Por: Mauricio Luz

Em um belo dia de Sol
Céu sem nuvens, café nos lábios
Ela me toca, delicada e firme
A Morte chegou.
De surpresa, me encara nos olhos,
Serena e sorridente, mão estendidas,
Me pede um abraço e me convida a dançar.
O Medo toma conta de mim.
Afinal, o que será do amanhã? O que eu fizera ontem
Para merecer tamanho imprevisto, tamanha dor?
E a Morte, paciente e tranquila, toca em meu peito.
Dedos quentes e mãos macias,
Em eloquente silêncio, ela me ensina.
“Eu não sou o fim. Eu sou o recomeço”.
“Sou a transformação, a regeneração.”
“Você me encara todos os dias, poeta.”
“Sou o que dá sentido à Vida,
Da qual não sou o término, mas a mensageira”.
Então, de olhos fechados, pude enxergar:
Aquele que sai de casa pela manhã,
Não é o mesmo que retorna.
Quantas vezes se nasce e se morre em apenas uma hora?
Quantas metamorfoses acontecem? Quantas vezes, eu lagarta,
Virei borboleta, e com o poder de minhas asas,
Formei furacões pelo mundo?
Sorri para o Medo, ele sorriu para mim.
Encarei minha inesperada companhia,
Sorri para ela, estirei minha mão, a puxei para bailar.
E atrás nós, a Vida gargalhou, feliz.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

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