Feliz 40!

Por: Bianca Latini

Feliz 40!

Meu aniversário está chegando
Vou fazer 40 e o que quero de presente
São verdades sinceras
Sem embrulhos, sem pacotes, sem enfeites
Verdades são bonitas pelo que são
Não precisam de mais nada
Quero também a extinção do negacionismo e da contradição
Parar de insistir na contramão
Quero rios de confiança, esperança e centelha de criança
Quero sorrisos sinceros e lágrimas de alegria
Por viver em harmonia
Em consonância com a música que em mim reverbera
Por dançar de pés descalços e olhos fechados
Sentindo o vento e o coração batendo no mesmo compasso
Sentindo o frescor de ser o que se é
Pular, feito urso Gummy, de tanta energia
Rotacionando no vórtice da minha essência,
Do meu eixo, do meu propósito, da minha alma
Sem nostalgia, sem desconfiança, sem temperança, sem amargura…
Curtindo, surfando, galopando
O meu próprio fluxo
Entendendo minhas marés
Nadando para onde dá pé
Para onde minha sola plantar encosta na Terra de aterramento, de nutrientes, de base, de pilar, de estrutura, de sustentação, de firmeza para impulso ganhar e, livre, poder voar
E esses presentes
Só eu posso me dar

Por: Victor Cabral

Perfeita diluição do tempo
Suspensão dos sentimentos
A vontade é fumaça ao vento
Só resta seu cheiro aqui dentro

Pela janela, um mundo que não é meu
Esse apê é testemunha do que aconteceu
Pelos caminhos, tropeços e enganos
Pelas desaventuras dos meu planos

Pelos na minha roupa,
Seus pelos que roçavam em mim
E o gosto da sua boca:
Os gatos testemunharam o fim

Stand by na TV
Estantes com livros que ninguém lê
Instantes que fogem e ninguém vê
Eu estaria aqui se fosse por você?


Créditos da imagem: pixabay

Setembro

Por: Diogo Verri Garcia

Setembro (#repost)

Setembro bom,
que de vez o inverno espanta.
Já torna longas as tardes, encanta
Todo aquele que observa um jardim de setembro.
É tempo
Do arvoredo quedar-se exulto,
Envolto em flores, em chão de colorido tumulto,
Que dura até meados de novembro.
Setembro, o vento frio cá já não sopra mais o rosto,
É mais quente que o último agosto,
Tão bom como sempre me lembro.
Calor competente, o ambiente torna o corpo suado,
O suficiente para o chope gelado
– bebida frequente no vindouro dezembro.
Setembro, que em Lisboa faz frio ao fim de tarde,
Que no Rio traz o sol, que vem matar a saudade
– desço do voo, e segue quente o desembarque;
Em Porto Alegre, perde-se do inverno cinza o fomento.
Setembro, que mês bom – só não melhor do que dezembro,
Em que o verão traz expansão, prolonga o tempo.
Quando o amor ainda é amor, e não destempo,
Tal qual o será, tal qual em um mês…

(Diogo Verri Garcia, Belo Horizonte, 01/09/2018)

*Publicado originalmente em 19/09/2018


Créditos da imagem: pixabay

Arguição

Por: Bianca Latini

Arguição

Você sabe quais são as suas cores?
Enxerga suas dores?
Identifica suas nuances, seus contornos?
Compreende seus amores?
Você localiza suas curvas, suas viradas e seus pontos-cegos?
Percebe seus desgastes, seus arremates, seus vieses e reveses?
Suas limas, suas rimas, suas conexões e transações?
Você derruba suas muralhas?
Enfrenta suas batalhas?
Ultrapassa suas linhas imaginárias?
Você desvenda suas risadas?
Acolhe suas navalhas?
Enxuga suas lágrimas?
Ou as deixa lavar o assoalho?
Que aromas você respira?
Distingue cada miasma, cada essência, cada orvalho?
E ainda que não se considere clarividente,
Você enxerga seus fantasmas?
Conta suas piadas?
Desentorta suas calçadas?
Faz resenha das suas próprias desgraças?
Rejunta suas amálgamas?
Desengaveta suas correntes?
E dá asas para o que sente?
Será que algum dia você conseguirá ou não depreender toda essa arguição?
Sugiro que vá para uma caverna no meio do mato, isolado de toda e qualquer civilização
Ou apenas silencie em meio ao caos, sem nenhum senão
E escute as cigarras de sua própria floresta nativa, ora em ebulição.

Por: Raquel Alves Tobias

Você foi pra mim tudo o que nunca foram
Você fez por mim tudo o que nunca fizeram
Da minha mente não se esvai
Nenhuma sílaba, nenhuma vírgula
Nenhuma molécula do perfume
Da sua respiração
Empático vapor condensado
Num único abraço
Por favor, aperta-me mais um pouco.
Será que em algum momento
Envergonharei-me menos?

Vejo todos os seus olhos passearem
E em todas as esquinas eles me veem
E em todos os desvios eu os vejo
E em todos os sentidos eles convergem
Pois caminham de mãos dadas

Será um meio para o ponto final?
Digo sim, entendo e aceito.
Disse a vírgula ao recomeço:
Nasça e multiplique-se.

R.A.T

GRÃO E MIGALHAS

Por: Diogo Verri Garcia

GRÃO E MIGALHAS (#repost)

Por vezes, insistem em dar migalhas,
Enquanto minha mente anda morta de fome.
Fome por fome, estou acostumado,
Mas não acho engraçado não saber ler meu nome.

Parece até princípio de fim.
Meio de vida é qualquer um, afinal.
E se não acho um caminho certo para mim,
O fim, no início, é normal.

Há quem diga que é um direito o estudo,
Mas na vida só conto mesmo com a sorte.
Se há equidade no mundo? Não creio.
Somos iguais só na hora da morte.

E para quê me falar de educação,
Se cultura, aqui, só se conhece de retrato?
Não dá não, doutor! Isso é pra filho de patrão.
E como comprar livro, se mal consigo ter um prato?

Começo a achar que estudo é pra quem pode.
Sigo sem vida, sem letras, sem saber.
Não sei se é culpa de Deus, do mundo, da sorte,
Ou se é só minha, por não saber ler.

Prevejo piada em querer diploma em moldura,
Porque para mim já é muito ter nada.
Se alguém nos desse algo mais de cultura,
Deixava de vez o cabo da enxada.

Mas tem moço que parece não ver.
Saber, até sabe, mas finge que não.
No fim, para os nossos, farelo.
Para eles, fartura e quinhão.

Mas de que me adianta farelo sem grão?
Moço, dê-me uma escola,
Que lá eu aprendo. E então faço meu pão.

(Diogo Verri Garcia)

(Publicado em Poesias Brasileiras. 3. ed. São José do Rio Preto: THS Arantes Editora, 2006)

*Publicado no Literarte em 01 de agosto de 2018.


Créditos da imagem: pixabay

Bússola

Por: Bianca Latini

Bússola

A gente olha, mas não vê
Vê, mas não enxerga
Daí quando enxerga, não sente
E enquanto não sente, a gente mente
Para nós mesmos
E consequentemente, para todos a nossa volta
E para sustentar toda essa rede de mentiras
A gente se veste, se fantasia, se esconde,
se soterra, se emperra, se entrava,
se esquece, adormece, esmorece,
se perde e depois não se acha
Não se encontra
Não vê graça na vida, nem colorido nos sorrisos
Não vê sentido em existir e se pergunta: “o que tô fazendo aqui?”
Daí,ou a gente afunda nesse vazio, nesse abismo, nessa cratera sem fundo,
Ou tenta resgatar o prumo
Entender onde foi que errou na mão
Que ingrediente da receita foi exagerado, ausente ou insuficiente
E nessa busca recapitulativa, a gente volta às pistas, às setas, às placas, aos semáforos, às lombadas, aos faróis de neblina, aos cruzamentos, aos avisos de pista escorregadia e de curva perigosa, aos alertas de falta de óleo, gasolina e, principalmente, de bateria
É nesse momento, ao soar da lembrança do perigo, que sempre esteve nessa viagem, que a gente recorda do que passou despercebido
Por excesso de velocidade, de atenção, de verdade
É aí que a gente pisa no freio,
decide escutar a maior bússola veicular humana: coração
Dá meia volta e retorna exatamente para o lugar de onde se veio.

Minha filha, meu cais, meu leme.

Por: Priscila Menino

Minha filha, meu cais, meu leme.

Se eu pudesse, eu te colocaria em um potinho e te manteria sempre perto de mim.
Se fosse possível, eu te protegeria de todas as dores e viveria cada uma delas no seu lugar.
Eu evitaria a todo custo a fase que podem ter embates duros entre nós duas por exigir que você faça suas obrigações.
Quisera eu que você permita que eu te leve e te busque na escola para sempre, te abraçando e beijando, mesmo estando em frente aos amigos.
Ah, se eu tivesse a opção de permitir que eu compre suas roupas, vista seus sapatos e escolha seu penteado e perfume.
Mas, se assim for, você não se tornará a mulher que eu imagino que será, afinal, cada um tem seu caminho, suas escolhas e as consequências das ações ou das omissões, é inevitável.
E assim, eu sei que não posso evitar que você sofra, eu não posso impedir que sinta medos, inseguranças e viva eventuais dramas, não posso avocar todos os seus problemas e inquietações. Mas eu posso te garantir que em todo e qualquer momento, eu estarei ao seu lado.
Você vai velejar seu caminho, viver suas tempestades e aproveitar a brisa leve da maresia de um dia ensolarado, mas eu serei sempre seu cais, estarei sempre aqui, sendo o lugar seguro para você atracar, pra cuidar do seu casco, fazer eventuais remendos que eu conseguir e te ver seguindo seu caminho de novo e de novo e de novo.
Dizem que a gente cria filho pro mundo, eu prefiro dizer que eu te crio para o universo inteiro de possibilidades, pois, minha menina, você pode ser o que quiser!
Ora, na contrapartida, é você que cria em mim um desejo constante de ser o meu melhor, de mostrar pra você como podemos ser felizes com a simplicidade, mesmo em meio a ondas de um mar agitado.
Mal você sabe, mas é você o leme da minha vida, traçando juntas sempre a direção seguida na nossa evolução constante.

VAI, RAPAZ! (#repost)

Por: Diogo Verri Garcia

VAI, RAPAZ! (#repost)

Te disseram que o tempo é morada,
Caminho para todos que sofrem.
Te falaram que a vontade ficou endividada.
E com dúvida, se se entrega ou se corre.

Veja que ela também quer os teus olhos,
Mas teme do mundo a reprovação.
Nota que face à tua galhardia,
Ela também se arrepia, tem taquicardia, muda a respiração.

O que adianta se só vês essa tal menina,
Se é outra que – mesmo tu não querendo – tanto te quer que te beija?
Vai, rapaz! Rompe logo essa sina,
Ou te dedica de vez a quem também te deseja.

Quem te fala é quem tem vivência,
Porque coerência não é o dom da tua idade.
Vai, rapaz! Roube logo dela um beijo,
Que ela larga o mundo e passa a ser tua!
E esqueça o resto, pois nada mais te importa,
Desde que passastes por ela, ao acaso, na rua.

Ou então te cala e cultives a moça
Que te vê com vontade e quer te ter por rapaz.
E espere que os olhos mais belos te esqueçam,
E que vocês dois não se encontrem jamais.

Vai, rapaz! Saudade perdura!
Mesmo que sejas forte, isso machuca e adoece.
Vai rapaz, liga logo para ela.
Se não o fizeres, se arrependa, e não haverá santo, nem prece…

Dedico a ti um conselho: confie no instinto,
Mesmo que seja confusa e irracional a razão.
Pegue pra ti! Toma logo essa moça
Que te embaralha os pés, te aquece o corpo e te dá emoção.

Vai, rapaz! Amor só se tem um na vida,
E o tempo para outros é abismo e cilada.
Sou eu teu espelho, e cá venho te avisar:
Fica com ela, serás feliz, e mais nada.

Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 25/07/2018
*publicado originalmente em 25/07/2018


Créditos da imagem: pixabay

Ao fogo, água!

Por: Bianca Latini

Ao fogo, água!

Queria que um dilúvio caísse e lavasse as mentes incendiárias
Que inundasse toda destemperança e falta de senso de pertencimento
Que encharcasse os corações ocos
E levasse com toda força d’água
A ignorância e a maldade
O vazio de ética e de consciência planetária
Será mesmo que eles acham que somos coisas distintas??
Eles, nós e a natureza??
Queria que a correnteza arrastasse a desumanidade, o pensamento egoísta, a ganância, o atrevimento em querer extirpar o que não se terá conserto, remédio ou qualquer remendo
Queria, também, que não diluísse o gosto de fel na boca dos que hoje profanam e queimam o que há de mais belo e sagrado
Pois eles, certamente, colherão o gosto amargo de viver no deserto
Eles podem não se dar conta e nem fazer correlações
Mas, daqui a algum tempo, tentarão sobreviver com a semeadura de sua insanidade vermelha e devastadora
E não conseguirão, nem mesmo, chorar o dilúvio que não os lavou.