A Estrela
Postado no 8 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Uma estrela caiu no chão
Ela veio de outras galáxias, abrindo novas porteiras
Veio intensa, brilhante como um lampião
E ao bater no solo, seu calor gerou uma tímida fogueira
Ao que assisti como profunda admiração
E pensei ser uma cósmica e mística brincadeira
Então, nela joguei toda minha preocupação
Tudo o que era desnecessário, todas as asneiras
Cada deslize, cada dor e cada aversão
Cada papel inútil de dentro da carteira
E o que era uma singela chama, virou um fogueirão
Porque havia acumulado, mesmo sem querer, tanta besteira
Mas que a partir de agora, não mais existirão
Pois foram todas incendiadas, restando apenas uma bela clareira
Um novo espaço para reerguer a sagrada construção
Da estrela que quer brilhar, cintilar sem fronteiras.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany. A Estrela. www.tadany.org®
A metamorfose do silêncio
Postado no 3 de janeiro de 2019 Deixe um comentário

Às vezes o silêncio vale mais do que mil palavras. Torna-se o grito mais alto.
O som que contagia a melodia se disfarça em pausas. Em constantes inspirações a arte respira. Inspira. Infla. Pira. Esvazia. Preenche. Completa. Surge a música do compasso desfeito. O poema do papel abandonado. A dança do sono estático. A pintura do quadro desbotado. Fartura.
O vazio se transforma. E a arte-resposta revive. Da voz da própria boca-muda, Que ao falar colore o mundo.
No tédio da realidade
Postado no 3 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
No tédio da realidade
Encontro razões para a rebeldia
Dos pecaminosos pulpitos da mediocridade
Consegui desde há muito minha divina alforria
Das garras agourentas da licenciosa sociedade
Desvencilhei-me com encantadora alegria
Na tristeza peçonhenta da crueldade
Descubro avalanches de rancorosa covardia
Nos lentos e tediosos instantes da normalidade
Acho que a vida inexiste, humana desvalia
Nestes gloriosos segundos de inspiradora espontaneidade
Em palavras me desnudo, escravo eterno da poesia.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany.No tédio da realidade.www.tadany.org®
À Zero Hora
Postado no 2 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

O tempo é estampido
Quando o relógio vira,
Os fogos queimam e ascendem,
Um novo tempo almeja-se,
Os festejos transcendem.
Percebemos que doze meses atrás
Um pouco de mais era almejado.
Também fizemos promessas.
Talvez menos ou mais festejado.
Mas nada mudará; talvez tudo mudou.
Certamente um reluto, e o entusiasmo vigora como a mola da alma.
O propósito é como o vapor, um foco resoluto.
Engaja e impulsiona,
e vistas as resoluções, acalma.
Com o mesmo entusiasmo de hoje,
Doze meses atrás, era esperado o momento.
Como se um algo novo bastasse, pondo finda a vigência do que houve em outrora.
Por si, nada muda: a intencionalidade é irmã do tempo.
Mas já basta, a vida passa.
O relógio soa: zero hora.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 29 de dezembro de 2018)
Créditos da imagem: pixabay
Correio versus Noel.
Postado no 29 de dezembro de 2018 1 Comentário
Por: Mona Vilardo

Final de ano é tempo de repensar valores, promessas, sonhos. Tentamos construir em nós uma confiança sempre maior no ano que vai começar!
Confiança: normalmente pensamos nessa palavra quando falamos de traição amorosa entre homem e mulher, ou algo mais perto disso, como traição entre amigos. Mas hoje quero falar de confianças que quase nunca pensamos, e que estão diariamente acontecendo ao nosso lado.
Semana passada coloquei uma encomenda importante no correio e sai de lá praticamente achando que estava mandando a minha mãe embalada pra presente! Na minha cabeça eu falava: – Não desvia a minha mãe, moço do correio. Tô confiando em você!
Sério, saí de lá pensando muito nisso. Se o moço do correio decidisse, da cabeça dele, colocar minha mãe, quer dizer, minha encomenda em outro lugar, lote ou destino. Já e-r-a!!!!!!!! Então eu estava depositando ali não só a minha encomenda, mas toda a minha confiança naquele moço que eu vejo esporadicamente. Tipo nunca.
Querem mais um exemplo? Eu confio de olhos fechados no açougueiro do mercado de bairro. Se eu pedir um bife de alcatra e ele cortar acém, eu não vou desconfiar, acredito que nem na hora de comer! Eu não sou nada boa para cortes de carne, só sirvo para saborear e dizer se gosto ou não. No máximo identifico um cupim, uma língua…que é fácil de saber, concordam?
Criamos relações de confiança diariamente, às vezes sem perceber. E pra essas confianças banais, parece que não damos tanto valor.
Mas a verdade é que ninguém iria gostar de ter o paladar trapaceado pelo açougueiro ou a “mãe” não enviada pelo moço do correio.
Agora tô pensando aqui com as minhas desconfianças: – Será que quando não ganhei do Papai Noel o coelho que pedi no Natal de 1991 foi culpa do moço do correio? Porque no Papai Noel eu sempre confiei!
– Papai Noel, ano que vem te mando um zap! Correios, nunca mais.
Esse texto é dedicado à todas as crianças que propagam a magia do bom velhinho.
A Contenda Perfeita
Postado no 26 de dezembro de 2018 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Não se contenha em esperar que a vida
Seja a ementa perfeita dos anseios teus.
Leia tudo: não faça resenha corrida,
Pois os votos de Deus são mais extensos que os meus.
Neles haverá acalanto e resposta,
Muito embora não seja clara a leitura.
Neles se esperará que a vida por ti seja sempre proposta,
Com espírito leve, de tenaz aventura.
Exigirá desapego, resistência à dor.
Haverá pranto contumaz,
Surtos de paz e de leveza no amor.
Como tudo, não se mantenha à espera
Que a vida caminhe plena, para só fazê-la dar certo.
Não se envergonhe ou acanhe, vá!
Nem sempre a pausa é a razão dentre um compasso experto.
O tempo é caminho ligeiro e corre
na certeza incerta que o tempo sequer se percebeu.
Quem espera sua espera, de Deus um dia se socorre.
Mas este também te expecta e espera:
tolo daquele que jamais se resolveu.
Beija os que devas beijar
E abrace forte em ti os que desejas trazer.
Porque hoje é Natal
e amanhã logo será carnaval.
Agarra e abra: a vida é teu presente, outro melhor não há.
E ela passa voante, célere.
Por isso, não se contenha.
Diogo Verri Garcia, Rio, 25/12/2018
Créditos da imagem: pixabay
Venturoso
Postado no 25 de dezembro de 2018 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Os pés estavam cansados de caminhar pelas mesmas ruas
O coração estava exausto de amar a mesma deusa
Os braços estavam depauperados de abraçar os mesmos corpos
As mãos estavam enfastiadas de cumprimentar os mesmos sorrisos
Os olhos estavam entediados de observar a mesma paisagem
Os ouvidos estavam desesperados de ouvir a mesma ladainha
A mente estava esgotada de pensar na mesma rotina
Foi quando o corpo decidiu partir
Então, os pés recobraram a avidez de peregrinar
O coração pulsou por um novo sonho
Os braços agarraram-se a nova brisa que soprava
As mãos tocaram extasiadas as novas silhuetas que brilhavam
Os olhos cintilavam com o novo desenho terrenal
Os ouvidos exaltaram-se com a nova sinfonia
A mente renasceu com a nova aurora que se apresentava
E o corpo, ditoso, pensava exultante na próxima partida.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany.Venturoso .www.tadany.org®
Feliz Natal!
Postado no 25 de dezembro de 2018 Deixe um comentário
Por: Literarte

Caros amigos leitores,
Desejamos um Feliz Natal a todos. Que seja uma noite de paz e de luz para todas as famílias. Que o mundo seja regado de versos, e que nossos risos sejam crônicas, contadas para toda a vida.
Um abraço,
Literarte.
Créditos da imagem: arquivo pessoal DVG
Sejamos trapezistas
Postado no 22 de dezembro de 2018 3 Comentários
Por: Mona Vilardo

Essa semana assisti um filme que não era bom. Tentei mais que a metade do filme, mas desisti. Ainda bem que já estou praticamente de férias, porque quando isso acontece quando estou cheia de coisa para fazer, a frustração é maior. Perder tempo assistindo filme ruim quando não se tem tempo a perder é o fim!
Mas, uma frase do filme ficou marcada em mim. Num certo momento o personagem principal precisa tomar uma decisão sem pensar muito, é quando o companheiro dele diz: – É quando pensa muito que o trapezista cai.
Pronto, ali estava a frase que eu precisava para escrever meu texto dessa semana.
– Obrigada, filme ruim! Tudo sempre serve para alguma coisa, até mesmo o que é ruim!
Na próxima semana é Natal. Acho que é a data que menos temos que pensar. Veja se você concorda comigo:
Se a gente pensar demais, desistimos de ir na festa de Natal que aquela tia – que você nunca vê durante o ano – organizou. Coitada das tias, elas são sempre colocadas nessa situação de promoverem “festa estranha com gente esquisita”. Quase sempre é na casa da tia que essas festas acontecem. Pois é … se pensarmos muito, desistimos de ir, e também não iremos ver aquele primo que tem tanta coisa pra lembrar da época da juventude, ou aquela avó que todo mundo pensa que vai ser o último Natal dela.
Então, não pense muito e vá na festa de Natal! Ela poderá ser a sua última também. (Momento “Cruzes, Mona, sai pra lá”). Mas o dia de amanhã ninguém sabe, certo?
Confraternize, diga que sente saudades, distribuía sorrisos e agradeça a sua tia pois só ela consegue reunir toda a família nessa data.
Outro assunto que é melhor não pensar muito é a crença religiosa de cada um. Imagina na mesma família que tem católico, evangélico, macumbeiro e espírita? Vá pelo sentimento de amor, esse sim é a crença que une todo mundo. A crença em A, B ou C, você deixa em casa na noite de Natal e nem pense em impor ela quando seu primo (aquele das histórias da juventude) pede mais uma taça de vinho. É um momento de confraternização e não de debates ou convencimentos. Ah, isso vale para política também, claro! Diria até que é uma boa data pra você fazer as pazes com aquele parente que tem o voto diferente do seu.
Por fim, me direciono à tão famosa rabanada. Minha opinião é que você não fique pensando se come ou não a segunda, a terceira, quiçá a quarta rabanada. Esse delicioso prato natalino só aparece nessa época do ano … se permita. Nem se incomode que o ano novo está aí e você precisa caber no vestido branco que comprou. Vai lá e coma a sua rabanada.
Pensar demais numa noite de Natal não é a melhor coisa para fazer, talvez o melhor da data seja isso: pensar de menos e sentir demais! Se jogue sem pensar, assim como faz o trapezista!
Um Natal cheio de sentido e menos pensado para todos os leitores do literarte.art
Créditos da imagem: pixabay
Casa Velha
Postado no 19 de dezembro de 2018 Deixe um comentário

Por: Diogo Verri Garcia
Casa Velha (prosa rimada)
A casa era velha, tão velha quanto suas emoções.
Pouco havia dentro, apenas retratos, panelas,
lembranças, devoções.
Também velha era sua moradora, que não sabia mais quando iria partir.
As tarefas diárias já se tornaram batalhas vindouras,
Que sempre especulava se iria realmente conseguir.
Aquela senhora, de jeito simples, palavras meigas,
E coração apertado – inebriado como o que me deixou.
Vestia-se elegantemente com seus trapos, pelo tempo desgastados.
As de outrora finas sedas tornaram-se farrapos,
com que espantalhos vestiriam-se a contento.
Perguntei sobre sua família, mães, tias, histórias e paixões.
Ela mostrou-me uma pilha, amontoada em uma caixa, com retrato e decepções.
Mencionou que o amor funcionou, por um determinado tempo, de forma mais feliz.
Porém, depois, Deus a provocou, o amor falhou e, conformada, só queixou:
– o destino assim quis.
Filhos? – questionei, quase como um entrevistador ávido pelo que o entrevistado escondeu.
A frágil senhora sorriu, em um sorriso triste, que calou-me a voz – amedrontada pela resposta – e tornou minh’alma um tenebroso breu.
O que houve? – insisti. Já arrependido das perguntas torpes e vorazes que fiz.
Triste em vida – relatou a infante senhora triste; infante, por acreditar ingênua, nos olhos a esperar por alguém que nunca mais apareceu.
Disse que sua família era raiz, com Beatriz e outros dois, cujo nome esqueci – pois não anotei.
Que, por longo tempo, foram em cinco, um tempo que viviam com doce afinco. Para viver outra vez, percebi que das lembranças mais profundas a sóbria senhora recorreu.
Mas continuou, ao afirmar que a vida dá voltas, como anedotas que só são engraçadas para que não as sente.
O final – como toda história – tem gente que saí e bate a porta, gente que não é mais devota, e gente – no caso, ela – que ressente.
Explicou que Beatriz casou-se, e desde o início ela desconfiou que ali não haveria felicidade.
O outro filho mudou-se, foi viver fora – longe mesmo, ponderou: em distante cidade.
O filho que sobrou viveu com ela e com o marido, por não ter outro abrigo, emprego, um canto seu.
E dali em diante, chorou aquela senhora, em pranto soluçado, preparando-se a contar o que se sucedeu.
Beatriz casou-se com José Maurício, rapaz bonito, mas propício a ter mãos dadas com a deslealdade.
Ele sempre visou seu próprio benefício, mas aguardou – pacientemente – o passar de um interstício para demonstrar quem era, na verdade.
O então rapaz convenceu a filha, que pressionou a família a penhorar seu melhor bem.
– José é rapaz sabido, minha mãe! – disse-lhe a filha, alegando que nunca haveria mal a ninguém.
José alegava ter três faculdade, o que, com sinceridade, eu, incrédulo, não acreditei.
Mas a sóbria senhora acenou, confirmou que era verdade: que a maldade se prepara, veste fina fardagem, como quem vai ao baile do rei.
E foi feita a penhora, para que Zé investisse no ofício – que, em tese, seria propício a trazer fortuna a família.
– José vai construir edifício! – com orgulho, repetia sua tola e apaixonada jovem filha.
Mas o rapaz ostentava vício, desde o início era visto nos rincões mais torpes da cidade.
O negócio não foi tratado com afinco e, no casamento, frouxo cinto amarrava-lhe a castidade.
Os pais, assustados, rezavam. E a obra ficava abandonada, quando Zé fugia para o Rio, por três vezes, sempre no carnaval.
O dinheiro que a fortuna anunciava, agora já faltava, e houve nos bens dos pais um novo empenho.
José, quase pobre, anunciou-se mudado, procurou o pastor, o caboclo, o vigário,
Retomou a frente no comando da obra, que desde então ganhou novo desempenho.
Mas o que inicia errado, segue fadado – ponderou a senhora, já em consternação.
José Maurício em nada havia se transformado. Se existiu vontade – não bastava -, não houve devoção.
Gastava o (pouco) dinheiro com damas e meretrício. Então, o armistício quebrou-se, e os credores exigiram sua parte.
Os pais pressionaram a filha, que voltou-se contra a família, acusada em sua dignidade.
O filho mais novo, compreendendo o factício, confrontou José Maurício, que uma pancada lhe deu.
O jovem precipitou-se contra um bloco do edifício, bateu a cabeça, morreu.
O pai, ao tomar causa do fato, teve suador, náuseas, mal extremo, um infarto.
No mais fino indumento, acompanhou o filho em sepultamento: e nada mais se avençou, além do tempo da dor.
Beatriz apoiou o marido, gastou o pouco dinheiro restante com advogado – não enviou sequer recado.
Não procurou a mãe, para acalentar-lhe o sofrimento, ou doar-lhe amor.
O filho do meio talvez nem saiba do ocorrido. Nunca voltou: ninguém dele sabe, desde que partiu.
Alguns dizem que por outrem se apaixonou, conseguiu boa vida e seguiu.
A triste senhora ficou só, envolta naquela casa, que tanta felicidade e tristeza lhe deu.
Deixou-me calado, com dó, e com alma pesada, por deixá-la lá – com a entrevista acabada -,
com as lembranças ousadas que este alguém lhe reviveu.
Aquela mal pintada parede – de tinta suja e desgastada pela passagem das épocas –
Refletiam a sombra dela, quando sentou-se perto da janela, tomando algum sol que a manhã traz.
Aquela mesma sombra, hoje triste e velha,
Já foi sombra de alguém feliz demais…
(Diogo Verri Garcia, Rio, 14/09/2018).
*Autoral
Crédito da imagem: pixabay.



