A Flor e o Serrador

Por: Diogo Verri Garcia.

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A Flor olhou para o alto,
Viu mato que se pusera a reinar.
Desconcertante aquele verde.
Um ponto frio, sem importância,
um minúsculo vazio, um ressalto.
Era sua cor naquela mata a vigorar.

Pensou sozinha: o que há comigo?
Se há desabrigo, maior deles é a solidão.
Não se vê mais cor, não há mais brilho
neste solo vazio de outra flor alçada do chão.

Temerosa, percebeu um tom esquisito,
Nem rosa, nem lírio, nem nada mais.
Só sabia que era um tom bem mais bonito
Que a imensidão verde, que aqui jaz.

Percebeu que outros tons se aproximavam,
Junto de um som pouco crível de devassidão
Enquanto a mata tremia, a flor se alegrava.
Um cheiro estranho o vento trazia, desconhecido então.

O ponto lustroso reluzia ao sol,
De jeitos de prata e de amarelo vivo brilhante
A mata caía, a flor perguntava:
Que será tanto brilho? Mais flores, ou não?

Finalmente, tão perto da flor,
Não era uma máquina só, mas outras quantas.
Chegou o estrondoso som, chegou a cor.
Feriu-se a mata, teve a flor sua pétala caída.
Em fim de vida,
Passado o tremor, não há mais flores tantas.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 04/02/2019).


Créditos da imagem: Nauana Macedo (Leitora). Flor em São Paulo. 30 de janeiro de 2019. Iphone 8, sem edição e tratamento.

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