Palavras Caminhantes

Por: Diogo Verri Garcia

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Palavras Caminhantes

Há palavras que por mim não passam,
Tanto que ficam retidas, feito um congestionamento.
Tentam, mas param; busco percebê-las, mas não aderem.
Funcionam feito vento na roupa, ao que se sente, mas não tocam a pele.
A ponto de quererem saber, para tanto querê-las, meu argumento.
Mas não preciso,
Não falo.
São só palavras,
meu fardamento,
Como toda história sai da caneta e segue ao mundo.

São palavras
as poucas,
as que exigem de nós
todo um verbo,
mas há também um artifício.
Uma rotina que importa,
Como a mesma que construir quase só um edifício
Que comporte espaços de paz
para escrever pelo verso.
Tal como a fé impulsiona o progresso,
É feito o amor ou a tristeza que,
Para a poesia,
São as molas, as bases mais profundas,
Os assuntos.

São palavras,
Tal como fogo sobre óleo, algo que inflama.
Se clausura, nos rouba
a atenção do dia;
à noite, nos toma da cama.
São verdades que trazem um pouco de tudo,
E tão mais nos revigoram em pensamento.
Palavras são alimento,
E, atento a elas, pois,
Mesmo sem compreendê-las,
Acordo,
Escrevo.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 13/05/2020)


Crédito da Imagem: Pixabay

 

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