SOBRE POETAS E BALASTROS
Por: Diogo Verri Garcia

SOBRE POETAS E BALASTROS
A hora passa.
Pouco fiz nesse último quarto de hora,
Na última meia hora,
No último dia.
Que rapidamente se assenta.
Mas antes de parar, ele dispara.
É veloz, feito projétil que vara
E desorienta.
As poucas palavras que, hoje,
nem no papel contive,
São fruto das questões,
das ponderações sobre o que se vive
Quanto ao que Deus tencionou guardar.
O que será que houve? O que será que há?
Percebido sobre esse questionado dia
que, entre produções no papel,
até teve algum proveito,
Percebo que as mãos não mais amansam,
mas dá-se um jeito.
Noto que o poeta não sabe do que é merecedor,
Se a vida é ardor,
Se a vida é triste.
Mas, tanto faz, resiliente quem escreve se faz,
De tanto dissabor que registra e, registrando, assiste.
Sobre as palavras mal-feitas,
Os papéis que não foram amassados,
posto que os apago em tela.
Hoje, formam parágrafos que nenhuma bancada sequer os aceita,
Tomam conclusão que o eclesiástico rejeita,
Criam questões sobre os desígnios de Deus,
Que até ateus poderão falar:
O que há com a fé, o que há?
Mas creio que a poesia trata até do que não se sente,
A ponto que, quando se sofre a dor, tornou-se já resiliente.
A certo passo de não saber ao certo,
O que há com o credo de desimportar.
O que há, poeta? O que há?
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 30/07/2019)
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