A Semente que Não Quer ser Árvore

Por: Mauricio Luz

A Semente que Não Quer ser Árvore

Amor, Amor,
Que grande mistério Você é!
Todos queremos alcançá-Lo, Amor.
E por isto O rotulamos, classificamos,
Medimos e pesamos,
Avaliamos, certificamos
E chamamos de oceano
A água do mar que colocamos em um copo.
Amor, Amor!
Quando aprenderemos
Que Você não tem condições, não tem fronteiras?
Que Você é a dança e a música?
Quando perderemos o medo de abraçar-Lhe,
E assim descobriremos a profundidade de nosso próprio abraço?
Quando perceberemos que a brutalidade nada mais é que a sua ausência?
Ah, Amor, Amor!
Me desculpe!
Convida-me a ir à sua Casa,
Comer seu pão e beber seu vinho,
Mas eu carrego tanta coisa!
Como poderei passar pela porta?
Carrego a casa, o carro, as contas,
A necessidade de ser aceito e amado,
A raiva daqueles que são diferentes de mim.
Carrego tudo o que me disseram que era para ser ou fazer,
Até aquilo que acredito que é você, Amor!
E Você quer que eu me dispa completamente,
E desnudo e entregue,
Una-me a Você nos mistérios da vida?
Ah, Amor, Amor!
Você me pede tudo, e é tão pouco!
Eu carrego tanta coisa.
Eu me tornei estas coisas.
E a elas eu pertenço, mais do que elas pertencem a mim.
Por isto, Ó Amor,
Rega-me com Sua água cristalina,
Mas a casca que eu mesmo formei,
Impede-me de nascer;
A semente que não quer ser árvore.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

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