede que impusesse a sua marca,
eis que olhos d’água
não correm sua lágrima;
No verão, tê-los por esperar, já sei:
é descabido.

Sede que é de marca tão maçada,
Não sinto nem náuseas.
O desconforto é ligeiro mais
que perturba até minh ‘alma.
Ao que destorce, em pensamentos,
as mínimas razões da mente.
Mas do que dizeis quanto a tais correntes?
Vez que aparentam que sentem
nada mais que um nada.
São, todas, cursos d´água.
Tão naturais, tão somente.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 06/04/2021)


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Coragem pra desbravar meu Mundo

Por: Bianca Latini

Coragem pra desbravar meu Mundo

De tempos em tempos minha mente lota
Parece anfiteatro em sua capacidade máxima
Estacionamento com todas as vagas ocupadas
Não entra mais nada!
Sinto necessidade de esvaziar, abstrair, descarregar
Essa vida em looping, esses dias sem sentido, fazendo o que não se gosta para ganhar o que se precisa ou julga precisar
Queria ter mente de hippie, de cigano, de moicano
Queria ter vida de circense e desprendimento de missionário

Eu gosto de acordar cedo, mas ultimamente não estou quase dormindo na hora que deveria estar
Tento acordar cada vez mais cedo para poder respirar
Antes de começar a sufocar na vida do “tem que ser”, do feijão com arroz, na cartilha da Matrix
Queria mesmo ser Asterix, estrela, reluzente, resplandescente, embora distante
Alcançar minha potência máxima de pertencimento de mim mesma
Fazer o que faz sentido, o que me oxigena e não o que me drena

Queria sair por aí e ganhar o mundo
Ver as diversidades
Novas realidades
Queria me encantar com outros coloridos
Cores jamais vistas
Personalidades inimagináveis

Paradoxalmente, sinto como se o Mundo já morasse em mim
A imagem que tenho é do globo terrestre na minha própria barriga
No meu plexo solar
Pronto para eu mergulhar e nele bailar, voar, ser, ecoar

Eu nunca pisei num palco e tenho medo de falar em público
Temo ser julgada e não ser boa o bastante
Receio que a plateia não seja tolerante
Pura bobagem!
Não é sobre os espectadores. É sobre mim mesma
Ainda com tudo isso, eu me enxergo com alma de artista, que muito quer dizer, falar, se expressar, comunicar
De diversas maneiras
Sem formato pré-definido, moldado, estipulado…
Livre, leve, solto, desconectado e conectado , ao menos tempo
Viver a cada instante, aquele exato momento
Sem expectativa, apenas vibrando no ressonar do Agora
Sentindo a energia que flui, o cântico que pede para ser entoado
A palavra que brota da raiz do peito
O sorriso que sai sem pretender nenhum efeito

Eu queria apenas poder ter tempo para Ser, Existir, me permitir tocar minha viola na varanda da serenidade
Viver em outros tempos…
Sem pressa, sem pressão, sem seguir a multidão
Guiar-me pelo meu próprio ritmo e, de esquina em esquina, ir estendendo a minha mão
Para te dar um pouco de apoio e aquecer a minha
Assim, faríamos uma corrente de mãos que são e existem por si mesmas, mas que juntas formam uma roda muito ensolarada

Entusiasmo, pertencimento, união com liberdade
Sem melindres, sem restrições, sem comedimento
Puro flerte, divertimento, engajamento, sorvete, derretimento….

Bianca Latini
Em 10/03/21


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Está tudo bem estar tudo bem

Por: Priscila Menino

Está tudo bem estar tudo bem.

Esses dias me peguei pensando: “hoje foi tudo bem e tranquilo demais para meu gosto, o que pode acontecer pra mudar esse estado? Preciso me preparar”.
No mesmo momento, como se houvesse dentro de mim dois lados, yin yang, questionei ao meu próprio pensamento.
Pensei: “mas, afinal, qual o problema de estar tudo bem?”.
Fiquei pensando no nosso errôneo condicionamento de esperar que algo negativo sempre aconteça, afinal, é melhor estarmos preparados.
Por qual motivo não devemos somente contemplar a tranquilidade de estar em paz?
Penso que talvez seja nosso instinto primitivo que tenta nos manter sempre prontos pro ataque e pro combate, defendendo nossa existência pela força.
Ironicamente buscamos tanto a tranquilidade, a felicidade e a paz, que quando a encontramos, não sabemos vivenciar e agradecer por isso.
Enquanto refletia nisso, sentei, abri uma taça de vinho, respirei fundo e pensei: “está tudo em estar tudo bem”, esse deve ser o meu estado natural sempre…

Por Priscila Menino


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O mar no caminhar daquela moça

Por: Priscila Menino

Está tudo bem estar tudo bem.

Esses dias me peguei pensando: “hoje foi tudo bem e tranquilo demais para meu gosto, o que pode acontecer pra mudar esse estado? Preciso me preparar”.
No mesmo momento, como se houvesse dentro de mim dois lados, yin yang, questionei ao meu próprio pensamento.
Pensei: “mas, afinal, qual o problema de estar tudo bem?”.
Fiquei pensando no nosso errôneo condicionamento de esperar que algo negativo sempre aconteça, afinal, é melhor estarmos preparados.
Por qual motivo não devemos somente contemplar a tranquilidade de estar em paz?
Penso que talvez seja nosso instinto primitivo que tenta nos manter sempre prontos pro ataque e pro combate, defendendo nossa existência pela força.
Ironicamente buscamos tanto a tranquilidade, a felicidade e a paz, que quando a encontramos, não sabemos vivenciar e agradecer por isso.
Enquanto refletia nisso, sentei, abri uma taça de vinho, respirei fundo e pensei: “está tudo em estar tudo bem”, esse deve ser o meu estado natural sempre…

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Pixabay

Passariúva

Por: Diogo Verri Garcia

Passariúva

Tanto que gosto desses ventos
Que levantam nem tanto a poeira;
Logo trazem o cheiro de chuva.
Que, prometida tanto, assustam a madeira pesada,
Dada a água arrastada…
Sobre a passariúva.
O que cai em grande quantidade,
Não me precipita, de fato;
É o tempo, só, já pesado; sem temperança,
Revoando o meu papel.
E esconde o sol, dentre um cinza desafiante, arrojado…
Que traz rasuras
no azul que havia há pouco do céu.
Ela desce, logo a água, na ribeira;
a impossibilidade de correntes ascendentes
manterem-na em suspensão.
E assim, imparáveis, águas caem;
De tão fortes, que explodem ao chão.
Veja: quem queria andar, contenta-se a ver.
A olhar, pois que não pode sair.
É esperar tudo aquilo passar…
É esperar toda a chuva exaurir.
E desbota, em folha molhada, inteiro este meu argumento.
Mas o que quer dizer este tempo?
Nada que mais te adiante; além do vento.

(Diogo Verri Garcia, Rio (em dia de chuva), 30. mar. 2021)


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Revelação

Por: Mauricio Luz

Revelação

Céu escuro, noite estrelada
Incontáveis pontos brilhantes no céu
Algumas estrelas decidem riscar
Linhas brilhantes e fugazes na folha negra do firmamento
A cerveja gela minha mão
Do alto, as estrelas observam e sorriem
“Ei, poeta, lembra-te!
Aquilo bebes e comes somos nós!
Em teu prato ou em teu copo,
Tudo o que forma teu corpo,
Contém e está contido nos mesmos elementos,
Que formam as estrelas, os cometas, os planetas!
Que achas disto, ó poeta?”
Levo o copo aos lábios,
Sinto o beijo molhado da bebida,
E o líquido dourado
Refresca a minha sede,
Acalenta minha garganta seca de poesia.
A realidade é apenas uma,
Mas insistimos em vê-la
Em bilhões de pontos de vista

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay