Não esqueçamos o Natal do Ser
Postado no 23 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Não esqueçamos o Natal do Ser
O quanto vivemos fingindo
Sobre aquilo que nem sabemos que gostamos?
Sobre aquilo que não nos oportunizamos?
Natal vem chegando e queremos comprar presentes
Tem presente mais caro do que clareza, percepção?!
Podemos enfeitar a árvore
Mas joguemos luz sobre nós mesmos
Sobre nossos seres famintos, sedentos, carentes e disfuncionais
Façamos limpeza em nossas casas para morada das ceias
Mas não nos esqueçamos de fazer faxina em nossas ruas internas, abrindo espaço para o que precisa desentupir, desengargalar
Prestemos atenção aos nossos rompantes:
eles falam muito sobre quem estamos deixando de ser
Sobre aquilo que abandonamos fazer
Sobre a fluidez, da qual poderíamos nos prover
Sobre todo presente que deixamos de receber
Pois estarmos aqui:
Rotacionando no rodamoinho da matriz
Aspiralando para o ralo do “todo mundo” e depois não sabemos de onde vem tanta insatisfação
As nascentes dos nossos rios não jorram mais água
Elas dragam Rivotril
Que possamos montar o falso pinheiro
Fazendo alusão ao Eu verdadeiro
Ir colocando as partes, arrumando a base, os galhos…e a cereja do bolo… ou melhor, da arrumação…
É ela: a Estrela, no cume
Aqui em nossa analogia, vulgo: coração
Cantemos as canções Natalinas
Sem deixar, cristalinas, as músicas que pulsam em nós.
Viva o Natal do Ser!
Bia Latini
Créditos da imagem: Freepik
Sobre saber pedir ajuda
Postado no 20 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Sobre saber pedir ajuda
Hoje, depois de milhares de processos de auto conhecimento e terapia, eu posso afirmar que me conheço e sei quem sou.
É claro que é necessário um adendo aqui, pois, a despeito de quem sou hoje, eu sei que ainda há muita coisa pra se conhecer, aprender, reaprender e ressignificar, afinal, somos uma eterna mudança.
Mas, apesar disso, inquieta que sou, estava eu vestindo minhas roupas de volta, após ter feito uma tomografia e fui acometida de uma onda reflexiva que me acertou em cheio dentro de um banheiro, totalmente despida de bloqueios.
Pensei no quanto é necessário pedir ajuda, já que, apesar de julgar me entender bem comigo mesma, precisei de um auxílio de uma geringonça para olhar como estava minha cabeça internamente.
Apesar de eu “morar” no meu corpo e ter consciência de todos os meus sentidos e mapear minhas emoções constantemente, eu precisei do auxílio de um elemento externo para rastrear e identificar o que estava me causando dores de cabeça, pois sozinha não foi possível sanar a dor.
É por isso que não devemos ter vergonha de pedir ajuda externa, ainda que entendamos que temos tudo sob controle.
Aquela epifania me fez ver quantas vezes eu ignorei meu corpo pedindo socorro por não estar suportando sozinho a barra, já que eu ignorava e ratificava meu suposto orgulho próprio.
Imaginei quantas pessoas sofrem caladas sem buscar ajuda, as vezes sem nem mesmo entender a razão da dor.
Então não tenham medo de pedir ajuda, ninguém está sozinho, ninguém, acredite!
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
PALAVRAS DE UMA ALMA INACABADA
Postado no 17 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

A TORRE DE LIVROS
Crescer é romper,
É amar, é colher.
É se lamentar mesmo quando
o lamento não for grande.
É saber reviver, depois de chorar lágrimas de sangue.
É notar que a vida passa frente à face,
Ágil, como se um único dia fosse toda a vida.
Curto demais, feito o bem e o mal que faz,
Traz passagens que tanto faz muitas delas esquecidas.
Assim, achamo-nos sempre tão certos e santos,
Sem seguirmos serenos (nem pacientes, ao menos),
Na angústia ou na paz.
Na ansiedade, tornada a fé abastanto.
Crescer não é a hora em que a noite mais demora,
É o que nos dá e tira o ar
E nos balança as pernas.
É viver, pois que em um minuto, tudo vira o mundo.
É saber que o ganho da alma,
Para sempre inacabada,
é ser eterna.
(Diogo Verri Garcia)
Créditos da imagem: Pexels
Postado no 15 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Hoje te vi de novo, ali de canto, calada.
Observando e tentando entender.
Ouvindo risadas e piadas.
O peito trêmulo, quebrando a casca
Expondo a parte a se esconder
Entorpecidamente furiosa
Oscilou novamente por entre as partes
De casca e carne, e a quebra que faz doer
E doeu
E doeu…
Mais uma vez, como em muitas
E soltou,
E soltou…
Dessa vez como antes nunca
O vento sopra pela fresta
Talvez sim, talvez não.
Mas amanhã, cheira a verão.
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Unsplash
Deixa fluir
Postado no 11 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Deixa fluir
Leve,leve,leve
Deixa ir
Deixa fluir
Deixa desenrolar
Da maneira que quiser ser
Do jeito que quiser correr
Provir, fruir, desaguar
Leve, solto, alado
Desenfreado
Sem cerca
Sem arremates
Interferências
Melindres
Deixa deslizar
Deixa, permita, não interpela
Releva, entende, não suscita
Deixa se revelar
Do jeito que é
Da maneira que quer ser
Do modo como quer se mostrar
Sem véu, sem fel, sem mel
Apenas sendo em sua natureza corrente
Ausente
de julgamento
de tormenta
Placenta
permita vascular
Libere
Exima-se de ter que interceder
Deixa ruir, deixa puir, deixa brotar
Isente-se, ausente-se
Torne-se invisível
Silente
paciente
Permissivo
Compreensivo
Libertador
Não cause dor
Não seja obstáculo
Apenas sustentáculo
Se te pedirem para auxiliar
(28/01/2020)
Bia Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Super-heróis das rotinas
Postado no 8 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Super-heróis das rotinas
Quem é que nunca perdeu o controle, ao ponto de sentir a iminência de uma explosão interna?
Quando pequena, eu sentia uma pequena inveja e admiração do Incrível Hulk, imagina só que maravilha ganhar força sobre-humana quando estivesse com raiva, ficar com uma tonalidade atípica de um brócolis maduro e deixar evidente para quem está próximo que aquele não é um momento propício para se manter por perto.
Nesses momentos de perda de controle, eu só queria mesmo ter um superpoder de correr o mais rápido possível, ao ponto de ultrapassar o Flash e me refugiar em uma ilha secreta da Marvel, onde ninguém pudesse me importunar e nem me encher de mais preocupações, eu deitaria ali, tomaria um agradável sol solitário, observando os pássaros, manteria a frequência da respiração e, evidentemente, eu usaria meus músculos bem definidos para abrir uma água de coco e me deliciar com a paz do barulho das ondas.
Acontece que a gente tem que voltar para a realidade, onde a raiva, a perda de controle, as preocupações, as dores e os dissabores não fogem e não há um alerta amarelo de estafa que informe que há um colapso psicológico próximo de acontecer (desculpe Hulk, mas verde não integra minha melhor paleta de cores).
Então me deito em minha cama, afofo meus travesseiros, beijo o rosto de minha filha já entregue a um inocente sono, seguro as mãos do meu super esposo, pego aquele livro que irei finalizar a leitura hoje e vejo que sobrevivi a mais um dia, a mais uma semana e a uma vida inteira tipicamente humana, com meus rebolados diários e a força de uma mulher maravilha que habita em mim.
Ah, percebo então que não tenho olhares biônicos; não tenho músculos definidos como uma pedra; não corro mais do que 10 km/h; mas tenho minha escrita para levar esperança e eternizar meus pensamentos; tenho meu sorriso para ser gentil com quem eu encontrar no meu caminho e ser uma kriptonita contra energias negativas; tenho o carinho do meu parceiro de aventuras e tenho o abraço da minha filha para ser meu anel de poder.
Sou uma humana cheia de super-defeitos, mas, parando para pensar, talvez isso que me permite ser a mulher maravilha que ganha diariamente milhares de batalhas que o Hulk com aquela força toda, jamais conseguiria. Uma salva de palmas para todas os super-heróis e super-heroínas da vida real!
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
A TORRE DE LIVROS
Postado no 5 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

A TORRE DE LIVROS
Quando se guardam livros a mais,
Sem saber que, dentro deles, mais e quais palavras há,
Tornam-se questões pendentes.
Que cada vez que mais livros chegam,
tomam ainda menos ar,
São comichões, que há nas palavras a querer falar,
Mas que se calam,
Em folhas já resilientes.
Elas soçobram e embrutecem,
Comportadas como meras tintas,
tratadas como nada distintas e fechadas em breu.
Das folhas que amarelam e esfacelam-se.
Oxidam,
frente ao incauto que não doou nem leu.
Tanto quanto há algo mais a ser lido
Mal de guarda há…
Feito quando se guarda amores de mais de um colo,
Pretendendo ter a todas sorridentes.
Sente-se conteúdo, pelas palavras que sabe falar.
Mas pelas que estão paradas,
Nas estantes, a esperar,
Poderia ser continente.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 08/12/2019)
Créditos da imagem: Pexels
Postado no 3 de dezembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Hoje não quero rima.
Tenho olhos pesados demais para enxergar.
A soma de ontem com anteontem cria novas rugas no rosto.
Cílios improvisados seguem colados no espelho do banheiro.
Piscares lentos anseiam pelo colapso ininterrupto nas próximas oito horas.
Tolice! O relógio sempre desperta às duas horas, dando voltas e voltas em décimos repetitivos.
Quer ser visto, marcar ponto.
De hora em hora procura o nada.
E nada encontra.
A dormência no quinto dedo repete a pontuação.
Diz não.
Então as lentes repousam sobre o criado:
Amanhã há mais espaço como os demais.
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Unsplash
Conexões Humanas – Corações sob peles
Postado no 29 de novembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Conexões Humanas – Corações sob peles
O contato com as pessoas me move
A troca
A integração com elas
Gosto de saber suas histórias
Suas memórias
Seus remorsos
Suas alegrias
Suas vitórias
Seus dia a dias
Gosto de prestar atenção ao timbre de suas vozes
À cor dos seus sorrisos
À luminosidade dos seus olhos
E ao direcionamento deles
Às vezes intensos
Vivazes
Assustados
Tristes
Cabisbaixos
Às vezes perdidos
O tom e o ritmo
com os quais pronunciam suas palavras
em muitos momentos fazem-me tocar em frente
Repensar algum posicionamento
Ou encorajam-me
a ser mais dedicada
São vozes de gente
Viva
Carregada de emoções
Sentimentos
Pensamentos
Sensações
São corpos que envolvem almas
Peles que armazenam corações
Bia Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Gratidão, gratitude, gratiluz
Postado no 26 de novembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Gratidão, gratitude, gratiluz
É engraçado como a gente aprende a se incomodar e banalizar conceitos que a gente nem mesmo sabe direito o significado real.
O mundo vive em um processo de transformação evidente. Seja pela pandemia, seja pelo interesse mais constante das pessoas em assuntos mais holísticos, é fato irrefutável que as gerações estão cada vez mais instigadas com a busca do conhecimento, a descoberta de novos conceitos e desconstrução daqueles dogmas e verdade absolutas que existem desde quando nos entendemos por gente.
Minimalismo, autoconhecimento, meditação, aromaterapia, thetahealing, busca pelo sagrado e vários outros conceitos geram um desconforto em quem insiste em ignorar que a tendência é que haja cada vez mais espaço para esses assuntos estarem em voga.
Eu posso afirmar que há alguns anos atrás eu satirizava a prática da meditação, hoje me ajuda como um refúgio do meu caos interno de pensamentos constantes.
A gente precisa aprender a nos abrirmos mais para as mudanças, estarmos aptos para entendermos todo o processo de evolução.
Mas precisamos também entender que quem não quiser viver isso, não há uma fórmula mágica para enfiar goela a baixo, é uma decisão pessoal e intransferível.
De forma particular e ínfima, posso afirmar o quão bem me faz me permitir buscar mais conexão com meus pensamentos internos, me entender na minha essência.
Quisera eu ter me permitido há anos atrás.
Mas, sabendo que tudo tem seu tempo e acontece da forma como deve ser, cabe a mim sentir a gratidão de poder ser livre para buscar o que é o meu sagrado e respeitar o momento de cada um.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
