O pertinaz caminho

Por: Diogo Verri Garcia

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(O pertinaz caminho)

O caminho que não tem passos,
Onde é formidável o caminho.
Dos pés gelados, caudalosos, se fosse tentado o caminhar.
É caminho em que tem vento e que tem pássaros
Que levantam voo ao nos aproximarmos a passar.

O caminho que tem folhas e não tem terra,
Que balança quem passa, mas se balança sozinho o caminho.
É caminho que, furioso, nos amedronta as pernas.
Mas, amiudado, tão mais ao seu jeito zela,
Sem nunca padecer em desalinho.

É Caminho bom para quem passa,
e para quem olha.
E até para quem faz graça, relutante,
Por medo de se ver passar.

É caminho do qual jamais me canso,
Pelo qual veloz avanço, em descanso.
Segue em balanço,
O mar.

(Diogo Verri Garcia, Rio 13 de janeiro de 2020)


Crédito da imagem: Tim Hill por Pixabay

Onde Existo

Por: Bianca Latini

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(Onde Existo)

Eu existo onde o amor está
Depois da rua
Onde o entusiasmo faz a curva
Eu canto onde há lirismo
Onde a brisa da poesia
acaricia o meu rosto
Macia
Suave
Purpurinante

Eu habito onde a rotina não
Assentou assoalho
E descanso debaixo do telhado
Da esperança
Aquela de criança
Que tudo pode
E que de tudo quer brincar
Aquela que não se cansa
De ser tola
Insana
Devaniante
E que em absolutamente tudo
Pode acreditar
Sem limite
Sem ouvido para palpite
De adultos carentes
Poluentes
Corrosivos
Frustrados
E principalmente sem
Imaginação para sonhar

Eu borbulho fertilidade
E me travisto de profusão
Quando sou livre
Quando tenho espaço para acoplar minhas asas nas costas
Asas grandes, largas
De Ser que deseja
Içar novos voos
Todo dia
Toda hora
A cada minuto
A cada longa perpetuação
Da novidade que virou previsível

E ainda que eu faça rota igual
Eu voo quando o faço de maneira diferente
Trocando as cores das asas
Ou trocando a mente do pássaro
Ou, ainda, achando novo acorde
Para o seu coração

É nesse lugar que eu moro
Nessa atmosfera respiro de verdade
Nesse espaço minha existência se faz
Latente
Presente
Desperta
Acordada
Preservada
Perspicaz


Créditos da imagem: pixabay

O necessário voltar

Por: Diogo Verri Garcia

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(O necessário voltar)

Necessário voltar
para aquele lugar
em que a alma nos alegra.
Onde é fácil dormir e acordar.
Lá, que tão bem se quer estar.
Ter uma alma de poeta.

Necessário voltar
para aquele lugar
Onde a saudade não nos mata.
E, certos que a paz é leve,
É tão normal de lá sentimos falta.

Necessário voltar
para aquele lugar
em que a brisa é diferente.
Onde talvez não tenha mar,
Quer arda em muito o quente sol,
Quer faça falta os dias quentes.

Mas é necessário voltar
Para aquele lugar
Em que a beleza profunda, o quão palpável, nos é rasa.
Necessário voltar
para aquele lugar
Que dentre tantos outros nomes,
reconhecemos como casa.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 14/01/2020)


Créditos da imagem: LhcCoutinho por Pixabay 

Autor Convidado: Victor Cabral

Por: Victor Cabral

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Tudo de belo que cê já viu
Com você, desde de o dia que nasceu
Somos donos das cores que te rodeiam
Fiéis guardas da luz das estrelas que te norteiam

Testemunhas dos teus dias mais insanos
Na dor e na alegria contigo aguamos
Quando tomados pelo prazer, cerrados
Tão abertos ao encarar o ser amado

Nos de a noite de presente dessa vez
Tire as lentes que focam o que tu vês
Queremos folga tão merecida

Não se demore pelas esquinas
Vá pra cama, rainha menina
Só abra aos olhos com a manhã já nascida

São os desejos de seus olhos

(https://www.facebook.com/projetil69/)

Conto às três vidas

Por: Diogo Verri Garcia

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(Conto às três vidas)

O relógio não anda para trás:
O tempo passou.
Já aqui, o conto de três vidas jaz.
Que tivemos, feito o som tão leve,
Mas que escorreu na misteriosa imprevidência,
Tal como o silêncio das coisas, a ausência
Que há no ponto final de uma bossa.
Três vidas: a minha, a tua e a nossa.

A minha, que andou modificada,
Digo, até grata, essa vida que foi
Por ter tido, em algum tempo,
A presença tua.
Mas que não suportou, posto que sufocada.
Levou um pouco de ti,
Deixou tanto de si,
E, estando livre, foi comemorar nas ruas.

A tua, que começou sem graça,
Até calada, meio que negando
O que existiu logo no primeiro momento.
Mas quando sentiu-se enraizada,
Havia já deixado outra vida cansada,
Posto que insegura, de alma dura,
Não segurou viver os bons momentos.

A nossa, de que haverá lembrança,
Até que a idade apague
E registre ao longe,
Junto a tantos outros cantos ocupados da memória,
Uma caixa a mais.
Anestesiando, se restou tormento.
Recordando apenas as bonanças,
Risos fáceis e ordenança.
Contando com a intercessão do tempo,
Que então deixará
Em sua versão,
Só felicidade e paz.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 04/01/2020)


Créditos da imagem: pixabay

Confessionário

Por: Bianca Latini

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Confessionário

Ahh… Santo Universo
Eu tenho tantos medos
Você bem sabe disso
Tenho medo de assumir algumas responsabilidades
Então eu te rogo
Dê-me um abraço imenso
Deite-me em seu colo
E aqueça em meu peito
A confiança que comigo nasceu
O propósito que você me deu
Para que eu possa trilhar o melhor rumo
O correto caminho
Aquele com o qual firmei compromisso
Pelo qual poderei acessar lugares inóspitos
Levando perfumes, lavandas, sorrisos

Que eu possa perfurar minhas camadas superficiais
E deparar-me com minhas profundezas
Com coragem para encontrar no trajeto
As barreiras das minhas fraquezas
As vaidades do meu ego
As expectativas frustradas das minhas ilusões
As calamidades da minha alma imersa
As feridas de todas as minhas vidas
As falhas das minhas tentativas

Ohhh… Querida esfera infinita de luz
Clareie o meu Ser
Segure a minha mão
Para que eu sinta a sua indicação
Fazendo-me caminhar em frente
Ainda que tudo pareça escuridão
Que meu corpo aqueça em plenitude
E eu saiba que em determinada direção preciso seguir
Que meu coração seja bússola indefectível
E minha fé nele indubitável
Que eu tenha serenidade e certeza em renúncias
Alegria e firmeza em escolhas
Concretude em aglutinar minha unicidade

(Bianca Latini)


Créditos da imagem: pixabay

O Jornal das Coisas Amenas

Por: Diogo Verri Garcia

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Prezado Leitor, tendo em conta o fim de ano, faltei com a publicação habitual de quarta-feira, a qual realizo hoje, um dia depois.

(O jornal das coisas amenas)

Um jornal oficial que publicava
Não mais as leis,
Tão só notícias: e era devotado às amenas.
Se houvesse proposto uma estrofe e a ele quisesse apor,
Publicado seria,
Tal como a letra de um compositor
Poderia.
Só há restrição para coisas pequenas.

Que assim compreendem, nem pelo quantum
nem pela forma do verso,
Não por termos qualificativos ou quão são expressos.
Sequer se valha do número de caracteres.
Por exemplo, são pequenas as frases que falam maldades;
São rica e aprazes, quando bem tratam as mulheres.

Se não me basta ser tão explicativo,
Seja aprazível e compassivo
e publicado serás sem reparos ou custos.
Fale teus causos bem a olhos vistos,
Sem termos complexos,
como cnidoblastos ou nematocistos,
ao descrever tal como te enroscas,
feito em tentáculos, em teus amores injustos.

E quanto a teus olhares congestos,
Se temem que tuas palavras os deixem expostos,
Já de tão exaustos e indispostos
De repaginarem bens aquestos.
Leia em nosso FAQ os termos propostos,
Escreva sem nome
E haverá privacidade em nossos esforços,
Para que nenhum de teus amores identifiquem autores
em teus manifestos.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 22 de dezembro de 2019)


Créditos da imagem: Imagem de Markus Spiske por Pixabay

 

A Pedra

Por: Thiago Amério

balance-1372677A pedra

O estabanado tropeçou
O rude arremessou
O pedreiro fez um martelo
O empreiteiro um castelo
Do moleque foi brinquedo
Do presidente arma de medo
O bandido fez munição
O escultor, um coração
Em todos os casos,
a diferença nunca foi a pedra.
Mas o homem.


Créditos da imagem: pixabay

Dezembro e o tempo.

Por: Diogo Verri Garcia

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(Dezembro e o tempo)

Quando passa à frente outro ano
Logo tanto tempo, em rompante, vai embora.
Amanhã, nunca mais será o mesmo dezembro.
Passa e passou nas ruas povo farto e alegre,
(Andam também alguns avarentos).
No caminhar de crianças e moças, vem ainda mais gente:
Um senhor sorridente, e em passo breve a sua senhora.
Está tudo acabado e a contento,
Feito dezembro.

Eu entendo todo esse evento,
Todo riso, todo pranto, todo alento.
Observo o passar da vida,
Sempre atento ao correr das horas.
Noto palavras que são merecidas;
Hoje, menos ponderadas, porém faladas em vida.
Pois há o tal tempo que vai, tornando posto o momento afora.

Tome as ações que deseja,
Beije feliz quem feliz bem te beija.
Veja-se em festas,
Em votos sinceros
Ou mesmo de simples sermões.
Refresque-se em abraços, tenha resoluções.
Faça boas odes ao bom pensamento.
Pondere, pois as palavras não ditas, no tempo passam.
Porém, as mal ditas não passam no tempo.

E o correr desse tempo, justo hoje, feito o mar, não falta e não falha.
É o véu quente e humano, corrente de gente de que rompe a praia,
Era dezembro.

(Diogo Verri Garcia, dezembro de 2019)


Créditos da imagem: pixabay

Obscuridade

Por: Bianca Latini

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(Obscuridade)

Sim, eu perdi
Eu caí
Eu chorei
Eu amei demais
E não fui correspondida
Eu não fui destemida
Eu errei
Não olhei bem
Não saquei
Não escutei
Me perdi
E não me achei
Procurei o caminho de volta
E não encontrei

Eu usei mal a palavra
E ela, assim, como a flecha lançada
Não voltou mais à minha garganta
Tomou rumo próprio
Se foi
Feriu
Matou
E por fim se suicidou

Joguei nos outros
Um balde de água fria
Gastei dinheiro à toa
Não planejei
Me ferrei
Caí no buraco
Me ralei
Tomei atitudes impensadas
Insanas
Me frustrei

Julguei mal
Tirei a capa pelo livro
Só olhei pro meu umbigo
Meti os pés pelas mãos
Dei voltas em rodamoinho
Murro em ponta de faca
Idas e voltas em labirinto
De burrice
De tolice
Imaturidade
Procrastinação

Mas para o todo mundo lá fora
Minha vida foi uma avalanche de sucessos
Sou Sã
Não preciso de divã
Sou diva
Prodígio
Sortuda
Raçuda
Tenho uma trajetória incrível
Sou tudo que você gostaria de ser…
Sem saber quem sou eu na minha
Integralidade

(Bianca Latini)


Créditos da imagem: pixabay