Na modinha

Por: Mona Vilardo

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Na modinha #sqn

Algumas palavras de ordem, podemos dizer assim, estão na moda.

Citarei algumas: Protagonismo, empoderamento, proatividade, engajamento.

Desculpem os amigos mais chegados, não curto modinhas e bandeiras erguidas. Acho a banalidade em que a palavra gratidão se tornou algo assustador. Gratidão virou um cara me perseguindo com uma foice, praticamente. Onde eu vou, escuto.

Exemplo:

Vou ao mercado e a caixa pergunta:

– Tem dez centavos pra eu te dar um real e ajudar no troco?

– Tenho sim.

– Gratidão.

Oi? Gratidão de que? Pelos meus 10 centavos? Foi porque eu abri a carteira pra procurar os 10 centavos, ou aconteceu alguma coisa atrás de mim no momento que estava pagando que merece gratidão?

Ok, numa outra época poderia ser pior: Gratidão, nem!!!!!!!!!!!!!!!!

Alguém me salva?

Bem, que tal analisarmos a palavra protagonismo?

O segundo livro mais vendido do ano de 2018 se chama “Seja Foda” (odeio palavrão até escrito)

Nunca li o livro, mas o título não me atrai. Pode ser ótimo, afinal, não devemos julgar o livro pela capa. Mas, pra mim, essa capa não é nenhum pouco atraente.

Eu não tenho que ser F. o tempo todo (mesmo que o conteúdo do livro não seja esse totalmente, o título é, e isso me fez tomar distância dele na livraria).

Tem dias que eu quero só comer arroz com feijão, não trabalhar, ver uma comédia no Netflix sem ter que pensar qual vai ser meu próximo ato F.

Bem, chega de falar do que é ruim, olha o positivismo (palavra de moda também, mas tudo bem)

Vou escolher a minha palavra da moda: Desperdício.

Melhor, o não desperdício.

Não estou falando do desperdício de água, comida ou luzes acesas por toda casa… (Momento lembrando do meu pai dizendo: Apaga a luz, ninguém aqui é sócio da light!

Estou dizendo sobre o desperdício de provar pro mundo. Estamos em tempo de provar, e isso me dá uma preguiça danada. Provar que somos muito legais, simpáticos, temos o corte de cabelo da moda, a calça super transada que ninguém tem (Tolinhos, a China já reproduziu faz tempo), e que, claro, provar que o meu celular tira as melhores fotos.

Acho que nasci com a música do Renato Russo ao contrário “Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”

Não me lembro de ser uma jovem querendo provar coisas pros outros e continuo sendo assim, não querendo provar nada pra ninguém.

No máximo, eu provo um pedaço de bolo de chocolate na festinha de 3 anos da minha sobrinha nesse domingo.

Ah, as crianças…nunca cobram nada de si mesmas. Elas simplesmente sentem, expressam… não se autoperturbam.

“Não desperdiçar chances provando nada pra ninguém” Me conecto muito mais com essa expressão do que com “Gratiluz, namastê”.

Quase sem querer, Renato Russo fala mais a minha língua!

Esse texto é em homenagem à Bia, que é fã do Legião Urbana e faz 15 anos hoje, sem querer provar nada pra ninguém!


Créditos da imagem: flickr rubempjr

1 Comments on “Na modinha”

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