Poesia de guarda

Por: Diogo Verri Garcia

Ao poeta que não publicou,
Poesia não é vinho de guarda: não é latente, é mostra.
Pouco se aguenta tanto tempo assim a ser revista
Quer ser falada; se não lida, morre.
Eis que sempre anseia em ser vista.

Não te segures a ser inseguro com os versos,
Pois ferrugem não cobre as veias de que já se fez poeta.
Não é maratona, e sim calmaria.
Não há, a rigor, propriamente um treino.
Há tanto mais: é só gramática e poesia,
Pois és boêmio e não atleta.

É algo que se transborda a quem tem o dom e o sente.
Só ponha o verso pelas regras, e ele se faz contente.
E te contentarás, também, em algo além de instantes,
e te fará feliz, talvez não igual como antes;
talvez até mais…
Ao fazer teu verso, um sussurro exclamado
A vê-lo por outrens, sê-lo aos montes declamado.
Haverá, em teu quieto e amparado interior argumento,
a exitosa paz.

E até quando é bastante? Perguntarás…
Mas não te preocupes, consente!
Permita-te ao verso, e te encaminhe contente.
Funciona feito a mesma pergunta
Sobre o quando dura uma análise.
A respeito do verso – em que sou poeta -, respondo:
Até quando aprouver felicidade.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 19/01/2021)


Créditos da imagem: Pixabay

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