Postado no 10 de agosto de 2018 Deixe um comentário

Por: Álvaro Assis
Não falta nada
No som da cachoeira
Na sombra que a árvore faz sobre o formigueiro
A trilha vai sempre dar onde se deve chegar
Assim como o passarinho sabe o tempo de cantar e o de voar
O rio que vai virar oceano vai perdendo o medo contra as pedras
E se arrepiando, aos poucos, vira onda sem notar
Não há de faltar nada
Ramo na boca do peixe, peixe na boca do homem, homem nos braços da terra, alma nas asas do ar.
Arrogância
Postado no 9 de agosto de 2018 Deixe um comentário

Por: Thiago Amério.
O medo da morte
O medo da dor
O medo de não ser o que sempre sonhou
O medo nos protegeu do predador
Por mais que o medo
Tenha nos permitido
Ter sobrevivido
Quando por, “medo”,
Me cego e me surdo
Ao outro e a todos
O medo é só desculpa
“Pra quem diz querer os fins
E acaba os meios quer”
Vinte e Seis
Postado no 8 de agosto de 2018 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia.
Tem vezes que o amor arrepia
E depois que nos contagia, ele vai, e nos deixa saudade.
Tem vezes que os olhos serenos esbugalham,
Deixam de ser amenos,
Tamanha a sinceridade.
Tem vezes que a dúvida é maior que a tristeza,
Por não entender o motivo
De não haver alternativa.
Tem horas que o barulho do mar
Se cala ao contemplar no beijo a iniciativa.
Quem pensa que o sol já se pôs,
Depois que a tarde cai,
Para amanhã retornar.
Lamenta que deixa saudade
Bem saber que, na verdade, se despede a lamentar.
Diga para ela porque você foi a razão de tão feliz acaso,
Que ela diz a você, com os olhos em lágrimas,
Ao se despedir dos teus braços.
Ou nada diga e vivam pelo menos o momento em que se conheciam
Enquanto homem e mulher: perceber o que é, e o tudo o que seria…
Tenso, o tempo corrói, a tarde se esvai, a noite vem.
É hora de retornar, sair de perto do mar, esquecer o seu bem.
(Diogo Verri Garcia – Rio de Janeiro, 08/08/2018)
*poesia autoral e inédita.
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Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 07 ago. 2018.
Às vezes
Postado no 7 de agosto de 2018 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Às vezes, sigo certeiramente o caminho
Outras tenho sentimentos tortuosos, estagnante redemoinho
Às vezes, desejo fielmente peregrinar
Outras sou liberdade, pecados tenho que inventar
Às vezes, sou uma produtiva imaginação
Outras um desleixo, letargia e inanição
Às vezes, ando alegremente sozinho
Outras me entrego à primeira, crio um doce ninho
Às vezes, sou bondade e caridoso
Outras, sou pequeno, mesquinho e maldoso
Ás vezes, sou alegria, vida e sorte
Outras, sou perdas, desalento e morte
Ás vezes, sou cores vivas, aquarelas de amor
Outras, um degradê moribundo, sombras de dor
Ás vezes, sou a voz da divindade que a dentro de mim
Outras, sou dúvidas, mendigando por um querubim
Às vezes, ando ereto e dignamente
Outras, perambulo por becos incandescentes
Às vezes, sou luz sublime em ascensão
Outras sou trevas, horripilante escuridão
Às vezes, sou a vida que inventei
Outras um papel, protagonista do que?. Não sei
Às vezes, e em outras vezes, me descubro e me desnudo
Por vezes um eu magnânimo e loquaz, noutras um ser ordinário e mudo
Tudo isso, porque as vezes sou a manifestação e suas efêmeras imagens
Noutras sou oráculos revelando-se, vivificantes mensagens.
(Tadany- 03 01 15)
PS: Para citar este Poema: Cargnin dos Santos, Tadany. Às vezes. http://www.tadany.org®
O que eu não sei sobre o amor
Postado no 5 de agosto de 2018 Deixe um comentário

Por: Renato T. de Miguel
Aonde você foi?
Há tempos foste embora.
A imagem do teu canto
Não tarda, mas demora.
Quem disse que há vida
Nos veios desta estrada?
Cala e me assombra.
Berra e não diz nada.
Prossegue e não enxerga.
Procura e não encontra.
Discursa e ninguém ouve.
Não bebe, mas derrama.
Tu sangras sem chorar.
Tu choras sem sofrer.
Cortou-se sem sangrar,
Matou-me sem saber.
Não sabe o que te espera
Nesta cidade morta.
Lá, a mágoa é que é sincera;
Lá, o falso é quem te exorta.
Não vê o que te salta
Às portas da visão?
Não sabe que as palavras
Não seguem o coração?
Tens tudo e não tem nada
Este ouro não é seu.
Teu corpo é belo e triste.
Deitado aqui estou eu.
[Mas, veja…]
Houve um findo tempo
De lágrimas vertidas,
De tristes desalentos,
De flores não colhidas,
De um céu frio e cinzento,
De joias destruídas.
Mas foi-se, não há mais.
Despreza esse rancor.
Não olhe para trás
Não dê razão à dor.
Não sonhe com as estrelas.
O céu não podes tocar.
Não se iluda com promessas.
Não se deixe acreditar
Que a rotina é uma aventura,
Que o amor já se perdeu,
Que a tristeza não tem cura,
Que há fulgor maior que o seu.
Porque vejo aos pés de Deus
Velhos homens terminados.
Amargor no céu da boca
Olhos tristes, desolados.
Podes ler este poema
E a estes homens explicar
Que ao viver não há dilema
Se souberem como amar.
Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 05 ago. 2018.
Mineral
Postado no 3 de agosto de 2018 Deixe um comentário
Por: Alvaro Assis
É mineral a tarde onde o cachorro late sua melancolia cinza
Tem chumbo, molibdênio e aço essa tarde vestida de tempestade
O homem que vive dentro dessa tarde
não o homem da palavra: homem)
Mas o da palavra: cinza, da palavra: chumbo, também é mineral
O mastro da bandeira, que ainda é vegetal na mata metida nesta tarde, nem imagina que estará morto, na manhã inerte, na praça, no dia da bandeira
O vento, molhado de chuva, escorregando pela montanha, resiste a ser musgo, a ser lodo, a ser líquen
Plantada na pedra, a tarde vai perdendo os passos, vai perdendo vento, vai perdendo a chuva, vai virando homem.
(Alvaro Assis)
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Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 03 ago. 2018.
Palavras sentidas
Postado no 2 de agosto de 2018 Deixe um comentário

Por Thiago Amério
Se as palavras que são ditas,cujas as formas são escritas,
São difíceis de explicar…
Imagine as que sentidas
(Não passíveis de tocar),
não se podem ser ouvidas…
Será que sabem falar?
Ora, não é porque ninguém as vê, que são frutos de ilusão, na realidade é da mais pura linguagem: – o idioma do coração.
Grão e Migalhas
Postado no 1 de agosto de 2018 Deixe um comentário

Por: Diogo Verri Garcia
Nesta quarta-feira, escrevo a poesia autoral “Grão e Migalhas”, publicada no ano de 2006 na antologia “Poesias Brasileiras”, sob o nome de “Migalhas”. Espero que gostem.
Rio de Janeiro, 01/08/2018
“GRÃO E MIGALHAS”
Por vezes, insistem em dar migalhas,
Enquanto minha mente anda morta de fome.
Fome por fome, estou acostumado,
Mas não acho engraçado não saber ler meu nome.
Parece até princípio de fim.
Meio de vida é qualquer um, afinal.
E se não acho um caminho certo para mim,
O fim, no início, é normal.
Há quem diga que é um direito o estudo,
Mas na vida só conto mesmo com a sorte.
Se há equidade no mundo? Não creio.
Somos iguais só na hora da morte.
E para quê me falar de educação,
Se cultura, aqui, só se conhece de retrato?
Não dá não, doutor! Isso é pra filho de patrão.
E como comprar livro, se mal consigo ter um prato?
Começo a achar que estudo é pra quem pode.
Sigo sem vida, sem letras, sem saber.
Não sei se é culpa de Deus, do mundo, da sorte,
Ou se é só minha, por não saber ler.
Prevejo piada em querer diploma em moldura,
Porque para mim já é muito ter nada.
Se alguém nos desse algo mais de cultura,
Deixava de vez o cabo da enxada.
Mas tem moço que parece não ver.
Saber, até sabe, mas finge que não.
No fim, para os nossos, farelo.
Para eles, fartura e quinhão.
Mas de que me adianta farelo sem grão?
Moço, dê-me uma escola,
Que lá eu aprendo. E depois faço meu pão.
Diogo Verri Garcia
(Poesias Brasileiras. 3. ed. São José do Rio Preto: THS Arantes Editora, 2006).
Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 01 ago. 2018.
Temos um novo escritor!
Postado no 31 de julho de 2018 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia
Acabamos de receber um novo membro, que escreverá conosco às sextas-feiras. Diretamente da Feira Literária de Paraty (FLIP 2018), Álvaro Assis contatou Thiago Amério e vem fazer parte do grupo do Literarte: a arte procurando ser reposta.
O escritor petropolitano, que tem por acervo poemas e crônicas, é autor, dentre outros, dos livros “Palavra Atirada”, contando poesias da vida diária, e “Eutros”, que promove um passeio, entre prosas e versos, por algumas localidades que inebriaram o cotidiano do artista, incluindo, obviamente, sua formosa cidade.
Credenciando a cidade tanto quanto o autor, Petrópolis assumiu dianteiras em nossa história: teve a feliz iniciativa para a fabricação de cerveja do Brasil (em 1853, com a Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden & Cia, que, a partir de 1898, começa a se chamar Cervejaria Bohemia), a primeira estrada de ferro de nosso país (pelas mãos do Visconde de Mauá, em 1854), e a primeira estrada pavimentada (estrada União e Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora, em 1861, ainda existente como direção ao garboso reduto de Itaipava). Ainda esteve na vanguarda da exibição de filmes em território nacional (Teatro Cassino Fluminense, em 1897; sem prejuízo da atribuição do pioneirismo ao belga Henri Paillie, em sala alugada do Jornal do Commercio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio, em 1896), bem como a iniciadora transmissão de rádio do Brasil (em setembro de 1922, inaugurada com discurso do então Presidente Epitácio Pessoa, comemorando o centenário da Independência), além de – consoante algumas vozes – ter sido palco da partida não oficial que desbravou nossos gramados para o futebol, no Colégio São Vicente de Paulo, em razão da experiência proporcionada por um professor inglês – também forma artística, tal como pretendemos.
Nós, do Literarte, temos a ideia de dedicar um autor para cada dia da semana. Por enquanto, somos cinco, e teremos, em breve, nova subscrição.
Com Álvaro, as publicações seguem os seguintes dias:
- Renato T. de Miguel: domingo;
- Alexandre Costeira Frazão: segunda-feira;
- Diogo Verri Garcia: quarta-feira;
- Thiago Amério: quinta-feira;
- Álvaro Assis: sexta-feira.
Sendo assim, damos boas-vindas a Álvaro Assis e a sua magnífica cidade. Espero que desfrutem do autor e da obra.
Um abraço,
Rio de Janeiro, 31/07/2018
Diogo Verri Garcia.
—
Referências Bibliográficas (sobre Petrópolis):
FOLHA DE S. PAULO. Quem construiu a primeira ferrovia no Brasil? leia texto da ‘folhinha’ e descubra. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2018.
INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS. Cinema, tradição e pioneirismo. Disponível em: <http://ihp.org.br/26072015/lib_ihp/docs/jeds20080604.htm>. Acesso em: 30 jul. 2018.
O ESTADO DE S. PAULO. 1ª sessão de cinema do Brasil completa hoje 115 anos. Disponível em: <https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,1-sessao-de-cinema-do-brasil-completa-hoje-115-anos-imp-,742130>. Acesso em: 30 jul. 2018.
SOU PETRÓPOLIS. 11 fatos históricos em que petrópolis foi pioneira no Brasil. Disponível em: <http://soupetropolis.com/2018/06/25/11-fatos-historicos-em-que-petropolis-foi-pioneira-no-brasil/>. Acesso em: 30 jul. 2018.
Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 30 jul. 2018.
Bob Dylan, poeta.
Postado no 30 de julho de 2018 Deixe um comentário
Por: Alexandre Costeira Frazão
Conhecido pelo estilo musical único e pelas canções de protesto que embalaram os anos 1960, Bob Dylan já era uma lenda da música em 2016, quando venceu o Prêmio Nobel de Literatura.
Apesar de algumas críticas à escolha da Academia Sueca, na base do erudito bobo do “rock não é literatura”, a homenagem foi, em geral, bem recebida.
Talvez, nem tanto pelo próprio Dylan que sequer apareceu na cerimônia de entrega do prêmio.
Ao mesmo tempo que retrata o seu tempo a poesia de Dylan é atemporal, combina a dureza da canção de protesto com doçura e faz ceticismo e esperança andarem de mãos dadas.
Absolutely Sweet Marie, reúne lindamente todas estas características e não foi à toa que a Secretaria do Nobel a recomendou como a obra fundamental para conhecer a poesia do autor.
Absolutely Sweet Marie
Well, your railroad gate, you know I just can’t jump it
Sometimes it gets so hard, you see
I’m just sitting here beating on my trumpet
With all these promises you left for me
But where are you tonight, sweet Marie?
Well, I waited for you when I was half sick
Yes, I waited for you when you hated me
Well, I waited for you inside of the frozen traffic
When you knew I had some other place to be
Now, where are you tonight, sweet Marie?
Well, anybody can be just like me, obviously
But then, now again, not too many can be like you, fortunately
Well, six white horses that you did promise
Were fin’lly delivered down to the penitentiary
But to live outside the law, you must be honest
I know you always say that you agree
But where are you tonight, sweet Marie?
Well, I don’t know how it happened
But the river-boat captain, he knows my fate
But ev’rybody else, even yourself
They’re just gonna have to wait
Well, I got the fever down in my pockets
The Persian drunkard, he follows me
Yes, I can take him to your house but I can’t unlock it
You see, you forgot to leave me with the key
Oh, where are you tonight, sweet Marie?
Now, I been in jail when all my mail showed
That a man can’t give his address out to bad company
And now I stand here lookin’ at your yellow railroad
In the ruins of your balcony
Wond’ring where you are tonight, sweet Marie





