A tarde da praça

Por: Diogo Verri Garcia

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Era a tarde na praça.
Em que correu alegre, caindo.
Feito lembrança que passa a galope afagando o brinquedo.
E se alistava a um período seleto,
sem medo,
em que havia graça em correr perseguindo.
Mas aos poucos, notará: quem nos segue é o tempo,
De gosto ainda duvidoso, do desconhecido tempero,
Sem esmero.

E na escorrida que fez,
lembrará para si e me trouxe lembrança.
Ao olhar aquela praça,
Deu saudade da infância,
Da ignorância que por acaso existia.
Era só ver felicidade quando a chuva caía.
E haver-se na sorte de ter um dia a ser lento.

Era tarde na praça.
Em que apressou-se alegre, exibindo, esbarrando.
Sem saber que há sempre algo
Passando a galope,
E eu, com um misto folhas, entufadas em um só envelope,
Enquanto poderia estar ali, feito ela,
Rindo.

De mãos entre o paletó,
Eu a notava, e ela com a vida brincava.
Em um tempo – sempre o meu predileto –
Em que criança caía e nem sequer se importava.
Exceto a dor mal causada,
Na aflição que doía a alma, quando a bola batia e a unha subia.

Quando o tempo passou,
Em meio a verões que de tão quentes embaçam,
Substituímos a bola pelo (des)amor,
Pela bebida gelada junto à brisa no Astor.
Melhoramos de altura, mas nem tanto no garrancho em cadernos.
Ocupamos titulações em molduras,
Viramos adultos em jalecos ou ternos.
Tomamos opções que tornaram poemas
Algo menos que um nada…

Desde aquela hora
Que passou pela praça,
Houve leveza,
Tornou a vida mais bela.
É a tarde, apressada, que passa.
Todos nós, passageiros,
Que se arriscam na chuva carregando uma chama de vela.
É a vida: sempre tão entretidos,
Quando devíamos estar,
Só um pouco mais,
Orando por ela.

Vi passado o tempo,
Vi-me formando estrada,
chegando aos que sabem,
partindo os que sentem.
Criou-se um pausa no rosto,
Posta bem em minha frente.
Que sem o amor que nos traz,
De tudo isso, importa o nada.

Era a tarde na praça.
Em que ela correu alegre, tendo alguns solavancos.
E eu, com sorriso no rosto,
Em meus passos rumando,
Querendo aquilo tudo, só mais um pouco,
E agradecendo ter paz.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, novembro de 2019)


Crédito da imagem: Acervo pessoal, Zaragoza, verão de 2015. Clique de Mariana Queiroz Aquino.

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