Pelo menos uma vez por dia…

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Por: Tadany Cargnin dos Santos

Desvaneça da alma todo e qualquer sentimento de hostilidade

Dissolva do coração as diferenças sociais que te foram impostas

Extinga as fronteiras geográficas que o separam do desconhecido amigo

Labute diligentemente para terminar com a pobreza alheia

Minimize sensações de vaidade que o segregam da sociedade

Deseje, com todas tuas energias, encontrar paz contigo mesmo

Corajosamente busque iluminar as trevas da ignorância com a luz do conhecimento

Atue de acordo com os princípios que você almeja ser tratado

Apague da mente a concepção de Céu e de Inferno

Conscientize-se de que a vida é para construir e contribuir não para destruir ou consumir

Proteja a natureza, os animais e as crianças, pois eles são indefesos

Lembre-se que a dor que ora assola o teu irmão é a mesma que pode te devastar amanhã

Recorde que a caridade é uma maneira de agradecer e de agregar

Ambicione melhorar-se espiritual, intelectual, física, moral e socialmente sem detrimento de nenhuma das partes

Agradeça por todos os presentes que, a todo minuto, são brindados com a vida

Faça isto para a tua FELICIDADE, para o teu BEM e para a ALEGRIA, a HARMONIA e o AMOR da sociedade como um todo.  

(Tadany– 03 05 08)

Deus de Vidro

Por: Renato T. de Miguel

A um deus de vidro sua afeição se ajoelhava
Trilhas sem norte são promessas de ilusões
Um esgrimista sem florete, sem espada
Um enxadrista sob as ordens dos peões

Sobre a cabeça uma coroa fraturada
Suas sentenças, sua justa inquisição
No horizonte seus exércitos sem farda
No asfalto negro escorre o sangue dos irmãos

Em seu reinado nossa raça é lei divina
E os deuses-homens vivem em torres de marfim
No seu discurso o amor é feito cocaína
O ódio à paz, como o princípio, o meio e o fim

E os condenados como números sem alma
Nus e descalços, seu pecado era existir
Aos pés de Deus os filhos morrem na calçada
À prata amada o seu fadário era servir.

Por: Álvaro Assis

Não falta nada
No som da cachoeira
Na sombra que a árvore faz sobre o formigueiro
A trilha vai sempre dar onde se deve chegar
Assim como o passarinho sabe o tempo de cantar e o de voar
O rio que vai virar oceano vai perdendo o medo contra as pedras
E se arrepiando, aos poucos, vira onda sem notar
Não há de faltar nada
Ramo na boca do peixe, peixe na boca do homem, homem nos braços da terra, alma nas asas do ar.

Arrogância

esmagar

Por: Thiago Amério.

O medo da morte
O medo da dor
O medo de não ser o que sempre sonhou
O medo nos protegeu do predador

Por mais que o medo
Tenha nos permitido
Ter sobrevivido
Quando por, “medo”,
Me cego e me surdo
Ao outro e a todos
O medo é só desculpa
“Pra quem diz querer os fins
E acaba os meios quer”

Vinte e Seis

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Por: Diogo Verri Garcia.

Tem vezes que o amor arrepia
E depois que nos contagia, ele vai, e nos deixa saudade.
Tem vezes que os olhos serenos esbugalham,
Deixam de ser amenos,
Tamanha a sinceridade.
Tem vezes que a dúvida é maior que a tristeza,
Por não entender o motivo
De não haver alternativa.
Tem horas que o barulho do mar
Se cala ao contemplar no beijo a iniciativa.

Quem pensa que o sol já se pôs,
Depois que a tarde cai,
Para amanhã retornar.
Lamenta que deixa saudade
Bem saber que, na verdade, se despede a lamentar.

Diga para ela porque você foi a razão de tão feliz acaso,
Que ela diz a você, com os olhos em lágrimas,
Ao se despedir dos teus braços.
Ou nada diga e vivam pelo menos o momento em que se conheciam
Enquanto homem e mulher: perceber o que é, e o tudo o que seria…

Tenso, o tempo corrói, a tarde se esvai, a noite vem.
É hora de retornar, sair de perto do mar, esquecer o seu bem.

(Diogo Verri Garcia – Rio de Janeiro, 08/08/2018)

*poesia autoral e inédita.

Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 07 ago. 2018.

Às vezes

TadanyPune (2)

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Às vezes, sigo certeiramente o caminho
Outras tenho sentimentos tortuosos, estagnante redemoinho
Às vezes, desejo fielmente peregrinar
Outras sou liberdade, pecados tenho que inventar
Às vezes, sou uma produtiva imaginação
Outras um desleixo, letargia e inanição
Às vezes, ando alegremente sozinho
Outras me entrego à primeira, crio um doce ninho
Às vezes, sou bondade e caridoso
Outras, sou pequeno, mesquinho e maldoso
Ás vezes, sou alegria, vida e sorte
Outras, sou perdas, desalento e morte
Ás vezes, sou cores vivas, aquarelas de amor
Outras, um degradê moribundo, sombras de dor
Ás vezes, sou a voz da divindade que a dentro de mim
Outras, sou dúvidas, mendigando por um querubim
Às vezes, ando ereto e dignamente
Outras, perambulo por becos incandescentes
Às vezes, sou luz sublime em ascensão
Outras sou trevas, horripilante escuridão
Às vezes, sou a vida que inventei
Outras um papel, protagonista do que?. Não sei
Às vezes, e em outras vezes, me descubro e me desnudo
Por vezes um eu magnânimo e loquaz, noutras um ser ordinário e mudo
Tudo isso, porque as vezes sou a manifestação e suas efêmeras imagens
Noutras sou oráculos revelando-se, vivificantes mensagens.

(Tadany- 03 01 15)

PS: Para citar este Poema: Cargnin dos Santos, Tadany. Às vezes. http://www.tadany.org®

O que eu não sei sobre o amor

Por: Renato T. de Miguel

Aonde você foi?
Há tempos foste embora.
A imagem do teu canto
Não tarda, mas demora.
Quem disse que há vida
Nos veios desta estrada?
Cala e me assombra.
Berra e não diz nada.
Prossegue e não enxerga.
Procura e não encontra.
Discursa e ninguém ouve.
Não bebe, mas derrama.
Tu sangras sem chorar.
Tu choras sem sofrer.
Cortou-se sem sangrar,
Matou-me sem saber.
Não sabe o que te espera
Nesta cidade morta.
Lá, a mágoa é que é sincera;
Lá, o falso é quem te exorta.
Não vê o que te salta
Às portas da visão?
Não sabe que as palavras
Não seguem o coração?
Tens tudo e não tem nada
Este ouro não é seu.
Teu corpo é belo e triste.
Deitado aqui estou eu.

[Mas, veja…]
Houve um findo tempo
De lágrimas vertidas,
De tristes desalentos,
De flores não colhidas,
De um céu frio e cinzento,
De joias destruídas.
Mas foi-se, não há mais.
Despreza esse rancor.
Não olhe para trás
Não dê razão à dor.
Não sonhe com as estrelas.
O céu não podes tocar.
Não se iluda com promessas.
Não se deixe acreditar
Que a rotina é uma aventura,
Que o amor já se perdeu,
Que a tristeza não tem cura,
Que há fulgor maior que o seu.
Porque vejo aos pés de Deus
Velhos homens terminados.
Amargor no céu da boca
Olhos tristes, desolados.
Podes ler este poema
E a estes homens explicar
Que ao viver não há dilema
Se souberem como amar.

Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 05 ago. 2018.

Mineral

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Por: Alvaro Assis

É mineral a tarde onde o cachorro late sua melancolia cinza
Tem chumbo, molibdênio e aço essa tarde vestida de tempestade
O homem que vive dentro dessa tarde
não o homem da palavra: homem)
Mas o da palavra: cinza, da palavra: chumbo, também é mineral
O mastro da bandeira, que ainda é vegetal na mata metida nesta tarde, nem imagina que estará morto, na manhã inerte, na praça, no dia da bandeira
O vento, molhado de chuva, escorregando pela montanha, resiste a ser musgo, a ser lodo, a ser líquen
Plantada na pedra, a tarde vai perdendo os passos, vai perdendo vento, vai perdendo a chuva, vai virando homem.
(Alvaro Assis)

Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 03 ago. 2018.

Palavras sentidas

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Por Thiago Amério

Se as palavras que são ditas,
cujas as formas são escritas,
São difíceis de explicar…
Imagine as que sentidas
(Não passíveis de tocar),
não se podem ser ouvidas…
Será que sabem falar?

 
Ora, não é porque ninguém as vê,
que são frutos de ilusão,
na realidade é da mais pura linguagem:
– o idioma do coração.

 

 

Grão e Migalhas

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Por: Diogo Verri Garcia

Nesta quarta-feira, escrevo a poesia autoral “Grão e Migalhas”, publicada no ano de 2006 na antologia “Poesias Brasileiras”, sob o nome de “Migalhas”. Espero que gostem.

Rio de Janeiro, 01/08/2018

“GRÃO E MIGALHAS”
Por vezes, insistem em dar migalhas,
Enquanto minha mente anda morta de fome.
Fome por fome, estou acostumado,
Mas não acho engraçado não saber ler meu nome.

Parece até princípio de fim.
Meio de vida é qualquer um, afinal.
E se não acho um caminho certo para mim,
O fim, no início, é normal.

Há quem diga que é um direito o estudo,
Mas na vida só conto mesmo com a sorte.
Se há equidade no mundo? Não creio.
Somos iguais só na hora da morte.

E para quê me falar de educação,
Se cultura, aqui, só se conhece de retrato?
Não dá não, doutor! Isso é pra filho de patrão.
E como comprar livro, se mal consigo ter um prato?

Começo a achar que estudo é pra quem pode.
Sigo sem vida, sem letras, sem saber.
Não sei se é culpa de Deus, do mundo, da sorte,
Ou se é só minha, por não saber ler.

Prevejo piada em querer diploma em moldura,
Porque para mim já é muito ter nada.
Se alguém nos desse algo mais de cultura,
Deixava de vez o cabo da enxada.

Mas tem moço que parece não ver.
Saber, até sabe, mas finge que não.
No fim, para os nossos, farelo.
Para eles, fartura e quinhão.

Mas de que me adianta farelo sem grão?
Moço, dê-me uma escola,
Que lá eu aprendo. E depois faço meu pão.

Diogo Verri Garcia

(Poesias Brasileiras. 3. ed. São José do Rio Preto: THS Arantes Editora, 2006).

Créditos da imagem: Disponível em: < https://pixabay.com >. Acesso em: 01 ago. 2018.