Tirando as rodinhas
Por: Bianca Latini

Tirando as rodinhas
Eu não vou falar para você tirar as duas mãos de uma vez, pois sei que isso não é possível agora
Primeiro, deixa de espremer
Depois, de segurar com tanta força
Um dia de cada vez…
Passo a passo…
Agora tira uma mão e depois a outra
É sobre agir ou melhor: desagir em relação a um hábito
No seu caso, o hábito de controle
Creio que querer controlar intenta mitigar a falta de confiança
Pois, na sua cabeça entrópica, tudo está fadado ao caos, à desordem, ao insucesso
Daí você controla, põe cerca, mantém a rédea curta, não afrouxa
Como forma de garantir o resultado esperado
Aquele firmado, na sua cabeça, como correto, obstinado
Dentro de tantos cuidados, você sente conforto: está no comando, sabe até onde vai, prevê, antevê, gerencia, monitora e sabe sempre o que fazer
Lembra lá atrás, quando éramos apenas uma criança e estávamos aprendendo a andar de bicicleta??
Nosso maior medo era tirar as rodinhas, pois iríamos cair!
Daí nossos pais operam, paulatinamente, para não fazer do processo abrupto
Tiram uma rodinha e nos deixam tempos pedalando assim
Ainda temos uma margem de segurança
Depois é tirada a outra
E, espantosamente, desembestamos!
Imagino que, dentro de nós, entendendo a dinâmica do pedalar, pedalando há tanto tempo com rodinhas, já sabíamos girar os pedais sem o apoio
Mas, emocionalmente, tínhamos a zona de conforto, o porto-seguro, a muleta, o esteio
O desconhecido é sempre desafiador
O incerto dá medo
É sempre preferível o que se enxerga, o que se sabe, o que se pode controlar
É da natureza humana buscar segurança
É assim, desde criança
Não há mal nenhum nisso
Mas, que, acima de tudo, tenhamos um compromisso:
Saibamos a hora de tirar as rodinhas e confiar nos processos.
Por Bianca Latini
Em 17/07/21
Créditos da imagem: Freepik