Pequeno detalhe pequeno

Por: Diogo Verri Garcia

Pequeno detalhe pequeno

O que é o gostar de alguém,
senão um pequeno detalhe pequeno.
Que é detalhe, posto que embaraça
e resseca a boca, de súbito,
mesmo quando a dose é pouca,
age feito veneno; é sentimento.
Tem jeito pequeno…
por não saber sequer descrever
o porquê de tender,
do começar a gostar.

Sei que há uma certa redundância.
Ou arrogância a definir o amor, em detalhes.
A atrofia que à gramática traz
é a mesma que o amor importa:
não tem razão,
mas soa bem e faz sentido.
Chegamos até
a caçoar do que nos ouvem
nossos próprios ouvidos,
Um dentre tantos entretidos
Em nosso corpo ansioso,
ao aguardar o soar na porta.

Que é o amor, senão a não explicação,
o excesso de catarse.
a emulsão de uma catálise
que nos faz recorrer à análise para, óbvia, explicar
Que é só um pequeno detalhe pequeno.

É o olhar de um jeito ou o defeito,
A forma pela qual nos põe desmedidos.
O que nos faz mais desprecavidos
E nos torna tão dispostos;
bem expostos, como se a razão ficasse em coma.

É o sintoma…
que se encontra em nós,
De modo que, em um querer inconsciente,
(não) precisamos desvendar
a razão de amar,
pois pouco importa…
Em pormenores, é tudo só
Um pequeno detalhe pequeno.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 21/01/2021)


Créditos da imagem: Pixabay

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