Deixa eu!

Por: Bia Latini

Deixa eu!

Saber que a minha fantasia é fantasia
Não foi legal
Eu quero poder viver carnaval
Pensar que a chuva é vendaval
Se eu souber que é apenas chuva
Que graça tem?!
É como me contarem que Papai Noel não existe e continuarem deixando os presentes na árvore
Ou colocar os ovos, mesmo depois de ter revelado a farsa do coelho da Páscoa
Eu quero ter o direito de viver a magia
Com a exata graça que ela tem: de ser idealizada, luminosa, utópica, irreal
Não se vê vagalume de luzes acesas
Apenas no breu
Não se sente o gosto de beijo
Sem fechar os olhos
E ninguém pula de Bungee jump sem apertar as pálpebras bem forte e ter uns minutos de escuro e medo
Quero descobrir os mistérios no meu tempo
E não ter tudo revelado de uma só vez
Quero me iludir, me enganar, me perder
Não saber para onde correr
Achar meus próprios meios, fazer minhas genuínas investigações
Dar uma de detetive, inspetor, garimpeiro, bombeiro!
Esguichar água para apagar meus incêndios
Traçar meu próprio caminho
Não quero pistas antecipadas, migalhas de pão no chão
Nem urina de cão deixada no tronco da árvore
Quero ter o direito de me embolar
Para ter o prazer de desfazer meus novelos
Afinal…não há nada mais orgástico do que o desbunde das descobertas!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

Por: Mauricio Luz

Laranja, ó laranja,
Quão saborosa és!
És tão doce, mas tua doçura
Está em ti ou está em mim?
És laranja porque és laranja,
Ou porque me disseram que és,
E eu acreditei?
És tu casca e sumo,
Cor e perfume,
Gomos e potências adormecidas?
Ou és tu o prazer que me invade
Quando teus sentidos abraçam os meus?
És um nome ou um ente?
Um ser ou um devir?
És o ponto de chegada ou algo que está por vir?
Tu és ou tu estás?
Talvez sejas tudo isto,
E somente és laranja
Porque estás em mim tanto
Quanto estou em ti.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Raquel Alves Tobias

Há dias que as horas passam entre os minutos. Sem recordarem-se o que os segundos fizeram para alcançá-las.
Um pouco de silêncio para ouvir a respiração.
E então mais um começo sem final.
Gostaria que fosse infinito?
Estaria forçando uma conexão irreal rodeada por prazeres fugazes?

A alma que sente corre de si.
Apaga-se.
Faíscas chapiscam sem findar chama.
Buscam propósito.
O coração arde por fusão.
Confuso entre a sístole e a diástole.
Quer desfilar na avenida, purpurinado.
Quer a parte que falta, a todo custo.
Contrai-se, apertado.
Ignora o visível a olhos nus.
Quando um é carícia o outro é destrato.
Quando um é vírgula, o outro interrogação.
Então toco-te coração purpurinado, e sais por aí a dançar.
Perde-se na multidão de foliões fantasiados.
E de longe me sorris e se esvai, feito fumaça.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Pexels

Viva o circo!

Por: Bia Latini

Viva o circo!

O circo e sua incrível magia…
De desafiar as leis do tempo, que suscitam limite para sermos crianças e para rir de besteiras
De questionar a lei da gravidade, da sanidade, das impossibilidades
Corpos treinados
Mentes libertas
Barreiras estilhaçadas
Treino, riso, superação
Exaustão, sincronia, expressão na face, nos músculos, nos movimentos
Cumplicidade entre os integrantes
Confiança no braço que segura, nos equipamentos que sustentam
Força, alegria, crítica, movimento
O palco, o picadeiro, os bastidores
As viagens internas, os aplausos externos
A flexibilidade para desfazer o corpo rígido
No circo, mais parecem bonecos de borracha
Desfazem um pouco nossos limites, nossas crenças, nossas não autorizações
Encantam-nos com suas cores, sabores, texturas, desfazimentos, rebeldia
Sugerem incêndios, baluartes, carnavais, rituais
De cura, dança, ballet, harmonias
E viva o circo, minha gente!!
Quero pulsar, nos meus dias de ânimo e de desânimo, na energia dos picadeiros!

Por Bia Latini

(Texto escrito após inspiração e encantamento com o Urutu – Espetáculo Circense – CCBBRJ)


Créditos da imagem: Instagram

Compartilhamentos virais de sorrisos

Por: Priscila Menino

Compartilhamentos virais de sorrisos

Dizem que a vida vale a pena de ser vivida. Eu concordo.
Mas acho ainda mais que a vida é melhor ainda quando compartilhada.
E eu não falo de compartilhar a vida somente com companheiros afetivos, mas também compartilhar a vida com quem nem mesmo conhecemos.
Parece confuso, eu sei, mas, calma, eu vou explicar.
Sabe aqueles momentos que você observa uma pessoa na rua, e, despretensiosamente, balbucia um cumprimento e recebe do outro lado um animado “bom dia”?
Ou aquele momento que você observa um cachorrinho na esquina, para, abaixa-se e faz um carinho, recebendo de volta um olha afetivo e carinhoso?
Então, é aí que eu digo que a vida é melhor quando compartilhada e a gente tem oportunidades de compartilhar vida e alegria o tempo inteiro, só precisamos estar atentos a isso.
Um “bom dia” com um sorriso alegre (ainda que por detrás das máscaras), pode salvar a vida de alguém que nem conhecemos e nos salvar também de sermos insensíveis com os que estão ao nosso redor.
Se cada um plantar uma sementinha na vida de cada pessoa, já garantimos mais amor e mais empatia, afinal, afetos são virais.
Eu sigo aqui buscando plantar essas sementinhas e espalhar sorrisos, vai que daqui a pouco surge um belo jardim por aí, assim espero.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Freepik

Tear locomotivo

Por: Bia Latini

Tear locomotivo

A vida é sobre isso:
Aquilo que você faz durante o movimento
Sempre achei que deveria esperar o trem parar, para eu descer e começar a aproveitar o que tinha nos cenários, no imaginário, no itinerário
Mas não é bem assim…
As paisagens passam, a beleza chega, o bebê chora, a comida esquenta, esfria, esquenta e esfria de novo….
Tudo com o trem em locomoção
Com a roda em rotação
Não há como apertar um botão e fazer tudo parar no tempo que a gente definiu
Até porque o tempo não pertence a gente
Ele sequer existe!
Há quem diga que é nossa invenção
O que há é linha contínua, infinita, ininterrupta
Só pára se a gente se limita e constrói barreira
Na mente, ela pode ser derradeira
Besteira!
Esquece esse monte de muralha e um tanto de bandalha
Ri, chora, vive, comemora…
Enquanto o trem caminha
É tudo ao mesmo tempo
Tudo junto e misturado
A tristeza e a alegria, siamesas, dão bom dia
A saudade e a expectativa saúdam, concomitante, a locomotiva
O “bom” é “ruim”
E o “ruim” é “bom”
Na mesma proporção: dois irmãos. Andam de mãos dadas
Você escolhe suas lentes diariamente
E sempre tem a chance de trocá-las
Uma coisa não exclui a outra
A morte não elimina a vida e a vida não impossibilita a morte
Derradeiros, começos, cambalhotas, passagens, viagens, túneis, catapultagens
É como um jogo de videogame multidimensional
Só que aqui os personagens sãos verídicos, imortais e sem programação de chip
Aqui é a vida real!

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Memória, Esperança e Consternação: os três tempos

Por: Diogo Verri Garcia

(Memória, Esperança e Consternação: os três tempos)

Tempo é tudo que nos falta,
É sonata em nota tão alta
Que não se sustenta por todo o evento.
É vento… sussurros pequenos…
Sacode a alma,
que não se asserena, nem se assenta.
Por ser misterioso, quiçá enganoso.
Nunca nos mostra seu inteiro argumento.
É só passageiro; e se limita a dizer: sou o tempo.

Tempo
É o pródigo que se encaminha e nos envolve,
O transitório que nos evolve,
Por se lhe gastar em cada segundo,
Sem nada saber conter,
nem se lhe decrescer;
não há, pois, dele por nós, em não passar,
qualquer esperada consideração.

É o ator dos arrependimentos.
Perante o tempo,
A mais feliz das idoneidades
É saber deixar e receber saudade.
Do amor completo,
O peito deserto…
Trazer deveras próximo ao coração.
E, das lembranças, tê-la feliz às poucas bobagens;
Jamais tomá-las, quanto às tristes vaidades,
em consideração.
Pois tudo se resume
a memória, esperança e consternação.

Tempo
É folhagem que se solta
E fuligem do que se apaga.
Chuva vendeira, constante e frágil,
Que nos calha, pouco a abespinhar-se.
E não se consome, nem por nós se acaba,
Pois inevitavelmente cai…
A ponto que deixamos de o perceber.
E, galopante, ligeiro corre,
Fascinante e sensato, decidido a ser rio.

E vão, em vão,
Em tantas e volumosas irrigas,
Passa-se em vida, dentre bonitas gargalhadas
e tão gentis brigas.
Que ao cabo,
Sendo, em razão de tantas águas,
tudo tão frio e caudaloso;
o constante intrépido desafio.

Assim, há, em nós, sempre a saudade,
Vai faltando a memória,
quiçá, a consternação.
Mas, ainda por ser bondoso,
Queda-se o tempo também tornado religioso,
Ao nos dar a esperança,
por crermos haver,
logo após,
Um tudo,
Nunca um tão vazio.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 12/02/2012)


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Quando estiver, esteja

Por: Bia Latini

Quando estiver, esteja

Quando estiver, esteja
Às vezes a gente fica, sem permanecer
Doa, sem entrega
Mergulha, sem molhar
Atira-se, com os pés presos na bola de ferro
Beija, sem sentir o gosto dos lábios
Fala, sem dizer
Agradece, sem gratidão
Perdoa, sem liberar a mágoa…

Parece muito óbvio
Mas o óbvio precisa ser dito, compreendido, desenhado, sentido, vivido, vivenciado
Não é sobre dar rasante
É sobre imergir e SER a própria imersão
Não é sobre VER o machucado
E, sim, SER a ferida, o corte, a ardência, a potência da latência
Para, no processo de cura,
Poder, enfim, SER o amor
E não mais esperar por ele….

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Abre-Alas

Por: Bia Latini

Abre-Alas

Chega!
Eu já me perdi muito nessa vida
Agora eu quero me achar
Sei que ainda vou me perder mais
Quero apenas passar por uma boa fase de acharias, sabe?!
Só um “cadim”
Um “tiquim” de honestidade comigo mesma, com minha história, minha potência criativa e embelezativa,
soterrada por tantas não autorizações, sabotagens, viagens psicodélicas de menos valia e diminuição da integralidade que somos
Da riqueza que nossos corpos guardam
Da majestosa essência viajante de longa data, que traz impressa memórias celulares, corporais, degenerativas, regenerativas, restaurativas, abissais
Que eu seja a extração de todo suco,
o insumo de todas as minhas experiências, frustrações, descobertas, descaminhos, repescagens, pontos de virada, ressurreição…
Vou rodar minha baiana a dar a mão à Carmem Miranda
Meu amor, hoje estou pra jogo….de alegria, glórias, festas e confetes pro Ser que está sendo construído e relembrado, bem aqui dentro desse casulo metamorfótico.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Raquel Alves Tobias

Quem é você, saudade?
Chegada, dúvida ou partida?
Mordida de fruta doce
Saliva de sede ativa
Veneno inflamável
Abraço apertado
Beco sem saída?

Quem é você, vontade?
Insônia da despedida
Temor da felicidade
Tremor de penicilina
Mão que acaricia
Entre o pêlo que eriça?

Quem é você, desejo?
“Carente de si
Doa a quem doar-se primeiro
Que seja casa enquanto beijo
e na paz do meu travesseiro, more.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Unsplash