Por: Mauricio Luz

Amanhece; o pássaro canta agitado
Meus olhos se encontram com a luz
Que sussura “bom dia” e entra pela janela
Me convida para mais alegrias e tristezas
Nos momentos que formam a Existência.
A gatinha dorme a meus pés,
Lembra-me da beleza e da graça
Compartilha de seu calor comigo,
Me aquece o corpo e o coração.
Vida.
O pássaro, a gata, a luz…
Eu e você.
O Mistério que nos move é o mesmo.
Ele não pode ser visto ou descoberto
Pelos mesmos olhos que nos tornaram cegos;
Apenas entendido em um tempo além da razão.
O que eu não faria para que você percebesse:
Aquilo que tanto valoriza
Não tem valor algum.
E as medidas com as quais mede os outros
Na verdade mostram as suas próprias medidas,
O tamanho de seu medo.
Nada, eu não posso fazer nada.
A ignorância nos torna prisioneiros,
Carcereiros de nós mesmo,
Condenados com as chaves das celas nas mãos.
O que posso fazer é ouvir o canto do pássaro,
Sentir o aconchego felino,
Ver a luz dançando e me chamando para o imprevisível,
E te esperar do lado de fora.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay