Os Azevinhos

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Por: Diogo Verri Garcia

Há vezes que a solidão é o melhor adivinho,
Sem importar o que nos importa no mundo.
Deixar esvair a mente, que vá.
É fricção do perigo que corre o gosto
De não esvaecer a tensão de deixar-nos
No tumulto que nos entorna a rodar.
A pausa não é sem graça, nem morna,
É azevinho
das folhas verdes, onduladas e espinhosas.
Alongadas e com flores, de bagas vermelhas;
Iniciantes singelas e que põem copiosas,
Pois que brilhantes e longevas,
tal como o longe chegamos ao permitirmo-nos parar.
Lembrando só de quem queremos
Pelo bem – e ponha o resto a andar.
Dedicando um silêncio que só é cortado
pelo som das folhas passadas,
Da caneta posta à mesa,
Das teclas já datilografadas,
Do verso que interrompe a rotina
(que, extenuada, cobrou-me um tempo,
o qual, merecidamente, aquiesço,
tamanha a sorte que só agora me atina).
É no solitário refinamento que
vejo o quanto é veneno
Nunca ser o próprio destinatário.
Saber que até o vento
Segue hora e itinerário.
Mas para: não sopra a todo acontecimento.
Seguir solitário? Não, a ser perene não quero,
Pois não sobrevivo se for.
Mas aquiesço, se me for proposto
E corroboro a mim mesmo propor.
Mas que seja assim mesmo…
Só neste momento.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 08/09/2019)


Créditos da imagem: pixabay

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