Mona Vilardo – Autora convidada: “A Casa dos Pais”.
A CASA DOS PAIS
Em poucas ocasiões, desde que saí da casa dos meus pais novamente aos 35 anos, eu durmo na casa deles.
Ontem foi um dia assim. Cheguei cedo ao Rio, aproveitando uma segunda de folga e, como sempre, cumpri quase que um protocolo de visitação: vejo minha afilhada (ontem foi dia de cantar cantiga infantil e fazer minhoca de massinha) e após isso, uma boa conversa com meu pai no sofá da sala esperando minha mãe chegar. Mãe em casa, um papo rápido e fui para o meu compromisso.
Volto pra casa deles às 00h45 e, diferente da época da adolescência, quando minha mãe me aguardava acordada pra sentir cheiros e me ver indo dormir ( um VIVA pros pais de adolescente – aqueles maneiros, claro) meus pais já estavam dormindo.
Fui dormir naquela cama que foi minha na época de solteira.
Às 5h30 ouço o barulho do tradicional café que meu pai faz pela manhã: Opa, vou lá dar um beijo nele! Olho pro quarto dos meus pais e tem um lugar vazio ao lado da minha mãe: Opa, vou deitar ali do lado dela e fazer o tão pedido carinho na cabeça que ela pedia sempre ( famoso cafuné).
Me pego lembrando de um período de 29 anos que morei com eles (e depois mais 2 – dos 32 aos 34)
Me pego tendo lembranças, me pego sendo novamente daquela casa.
Era naquela casa que eu colocava, quando criança, um bilhete na escova de dente do meu pai dizendo” Vai com Deus e volta logo “. Hoje seria um ” Se cuida, paizinho, te amo” (Desculpa aí, Deus)
Naquela casa eu acordava e gritava da cama: Mãeeee, vem aqui! – pedindo a presença da minha mãe na beira da minha cama para conversar.
Quando eu saí pela segunda vez da casa dos meus pais lembro da minha mãe chorando muito e dizendo: “Choro de tristeza e felicidade, agora eu sei que você não volta mais..encontrou seu príncipe” – coisas de mãe que adivinha tudo.
Então, mãe, deixa eu te dizer: quando o ninho é bom o filho a casa torna (tentei te colocar de volta na história, seu Deus). O filho volta nem que seja por uma noite numa cama de solteiro e um cafuné na mãe.
São 6h26…vou voltar a dormir, ainda tenho um tempinho de ser apenas filha”
Sobre a convidada:
Mona Natasha Fraga Vilardo, ou Mona Vilardo, é uma cantora, atriz e escritora brasileira. Iniciou seus estudos musicais aos 8 anos no Coro Infantil do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, participando de óperas como Turandot e fazendo turnê pelos Estados Unidos e Europa.
Entre os principais trabalhos se destacam: soprano solista na obra Requiem de Mozart e ” A Criação” de Haydn e solos com o grupo vocal de música antiga Calíope – sob regência de Júlio Moretzsohn. Atualmente faz parte do grupo vocal Equale – ganhador do 29º Prêmio de Música Brasileira 2018 – Categoria Grupo de MPB.
Iniciou seus estudos de teatro no Teatro O Tablado, em 1996 com professores como Luiz Carlos Tourinho e Bernardo Jablonsky.
É Bacharel em Canto Lírico pela UniRio, na classe da professora Mirna Rubim, técnica em piano clássico pela UFRJ, e atualmente aperfeiçoa seu canto com o soprano Leila Guimarães.
Em 2017 ficou em cartaz em São Paulo, com o musical “Agnaldo Rayol – a Alma do Brasil”. Desde 2017 apresenta seu espetáculo “Mona canta Dalva” – em homenagem ao centenário da cantora Dalva de Oliveira, no qual assina o roteiro, junto com Marcia do Valle, e a produção geral.
Seu mais novo projeto é a coleção “Elas por ela – As Rainhas do Rádio, por Mona Vilardo”. Coleção de livros voltado para o público Infanto-juvenil. O primeiro livro já está escrito e conta a vida de Dalva de Oliveira.
Paralelo a isso já está produzindo e escrevendo o espetáculo de 2019, “Mona canta Linda” em homenagem ao centenário de Linda Batista – a previsão de estreia é junho de 2019.
monasoprano@yahoo.com.br
Página do Facebook: monacantoraeatriz
Canal do Youtube: Mona Vilardo
Lembranças…. Lindo!
E a arte de escrever nos leva ao imaginário..
Parabéns
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