A vida simplesmente é…

Por: Bia Latini

A vida simplesmente é…

A vida é simplesmente assim
Ela é
Ela simplesmente é
Ela flui, às vezes para, entope, desenrola, recomeça, pausa, se mostra, revela
Ela engargala e parece que não tem brisa
Depois vem tufão
Tudo brota, morre, se reconta
Desmonta
Ergue
Frui, flui, embui
A vida singelamente é
Com a magnitude da simplicidade dos capítulos, dos ciclos, dos momentos
Basta a permissão do piscar dos cílios
Essas cortinas da nossa janela visual
Temos pele, farejador, orelhão
E o Rei de Copas
A vida mora em nós
Ela habita antes de nascermos
E não desintegra quando o transeunte vai embora
A vida é
Ela simplesmente é…..

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Desconhecido

Contemplação ao corriqueiro

Por: Priscila Menino

Contemplação ao corriqueiro

Vez ou outra me pego pensando na falta que faz contemplar o corriqueiro.
Ali estava eu, você, nós, dia normal, nada atípico.
Correria, telefonemas, trabalho, refeições, mais um dia chegando ao fim.
E o sol vai indo embora e eu paro e penso na beleza de viver mais um dia normal, com minhas pessoas normais (ou anormais).
Nada espetacular, só um momento no qual parei, olhei e agradeci por viver o extraordinariamente normal.
Entre tanta agitação, tantas obrigações, tanta falta de tempo, eis eu aqui, contemplando a beleza de viver, a beleza da vida, de sentir a felicidade de viver o corriqueiro.
Criamos planos demais, projetos demais e não olhamos o aqui agora.
Injustos com a vida que nos agracia todo dia com um novo por do sol, com mais uma noite de sono deitados em nossos infinitos.
Quero é mais observar a beleza de esvair o olhar em meio ao crepúsculo e sentir a felicidade de somente sentir o meu agora.
Que vire rotina: contemplar o corriqueiro.

Por: Priscila Menino


Créditos da imagem: Freepik

Ei, narrador!

Por: Bia Latini

Ei, narrador!

Ei, narrador!
Que personagem você vestiu?
Quem foi que você pariu?
Cê tá contando o enredo da pele pra fora
Mas cê sabe a verdadeira história da pele pra dentro?
Já ouviu o que contam suas vísceras, seu estômago, seu processo digestivo e até mesmo seu embrião? Aquela semente que nem vestia pagão?
Fazer caminho pra fora, você já está expert!
O que falta é caminhar pra dentro
É a mesma lógica
Só mudar a direção
Sai da periferia, da balbúrdia, da distração
Vai pro núcleo, o cerne, o âmago, o coração
Descobre que veias pulsam lá
O que precisa bombear
O que embala suas histórias mais profundas
O que inunda
Que crateras ainda há a sarar
Sai de onde você está
Vai pro lado de lá
Enfim, suas respostas, seu sagrado, o tão procurado vai achar.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

Ei, corredor!

Por: Bia Latini

Ei, corredor!

Você fura, mas não penetra
Vê, mas não enxerga
Sobrevoa, mas não pousa
Dá rasante
Mero passante
Não se faz hospedeiro
Não deixa ficar
Não martela, até encaixar
Você não dá tempo ao tempo
Não deixa reverberar
Quer logo cuspir, expelir, liberar
Pra passar rápido
Pra ir pra página seguinte , o capítulo posterior
Sempre a próxima viagem…

Eiii, corredor! Fica aqui um pouco!
Entende este momento
Desfruta, saboreia e, nele, clareia!
Deixe-se alimentar, nutrir, descascar: folha por folha, pele por pele, camada por camada
Cada estação dura 90 dias
E você quer plantar, semear, frutificar, colher, comer e replantar em uma semana!

Deixa o tempo te penetrar
Se ele pudesse te espelhar, e pode, tu irias te assustar!
Com a tua pressa, tua urgência, tua demência em não saber que apressado come cru
Até entendo tua sede de vida!
É digna, é bem-vinda, é salutar
Mas deixa o ímpeto descansar…
Um pouco, o suficiente pra maturar
Esquece lá na frente, desapega da correria
Faz viver cada dia
E consciência despertar
Entende que a eternidade é o tempo certo
E a evolução ninguém há de te roubar,
se a ela quiseres te filiar.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pexels

Porto em peito aberto

Por: Bia Latini

Porto em peito aberto

Voe e pouse em alguém apto
a se encher e a se esvaziar
a receber e a transbordar
Sem medo de amar, de receber amor, de sentir dor, de se inebriar com a flor, de perceber o quanto percebemos, o quanto sentimos, o quanto parimos …
sensações, momentos, sentimentos
Alguém livre pra ser catavento
Sair do convento
Abrir todo aposento
Fortificar o fermento
Arruinar o tormento
Catalisar o incremento
Subir no jumento
E galopar gargalhando
Movimentando a própria crina
Amansando a própria juba
Comendo jujuba e oferecendo pro outro as cores sortidas de açúcar e divertimento .

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Pinterest

Na imensidão deste salão

Por: Bia Latini

Na imensidão deste salão
(mais uma experiência, vivência, entrega às waves do @5ritmos_riodejaneiro)

Eu estou hipérbole tentando caber em onomatopeia
Pororoca só conseguindo manifestar riacho
É tanto borbulho dentro
E um canal estreito rumo a fora, que nada dá vazão
Ao menos, quando me disponho a calar a mente, silenciar as palavras e deixar o borbulho sintonizar o ritmo…
Quando permito que meu corpo me guie, me mostre, através do som, da permissão ao frisson, ao tesão, à raiva, à alegria, à fluidez, às peripécias, mirabolancias, ao êxtase, ao caos, à quietude, ao que, aparentemente não faz sentido nenhum…Meu corpo abre as portas da cela pra mim.
Mexem-se partes que eu nem supunha existir.
Neste momento, ali no salão, num espaço de não julgamento, onde todos dispuseram-se a uma reza corporal, onde todos se veem de olhos fechados e sintonizam-se pela entrega, o mundo está ali; as possibilidades estão ali; naquele metro quadrado, que parece um latifúndio de alternativas, desamarras, libertação e exultação ao escoamento.
É templo. Eu me enxergo em potência, vida. Eu me deixo manifestar. Ali o canal não é nada estreito. É canal que liberta e escancara o peito. E não é sobre tamanho. É sobre permissão.
Ali, naquele espaço, ao final das ondas dos 5 ritmos, brota em mim a constatação:
É impossível guardar tudo isso. É necessário e feliz escoar.
O choro aparece, em expurgo e gosto de Eu sou o eu sou.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Por que não acontecer em varais?

Por: Bia Latini

Por que não acontecer em varais?

Morte
Vida
Ferida
O abismo entre as extremidades do corte
A fornicadora expectativa
O temor da partida
Seja partida de início ou de fim
Há tanta atenção para os polos
Os entremeios ficam pro final da fila
Se é que entram nela
São onde se altera, acontece, mexe, cria, conduz….
E enfim reluz
Entendimento, discernimento, acontecimento, integração do que se pensava ser com o que, de de fato, é

O proibido, o sagrado, o pecado, o compromisso, o juízo, o julgamento…
Deixam o ator na moldura da janela
Assistindo às paisagens que passam rápido
E muitas vezes nem lhe dizem respeito
Mas é como se, uma vez na janela, impelido se está a agonizar na dúvida da decisão, na bifurcação entre o bem e o mal; o certo e o errado; o justo e o injusto
Que diabos de vida é está onde tem-se o quadrado certo pra tudo
e todas a hipóteses precisam de desfecho?
Por que simplesmente não poderíamos acontecer em varais?

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Freepik

Por: Raquel Alves Tobias

Vento que corre entre os dedos.
Agarrado aos pés, todo o caminho andado.
Úmido.
Colado, ultrapassado.
Passado.
Sorrindo, chorando.
Doce, amargo.
Tragado.
Inutilmente guardado para alguma ocasião.
Repetição.
Névoa de ilusão.
Vento que corre entre os dedos.
Leva a cola.
Evapora.
E grão a grão
Cai-se em nova construção.

Raquel Alves Tobias


Créditos da imagem: Unsplash

Pura potencialidade

Por: Bia Latini

Expansão

Deixa o amor entrar
Deixa permear
Cada camada
Não reduz, expande
Não caracteriza, desnomeia
Não corrompe, une
Não aprisiona, liberta
Afrouxa, desaperta
Faça a coisa certa
Vista-se de horizonte
Entenda-se infinitude
Mergulha no mar de inimagináveis possibilidades
Imerja em plenitude
Seja céu aberto
Escancara a janela da alma
Não sentencia, desperta
Desapega das setas
Seja o próprio caminho
Às vezes acompanhado, por vezes sozinho
Exista naquilo que não tem cerca
Exala naquilo que não tem cheiro
Permita-se escorregar no que não se tateia
Semeia…
Por outro ângulo, de outra visão
Sem fechar interpretação
Aterrisa
E faça voo outra vez
Seja ponto de mutação
Solta as baquetas e deixa a banda tocar, sozinha, sua singular composição.

Por Bia Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Mauricio Luz

O que é o Céu?
É uma palavra? Um substantivo?
Um lugar infinito acima de nossas cabeças?
Como tantas pessoas procuram o Céu
Sem saber o que é
Ou onde está?
Pois, afinal, o que é o Céu?
Um depósito infindável de estrelas,
Nosso berçário e nosso túmulo?
Ou é uma esperança, um shangri-lá,
que tantos anseiam em alcançar,
mas tomam passos que as as afastam
De onde querem chegar?
Oh, Céu. Estás distante,
Ou mais próximo do que imagino?
E eu o quero longe e quase inatingível,
Para não fazer agora o que deveria fazer
Para alcançá-lo de imediato?
Céu! Ele é tudo,
E também nada.
Por isto não o vejo, não o alcanço, não o tenho!

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay