Cor – tinha

Por: Mona Vilardo

cor tinha - foto-01

Uma das maiores mudanças que acontecem quando saímos da casa dos pais e vamos para a nossa casa é: casa sempre tem coisa para arrumar! Alguma amiga se identifica?

Tenho ao meu lado um verdadeiro dono de casa. Palmas para os maridos que também organizam seus lares ao lado de suas esposas. Ao lado de uma mulher maravilha tem sempre um super-homem!

Muito bem, eu e o super-homem discordávamos em uma coisa: ter cortina em casa.

Cortina para mim sempre foi sinônimo de bloquear espaço e horizonte. Talvez o significado da palavra me levasse a pensar assim. Já deram uma olhada?

“Muro que liga dois baluartes” ou “Móvel fixo na casa” – esses significados soam mal aos meus ouvidos. Logo eu que tento sempre quebrar muros nas minhas relações e não curto nada fixo demais, endurecido. Resumindo: crio pontes e sou maleável!

Mas o super-homem sempre queria uma cortina, e eu passei 2 anos e meio tentando convencê-lo que era lindo ver tudo aberto, mesmo que o lado de lá fosse a varanda do outro prédio.

– Não é tão próximo do outro prédio, vai…

– Ah, meu bem, olha a claridade desse apartamento sem cortina!

– Vai ficar calor, hein!!

Eu dizendo frases à base de kriptonita para clamar pela inexistência de cortinas.

Muito bem, numa noite de insônia, meu marido (SP) disse:

– Poxa, tentei ficar na sala, mas sem cortinas, não dá né? Parece que todos me olham no prédio da frente. (Todos quem? Às 3 horas da manhã?) – Eu  pensei. Mas, ok!

Bastou isso para eu ligar no mesmo dia para a “moça que faz cortinas”. O incômodo dele teve um grande peso para mim, e me mostrou que a felicidade dele em ter cortinas era muito maior do que a minha, em não ter.

Abrindo mão em 3, 2, 1!

Marcada a visita da moça das cortinas e ela mostrou a paleta de cores. Tristeza total. Aquele cinza, aquele marrom ou aquele painel sem graça iriam acabar com o colorido da minha casa.

– Vamos colocar um colorido nisso aí, eu sei que não está no catálogo, mas eu desenho pra você, achamos o tecido e pronto. Que tal?

O super-homem concordou – ele também pensa colorido como eu.

A cortina chegou. Naquele momento caiu por terra qualquer significado negativo que eu via na palavra e no objeto cortina.

– Muro? Fala sério, Mona! – Sentir calor? Para que serve o ar condicionado? – Por que você não reclamou antes da sua insônia? Essas cortinas podiam estar aqui há mais tempo!

E naquele mesmo momento, eu mudei o nome da palavra cortina (pra quem muda o catálogo, mudar nome é praticamente a mesma coisa).

Agora, aqui em nossa casa, ela se chama COR-TINHA. E nesse lar ela construiu mais pontes e me tornou mais maleável!

Surpreendentemente, a gente aprende até com as cortinas!


Crédito da imagem: arquivo pessoal.

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