Espírito de Vindita

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Por: Diogo Verri Garcia

Já tive livros confiscados,
Malfazejos direcionados,
Atos meus mal comparados,
Tive amores complicados.

Desses que eu já gostei,
Outros pouco me importei.
Alguns até admirei,
Mas não me apaixonei.

Já vi cruzarem a rua,
Logo que eu aportei.
Segui só pela calçada,
Vi a dor de quem gostei.

Presenciei o choro preso,
Desesperos indefesos,
Rompimentos com desprezo,
dos quais nunca saio ileso.

A vida segue expedita,
Leve, mansa, inaudita.
Mas tem ações sem contradita
A retomar coisas desfeitas.

Tem espírito de vindita,
Se apega ao corpo feito maleita.
Bela, lúdica e esquisita
Ela que segue, a vida à espreita.

Tive amores mal acabados,
Cachos negros, fios dourados.
E nada é mais descuidado
Do que ver versos meus rasgados

Se são versos não padecem
Feito livros que perecem.
Quando alguém, em mãos se atreve,
Faz confisco e os subscrevem.

Não foi só por uma vez.
Sobre livros e amores, eu bem sei.
Por sorte, outros encontrei.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 05/09/2018)

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