Por: Mauricio Luz

Palavras, palavras…
São mais do que aparentam significar.
São cristais, forjadas no fogo da Terra,
Gerando encantamento ou volúpia, conforme os olhos que as admiram.
São veneno e fel, quando urdidas no calor do ódio e da raiva,
E escritas na tinta do medo, tornam-se mortais para quem as escuta ou lê.
São bálsamos quando florescem na beleza do amor e da compaixão
Que brotam do peito como a água pura rompendo a dureza do granito.
São mapas e caminhos, nortes oriundos de solidões e buscas perdidas,
Dos passos errantes que servem de esperança para quem tem medo de andar.
São sementes cuspidas, lançadas ao vento ou ao mar,
E germinam como frutos, doces ou amargos,
Como a aorta que lhes serve de horta.
São bombas incendiárias, que provocam caos e destruição
Ou pombas da paz, provocando calma e bem-estar.
Ah, palavras, palavras…
Quando tivermos consciência de vosso poder de Shiva,
Haverá palavra para descrever tamanha conexão, tamanho esplendor?
Ou o destino das palavras é justamente não ser capaz de mostrar
Em nomes, pronomes, verbos e advérbios
Aquilo que pode provocar?

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

E se ninguém pudesse te ver?

Por: Bia Latini

E se ninguém pudesse te ver?

E se de repente você ficasse invisível e ninguém mais conseguisse te ver?
Se você não recebesse mais elogios ou críticas?
Se ninguém mais dissesse o quanto você está bonito hoje, ou como tem evoluído no trabalho, nas finanças?
Se não tivesse mais seus filhos ou marido para dizer o quanto você é importante e o quanto eles te amam?
Se os seus vizinhos não sentissem mais a sua falta?
E o seu professor não dissesse mais o quanto você é inteligente?
Se fosse apenas você e você mesmo??
Você estaria satisfeito com quem você é??
Com sua aparência?
Com o tipo de pessoa que você se tornou?
Com o que tem feito da sua vida?
Com a profissão que escolheu?
Com o modo como se relaciona e trata as pessoas a sua volta?
Com a maneira como usa seu tempo?
Com as escolhas que tem feito?
Você estaria orgulhoso de você??
Teria admiração pela sua pessoa??
Você se amaria???
Se para algumas dessas perguntas você disse “não”, acredito que está na hora de parar de se pautar pela opinião alheia, achando que você é o que os outros dizem a seu respeito, julgando ter valor pelo que ouve sobre você
Ame-se, Respeite-se, Admire-se…
no vazio, na escuridão, na solidão, na imensidão e na inteireza da sua essência… Ainda dá tempo!!
De mudar o rumo, aparar as arestas,virar de cabeça para baixo, soltar o freio, tirar a máscara, ficar nú …e feliz!
De viver a sua verdade…
Sem apego, sem amarras, sem identificação
Apenas sendo…

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

Tira o pé do acelerador e desce do carro

Por: Bianca Latini

Tira o pé do acelerador e desce do carro

Para de correr
De não querer ficar para trás
De achar que não dá mais
Para de se afobar, se desesperar e achar que não pode piscar
Para
Desacelera
Espera
Respira e apenas segue leve, fluida e, se precisar, sim, devagar
Dê tempo ao tempo
Tempo de entender, absorver
Tempo de Ser
Tira o pé do acelerador
Desce do carro e vai a pé
Mire o cume, mas comece no sopé
Esquece, por um momento, da linha de chegada
Vai contemplando, olhando, curtindo a caminhada
Sai do efeito manada
Catapulta-se da matriz
Faz no seu tempo
De acordo com seu relógio biológico
Rumina, se entender necessário
Desenvageta, sai do armário
Deixa quem quiser “passar à frente”
Cada um tem seu próprio cronograma, sua própria engrenagem, sua peculiar vertente
Não se ache fora da linhagem
Sinta-se livre para deixar o tempo correr
Nem todo dia é dia de produção, de tiragem, de amostragem
Tem dia que é só de passagem
Só de deixar ir, permanecer no silêncio, na abstração, na contemplação ou na leseira
Descendo ladeira
Desmanchando em preguiça
Dia de ficar jogado, jogando…tempo fora
Recolhendo alimento, abastecendo o corpo, a mente e o coração de combustível sensível
Dia em que você quer apenas ficar invisível
Deixa quieto
Deixa mansinho
Vai bem devagarinho
Não é sobre quem chega primeiro
É sobre chegar melhor
O SEU melhor,
Não o do seu vizinho.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Perdoar

Por: Bianca Latini

Perdoar

Perdoar é desatar o nó
Distensionar
Purificar o tóxico ar
É, antes de tudo, liberar a si mesmo
Do sentimento de vítima de cilada, emboscada, apunhalada
É seguir em frente despido de julgamentos
É desfazer o poder de replay daquilo que te faz mal
É sair para uma zona pacífica no meio do vendaval
Perdoar é autoliberação, autolibertação
É dar asas ao travamento, emperramento, empacação
É jogar fora disco arranhado e deixar a garganta livre sem íngrimes lombadas
É entender-se causa e não consequência
É dar ao outro o que é do outro e seguir fluido com o que é seu
Perdoar é ato de amor próprio, catalisador da sua caminhada
Perdoar é sair do papel de juiz e cuidar do próprio nariz
É ser grato pelas pedras no sapato, as bolhas no pé, os calos que incomodam
e os consequentes grandes saltos
Perdoar é pular etapa, transpor a barreira do orgulho
É declarar que algo não te afeta, pois nada tem o poder para isso, a não ser você mesmo
Perdoar é dissolver a ira, a revolta, a amargura, o dissabor e voltar ao paladar de puro amor
Perdoar é ser expansionista, alquimista, desaprisionador
Perdoar é a gentileza com que você pode se presentear
É oportunidade que você deve se dar
Perdoar é pedalar sentindo o vento bater e a música nos fones de ouvido pulsar.

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Freepik

Flores para Jú

Por: Bianca Latini

Flores para Jú

Acorda menina da saia rodada de chita!
Acorda e põe sua saia pra rodar, fazendo colorir todas as passarelas
Inclusive suas ruas internas
Vai sacudindo poeira, fazendo seu batuque
Cantando como as antigas lavadeiras
Canto que vem de dentro, sabe?!
Aquele canto que tem mais alma do que melodia
Espreguiça e reverbera um sonoro “Bom dia!”
Hoje é seu dia! Celebra sua vida, seu cantar, seu habitar!
Hoje completas mais uma primavera! Nova era! Novo ressoar!
Abra os braços, ajoelha em gratidão
Viva de paixão!
Enamore-se…a si mesma!
Festeje, encante-se: o novo saúda-te em cada detalhe, em cada sensibilidade
Erga suas mãos ao Alto
Receba toda benção
Banhe-se no Rio do Amor
Lava seus cabelos com água cristalina, gelada
Água de acordamento, água de começo da vida, do útero materno
Volta à semente
Sente!
Exista na sua essência
Brota, germina, floresce
E permanece acordada
Abre a janela e deixa a luz entrar
Saúda seu dia! Seu aniversário!
Coloca essa gargalhada pra trabalhar!
Acorda, menina! Porque hoje é festa!
É dia de brincar!!

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Flickr de Bárbara Porto

Cecília

Por: Bianca Latini

Cecília

Eu tinha medo de ficar velha,
Mas com medo de ficar velha, talvez eu nunca fosse jovem…
Porque quem tem medo de vir a ser, acaba não sendo nada…
E como o destino é bom! Generoso! Sábio, bondoso:
Me fez encontrar você e subverter a lógica e o medo na minha cabeça
Você, uma jovem idosa ou uma idosa jovem?
Não sei. Só sei que é uma bruxa daquelas!!
Louca, diva, mutante, disruptiva, investigativa, amante da vida e da sua fugacidade e, por isso mesmo, mergulhadora
Não guarda quinquilharia, mas muita sabedoria
Transforma, reforma, abre espaços
Abre alas e passa sorridente, com seus cabelos brancos e alma colorida
Demonstrando fora o veículo corporal que já viajou muitas viagens
Propagando de dentro suas múltiplas interpretações, estudos, constatações, linkagens, teias, diário de bordo dessas travessias
Nada de nostalgia!
Timoneira que é, olha pra frente e navega!
Há tanta jovialidade para vivenciar
Velhice para abandonar
Avante, ainda há muito mar para desvendar!

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Desconhecido

Reciclar a mente

Por: Juliana Latini

Reciclar a mente

Em muitas culturas do planeta, a virada de um ano para o outro é um momento de elevar nossos pensamentos para a paz e a esperança. É comum mentalizarmos desejos, esboçarmos planos e sonhar.
É comum pensarmos em cuidar melhor da nossa saúde, da nossa vida profissional ou em nos dedicar mais à família, por exemplo.
Tudo isso é muito válido, mas, precisamos avaliar também o quanto as nossas ações alimentam um ritmo de desenvolvimento prejudicial ao planeta.
Existe um documento chamado Carta da Terra, assumido pela UNESCO na virada desse milênio que nos conclama a usarmos a imaginação para construir um modo de vida sustentável em todos os níveis.
A pandemia veio para nos mostrar a urgência de repensarmos o nosso modo de ser e de viver.
Tivemos a oportunidade de constatar que apesar das fronteiras aparentemente nos separarem, no fundo estamos todos unidos e conectados. Somos parte de um todo maior.
Que possamos aquecer o nosso coração e não o mundo.
Que possamos reciclar a nossa mente e questionar os nossos impactos no planeta.
Ser gentil com a Terra é uma questão de respeito e de responsabilidade, mas, sobretudo, é uma questão de sobrevivência desta e das futuras gerações.
Que nesse ano que se inicia, possamos gerar essa nova forma de pensar e de sonhar.

Juliana Latini

(Texto inspirado no livro de Leonardo Boff “Sustentabilidade: o que é , o que não é”.)


Créditos da imagem: Pixabay

“Como”

Por: Bianca Latini

A small tree growing with soil forwarded or delivered between the hands of the elderly and children with the green forest background. Showed the care for the environment with sustainable development.

“Como”

Quando for, não vá com o trem
Não aceite qualquer vintém
Vá com Amor e fique com ele também
Amor não é esse de fora, aquele que ousamos supor
Amor é embrião, é caule
Não é cometa, transpiração, veneta
Quando pegar carona, vá, mas permanece na raiz
Filtre, depure, apure
Seja aquele fio condutor essencial
Aquele bem fino, quase invisível
Mas muito potente
Aquele que a gente quase não vê
Mas se fecharmos os olhos e a mente, a gente sente
Desde o início desta viagem
Não passe aqui só de passagem
Viva, importe-se, comprometa-se, aprofunde, supere camadas superficiais, mergulhe, explore, não ignore os sinais
O que fizer, faça bem
Nada é qualquer coisa
Por menor que seja, o pequenino é grande também
O conjunto da obra depende muito do “como”
Muito mais do que do “quem”.

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Freepik

Ela, A Ferida

Por: Bianca Latini

Ela, A Ferida

Ontem falei com a ferida
Ela me disse que tem vida
Tem história e também memória
Me contou um pouco sua trajetória
Só não entendi bem de onde partiu
Mas captei que chegou até aqui, depois de tantas engolidas, silêncios, caladas
Disse que queria ter sido mais exibida
Menos recolhida
Mais espalhafatosa, escandalosa e menos medrosa
Procurou caber no peito, no joelho, no asfalto, na palma da mão
Só que tentando moldar-se em qualquer fôrma
Acabou por não caber em lugar algum
Desesperada, pulou da ponte
Jogou-se no rio
Não se despediu, mas partiu
E mesmo indo embora, ela deixou sua cicatriz
Que está bem debaixo do nariz
Para ser farejada, descoberta, desvendada
Assim que achar seu rastro inicial
Ela, enfim, poderá deixar o campo do ressoar.

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Livre, leve e imperfeita

Por: Juliana Latini

Livre, leve e imperfeita

Fim de ano chegando e junto iniciam-se os balanços.
Tempo de averiguar se aqueles projetos traçados foram alcançados,
avaliar se alguns precisam ser remanejados ou abandonados.
Tempo de autoavaliação.
Mesmo que a ansiedade ou todos os eventos, encontros e presentes tentem me levar para outros fluxos,
eu procuro ter esse breve momento para me aquietar e refletir.
Quando faço isso, meu coração se enche de gratidão.
Eu me sinto grata pela vida.
Grata por ter trocado experiências com pessoas incríveis.
Grata por tantas vivências.
Ao meditar nos desafios enfrentados ao longo desse ano, eu penso:
O que eu levo de aprendizado?
A ousadia de ter feito, mesmo que não tenha sido perfeito!
Ter coragem para assumir minhas fraquezas.
Humildade para me colocar na posição de aprendiz.
Superar esse sentimento de desconforto e avançar é um pré-requisito para o meu aprimoramento.
Entre tantas quedas e recomeços, erros e acertos,
cada realização precisa ser comemorada.

Juliana Latini


Créditos da imagem: Pexels