Alerta de Ilusão
Postado no 6 de setembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Alerta de Ilusão
Eu não me perco nos detalhes
Entendo cada minúcia deles
Falo por mim e talvez por milhares
Porque pessoas tem similaridades
Entendo a inveja, porque já a vi em mim
Entendo a raiva, porque já explodi
Entendo o desejo, porque o anseio.
E o gozo é sempre bom.
Como pesa o doar com receber
As palavras saem doentes
Dos olhos que não sabem ver
Repletas de dores, porque precisam doer
E cuidado quando sair por aí
Desavisado, torto, obnubilado
Cuidado pra não se perder
No jogo de luzes e sombras
A imagem quer ter você
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Pexels
O Olho do Furacão
Postado no 3 de setembro de 2025 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

O Olho do Furacão
E do nada ela surge.
Poderosa, imparável, imprevista,
A tempestade vem.
Ela me alcança
Encharca meu corpo com seus infinitos dedos molhados,
E zomba de mim.
Ventos rugem ao meu redor,
Ameaçando levar meus pensamentos,
Enquanto a escuridão ameaça tomar a minha luz.
Ela gargalha, trovejando alto,
Ao ver-me buscar meu único refúgio.
E lá eu chego
Sem nunca ter saído.
E lá eu chego,
Sem precisar sair do lugar.
A tempestade cresce.
Meu corpo estremece de frio,
Enquanto o imponderável testa a minha vontade.
Tarde demais, tempestade, tarde demais.
Eu estou no meu lugar.
Inalcançável e inatingível,
Aceito o abraço da tempestade,
Me entrego à sua força e ao seu poder,
E me torno meu centro o seu centro.
Ventos rugem ao meu redor,
Mas meus pensamentos estão serenos.
A chuva fustiga meu corpo,
Mas sinto apenas carícias.
Ergo meu olhar e onde havia escuridão,
Posso vislumbrar estrelas.
A tempestade rosna, impotente.
Ela sente, é tarde demais!
Cheguei ao único lugar do Universo
Onde estou perfeitamente protegido e seguro.
Dentro de mim.
O olho do furacão.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pexels
Rio de Lágrimas
Postado no 31 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Rio de Lágrimas
Chorar
É um rio que se vai
São lágrimas
que transportam tristezas, rancores
Amargores, dores, frustrações
Raivas, pesares
Desespero
Destempero
Para fora do nosso corpo
Tentando limpar o nosso coração
Tentando lavar a alma
Do sangue jorrado pela faca
implantada no peito
Chorar
Alívio
Desabafo
Consternação
Águas que rolam pelo rosto
Seu rastro seca, com uma pitada de sal
Dando um pouco de mar
ao que estamos sentindo
O movimento de chorar,chorar, chorar
E, enfim, acalmar
Depois de tanta energia expulsa
do corpo doente, febril ou gelado
É mesmo como o movimento das ondas:
Quase ouço o barulho da bruma
explodindo na beira da praia
e depois se recolhendo de volta àquela imensidão
Por isso, gosto tanto de chorar
Um esvaziar das comportas cheias
que querem desaguar
Num longo, incandescente e doído
rio de lágrimas
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Freepik
Mudança de Paradigma
Postado no 28 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Mudança de Paradigma
De repente sentiu-se grata, sentiu- aliviada.
Parecia que ela voltava a vida após uma anestesia geral.
Ao retornar, começou-se a tomar consciência de ser dona de si. A única dona!
Se ela soubesse que sempre foi assim, se ela soubesse como se diminuía para se encaixar em padrões ou formas que eram pequenas demais para ela.
Aquelas gordurinhas da barriga já não causam mais tanto incômodo quanto causavam.
Aquelas marcas do tempo em seu rosto, agora são vistas como um atlas da sua caminhada e ela os olha com orgulho, como um diário vivido.
Agora a importância maior para ela é nutrir sorrisos e não mais medir o percentual de gordura.
Ela está se libertando, saindo daquele casulo que a prendia de bater suas asas e sair voando e pousando aonde quer que ela queira.
Observo e suspiro com alívio de saber que ela soltou o prumo, para tomar controle do seu destino.
Que linda e colorida desordem ela vive agora.
Como já disseram por aí: também pode haver muita beleza no caos.
O que para uns era visto como se ela estivesse enlouquecendo, para mim, ela está mesmo é se enriquecendo.
E eu não falo de valores palpáveis, eu me refiro é ao que ela vem ganhando na vida e da vida.
É tão sem preço, que é incomparável, se tem valor imensurável.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Unsplash
A HORA DO SÓ
Postado no 25 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

A HORA DO SÓ
Quando apressa-se em achegar a madrugada
Em que me finjo aos outros desfraterno,
Pois não há mal que faça um ruído, um nada.
Permaneço só, privado da distração malfamada,
Pois é nesta hora apenas
que tenho no silêncio um subalterno.
Diferente de quando toca a alvorada
E tudo mais insiste em dizer: – é dia!
O zelador que canta, o cão que persiste e ladra,
Até o vigário que, sem culpa alguma, Deus lhe valha,
Faz em minha porta romaria.
Mesmo quem nunca, por razão alguma, chama,
Insiste em fazer-me atender telefonema.
Assim, as horas voam, com o sol lá claro,
E eu, já tão aprazado,
Aguço-me em ver a distração que é a menor dentre as pequenas.
Por isso, quando tudo se cala
E o céu sente sono,
Anoto: ter café vale igual a ter palavras.
Estando madrugada,
Sinto-me como se um minuto fosse longo; que a pressa desse abono.
Quando antes, ainda claro,
Cada segundo me calava.
(Rio de Janeiro, 09/12/19, 2h05)
Créditos da imagem: Unsplash
Des-EAT-se
Postado no 20 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Des-EAT-se
Apesar da sede
Apesar da fome
Apesar da angústia
De quem se come
Apesar do freio
Apesar do medo
Apesar do cheio
Parido do ontem
Não se pode numerar
Incontáveis toneladas
Que definem o apesar
Pois no dedo ficará
O desejo que na ponta
Gostaria de pesar
Apesar deles
Apesar de tudo
Precisamos ser nós
Que desatam
Desate-se.
Des-EAT-se.
Por: Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Freepik
Prisão
Postado no 17 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Prisão
Não tem paredes a serem quebradas
Ou grades a serem partidas
Não tem portas a serem rachadas
Ou celas escurecidas
Mas até onde chega a mente
Até onde a vista alcança
Não há prisão mais inclemente
Que a ausência de esperança
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Unsplash
Coração
Postado no 14 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Bia Latini

Coração
É ele que guia meus passos silenciosos
Meu caminhar de infinitude
Meu trilhar de evolução
Por vezes aperta, machuca, corrói
Em outras, salta, exulta, alegra-se
explodindo em gratidão
É forte e majestosamente rico
das respostas que preciso:
o perigo que pressinto
o caminho que desvio
o rio em que decido me banhar
É absortamente esperto
Para buscar o rumo que acha certo
E a qualquer momento
em outra direção, dar guinada para virar
De alguma forma sinto o seu ritmo
E os sinais dos segredos
que ele quer me contar
Aprendi a não ser teimoso
A dançar a dança em que pretende me guiar
Entendi que coragem é agir com ele
E não contra ele, ao ser pretensiosamente audacioso, rancoroso e danoso a mim mesmo
Agora fecho os olhos
para enxergá-lo melhor
Pergunto, conecto, respiro
Busco uma ligação direta
Sem interferências
Sem ruídos
Sem zumbidos
Para haurir no que preciso
Para luzir no meu atuar
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Tá tudo bem
Postado no 11 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Tá tudo bem!
A verdade é que todo mundo já passou por um daqueles dias que não acordamos de bom humor e a vontade real é que a cama se transforme em um casulo de proteção. Falta a animação, falta a disposição e sobra preguiça.
E a culpa que sentimos quando estamos nesses dias, nos deixa ainda mais angustiados, afinal, a gente acredita ter vindo programado de fábrica pelo cosmos para produção em tempo integral, ou qual seria a nossa finalidade?
Mas não se deixe enganar por essa overdose de informações e exigências que recebemos todos os dias, não se cobre tanto, está tudo bem! E até quando não está tudo bem, também está bem, amanhã será um dia melhor.
‘Tá’ tudo bem se permitir não estar com a animação habitual de uma adolescente efusiva, está tudo bem ter vontade de gritar, está tudo optar por usar o jeans velho favorito, comungado com aquela camiseta surrada que você tem um apego emocional, está tudo bem se permitir não estar com a sobrancelha, cabelos e unhas impecáveis.
Por favor vamos parando com essa necessidade de acharmos que precisamos sempre sermos ótimas companhias e estamos alegres o tempo todo, a gente pode se dar o luxo de ficarmos reclusos no nosso marasmo, recarregarmos nossa energia.
Quando eu penso sobre isso, eu gosto de lembrar dos jogos de luta que eu jogava no vídeo game quando jovem (saudades Tekken 3) e já deixo antecipadamente registrado aqui minhas vênias àqueles que não estão habituados a esse mundo geek e podem não entender perfeitamente essa analogia.
Imagino que nesses dias que estou mais desanimada, minha barrinha de vida está no limite anterior ao game over, por isso, eu preciso de descanso e solitude pra recuperar meu ‘life’ e voltar ao jogo com força total para enfrentar os desafios e vencer as lutas.
Portanto, reafirmo: está tudo bem, não se cobre tanto! Amanhã será um novo dia, se permita voltar ao jogo com a força revigorada e não desista de sempre se preparar para vencer e evoluir para os próximos níveis do jogo da vida.
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Pexels
VERMUTE E JAZZ
Postado no 8 de agosto de 2025 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

VERMUTE E JAZZ
Quando vi que chegava tarde,
Na verdade, era bem cedo.
Quando soube que a voz
era sinceridade,
Corri ao encontro; não houve desterro.
Sem perceber que o dia de penumbra
na verdade, era sol.
Ao não aquiescer que o sustenido maior que tocava
Era menor bemol.
Quando vi que o tudo o que se passava,
Passava e pouco se agradecia.
Ao notar que as trevas que tantos se queixavam
Era o mais lindo dia.
Notei que a vida que adiante passava,
passava diferente
Entre gente que sem refrão já chorava
E os sensatos felizes que se punham contentes.
Percebi que o jeito calado que pouco olhava,
Era de contentamento.
Notei que o momento que espreitava
Já aguardava por um tempo.
Um momento de brisa entrecortada,
Não em frente, mas tendo algo do mar.
Tendo a razão da maré que se achegava
Já querendo ficar.
Observando um pouco de paz, em semitons infiéis.
Como uma alvorada em jardim.
Esperando um drinque de vermute e gim
E um piano de jazz.
(Diogo Verri Garcia, setembro de 2019)
Créditos da imagem: Unsplash
