VERSO EM PROCESSO (RUA ACRE, 80)

Por: Diogo Verri Garcia

VERSO EM PROCESSO (RUA ACRE, 80)

Levo a vida como posso
E dos meus dias faço verso.
A cada hora escrevo prosa
para os amores que eu prezo.

Mas aqui é o adverso,
Vejo lá a Guanabara.
Misturo o verso e o processo
E a luz do sol invade a sala.

E aqui desta janela,
Vejo a avenida e vejo o mar.
Se não há licença aqui para o verso,
Dou meu jeito de criar.
Mas se me volta a realidade
Que continua a ser bela,
Se a suspensão de liminar é incidente ou se é cautela.

E cada qual tem suas verdades.
Me adequo às filosofias
Na Justiça, a efetividade;
Com os poetas, a boemia.

Tanto me apego que me adequo,
Dou meu jeito de criar,
Faço rima em processo,
Canto verso, vejo o mar.

E ao adverso, insisto e prezo
Se há licença à boemia
À noite faço o meu verso,
Se o processo é meu dia.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 2006 – Rua Acre, 80)


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