Zelo constante

Por: Bia Latini

Zelo constante

E a cada desalinho
Falta de cuidado
Descuido de carinho
O pássaro vai ficando
Sem ninho
A balsa começa a perder o prumo
O amor inicia a prosa sem rumo
É a planta em processo de desidratação
É preciso o olhar com densidade
Sutileza, sensibilidade
Para perceber o detalhe
A mão colocada no ombro
Aquele sorriso no olhar que afaga, acolhe, entende e recebe os outros olhos, que não proferiram um só verbo, mas quiseram dizer tudo
O zelo é vigília constante
Ele se faz pavão não é na multidão
Mas no miudinho
Naquela pitada de sal, açúcar, cominho
No ingrediente secreto, que é diminuto
e o mais arguto
Transforma o prato no majar dos deuses
Efiteuses de agregação
De que adianta extremidades pomposas, graciosas, alardeadoras de afeto
Se o recheio do entremeio não é repleto?!
Falta dialeto, protocolo, duto, afago, olhar sincreto
Ei! Faz-se no pequeno!
Deita na rede do dia a dia e embala suas palavras na doçura, na ternura, na desabotuadura
Que seus gestos sejam colo, parapeito, escada, corrimão
Que seu corpo seja sombra pro outro
Naqueles dias mais quentes de verão.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

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