Por: Victor Cabral

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Tantos vidros entre em nós
Telas de celular, ponte pro desejo
Lentes, enquadram nossos olhos ( a sós )
Janelas de carro, despedida em segredo

Nasce mais um dia estagnado
Vidrado
Sem notícias suas, sem nenhum recado
Virado
Vejo você me olhar do outro lado
Pecado
É todo esse tesão não realizado

Em sua casa que nunca visitei
No seu corpo que eu nunca adentrei
Os seus gostos que nunca sentirei
Nasce fértil a semente da imaginação

Completo as lacunas com meus devaneios
Te imagino agora deitada, camiseta velha folgada dormindo quieta, sem receios
Talvez se eu te acompanhasse
Procuro um espaço, encaixo um abraço, seu cheiro adocicado, minha mão nos teu seios

Ouço seu canto, sotaque gostoso
Chiando baixo pra te deixar dormir mais um pouco
Que sufoco
Tão pouco — de ti — parece-me muito
Todos os escritos dão sobre o mesmo assunto

Não é você quem eu afago, abro meus olhos E era só o travesseiro, o corpo que me jaz ao lado

Que saco

O jeito é dormir, temos um encontro marcado.

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