No meio do zumbido, fecha o ouvido!
Por: Bianca Latini

No meio do zumbido, fecha o ouvido!
Quando minha mente começa a girar muito veloz, feito pião
E querer um monte de coisas, feito metralhadora
Sei que é hora de fazer pausa e não querer nada
Apenas silenciar, feito pedra que apara o mar
Sei que é hora de aquietar e retirar-me, com firmeza e delicadeza, do tornado de pensamentos
Do rebuliço dos meus tormentos, típicos da ausência de presença e desterro de aterramento
Neste momento, minha cabeça está fora do corpo e o corpo não está em lugar nenhum
São peças flutuantes, desgovernadas
Em lugar algum fazem morada
Não vejo ruas, não acho cama, não encontro cobertor
E também não quero ventilador
As peças dentro de mim parecem que vão saltar de paraquedas da nave-mãe em transe
Está tudo rápido, girando, girando, girando…
Faço um corte na cena
Corto o papel da imagem, feito tesoura de picotagem
Abro alas e peço passagem
Deito no meio da sala…
Agora vazia…
Em branco…
Tiro um cochilo
E acordo desembaralhada no dia seguinte
Isso porque consegui fazer-me ouvinte
Do meu silêncio
Do barulho do vazio
Por Bianca Latini
Em 06/07/21
Créditos da imagem: Pexels