A justiça e seus sabores e dissabores

Por: Priscila Menino

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Eu me peguei pensando no motivo de ter escolhido a minha profissão: advogada.
Se eu fosse bem racional e ignorasse meus devaneios, pensaria que na minha família não tinha ninguém advogando e seria, a princípio, mais árduo e penoso galgar o meu espaço no mundo juridiquês.
Hoje, com o advento de um auto conhecimento maior, percebo que foi uma forma pessoal de buscar ajudar o mundo com menos injustiças, pois essa pequena, mas impactante palavra me incomoda profundamente desde quando me entendo por gente.
Lembro-me quando me deparei na minha profissão com a primeira injustiça que vivi na pele, me rendeu boas noites de insônia e uma dor estranha latente no peito por indignação.
Ocorre que o conceito de injustiça é absoluto e simplista segundo o Aurélio, mas na prática é tão relativizado.
A nossa sociedade possa por mudanças constantemente e podemos afirmar que já evoluiu bastante na busca da garantia de uma mínima justiça. Hoje, por exemplo, negros e mulheres têm direito a ter voz ativa, independente do gênero, cor ou crença (ou deveriam ter, ao menos).
Me dói sentir a dor da injustiça em tantos casos que vemos por aí, saber que ser advogada não me dá superpoderes mágicos para mudar tanta coisa que vejo constantemente que me causam uma sensação desesperadora de que a vida humana não importa tanto quanto deveria nesse sistema louco que se diz civilizado.
Já nos alertava Lulu Santos: “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
Bem, mas enquanto não posso mudar o mundo, posso, pelo menos, usar meus textos para levar um pouquinho de amor e de afago para quem ele alcance, afirmando que a injustiça será sempre dura para aqueles que tem empatia ao próximo, mas vamos fazer a nossa parte, mesmo que pareça ser apenas um grão de areia no meio do deserto do Saara.
Afinal, desde sempre e até que se prove o contrário, o amor e o sorriso são contagiantes e, ainda melhor, não custam nada. Um gesto de gentileza pode salvar a vida de alguém, um tratamento humanizado pode trazer esperança.
Meu desejo, minhas intenções, minha orações e meus pensamentos positivos é que estejamos caminhando para um mundo cada vez melhor, onde os Josés, os Joãos, as Marias, os Moisés, os Georges e todos nós sejamos tratados com humanidade, respeito e paz, até lá, nos perdoem… não percamos o otimismo e a fé.

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