Vinte e Cinco

Por: Diogo Verri Garcia

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Vinte e Cinco

O que há em beijos
Que começam e te deixam?
E ameaçam, com boca próxima,
Não sente culpa; transparecem o desleixo
De um nada mais…
E veem sussurros
Que terminam dando nós nos teus ouvidos,
Que transforma o precavido,
A aventurar-se nesse abraço,
A deleitar-se,
Sentir amor, viver em paz.

O que há nos olhos?
Que mudam as cores só de olhar,
Juram amores, sem jurar.
E fazem os meus olhos
Perderem brilho e contorno, a me entreter,
No entorno que há, desapercebido.

Qual é a graça de tais ensejos
Que fazem a alma e a paz morrerem de alegria,
Permitem até ao amor que jaz sentir melhoria?
Que faz alguém como eu, haver-se bem demais,
Como se houvesse ela tocado o centro
De um coração que, por precaução, sempre atento,
Mas que desprecaveu-se ao vento,
Dado o tempo em que a alma se desfaz,
Já que, sem tais beijos, tornados seus ás,
É tão vazia.

O que, por fim, caberá, sem nada lá haver?
E se perdurou por perceber
Que aqueles olhos brilham tão mais
Do que só euforia.
Pois haviam deixado algo
Que então, meu peito, não arcais,
Pois tomado de jeito, não abstrais
Que só será deixado só,
Algum dia.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 30 de maio de 2020).


Créditos da imagem: pixabay

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