Por: Mauricio Luz

Ah, Mistérios sem fim!
Cercado de brumas por todos os lados,
Eu me engano, me iludo!
Afirmo saber mais do que realmente sei,
A ilusão da flecha que se acha livre
Após ser lançada do arco.
Ah, Deus!
Se Tu realmente existes,
Não me dê prova de tua existência!
Seria como o Oceano mostrar ao orvalho
Sua imensidão e profundidade.
Mostra-me apenas como ser uma gota
Que sabe onde chegará,
E flui para seu destino.
Pois o final de cada gota é chegar ao Oceano infindo
E assim tornar-se também infindável.
Dá-me sabedoria para aceitar
Porque algumas gotas chegam antes
E outras depois.
Que algumas se vão muito cedo,
Outras tão tarde.
Ah, Deusa!
Não me mostra se és homem ou mulher,
Flor ou espinho.
Se és tudo isto,
Ou o nada que é o todo.
Apenas mostra-me como ser uma gota!
Incansável na busca,
Imparável na jornada.
Mostra-me o ponto de chegada!
Um dia lá estarei.
Meu caminho não será reto;
Que seja pleno de curvas e reentrâncias,
Onde refrescarei a garganta dos sedentos.
Também me unirei à seiva da planta,
Para saciar a fome de outros iludidos.
Mostra-me como ser gota,
Que sabe seu destino mas não se furta,
De se entregar pelo bem 
de quem precisa de sua fluidez.
Quem sabe assim não alcançarei
A verdadeira essência dos mares que vou mergulhar?

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

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