Templo que habito

Por: Bianca Latini

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Templo que habito

Meu corpo é o templo
Onde minha alma mora
E minha alma quer se expandir
Pretende romper as cercas
E olhar por trás das montanhas altas
Ela quer ser solta, livre
e sentir-se efervescente em alegria, pertencente, flutuante, gaseificada, tilintante
Para isso, meu corpo precisa se movimentar
Para estar, com minha alma, em correspondente sincronia
É como uma dança de movimentos oscilantes
Experimentando todo tipo de sensação,
os membros respondem
aos comandos ocultos dos nossos quereres, desejos, reprimendas, mutilações
A cada soltura, a cada não julgamento, a cada liberação de braços, pernas, pescoço e umbigo,
Vou esvaziando e sendo preenchida
Ouvindo música e me reesculpindo
Tirando as mordaças, deixando cair as carapaças
Ao longo dos rodopios, chutes e fluidez no salão,
Vou me despindo daquilo que construí
Esfacelando somatizações, cristalizações, crostas e esconderijos
Restauro meu DNA
Como se nascesse outra vez
Ou como se rasgasse a tela poluída e começasse a pintar, de novo, folha em branco
É como um lavar d’alma
Esgotamento que traz suor e vigor
Deixa a face ruborizada e a pele viva
Calor por dentro do corpo
Que arde em brasa
E choca com o ambiente externo, que agora está frio
Neste momento, percebo, realmente, o que está fora e o que está dentro.

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