Por: Mauricio Luz

Obrigado, Mãe.
Gratidão por tudo.
Fizeste-me nascer duas vezes.
Na primeira, a dor do parto foi tua.
Na segunda, a dor da partida é minha.
Em ambas as vezes, deste-me a vida e a consciência.
Tua ida destroçou-me
Mas nunca estive tão inteiro.
Encontro segredos nos meus fragmentos e lascas
Que brilham mostrando novos desenhos de mim
Talvez se chame partida justamente
Porque quando alguém que amamos se vai,
Pedaços nos são arrancados
Formando novos mosaicos do que ficou
E até nesse momento me mostras
Que há em mim uma força que nunca será levada por nada e ninguém
Obrigado, Mãe.
Mentiria se dissesse
Que não sei como te agradecer.
Basta ser eu mesmo
Sem jamais deixar de reconhecer
O quanto de ti viverá eternamente em mim
Até eu mesmo encontrar o momento
Que todos encontrarão.
Até logo, Mãe.
Nos vemos nas estrelas,
O porto de onde viemos e para onde vamos
Na viagem sem fim que é a Vida.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay