Especial Dia dos Pais

Por: Diogo Verri Garcia

(Especial Dia dos Pais)

Há aquilo que não se aprende em toda eficaz literatura,
Que são os abraços tão mais que fraternos.
Em sua específica forma, em grande e apraz ternura.
Daqueles que nos ensinam e moldam,
Melhor que todos mais.
A paz que a vida nos dá,
Que temos em nossos pais.

São os que abrem caminho quando as circunstâncias nos tolhem.
Nos prantos felizes, festejam;
Nos mareamentos tristes, acolhem.
De todas as vontades que tenho e dos desejos modernos,
Nenhum me importa mais do que o anseio:
Quisera que fossem eternos.

Digo aqueles que não são comparáveis
Ao abraço de nenhum outros mais.
Aquele que, por tudo tanto nos ama;
Ao amigo que amo de volta,
Refiro-me ao meu específico pai.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 05/08/2021)


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Clássicos da Literatura: Murilo Rubião

“- Moço, oh! Moço! Moço, me dá um cigarro?Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

– Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

– Está bem, moço. Não se zangue. E, por favor, saia de minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento a me interpelar delicadamente:

– Você não dá é porque não tem, não é, moço?”

(Teleco, o Coelhinho – de Murilo Rubião)


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Jejum

Por: Bianca Latini

Jejum

Queria propor um jejum coletivo
Mas não é de comida
Este é fácil demais
Proponho um desafio mais robusto:

Façamos jejum de ofensas, alfinetadas, puxadas de tapete
De reclamações, lamúrias, injúrias e insatisfações
Façamos jejum de autossabotagem, de ver o que é só miragem, de julgamento, de
aprisionamento
De pudor, de engavetamento do amor, de intolerância, implicância, de irritação
Façamos jejum do racismo, da homofobia, da não aceitação da diferença, da total descrença
na humanidade
Façamos jejum de zonas de conforto, de abortamentos dos sonhos, de discussões infrutíferas,
nas quais a única meta é estar certo e aniquilar o “opositor”
Façamos jejum de mesmice, do pensamento engaiolado, do sujeito engravatado, que é só
torpor
Façamos jejum de ingratidão, de falta de cuidado, de tempo desperdiçado, de corpo violado
De falta de presença e de amizade, de ausência de comprometimento com o que realmente
importa para nós e não o que nos disseram ser importante
Façamos jejum de hipocrisias, de cegueiras tóxicas, de pensamentos corrosivos
De falta de gentileza, de simpatia, de empatia, sutileza e de delicadeza
Façamos jejum de afobação, de pressa, de autodestruição
De medo, de superproteção
Façamos jejum de mentiras, encobertas, “jeitinhos”, simulações
De insensibilidade, procrastinação, violência, maus-tratos ou omissão ao nosso tão destroçado
meio ambiente

Comecemos a jejuar por um dia e aumentemos progressivamente
Mas que não seja jejum intermitente
Que evolua numa crescente
Até que entendamos que a lógica está invertida e que não é mais necessário reprimir, apenas expandir
Todo ar puro!

Bianca Latini


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Pais de Águias

Por: Mauricio Luz

Pais de Águias

O que faziam os pais
Dos guerreiros destemidos
Dos desbravadores que ao mundo saíam
Moldando seu destino?
O que faziam os pais
Ao verem hoje homens feitos
O que ontem eram meninos
Mas como estes correm os caminhos
Sem sequer olhar para trás?
Ó águia que voa alto no céu
Dá-me seu exemplo de amor E carinho com os seus filhos
Pois sabes
Para que dominem o firmamento
Expulsa a todos do ninho

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Inocência

Por: Juliana Latini

Inocência

Nas teias embaraçosas do existir, conecto comigo. A cada momento em que esbarro com o que me toca. Algo de fora, estranho toca-me quando revela algo de mim, que até então não conseguiria decifrar. Sou um enigma para mim mesma.

Quando momentos assim ocorrem, sinto que os sentidos aumentam. Com isso, aumenta a minha percepção e sensibilidade. De uma hora para outra, tenho mais clareza sobre mim. Os canais se abrem e vejo um pouco de mim.

Vi a inocência e a beleza escondida sob uma nuvem carregada e pesada. Era medo e dor. Quando percebi isso, a inocência respirou e voltou a existir. Logo me conectei com o meu Pai Celeste. O dono e autor da inocência. Preciso superar esse longo período de nuvens carregadas. Para enfim regressar para mim mesma, meu porto seguro, minha plenitude. Voltar a sorrir com os olhos, com os lábios, com o coração. Com o céu aberto. Tempo firme.

Sol seguro como a presença de Deus. Olho e vejo as oportunidades que Ele está me dando para eu me alcançar-me novamente. Ainda que tudo ao meu redor mude. Ainda que eu envelheça. Ainda que os meus fios se embranqueçam. Sempre haverá esperança de encontrar a minha inocência. Lá onde a felicidade mora. Lá onde Deus habita. Lá onde a Paz me faz leve.

Obrigada, Deus. Por ser o piso visível e firme. Onde dou os meus primeiros passos e colho flores que a mim me destinou. Meus olhos refletem a esperança que abriu meus horizontes. Há esperança! O Senhor é a esperança!

Ainda viverei comigo mesma, dando liberdade à minha inocência. Aquela que por muito esteve presa, sofrendo dores de criança. Dores inocentes. Sinto que começo a amadurecer. Esse é o caminho!

Não perder a pureza e a beleza, por imaturidade. O equilíbrio é o caminho de dentro para o alto. Esse é o segredo para fortalecer e proteger o coração. Esse é o alimento e a fonte inesgotável que transborda amor no campo do perdão e das novas oportunidades. Oportunidades de transpor a dor e regressar à vida com vida.

Juliana Latini


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Por: Raquel Alves Tobias

Muita gente parecida
Muito ódio de si mesmo
Que muda de endereço
Com rímel ou cavanhaque
Esperei uma vida
Para que as coisas mudassem
Muda de casa, muda o cabelo
muda de cidade
muda o corpo inteiro
e espera…
O sol entra pela janela
da mesma forma
O vento dança com as palmeiras
e a criança chora
enquanto os olhos ardem
Dedos próprios se entrelaçam,
se abraçam,
Tudo se move em detalhes.
Enquanto a espera,
continua inacabada.
Então por que desejo, você corre quando te beijo?

Raquel Alves Tobias


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Clássicos da Literatura: BHAGAVAD GITA

BHAGAVAD GITA – CAPITULO VII
VlJÑÂNA YOGA — DISCERNIMENTO ESPIRITUAL Neste e nos seguintes cinco capítulos, expõe-se a doutrina de Krishna e a melhor maneira de praticar Raja-Yoga. Esta parte trata do conhecimento espiritual, isto é, do despertar da consciência da Divindade no homem. Deus é Amor e, por conseguinte, pode-se obter a consciência da Divindade só pela fôrça do Amor Divino.

(…)

9. Eu sou o perfume da terra e o esplendor do fogo; Eu sou a vida de todos os vivos; Eu sou yoga dos yogis, a santidade dos santos. 
10. Eu sou a semente eterna e imortal de todos os sêres. Eu sou a sabedoria dos sábios, a razão dos racionais, a glória dos gloriosos, a nobreza dos nobres. 
11. Eu sou a fôrça dos fortes, livres de tôda avidez e paixão. Eu sou o amor puro em todos os sêres, que não pode ser proibido por lei alguma. 
12. As três qualidades da minha natureza: a harmonia, a atividade e a inatividade, as quais também se manifestam como a luz da verdade, o desejo da paixão e as trevas da ignorância, em Mim têm o princípio e estão em Mim, mas Eu não dependo delas (2). (2) Deus é superior à natureza; a natureza não é Deus, mas é uma manifestação da fôrça Divina. Deus está na natureza, mas não se limita a ela.
13. O mundo dos homens, achando-se sob o domínio da ilusão dessas três qualidades da natureza, não compreende que Eu sou superior a elas, e conservo-me intacto e imutável no meio dos inúmeros acontecimentos e mudanças. 
14. Esta ilusão é muito forte, e tão denso é o seu véu que é difícil aos olhos humanos penetrá-lo. Só aqueles que a Mim se dirigem e se deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim. 
15. Malfeitores e tolos não Me procuram, nem aqueles que nutrem pensamentos baixos; nem aqueles que vêem, no vasto espetáculo da natureza, sòmente o jôgo das forças, sem diretor; nem aquêles que extinguiram em si a centelha da vida espiritual e se tornaram plenamente materiais. 
16. Há quatro classes de gente que a Mim se dirigem: os infelizes, os que investigam a verdade, os bondosos e os sábios. 


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Leva você!

Por: Bianca Latini

Leva você!

Para uma ocasião especial, esquece das roupas, dos sapatos, da maquiagem e do perfume
Leva você! Isso é o que mais importa
Leva você de verdade!
Não sua máscara, seu escudo, sua lança e capacete
Vai com medo mesmo, com receio, com o peito aberto para tocar e ser tocada
Fala sobre sinceridades, o que realmente sente
Não se defende
Nem ataca
Apenas seja
Vulnerável
Sensível
Alegre, triste, empolgada ou melindrada
Confessa pro outro
Expõe
Põe na mesa
E deleite-se com o banquete de reciprocidades que virá do seu convidado
Queremos muito relações genuínas
Mas as pautamos em disfarces, desde o início
Com medo da alta exposição
Medo de ser atingido, ferido, magoado, despovoado…

Chegou a hora da redenção
Sorria, desmancha e estenda a mão

Bianca Latini


Créditos da imagem: Pexels

Cacos de Reflexões Poéticas

Por: Mauricio Luz

Cacos de Reflexões Poéticas

Erotismo

Quando me provocas
Com suas mordidas
A cada uma delas
Devolverei com lambidas

Amor

Um paradoxo
Que não tem jeito
Ele é infinito
E cabe dentro do peito

Saudade

Um vácuo, um vazio
Preenchido por matéria
Transforma um coração
Em mera junção de artéria

Alegria

A sua presença, a sua piada
As suas palavras, o seu riso
O seu rostinho encabulado
Roubando o meu juízo

Mistério

Não sei se ela é fada
Não sei como é que pode
Desde que a conheço, todas
As outras têm barbas e bigode

Sonho

Nossos fantasmas, batidos
Os dragões, derrotados
Novas batalhas virão, mas nada temo
Estamos eu e você abraçados

Fórmula

Para que eu me conheça
Vou onde ninguém me conhece
Para que eu me alegre
Rio do que me entristece

Energia

O nosso amor queima micros
Paralisa o tempo, explode transformadores
Queima corpos em desejo
Põe o Universo em cores

Música

Algumas só tiveram sentido
Depois que te conheci
Portas dimensionais
Que me levam para junto de ti
Seja stéreo ou seja mono
Seja Billie ou seja Bono

Luta

A pena de ser travada
Há somente uma guerra que valha
A que torna a nós mesmos
Como campo de batalha

Tempero

Ciúme é um sentimento
A ser usado como pimenta:
Com muito comedimento.
Peca quem não sabe e tenta
Usá-lo como condimento.
Uma pitada aquece e esquenta;
Em excesso, arde o momento.

Castigo

Ter o Amor próximo
E não poder tocá-lo
É tão ruim quanto ter o Próximo
E não ter amor para dá-lo

Visão

Espiritualidade
É a linha do horizonte
Que todos têm.
Caminhando lá se chega
Mas parado também,
Se o sentido que se vê
É o sentido do bem.

Escolha

Para ser feliz decidi ser perfeito
E infeliz fiquei
Decidi então ser feliz
E perto da perfeição cheguei

Mauricio Luz


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Constância e inconstância

Por: Priscila Menino

Constância e inconstância

É que ela se sente conectada com o mar,
Sente-se conectada com a vida,
Sente-se apreciando o momento,
Sente-se respirando fundo, sentindo o ar trazendo fôlego pra viver,
Sente-se aconchegada pelo universo,
Sente-se abraçada pelas estrelas,
Sente a mudança constante dentro dela, como a velocidade de um cometa,
Mas ela também sente desânimo,
Ela também tem dias que queria estar em um casulo e se manter lá dentro, protegida no seu próprio infinito particular,
Tem dias que ela sente o silêncio externo, mas também ouve as milhões de vozes internas, as vezes todas simultaneamente desconexas,
Há dias e dias, mas que bom que é assim, afinal, ela é uma explosão de sentimentos constantes,
Ela está aprendendo todo dia a acalmar e se emocionar,
Aprendendo constantemente que a vida é constante, porém tem suas inconstâncias,
Finalmente ela percebeu a importância de apreciar o momento presente, o aqui e o agora;
Então está tudo bem, se permita sentir, se permita viver.

Por: Priscila Menino


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