ESPÍRITO DE VINDITA
Postado no 20 de setembro de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

ESPÍRITO DE VINDITO
Já tive livros confiscados,
Malfazejos direcionados,
Atos meus mal comparados,
Tive amores complicados.
Desses que eu já gostei,
Outros pouco me importei.
Alguns até admirei,
Mas não me apaixonei.
Já vi cruzarem a rua,
Logo que eu aportei.
Segui só pela calçada,
Vi a dor de quem gostei.
Presenciei o choro preso,
Desesperos indefesos,
Rompimentos com desprezo,
dos quais nunca saio ileso.
A vida segue expedita,
Leve, mansa, inaudita.
Mas tem ações sem contradita
A retomar coisas desfeitas.
Tem espírito de vindita,
Se apega ao corpo feito maleita.
Bela, lúdica e esquisita
Ela que segue, a vida à espreita.
Tive amores mal-acabados,
Cachos negros, fios dourados.
E nada é mais descuidado
Do que ver versos meus rasgados
Se são versos não padecem
Feito livros que perecem.
Quando alguém, em mãos se atreve,
Faz confisco e os subscrevem.
Não foi só por uma vez.
Sobre livros e amores, eu bem sei.
Por sorte, outros encontrei.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 05/09/2018)
Créditos da imagem: Unsplash
Postado no 13 de setembro de 2023 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Há em mim um cadáver insepulto
Perfumado, atraente, sedutor,
Se recusa a aceitar sua morte
Que o seu tempo já passou.
Há em mim um morto-vivo
um vampiro sedento, insaciável
Se alimenta do sangue da aceitação alheia
Sugando qualquer vontade própria
Que seu hospedeiro possa ter
Há em mim um zumbi, um golem,
Comandado por desejos e vontades que não suas
Indo aonde querem que vá,
sonhando os sonhos alheios, dormindo sem nunca acordar
Cercado de tantos monstros,
Obliterado por tantas forças…
Terei Eu a vontade e coragem
De buscar no veneno o remédio
Que irá me curar?
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
SETEMBRO
Postado no 6 de setembro de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Setembro bom, que de vez o inverno espanta.
Já torna longas as tardes, encanta
Todo aquele que observa um jardim de setembro.
É tempo
Do arvoredo quedar-se exulto,
Envolto em flores, em chão de colorido tumulto,
Que dura até meados de novembro.
Setembro, o vento frio cá já não sopra mais o rosto,
É mais quente que o último agosto,
Tão bom como sempre me lembro.
Calor competente, o ambiente torna o corpo suado,
O suficiente para o chope gelado
– Bebida frequente no vindouro dezembro.
Setembro, que em Lisboa já faz frio ao fim de tarde,
Que no Rio traz o sol, que vem matar minha saudade
– Desço do voo, e segue quente o desembarque;
Em Porto Alegre, perde-se do inverno cinza o fomento.
Setembro, que mês bom – só não melhor do que dezembro,
Em que o verão traz expansão, prolonga o tempo.
Quando o amor ainda é amor, e não destempo,
Tal qual o será, tal qual em um mês…
(Diogo Verri Garcia, Belo Horizonte, 01/09/2018)
Créditos da imagem: Unsplash
A JOVEM NARRATIVA
Postado no 24 de agosto de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

A JOVEM NARRATIVA
Aplicam-se as obrigações, no que couber.
Ela assim diz, acompanhada da sua formação, dos seus pertences.
Seus pais ou responsáveis, parentes,
Assistem ao confinamento, apáticos e descontentes.
Impossível o reatamento dos vínculos – expressam alguns.
Face à rotina que tumultuou o lar faz um mês.
Oferecer vestuário e alimentação, não basta;
Oferecer amor – alguém nunca o fez.
A jovem pretendia ser feliz,
Por destino quis o afastamento rouco, grave e profundo de seus dirigentes,
Face a planos que a vida lhe dedicou, agente.
Se provisório? talvez.
A lógica causou-lhe tumulto, da borda da pele à, na alma, raiz.
E ela, alegre, no início seguiu.
Tomou por proa a razão, já que o amor direção nunca lhe deu.
Tentando atender prioritariamente aos seus justos interesses, partiu.
Porém, a roda grande que gira, novas distorções concedeu.
São impedidos de servir – diz do credo a norma –
Aqueles que, encarregados de zelar pelo cumprimento dos anseios,
Erram a mão nas medidas – isoladamente ou de cumulativa forma.
Sem fundamentos – indicados pela lei (da sutil lógica) vigente -,
À nossa jovem impõe desarrazoados freios.
Procurou o eudemonismo – ingênua e intensa, na busca por felicidade.
Conheceu o egoismo e, no amor, a maldade.
Quis uma união contínua, pública e duradoura.
Recebeu solidários ou espiritualizados pêsames,
Pela mágoa vindoura.
E assim se escondeu
Dentro dos seus próprios abismos, incrédula, calada.
Ansiando pelos beijos que nunca recebeu,
Rogando pelo afeto, que só houve em palavra.
Mudou-se do domicílio dos pais ou responsável
Frustrou-se, domiciliando com seus capatazes:
A dor, que lhe traz solidão; a angústia, que lhe retira a razão;
E a falta de amor, essa que não tem perdão.
Propôs a ele um destino feliz, de austeridade.
Ele, com ela negligenciou, faltou com a verdade.
Ela, que só buscava alento, razão que dá paz,
Quedou-se no rumo de volta, para a casa dos pais.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 12/09/2018).
Créditos da imagem: Unsplash
AQUESTOS FINAIS
Postado no 9 de agosto de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

AQUESTOS FINAIS
Oremos
Para que nenhum mal adicional nos apareça;
Para que o improvável venha a nós com sutileza;
Para que, por felicidade, a vida se restabeleça.
Peçamos
Um pouco mais, face ao tanto que a rotina já nos dera;
Um ar mais leve, feito o começo de nossa paquera;
Um beijo de paz, sem dissabor – não um tapa de guerra.
Arrumemos
Um jarro novo, para o lugar do que quebrou por ser lançado;
Taças (em jogo), espatifadas no bar ao lado;
Um meio termo entre o indolente e o esforçado.
Dividimos
Os bons momentos, os juramentos, um pouco de tudo;
O bem maior, muitos prazeres, o nosso mundo;
Promessas feitas, que se perderam em segundos.
Repartiremos
Alguns retratos, outros farrapos, nossos caminhos;
Simples adornos, um só cachorro, o melhor vinho;
A sensação estranha e o prazer feliz de estar sozinho.
Talvez tenhamos:
Daqui a um tempo, versões mais nobres das nossas verdades;
Algumas lembranças das nossas danças, da nossa amizade;
Ao esbarramos, a impressão de que o passado traz saudade.
Merecemos,
Tuas palavras, que foram duras – tais quais as minhas;
O que passou, desde o amor às nossas rinhas,
Dos dias de sóis ao mar escuro que ao fim se tinha;
O que roubou o prazer, fez desgostar de você,
Também me fez merecer.
Além do mais,
Só oremos…
(Diogo Verri Garcia, Rio, 22/08/2018)
Créditos da imagem: Pexels
Remedinhos em pessoa
Postado no 4 de agosto de 2023 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Remedinhos em pessoa
Tem gente que nem sabe, mas faz um bem danado pra gente.
É inexplicável.
Acho que o criador, na sua infinita bondade, coloca uns anjos da guarda aqui pra nos ajudar na jornada.
Sabe quando tudo parece estar com estafa, tudo cansado e fora do lugar?
A pessoa fala com a voz de aconchego e já te traz paz, como se tudo tivesse passado.
Quando parece que não há uma direção?
A pessoa te ouve com extrema atenção.
Ah, que coisa boa é saber ver o amor de Deus nesses remedinhos em formato de pessoas.
Tenho pessoas que não fazem ideia do quanto elas iluminam a minha vida somente com um simples “oi” atencioso.
Mas também tem aquelas que nunca vi na vida, nunca mais as verei, mas que foram tão gentis ao anotar meu pedido, que me faz acreditar que há gentileza e empatia ainda.
Aí de mim se não fossem essas pessoas.
Deus me livre não ter meus remedinhos, que, com doses generosas de boas risadas, acolhimento e de atenção plena, me ajudam a superar as mazelas da vida.
Vai ver que por isso que dizem que a felicidade não está em coisas, mas em momentos, em sentir, em ser e em compartilhar.
Que a vida permita que seja sempre leve nossa jornada com esses remedinhos em formato de pessoas e que retribua sempre em dobro o bem que eles nos fazem.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Freepik
PROPOSICIONAL
Postado no 26 de julho de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

PROPOSICIONAL
Proponho a singela mania
De entregar-se à euforia
antes que ela se acabe.
Proponho acabar com o “e se”,
gostar mais de você
antes que a vida se apague.
Proponho que me peça ajuda
quando a alegria for muita
para vivê-la a só.
Garanta que a passagem não seja fajuta
Que trate o calor e a amizade
com o que tem de melhor.
Julgue a sorte como o ousado se empenha,
Porém jamais se detenha em querê-la demais a ousar
Que da vida não se arrependa,
Que ainda faça poemas, que não abandone o rezar.
Proponho que provoque amizades,
que faça amor de verdade,
que não crie contendas.
Proponho quem encontre a resposta
para essa proposição
e passe em frente o verso.
Proponho que para a vida proponha
e não o inverso.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 07/01/2019)
Créditos da imagem: Unsplash
Despertadores
Postado no 24 de julho de 2023 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Despertadores
Pessoas são despertadores
Pessoas são DESPERTADORES!!
Convívios difíceis são despertadores estridentes
Nossa irritação são avisos latentes
Espelhos, reflexos, vertentes, correntes…
Soa o sino do olhar pra dentro:
O que falta, o que procuramos, o que achamos sem saber, o que há a reconhecer?
O que se requer de nós?
Pessoas “difíceis” são oportunidades
São escada e balde mergulhando em nossos poços artesanais
Esfarelando as camadas mais artificiais
Depois da rua da rusga, da antipatia, da resistência, da negação, do repelimento…
Enfim…se olharmos para dentro …e para fora…e para dentro…
Não demora…
Vem toró de estalos, introjeções, assustamentos, constatações …
As mais óbvias, jamais percebidas
Pulamos uma casa no tabuleiro da vida.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Subliminares do Desatento
Postado no 17 de julho de 2023 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Subliminares do Desatento
Fala, que eu não te escuto
Pode falar, tossir palavras, regugitar
Pode concatenar, delinear, aglutinar ideias e compartilhar comigo
Eu não estarei aqui para aparar, acolher, devolver o que compreendi, o que vivi durante a sua fala
Eu não estava aqui
Eu nunca estive
Estou com fone de ouvido colado no meu umbigo e ouço apenas o som das minhas peristalses
Fala, pode falar!
Eu não vou mesmo escutar
Tua voz passa por mim, mas não deixo que ela me habite, muito menos teu coração
Eu nem sabia que você tinha um
Estou ao seu lado há uma década
Mas nunca parei para reparar
Que a boca soluça o que ele palpita
Então, no meu mundo, o que entendo é que você sempre apita
Feito uma chaleira velha em fogo alto
Grilando como um velho grilo ingrato
Na verdade, nunca parei para perceber os seus sapatos
Se os tivesse desamarrado e os tirado dos seus pés algum dia…
Veria…
As pedras que nele moravam.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Google Imagens
ARBORESCE
Postado no 12 de julho de 2023 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

ARBORESCE
Está chuviscando já,
Uma garoazinha…
O dia é vazio, cinza.
Uma brisa sem vento,
Em que a paz é sozinha
Tem dias que a vida pesa
E de apesar em apesar,
Nota que damos razão em pensar assim dela.
Tem dias que a vida reza
Para deixarmos de pesar – ávidos em reclamar –
E olhemos o tanto de tanto
Que brota à janela
Mas há quem entenda que a vida preza;
E fazem prece feliz, em descalabro ao remanso.
Apegam-se à vida, que aquiesce
– o caminho cabe a quem o estabelece.
Ao verem em si seu ardor, notam a vida;
Na espera de todo bem que há,
Tornam a dor tão leve e esvanecida.
E propositadamente jogam-se a sentir a garoa.
Percebem a gota que forma e cresce:
Toda água é um pranto que estabelece uma proa.
Feito um orvalho que rola e pelo rosto desce,
É momento feliz de paz recebida.
Tem vezes que a vida pesa
Quando vivemos pensando em pezar, por pesar.
Nos aborrece – e a vida se aborrece –
Por não viver, sem nada ver,
Sem notar
Que frequentemente …
Tem muitos dias em que a vida arboresce.
(Diogo Verri Garcia, 02/11/2018)
Créditos da imagem: Unsplash
