Praias sem sol

Por: Diogo Verri Garcia

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Mal o sol sai,
O mar já começa a bravejar.
O que há contigo, sol, que tornas mais árduo o mergulhar?
Salienta na areia a palidez de uma manhã sem temperamento,
Sem o solar de luz, sem vento.
A praia é mais calma, mansa.
Há menos gente, menor o rubor eloquente
Que até arder faz graça na pele; mas se esquece, queima.
Fechado se faz e assim permanece, indulgente, o tempo.

Pouco vi gaivotas tão calmas na praia,
Mas hoje cá uma está andante,
Com pernas bambas, pivotante feito malandro,
A se quedar solitária: quieta como a mais calma rotina.
A falta de gente passagem lhe dá,
De um seguir caminhante, por aí, a passar.

O vento a nada oprime, tampouco se adianta.
Talvez, oportunidade boa que a vida garanta
Ao pássaro que mergulha, após bom planador
Ou ao arrasto que faz o bom pescador.

Mas hoje, aqui na praia, a vida passa contente:
Sem gente, sem bola, criança obstruente, grito ensurdecedor de quem não ouve o mar
E não deixa o mar ouvir a gente.
Há a mais branda calmaria,
Em que nenhuma falta de paz possa opor.

Mas pouco a pouco o sol sai e insiste
Em tornar a manhã menos triste,
Embora, por mim, não haja tristeza onde exista água molhando os pés,
Pondo a alma a salgar.
Até quando o sol não dá foco e matiz
A vida é tão mais calma e feliz onde há
Qualquer pouco e manso vento;
Onde é perto do mar.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/02/2019 – Uma manhã sem sol na praia do Rio)


Créditos da imagem: arquivo pessoal. Fev. 2019.

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