Poema à Paixão

Por: Diogo Verri Garcia

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Poema à Paixão

A paixão é cega,
Tanto assim desorienta.
Por isso há entrega de alguma voz à razão,
Que aquieta, em brados,
contra prantos fundos e largos,
no que reclama a emoção
E a assenta.

É fato deixar-se levar,
em meio ao ardor de uma boca.
É fácil até se entreter,
De tanta vontade,
A doçura do risco de se comprometer
Quando os olhos tudo dizem,
Menos coisa pouca.

Contudo, compreendo o risco
E da paixão me assisto,
E, assim, aquiesço, a observo
O quanto consome a alma,
E torna-nos incautos, sem paz,
À medida que faz
Ganharmos o mundo,
Mas perdermos a reta.

Por isso, haver na paixão suas reservas,
Não há nada triste,
não há nada de feio.
É tal aquele que,
quer que passe por onde,
Mirando o caminho que desce,
Obedece aos freios,
Na segurança de pretender bem chegar
E assim, não subsumir.
É por também querer estar
Ou tão só passar,
E haver-se
por ter tantos instantes
a se perder,
a sorrir.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 01 de julho de 2020)


Créditos da imagem: pixabay

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