Por: Mauricio Luz

Se quiseres encontrar a Paz,
Procura-a em ti
É o único lugar onde poderás encontrá-la
Se continuares a buscá-la fora dos contornos de sua pele
Andarás em círculos como o beduíno
Que vê na miragem surgindo no horizonte
A vã esperança de saciar a sede que o tortura
Até ser engolido pelas areias do tempo.
Se quiseres encontrar a Paz,
Aceite-a em ti
Pois se desejas a aceitação longe do alcance de seus cabelos
Serás como o capitão de navio que apenas navega
Na certeza de encontrar bons ventos
Nunca se afasta do porto “seguro”
E seguro jamais conhecerá o mar e a si mesmo.
Se quiseres encontrar a Paz,
Toma-a para ti.
Pois se crês que tua Paz depende do silêncio dos inimigos,
De como eles agem, como pensam de ti,
Serás como a bela ave que vislumbra a gaiola aberta,
Mas coloca a culpa no carcereiro
Por não voar nos rumos do infinito.
Se quiseres encontrar a Paz,
Construa-a para ti.
Faça dela tua casa, tua fortaleza, teu castelo.
Saiba que uma vez erigida,
Ventos açoitarão as paredes, aríetes baterão à porta.
Falharás fragorosa e vergonhosamente até perceber
Que feita de muros e granitos, essa Casa cairá.
Mas com tijolos de Esperança, Ela se sustentará.
Esse espaço será apenas teu,
Inalcançável para deuses e demônios,
Inabalável às intempéries da Vida.
Se quiseres encontrar a Paz,
Planta-a em ti.
E como a pequena semente que rompe o asfalto e o concreto,
Sinta as raízes racharem teu cimento de certezas,
Tornar em pó as pedras que teimas carregar,
Fazer da raiva e da amargura o adubo que a elevará ao Sol
Até que possas subir em seu galhos e descansar em suas próprias Sombras.
Se quiseres encontrar a Paz,
Para de procurá-la na humanidade, nos animais, nas plantas,
Chega de buscá-la nos elementos, nos planetas, nas estrelas.
E verás surpreso que Ela está na mesma distância
Que tu estás de ti mesmo.
Tem o tamanho de teu Coração.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay