Arqueologia

Por: Bianca Latini

Arqueologia

Sou um poço de MEDO
Sou um medo no poço
Sou o osso sem carne
Osso sem pele
Osso em chama
O medo me chama pelo nome
Não me encara nos olhos
Chega bem perto e quando me confundo com ele,
veste o controle e o contorno de que tanto precisava para existir em materialidade e fé
Eis que depois de tantos assombros
de ir…de ficar
de partir…
de existir…
de parir…de não parir…
de faltar…de transbordar…
de desnudar…de desmoronar…
de calcificar…de não calcificar
de ser tudo…de não ser nada…
de encher…de desencher…
de murchar…
de desaparecer…
Eu, tomada por ele,
Pensando ser ele,
Pensando ser pele e contorno,
Confronto-me com o vazio
E na angústia de não saber, de esfalecer
Chacoalho com ele, por ele, apesar dele, pensando ser ele
De tanto chacoalhar, desfibrilar,
Deixo cair o que penso ser o último véu:
Eu me sei osso insólito

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Unsplash

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