Percebendo caminhos
Postado no 24 de maio de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Percebendo caminhos
A luz sempre acha seu caminho
Rosa, espinho
Pergaminho sem escrita
Uma letra a cada passo
Um infinito sem trajeto reto
São curvas, montanhas, vales
A cada novo olhar, um cenário é materializado
A cada percepção,
A cada entendimento,
A cada clareza, desvendagem: a sua passagem
Um tijolo de paralelepípedo para cada etapa
E assim, o trajeto vai se construindo alí, naquele instante
A cada bifurcação, autoaceitação
A cada tirada de venda, de casca, de roupagem…
Ruas, arandelas, arcos, pontes…
Monte Sinai
Seu tempo, seus argumentos
Seus monumentos vão ficando pra trás.
Por Bia Latini
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Viva o circo! – Parte 2 – Algo sobre nós…
Postado no 16 de maio de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Viva o circo!- Parte 2 – Algo sobre nós…
Como deixamos sair esta voz que há dentro de nós?
Esta Voz que sai rouca, fininha, tímida, mansinha
E às vezes nem sai?
Essa voz potente que veio brotando na gente
Crescendo que nem semente
Muitas vezes nem se sente…
E quando se percebe
Estamos com uma energia acumulada, uma insatisfação, uma busca desenfreada
Uma necessidade de fazer coisas
E nada satisfaz!
Como libertamos essa leão criativo que quer rugir?
Essa borboleta do tamanho do mundo, com asas imensas e coloridas, que quer valsar pintando pelos ares da vida?
Como desabrochamos nossas abotoaduras, para deixarmos sair tamanha potência que cresceu em nós?
Um libido, um algo proibido, um estrondo, um cupido, algo grande demais…
Sugeriram-nos ser simples, discretos, a guardar nossas opiniões nos bolsos, a calarmo-nos, a ficarmos na nossa e a não pagarmos mico
Daí a gente não paga mico, o mico cresce e vira gorila enjaulado
Enclausurado
Na masmorra do tanto faz
Libertemos nossos gorilas, nossas borboletas, nossas bailarinas, nossos malabaristas, nossos palhaços e o circo inteiro!!!
Ergamos esta lona cansada,
Agora mofada, desbotada
Deixada pra trás
O circo continua vivo em nós!!
Ele sempre esteve!
É o nosso Eu criativo, sinestésico
Nosso Eu artista
Que tira uma carta mágica da cartola
Pinta uma tela em branco
Desfaz qualquer quebranto
Chora e ri sem nenhum espanto
Morre e vive
Nasce e morre
Conta, reconta, refaz
Reconstrói
Às vezes destrói…
Mas faz parte do processo….
No final de tudo, a lona está de pé!
Cheia de colorido e diversidades
Com muita história pra contar, muitas jornadas, itinerários, excursões pra fora e, principalmente, pra dentro
Há muita vida no epicentro do picadeiro da nossa essência pulsante
Viva o Circo!!
Por Bia Latini
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O difícil e necessário equilíbrio
Postado no 11 de maio de 2022 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

O difícil e necessário equilíbrio
A vida é agora, não amanhã, não depois do almoço, é aqui e nesse momento.
Quantos sonhos a gente deixa isolados e esquecidos, tal como aquelas anotações que esquecemos no bloco de notas do celular.
O medo de não conseguir nos impede até mesmo de tentar.
A necessidade de uma perfeição utópica, nos impede de fazer acontecer e precisamos aprender a conter isso.
Mas também devemos ter cuidado com a auto cobrança excessiva, tudo vai acontecer no tempo que for pra ser.
Não adianta tentarmos correr antes de caminharmos, como dizem os clichês por aí. Mas faz sentido!
O verdadeiro desafio é equilibrar a busca por conquistar nossos sonhos, com o tempo e paciência que a caminhada nos exige.
Em tempos de agilidade em tudo, é necessário dosar nossa ansiedade e força de vontade.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
Aos viventes
Postado no 10 de maio de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Aos viventes
A vida é
Perder para ganhar,
Abrir mão para conquistar
Viver, fluir, celebrar
O que viemos aprender aqui?
Que rota tomar?
O quanto se perde, para se achar?
Do que se está fugindo?
O quanto se mergulha e põe a cabeça na água?
Quem vive mais?
Os mais sãos ou os mais loucos?
O que é a loucura?
Qual a melhor parte da fissura?
Romper é atestar a vida
Fazer alquimia, comprovação do que parece etéreo
Chacoalhar para sentir o frisson
Ruir pra renascer
Bailar, secar, morrer
Depois brotar com força total
Fazer dos aprendizados Carnaval
Ao que deve ir: vendaval
Aos miseráveis: a luta
Aos sapientes: investigação, dor, alegria
Aos que vivem de passado: nostalgia
E aos que apenas vivem: presente!
Por Bia Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Postado no 6 de maio de 2022 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Tomar um banho demorado
Ver a superfície marmórea do box embaçado
Dentre milhares de gotículas, lado a lado
Escorre a memória de uma história
Escuta, escuta…
A água que cai nas mãos faz-se poça
Guardada, por respingos evapora
Enquanto turva com fumaça o querer ver
Aquece, aquece…
O corpo que pede corpo sente a flama
Derrama chão a dentro toda a lama
Lavando da pele a oleosidade suja
A probabilidade afogou-se em desejo
E escorreu pelo ralo.
Raquel Alves Tobias
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Cartas: por isso escrevo.
Postado no 26 de abril de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Cartas: por isso escrevo.
Cartas são pontes
Içam
Elevam
Aterrissam
São guias, caminhos
Até o lado de lá
Cartas unem dois pontos
São contos
Reverberação
Aproximação
São vozes de longe que sussuram no ouvido
Materializam pessoas, sentimentos, perfumes, semblantes, gruinhidos
Cartas são abraço, lágrima bem salgada
Choro, riso
Palavras de arrepiar
Segredos
Motivos
Cartas suavisam a defasagem da ausência
Criam presença, concomitância, sincronia, vivência
Cartas são teleféricos de papel
São aquelas malas de viagem que separamos para levar souvenires, bugingangas
Pombo correio
Tatuagem
Elaboração, seleção, entrega, autorização a si mesmo e para poder contar
Cartas são o seu remetente
Que sente
E quer compartilhar
Por Bia Latini
Créditos da imagem: Pixabay
Postado no 22 de abril de 2022 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Ah, Mistérios sem fim!
Cercado de brumas por todos os lados,
Eu me engano, me iludo!
Afirmo saber mais do que realmente sei,
A ilusão da flecha que se acha livre
Após ser lançada do arco.
Ah, Deus!
Se Tu realmente existes,
Não me dê prova de tua existência!
Seria como o Oceano mostrar ao orvalho
Sua imensidão e profundidade.
Mostra-me apenas como ser uma gota
Que sabe onde chegará,
E flui para seu destino.
Pois o final de cada gota é chegar ao Oceano infindo
E assim tornar-se também infindável.
Dá-me sabedoria para aceitar
Porque algumas gotas chegam antes
E outras depois.
Que algumas se vão muito cedo,
Outras tão tarde.
Ah, Deusa!
Não me mostra se és homem ou mulher,
Flor ou espinho.
Se és tudo isto,
Ou o nada que é o todo.
Apenas mostra-me como ser uma gota!
Incansável na busca,
Imparável na jornada.
Mostra-me o ponto de chegada!
Um dia lá estarei.
Meu caminho não será reto;
Que seja pleno de curvas e reentrâncias,
Onde refrescarei a garganta dos sedentos.
Também me unirei à seiva da planta,
Para saciar a fome de outros iludidos.
Mostra-me como ser gota,
Que sabe seu destino mas não se furta,
De se entregar pelo bem
de quem precisa de sua fluidez.
Quem sabe assim não alcançarei
A verdadeira essência dos mares que vou mergulhar?
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Nebulosa incessante
Postado no 18 de abril de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Nebulosa incessante
Eu tô caindo sim
Mas não quero me escorar
Eu tô caindo
Deixa eu despencar
Eu tô chorando
Deixa eu me debulhar
Quero cair gritando, grunhindo, expurgando, ruindo
Eu quero esfacelar
Deixa eu entender cada grãozinho
Cada movimento e ausência de ação
Quero construir o meu perdão
Meu auto perdão
Não quero corda, linha, nem varinha de condão
Deixa eu saber voltar da contramão
Larga minha mão agora
Eu sempre busquei todas as mãos possíveis e até as inviáveis
Agora, tudo o que preciso é me permitir ao abismo
Sem exatidão, sem proteção
Deixa eu cair sem saber cair
Eu tenho que me autorizar ao processo
Sempre quis alcançar a linha de chegada
Sem percorrer minhas maratonas
Eu olhei pro céu e mirei as estrelas mais brilhantes
Neste exato momento, preciso apenas viajar nessa nebulosa incessante.
Por Bia Latini
Créditos da imagem: Pixabay
Deixa eu!
Postado no 11 de abril de 2022 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Deixa eu!
Saber que a minha fantasia é fantasia
Não foi legal
Eu quero poder viver carnaval
Pensar que a chuva é vendaval
Se eu souber que é apenas chuva
Que graça tem?!
É como me contarem que Papai Noel não existe e continuarem deixando os presentes na árvore
Ou colocar os ovos, mesmo depois de ter revelado a farsa do coelho da Páscoa
Eu quero ter o direito de viver a magia
Com a exata graça que ela tem: de ser idealizada, luminosa, utópica, irreal
Não se vê vagalume de luzes acesas
Apenas no breu
Não se sente o gosto de beijo
Sem fechar os olhos
E ninguém pula de Bungee jump sem apertar as pálpebras bem forte e ter uns minutos de escuro e medo
Quero descobrir os mistérios no meu tempo
E não ter tudo revelado de uma só vez
Quero me iludir, me enganar, me perder
Não saber para onde correr
Achar meus próprios meios, fazer minhas genuínas investigações
Dar uma de detetive, inspetor, garimpeiro, bombeiro!
Esguichar água para apagar meus incêndios
Traçar meu próprio caminho
Não quero pistas antecipadas, migalhas de pão no chão
Nem urina de cão deixada no tronco da árvore
Quero ter o direito de me embolar
Para ter o prazer de desfazer meus novelos
Afinal…não há nada mais orgástico do que o desbunde das descobertas!
Por Bia Latini
Créditos da imagem: Pexels
Postado no 8 de abril de 2022 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Laranja, ó laranja,
Quão saborosa és!
És tão doce, mas tua doçura
Está em ti ou está em mim?
És laranja porque és laranja,
Ou porque me disseram que és,
E eu acreditei?
És tu casca e sumo,
Cor e perfume,
Gomos e potências adormecidas?
Ou és tu o prazer que me invade
Quando teus sentidos abraçam os meus?
És um nome ou um ente?
Um ser ou um devir?
És o ponto de chegada ou algo que está por vir?
Tu és ou tu estás?
Talvez sejas tudo isto,
E somente és laranja
Porque estás em mim tanto
Quanto estou em ti.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Unsplash
