Por: Mauricio Luz

Lá estava eu
Preso na lama de meus próprios dramas
Acorrentado aos cacos de um amor que se foi
Mas que permanecia como um encosto, uma alma penada
Assombrando meu presente e futuro.
Lá estava eu
Esmagado pelo peso das obrigações mundanas
Sufocado pela saudade e o luto de uma morte minha.
Tudo era dor – e perspectiva de dor
Então, você apareceu.
Do nada, convidou-me para perto de ti.
Firme e serena, abriu suas mãos e enlaçou seus dedos nos meus
E rasgou minhas trevas como um raio de sol faz com o fim da noite.
Seu hálito juntou-se ao meu, transplantando desejo e vida,
O fogo queimando a pele,
Derretendo as algemas que me mantinham curvado.
Busco em sua fonte o néctar para matar minha sede,
Apenas para aumentar a fome que é saciada,
Quando nos tornamos um em seu abraço.
Eu me entrego, e na entrega, eu me liberto,
Você se liberta.
Saímos juntos de uma prisão que enjaulava nossa vontade,
Nossa ânsia de viver o que não poderia ser detido.
E lá estava eu.
Sentindo minhas asas livres e fortalecidas
Pronto para voar ao infinito
Redescobrindo a potência e o sonho.
Lembrando que liberdade não é fazer o que se quer,
Mas assumir o que se deseja e pagar o preço por isso.
Voando ao meu lado, você sorri.
Soltos e eternamente ligados por uma força,
Mais poderosa que o tempo e o espaço:
O poder das almas livres que se encontram.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay