A Gaiola

Por: Mauricio Luz

A Gaiola

Um raio de sol corta
A escuridão que envolve a gaiola
O pássaro sente a chegada da manhã
As grades que o tornam prisioneiro
Culpado do crime da beleza de seu canto e sua plumagem
São duras lembranças da liberdade perdida nas arapucas da vida
Mas eis! Espantado vislumbra
Entre a fria simetria das paredes de sua cela
Um vazio nas linhas que cortavam a linha do horizonte.
A porta estava aberta!
“Vem” – sussurra o Sol, cada vez mais brilhante
“Vem sentir-me na totalidade! Chega de migalhas!
“Deixe-me abraçá-lo enquanto buscamos juntos o limite do infinito.
E o pássaro saltou no vazio à sua frente,
Cantando sua canção mais doce.
Não se sabe ao certo o destino da linda ave
Que ousou conhecer outros destinos.
Sabe-se que teve fome, medo, frio.
Quase morreu nas garras de um felino!
Amou e desamou, ninhos formou,
Sorriu quando queria sorrir,
Chorou quando não queria chorar.
Tão incerta era sua vida, que sua única certeza,
Era o pulsar do coração, que podendo ser a última batida da existência,
Era poderosa como a primeira!
E quando o Sol o chama,
Ou a chuva encharca sua alma,
A fome torce suas entranhas,
A sede tortura sua garganta,
Ele sorri, abre as asas e voa
Voa em busca do horizonte, cantando:
“Eu nunca fui mais feliz!”

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

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