E a sua vida, é boa? (Priscila Menino, autora convidada)

Hoje publica conosco mais uma autora convidada, desta vez de Brasília-DF, Priscila Menino

Priscila Menino, advogada, escritora, pós-graduada no Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade – ICTQ em Regulação e Qualidade na Indústria Farmacêutica, professora, Membro do Drug Information Association, Membro do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, membro do Biotechnology Innovation Organization, foi Presidente da Comissão de Direito Sanitário da Associação Brasileira de Advogados-ABA, atuante em Direito Sanitário há mais de sete anos, tratando de assuntos afetos ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Por: Priscila Menino (autora convidada)

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E a sua vida, é boa?

Eis que estou despretensiosamente imersa em meu ritual noturno para dormir, quando sou surpreendida com uma pergunta da minha filha de cinco anos: “mamãe, você acha que sua vida é boa?”.
Era mais provável cair um meteoro com um unicórnio colorido o guiando até minha casa, do que estar preparada para uma pergunta dessas inesperadas.
Quase que de imediato, respondi apenas: “sim, mamãe tem você comigo e isso me faz feliz e ser feliz me faz ter uma vida boa”.
Muito embora eu tenha respondido isso a ela naquele momento, aquela breve perguntinha não saia da minha cabeça, como um jingle ruim de uma propaganda que cola na cabeça e você se pega cantarolando inoportunamente.
Já pensou sobre a definição do que é ter uma vida boa e como este conceito pode mudar de formas drásticas ao longo da nossa vida?
Para minha filha, ter uma vida boa hoje pode ser apenas a simplicidade de não fazer o dever de casa e comer guloseimas até enjoar, assistindo algum youtuber gritando de maneira efusiva, mas, daqui uns anos, pode ser que ter uma vida boa seja, na contramão, manter hábitos alimentares saudáveis e uma vida social afinada, considerando que a adolescência é uma fase cruel e confusa (quase sempre).
Ha uns anos atrás, eu achava que uma vida boa era quase o oposto do que tenho hoje, eu quebrei todos os meus próprios paradigmas, eu aprendi a ver a vida de uma forma mais leve e mais tranquila, sem me apegar tanto ao que esperavam para mim como uma “vida boa de uma família tradicional brasileira”.
Se me falassem que eu já teria sobrevivido a um divórcio bem antes dos 30 anos, teria uma enooorme dificuldade em controlar e organizar meus horários, me dividindo entre ser mãe, ser profissional, estar com saúde mental em dia e com o CrossFit frequentado cinco vezes por semana, ainda roeria as unhas e usaria óculos de graus enormes, eu definitivamente acharia que minha vida seria o oposto de ser boa.
Mas, parando para pensar, eu realmente tenho uma vida boa sim, pois agora eu sei que ela será sempre boa, mesmo com os percalços que eu sei que vão surgir, afinal, aprender a lidar com a relatividade dessa definição de “vida boa” e permitir que isso seja sempre mutável é o que me dá base para acreditar nessa premissa.
E se minha filha me perguntar novamente, eu apenas direi: “filha, minha vida não é boa, ela é excelente e sempre será assim, enquanto eu confiar que tudo vai ficar bem, mesmo que tudo saia do controle em certos momentos”. (É evidente que ela não entenderá nada, mas lá na frente, ela há de concordar com a maluquinha da mãe dela, não tenho dúvidas disso).


Créditos da imagem: arquivo pessoal.

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