O voo dos três poderes

Por: Priscila Menino

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O voo dos três poderes

Em uma das minhas idas e vindas das minhas viagens, estou em um voo saindo do Rio de Janeiro e voltando para minha amada, idolatrada Brasília, quando me deparo que próximo ao meu assento estavam três importantes figuras públicas.
A minha frente estava um ministro do STF, próximo a ele, estava sentada uma Diretora de uma Agência Reguladora e, finalmente, observei um deputado que já foi motivo de muito assunto nos noticiários há alguns anos, por decorrência de um dos escândalos que o Brasil teve marcado em sua história.
Ironicamente, todos estavam sentados do mesmo lado no avião, apesar de nem sempre estarem no mesmo lado na posição política.
Acabei me pegando escrevendo sobre esse atípico voo, que mais parecia que eu estava na praça dos três poderes do céu, pois havia ali representantes do Poder Judiciário, do Poder Executivo, do Poder Legislativo, respectivamente e euzinha representando o povo (preciso dar uma moralzinha pra mim também rs).
Pensei, primeiramente, em como o Brasil possui tamanho continental, mas é demasiadamente pequeno, considerando que, apesar da diminuição da malha aérea na pandemia, todos estavam em um mesmo voo em uma aleatória segunda-feira comum.
Depois, filosofei um pouco mais e pensei em como nós como meros seres humanos que estávamos em um pássaro de ferro, estávamos sendo controlados por um ser humano.
Apesar dos cargos políticos ou não, todos ali estávamos em uma mesma hierarquia, éramos seres humanos que dependíamos das habilidades do piloto, pois nossas vidas estavam (quase literalmente) em suas mãos.
Pensei na fragilidade da vida e em como a gente estava em uma condição de igualdade, afinal, estávamos todos no mesmo barco (ou mais especificamente no mesmo avião), onde os nossos cargos, profissões, ideologias e tudo mais, não importam, se porventura uma improvável tragédia ocorresse e o avião caísse, somente o Divino poderia escolher nosso destino, pois ali éramos todos meros mortais, na nossa condição mais frágil e vulnerável.
Ao pousar, meu lado leonina pensou: que bom que tudo correu bem, ninguém lembraria de falar de mim com um avião tão cheio de gente pública assim.


Créditos da imagem: pixabay

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