SER MULHER

Por: Bianca Latini

MULHER

Ser Mulher é ser beleza em seu nascedouro

Em tempos atuais, ficamos maravilhados com invenções ultrassônicas, tecnológicas, futuristas, quase roteiro de ficção científica
Mas quer achar invenção mais incrível do que um Ser com a potencialidade de gerar Gente?! Com um útero aqueduto para outro Ser Humano?!
Você pode não querer ser mãe e nunca gerar um filho, mas você é preparada para isso
A Natureza milimetricamente, perfeitamente, sabiamente te proveu com esse poder

Ser Mulher é carregar, desde cedo, muitas cobranças, melindres, pudores…
Somos quase convocadas e escaladas para a Nobre Seleção das Santas, Puras, Perfeitas, Recatadas, Comportadas, Embonecadas, Minuciosamente Talhadas

Ser Mulher é muitas vezes querer andar na contramão da feminilidade para alcançar postos, lugares, espaços, ganhar vozes, fazer valer direitos, conquistar significantes respeitos
E depois bater no peito por aportar nossas desbravadoras caravelas nos destinatários cais

Ser Mulher é ser polivalente, trifásica, furtacor
É também ser sugada por isso!
Desde sempre escutamos que nós, mulheres, damos conta de tudo e que os homens são desajeitados, monofocais, unidirecionais; que não tem espectro multivertente
Sim!! Somos multiverso e constelação inteira!
Mas que possamos apenas SER!
Sem pressão, sem ditadura, sem obrigação

Ser Mulher é ter ciclo e incomodar-se, erroneamente, com ele desde menina
Em algumas culturas, sangrar é estar temporariamente impura
Ahhh….se soubéssemos ver beleza nas marcações da Natureza…
Pararíamos de querer esconder e nos livrar de nossas grandes riquezas…
Veneramos as estações: outono, inverno , primavera, verão
Mas somos incapazes de acolher nossas fases…
Ao invés de apreciarmos, observarmos e respeitarmos, ardemos em CULPAS…

Que possamos ser camaleoas, bruxas, alquimistas
Queimar nossas fogueiras
Transmutar nossos medos
Escrever nossos próprios enredos
Que possamos descobrir a Liberdade, em meio ao cerceamento físico, mental, emocional
Que consigamos nos nutrir e nos inspirar com a nossa própria criação e saibamos celebrar a natureza, tão mágica, que existe em nós
Que consigamos dar as mãos, umas às outras
Nos reverenciar, nos admirar e fazer auto-flerte
Que, juntas, sejamos elos de uma mesma corrente:
A Corrente do Amor, do Autorrespeito, do Autocuidado, dos Talentos Diversos, que, unidos se complementam

Que possamos SER, FLUIR, NOS PERMITIR, ULTRAPASSAR, EVOLUIR… com todo arcabouço de desafios, intempéries, martírios…
Acima de tudo, EXISTIR na essência MULHER

Somos potência, mesmo no Deserto!
Não longe, mas todas bem perto.

Por Bianca Latini
Em 08/03/21


Créditos da imagem: Pinterest

Autora Convidada: Luísa Almeida

Uma luz
Invade e brilha
Ilumina e expande
Da sombra, uma festa
A suavidade embala
O perfume exala
Força que cria e procria
Tem voz, às vezes se cala
Transforma dor em cor
Da vida, o sabor
Do simples, o sofisticado
Traz um recado
É flor
Brota do concreto
Cresce para o infinito, abstrato
Um porta retrato
É sucesso
E quando tudo parece dar errado, é poder
É o lapso do engrandecer
Força que vem do alto
O poder de um salto alto
É beleza que dá o tom
Lindo é o seu batom
É você, mulher
Sabendo o que quer
É luz
E o mundo, conduz

Luísa Almeida

Autora Convidada: Jade Prata

Não é Não
Uma mulher não nasce,
se liberta
diariamente.
Se despe das hipocrisias que lhe são jogadas
impunemente,
pedras no seu caminho
em seu corpo sozinho
e resistente.
Pedras de culpa
pela maçã ou shortinho,
que ela repudia firme.
Mil e uma vezes
– Não!
Contra ouvidos dementes
e mãos insistentes:
– Não é não!

Uma mulher não nasce,
dá a mão à outra mulher
e fenixilidade à vida!
Dura (re)construção dos espelhos:
para superar a memória afetiva/cativa
e não baixar a vista ao patrão
é preciso ser criativa
com sororidade como partida.

– Não é não!

Uma mulher não nasce mulher,
pênis ou vagina não a definem.
Não existe um medidor de feminilidade,
mas existem classificações que oprimem.
Não há mulher inteira,
sempre nos falta uma parte,
Se algo integral é o que queira,
procure um pão que te alimente.
Não diga que paciência é um dom
e fazer três coisas ao mesmo tempo é natural,
pois para tocar na banda
foi preciso aprender o tom.
E se ela desafina, “Amor”
você desbaratina
e ela se dá mal.

Uma mulher não nasce mãe sagrada,
não se mantem virgem ou recatada,
não tem vocação de “Maria” ou coitada.
Aprende-se: mãe
a cada dia e madrugada,
às vezes certa outras errada
alimenta o amor a mamadas
e faz da maternidade sua estrada.
Mas, se a hora é equivocada,
se há alguma coisa errada,
se ela foi estuprada,
ou se ser mãe não é sua pegada.

– Não é não!
Seu corpo, suas regras, sua decisão.
Nenhuma a menos na mesa de operação!

Jade Prata, Rio, 04/06/2016

Rede

Por: Juliana Latini

Rede

Ao som do vai e vem das ondas, proseei com um antigo pescador, enquanto tecia a rede na beira mar,
Aquela imagem do movimento das mãos do pescador tecendo, se repetia em mim, e uma alusão me saltou sobre a trama da vida.
Muitas mãos me apoiaram desde o momento em que cheguei ao mundo.
Mesmo assim, muitas vezes não reconheci ou até mesmo mal agradeci.
Mas, verdade é que se não tivessem sido estendidas para mim, não seria o que sou hoje.
Algumas mãos, como mães; outras, como irmãs.
Suspiro só de lembrar.
Saudades e sorrisos me surgem.
Vontade de abraçá-las.
Um Viva a todas as mulheres que cuidam, incentivam e tecem verdadeiras relações, com fios que conectam e fortalecem!
Um Viva a todas as mulheres dessa rede que me fez.
Estamos todas enredadas entre nós.
Até que meus pensamentos foram interrompidos pela fala do pescador:
“A gente nasce aprendendo e morre não sabendo”..
“Verdade, temos muito a aprender”.., concordei com o ancião. “Precisamos ser humildes para reconhecer e agradecer”.
E assim, terminou a nossa prosa.

Por: Juliana Latini


Créditos da imagem: Pixabay

Prisão

Por: Mauricio Luz

Prisão

Não tem paredes a serem quebradas
Ou grades a serem partidas
Não tem portas a serem rachadas
Ou celas escurecidas

Mas até onde chega a mente
Até onde a vista alcança
Não há prisão mais inclemente
Que a ausência de esperança

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Verso Pacificador

Por: Diogo Verri Garcia

VERSO PACIFICADOR

Que a paz que o mundo rege,
também te regre,
e em muito, assim,
te faça leve
e te dê tão mais.

Que te encaminhe ao monte
onde fortes ventos,
soprem donde
Se acalmam
os mais bravios temporais.

Paz: que seja, ela sim, tua luz;
Que haja em ti apenas,
De tudo, um tanto mais.
Paz,
Que respire a cada ar contigo.
Que nela haja teu abrigo,
Para que não a chames mais.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 04/03/2021)


Créditos da imagem: Pixabay

A velha e boa amizade

Por: Priscila Menino

A velha e boa amizade

Se tem uma coisa que eu valorizo nessa vida é a amizade.
Há amigos que Deus nos presenteia para que possam nos ajudar na vida, parece que sabem a hora de surgir e ressurgir na nossa caminhada.
Alguns são mais brutos, como uma diamante ainda não lapidado, demonstrando o amor e cuidado com aquele jeito meio acanhado, mas não menos válido.
Outros são mais fervorosos, gostam de abraçar, de beijar e de dizer o quanto somos especiais.
Alguns nos acompanham de longe, mas se fazem presentes nos enviando boas energias e pensamentos de amor.
Outros amigos estão presentes fisicamente e topam qualquer programa de índio (ainda que reclamem da programação durante todo o trajeto, eles ali estão).
A estima é diferente, mas o sentimento é o mesmo: amor.
Sabe aquele amor que não espera nada em troca? Aquela afeição genuína que existe por si só.
Aquela intimidade que não muda, ainda que não nos se vejam há anos, isso é amizade.
E esse troço da amizade é um bicho tão esquisito que não exige anos e anos de construção, pode acontecer de supetão e permanecer, eu acho mesmo que deve ser encontro de almas, só pode.
Esse sentimento não tem predileção, o coração e a alma escolhem antes mesmo de termos consciência, quando damos por si, está lá, o sentimento mais puro de amizade latente.
Ah, se não fosse a vida com amigos, aí de mim se não houvesse aquele ombro amigo pra me ouvir ou me dar uma bronca daquelas, afinal, eles sabem o que a gente deve ouvir (quase sempre).
Gratidão, meus amigos, vocês são bases dos alicerces!

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Unsplash

Botoxando histórias…

Por: Bianca Latini

Sabe…essa onda de mulheres botoxadas tem me incomodado um pouco…
As vejo, constantemente, nas telas e nas ruas, com peles impecáveis
Feito papel acetinado
Limpo… novo em folha!
Parecem bonecas de cera do Madame Tussauds
Sem qualquer movimento de gente real
A face não acompanha suas falas de surpresa, medo, preocupação, felicidade…
A parede facial permanece intacta!
Sem nenhum sinal de marcas de expressão
Nenhuma marcação da fala átona ou tônica
Acho, sim, que cada um tem que fazer o que lhe apraz…
É importante achar-se bonita, gabar-se em autoestima
Mas, fato é que acho mesmo esquisito: Querer desfazer uma tela tão bem pintada! Apagar, de vez, as pinciledas!
Sendo única, achar-se mal acabada!
Eu, particularmente, não tenho nariz torcido para minhas rugas, meu bigode chinês, meus vários franzidos na testa…
Eles são frutos das muitas risadas que dei
Dos sustos que levei
Das noites de choro derramado
Dos amores perdidos
Dos testes em que fui reprovada
Do esforço não recompensado
Da surpresa ao encontrar alguém querido sem,ao menos, ter esperado
Da euforia em dançar até raiar o dia
Da curiosidade com as novidades que você vem me detalhar
Das conquistas que alcancei, depois de tanto planejar
Dos filmes em que me emocionei
Da curiosidade em relação aos dias que ainda hão de chegar
Enfim…não pretendo apagar esses traços, tirar as marcações do meu livro
Ao menos, não por enquanto…
Pode ser que um dia eu esteja com tantos declives, tipo rachaduras na pista, que precise dar uma guaribada
Seria ação meramente reparadora
Por ora, sigo não planejando me desmemoriar, nem botoxar minha história,
fazendo retiradas de singelas linhas identificadores de mim…

Para as botoximaníacas de plantão, não encarem como crítica
Apenas reflexão
Avaliem as duas vias
Cheguem a reconvexão….

Por: Bianca Latini


Créditos da imagem: Pinterest

Clássicos da Literatura: Jacques Lacan

“O amor é dar o que não se tem, e só se pode amar fazendo se como se não se tivesse, mesmo que o tenha. O amor como resposta implica o domínio de não ter. Dar o que se tem é a festa, não é amor”

Jacques Lacan. Seminário, livro 8: a transferência.


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Ritmo

Por: Juliana Latini

Ritmo

Sabe aqueles dias em que você se sente esquisito?
Parece que a frequência das diferentes partes do corpo não está em harmonia… e tudo à nossa volta também não combina…

Ontem, eu me senti assim… Então, parei, respirei muitas vezes, oxigenei todo o meu corpo e percebi que o problema estava em mim.

Entendi que nesses momentos preciso sintonizar-me comigo mesma, para perceber qual é a minha frequência. Caso contrário, tudo à minha volta começará a ditar os ritmos e – loucamente me perderei de mim – mais uma vez. Como uma dança de música desconexa que me exaurem todas as forças. Basta!
Decretei para mim mesma:
“A partir de agora, estou em sintonia com a minha frequência e me movimento nessa energia de dançar a minha música, curtindo cada detalhe, até os mais simples”.
Tudo dentro de mim dançou mais feliz a vida.
E uma surpresa…aqueles que estão ao meu redor parecem sentir os novos fluxos e acabam por orbitar comigo, ainda que em diferentes sentidos, mas cada um respeitando seus espaços, tal como a Terra e a Lua.

Um conselho que te dou…
Pare, respire e sinta o seu ritmo.
Seja reggae, ska ou regional
Seja rap, pop ou rock
Seja blues, jazz ou bossa
Aceite o seu ritmo e vá com ele desfrutar com alegria cada dia.

Nesse seu embalo, nem mais devagar, nem mais acelerado.

Vá na sua e quem quiser que vá contigo.

Antes de terminar, um pedido eu faço:
Perdão a quem eu julguei ser inapropriado.

O ritmo de cada um é algo sagrado!

Juliana Latini


Créditos da imagem: Pixabay