Memórias de um mês de março vazio

Por: Diogo Verri Garcia

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(Memórias de um mês de março vazio)

Cai a tarde, que não se vai tão tarde.
Vê-se a rua deserta,
A aglomeração repleta da falta de querer se amontoar.
Há algum decúbito de bares vazio,
Sem calor humano, um frio
entorpece os cantos sem nos deixar acostumar.

Vê-se que a vida passa em outro andamento,
isenta ao decurso do tempo
que seria tão rápido
para tornar a alma repleta, tonteada,
Pois hoje é ela só aguarda, espera.

Fez-se a fase das metrópoles passando ligeiras entre
goles,
Dos corações teimosos, mas moles,
Apaixonados dentre as multidões tão logo,
Vivazes, porém postos a esperar.

Houve sorrisos dentre aglomerações,
Existiram multidões,
Gente parada frente ao sinal ou ao farol,
Em aguardo de travessia.
Mas nota-se que o vazio apropriou-se da cidade
Que até meados da tarde,
desabitada feito a plena madrugada,
imigrada para o meio-dia.

Mas há nessa espera algum exemplo,
que nos para as pernas,
pondo o peito a sentir
e a mente a ficar quieta.
Respeitando, ao ver a rua deserta…

Só torço para que o mal torto deixe as ruas
Enquanto o tempo insinua, que o medo afrouxe
em algum alento, a uma paz comprazer,
resolvido ao prometer trazer de volta alguém.

Quero que as ruas retornem repletas,
Dentre almas não mais desertas,
Que, ponderadas no ardor, no quietar-se e no ver,
Passem a só pretender, desde então,
O bem.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 24/03/2020)


créditos da imagem: pixabay

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