Apego Cibernético

Por: Priscila Menino

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Esses dias eu tive um pequeno problema com meu celular, que atribuo ao mercúrio retrógrado, e acabei ficando o dia inteirinho sem um dos meus celulares.
Quando tentei fazer o aparelho funcionar e não obtive êxito, foi quase como perder um órgão vital, me deixando com insuficiência de informações e contatos, agonizando no meu desconforto (adoro exageros poéticos, desculpem, leitores).
Quando retornei ao mundo das conversas instantâneas, meu Whats app parecia que estava fora do ar há anos. Houve até quem achou que eu havia sofrido algum rapto ou coisa assim e queria acionar a polícia, é sério.
Foi aí então que tive consciência da forma que estamos inconscientemente totalmente dependentes da comunicação imediata através de nossos celulares e computadores. Passamos horas e horas acessando nosso Whats app para nos fazermos presentes de forma simultânea na discussão do grupo da família, na sátira que rolou no grupo dos amigos, na fofoca que a irmã está contando e nas notas sobre os processos que foram repassadas no grupo do escritório.
A gente se habituou a estarmos disponíveis e atentos o tempo inteiro e quando não estamos conectados, é desesperador, parece que estamos ficando desatualizados e obsoletos.
Fico pensando como fazíamos antes de termos um aparelho de celular com dados de internet ilimitados: como se davam as relações de trabalho? Como fazíamos para sabermos notícias dos amigos? Como passávamos o ócio na fila do banco? Aliás, como aguentávamos filas de bancos, sem podermos pagar contas e termos extratos pelo celular?
É assustadora a velocidade de informações que temos, a forma como nos habituamos a estarmos sempre disponíveis em tempo real, compartilhando até mesmo as nossas refeições com os amigos cibernéticos e sendo robôs com aqueles que sentam à mesa conosco.
O irônico é agora reaprendermos o valor do contato físico, a observar aqueles que estão ao nosso lado diariamente, dialogarmos olho no olho, demonstrar afeto ou preocupação através de uma atenção exclusiva para o momento presente, sem interferências ou sem fazer um tour pelo feed do Instagram.
Como relato real de uma sobrevivente de um dia inteirinho sem celular, posso falar que eu superei e o mundo não desmoronou, não foi desencadeada uma terceira guerra mundial, Michael Jackson infelizmente não foi localizado vivo morando em uma praia deserta e ficou tudo bem.
Após ressuscitar meu celular, eu até pretendo colocar mais em prática esse desapego cibernético, sempre que possível, é claro!

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