Desafio do café

Por: Mona Vilardo.

whatsapp image 2019-01-23 at 13.14.32

Quando um ano começa temos em mente que muitos desafios virão!

Mudar de emprego ou de casa, emagrecer, começar a academia na segunda feira, terminar aquele namoro que só te faz andar pra trás, ser uma pessoa melhor. Quem nunca se propôs algum desses desafios?

Joga tudo isso fora. O maior desafio dos primeiros 20 dias do ano se chama #10yearschallenge.

Ele dominou as redes sociais, pior que Big Brother num começo de ano. Tirou o foco da política e colocou o foco – como está se tornando cada dia mais – no EU!

E claro, como toda exposição que se prese, um jeitinho ali, um filtro mais bonito aqui e está pronta a minha mudança em 10 anos mostrando ao mundo como eu fiquei mais bonito, muito mais interessante e os anos só me ajudaram! EU me amo e ai de quem discordar!

Assim seguimos na rede: falando muito de nós mesmos, dizendo oi apenas virtualmente e postando a foto do prato de camarão. Biscoito maisena com requeijão ninguém mostra, né?

Não estou condenando quem usa suas redes para fotos e coisas pessoais, estou apenas refletindo sobre quem o faz em excesso, sem filtro e controle. Algo a se pensar como sociedade mesmo. Algumas postagens dos #10yearschallenge foram bem divertidas, mas a importância que se dá para certas modas me assusta um pouco, e vejo isso se refletir em assuntos mais relevantes.

Continuando… essa semana resolvi procurar fotos antigas na casa da minha mãe, um verdadeiro acervo organizado por ano, evento, filho X e filho Y. Minha mãe é tipo a maga da arrumação! Eu nunca postei isso pra vocês? Que furo virtual!

O que achei nessa busca por fotos foi bem mais que 10 anos. Foi memória!

Resolvi tirar foto da foto e enviar de bom dia para algumas grandes amigas. Amigas que não vejo sempre mas que fizeram parte de uma época importante da minha vida.

Ganhei o dia! Não teve print de tela da conversa para postar depois, mas teve muito papo. Não teve selfie, mas nos sentimos lado a lado. Teve recordações de uma época sem rede social.

Postei algumas fotos no meu Instagram, ao meu ver uma rede ainda um pouco mais intimista do que o Facebook, e o resultado desse achado foi um almoço e um café marcados com elas.

O desafio que me coloquei esse ano é esse: encontrar com pessoas que fizeram parte da minha história, amigas e amigos que se construíram junto comigo. Quem sabe ao final do encontro tiramos uma foto e lançamos a moda “10yearsmemory?

Essa moda tem mais sentido e é bem mais sentida: um café com memórias.

CARA do TEu seR

Por: Thiago Amério

6dc1447f-5e7d-421e-9010-d34dffbc8d94

A palavra que vos digo,

sem ao menos precisar,

sete letras pode ter.

Esta é só a informação,

prescindindo (de) explicação,

que os profanos podem ver.

E o porquê (com circunflexo),

de tão pouco (em meus versos)

é fácil de decifrar:

se é a cara do teu ser,

incapaz até de ver,

não importa o “arraiá”:

ou não tem pelo viver,

ou se ganha até morrer…

quem sou eu para julgar!

O Tempo da Incerteza Resoluta

Por: Diogo Verri Garcia

danbo-1870361

O coração não tem tempo.
Um tempo certo para achar seu compasso.
Um momento exato pra saber se quer ter intento,
ou desafinar-se, entrar em descaso.

O coração quer ter um tempo.
Não explicações, pois a lógica é plana
e ele não a conhece.
Se exato fosse, seria melhor que a razão,
Que se acha senhora do amor e se esfalece.

O coração quer ter certezas,
mas nunca as tem: são variáveis e expectativas.
Cruzadas, em mil situações, incertezas e besteiras.
Acredita ser, para amar,
mais capaz do que já foi em qualquer dia.

O coração se alegra,
tanto qual se corrói, em autêntica autofagia.
Acena feliz, justo para quem o apequena.
Na hora inexata,
Se exila e destrói, quando o amor lhe maltrata.
E acredita ser, para amar,
incapaz em todo e qualquer próximo dia.

O coração se encanta por destrezas.
Quanto a encontrar o amor,
espera ter a certeza instintiva.
E, de tanto esperar, possa ser que perdeu.
O momento passou, outro alguém resolveu
e a escolha certa virou só narrativa.

O coração quer ter coragem
Para falar para aquela que,
com as palavras certas, aquiesce.
O coração deveria se calar
E não agir com mais besteiras,
justo com quem não as merece.

O coração é um órgão isento.
Isento de qualquer prudência mínima de acerto.
Não se acerta nem com a razão.
Cabe a Deus carregá-lo com zelo.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 21/10/2018).


Crédito da imagem: Pixabay

Ex Animo – N° 55

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Enquanto o corpo descansava e a mente sonhava

O Senhor materializava as maravilhas de um novo dia

Enquanto o corpo trabalhava e a mente criava

O Senhor nos brindava com vigorosas moléculas de energia

Enquanto o corpo jogava e a mente relaxava

O Senhor nos distribuía abundantes doses de alegria

Enquanto o corpo desmanchava e a mente transmutava

O Senhor, como uma luz, nos iluminava e nos unia

Enquanto o corpo brilhava a e mente raciocinava

O Senhor, em todas as coisas, se manifestava com delicada e inteligente magia.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Ex Animo – N° 55. www.tadany.org®

Azul ou rosa?

Por: Thiago Amério

Azul ou rosa
Não importa a cor
Quem julga por roupa
Segrega com dor

Ser humano é feito
De dignidade e valor
E com todo respeito
Aceita todos os jeitos
E iguala o amor

303d9d40-78b5-4c7c-8d08-433e2af45b8e

Ps.: reflexão real em Praga, Czech.

Poema à Praia

Por: Diogo Verri Garcia

20190113_075658

Nossos melhores caminhos levam à praia,
Onde vige a lei de Deus,
A regra do vento, o compêndio das águas,
Onde não sobra espaço para problemas teus.

Que ficam na praia, nada a lastimar.
Ficarão por lá, sem voltar contigo.
Até teus erros já gostam da praia.
Lá encontraram leveza, porque lhes é permitido.

O vento toca o rosto,
a água abre os caminhos.
Se veio algum desgosto contigo, veio:
voltará sozinho.

Os grãos de areia que te encontram na praia
São obra do mar
e ao tempo convém
dispersá-los ao sol,
entregues a quem os tocar,
Como orações pequenas que são,
de paz e bem.

(Diogo Verri Garcia. Rio de Janeiro, 14 de janeiro 2019).

Tua Geografia

Por: Tadany Cargnin dos Santos

No céu de tua boca

Encontrei noites de luzes

Na caverna de teu hemisfério

Plantei minhas prazerosas cruzes

 

Nas curvas de teus quadris

Deslizei o gozo da paixão

Na doçura dos teus lábios

Comprendi o sabor da imensidão

Na pradaria de tuas costas

Senti o aroma cálido do desconhecido

No suave dançar de teus pés

Entendi o gozo de ser abduzido

Na geografia de tua estrutura

Fui aluno aplicado, alegre e diligente

Na matemática de nossa travessura

Um mais um não eram dois, éramos equivalente.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Tua geografia.www.tadany.org®

Flutuantes inspirações

flutuantes foto

Por: Mona Vilardo

 – Porque que quando colocamos os pés no chão a brincadeira acaba? – Mafalda após parar o balanço.

Dia 2 de janeiro li a frase da Mafalda, essa personagem argentina cheia de voz.

Passei a virada do ano em Salvador praticamente embalada com o refrão “Tira o pé do chão” de Ivete Sangalo. Salvador e Ivete se completam como acarajé e vatapá, (acho melhor que pão com manteiga em se tratando da primeira capital do Brasil), não acham?

 Se completam também as tirinhas da Mafalda e movimentos de revolução – ou seria melhor dizer evolução?

Gosto das duas: Mafalda e Ivete, e me identifico com brincar de balanço e tirar o pé do chão. Uma metáfora sobre viver com alegria e leveza. Não se trata de um “deixa a vida me levar”, mas sim de manter um olhar lúdico nessa a montanha russa que é a vida.

Sendo atriz, a canção de Chico Buarque “Beatriz” sempre me encantou, e um verso em especial parece que fala diretamente a mim: “Me ensina a não andar com os pés no chão”.

Beatriz tem várias dentro de si: é moça, é contrário, é divina, é mentira e comédia. Como nós que também somos vários ao mesmo tempo. Milhões em um.

Mafalda, Ivete e Chico: acho que tenho boas inspirações para me acompanhar no ano que começa! Tirando o pé do chão se caminha a passos largos!

Topografia do terror

19741a56-e2aa-41d9-ab02-c5f387428f9a

o antigo quartel general 

da “polícia” de hitler 

virou um memorial 

aberto todo dia 

gratuito a quem for ver 

sem nenhuma área verde 

 

Porque nada pode crescer 

no lugar onde se ordenava

a morte por ser autêntico 

Judeus, ciganos, homossexuais,

Deficientes, todos diferentes 

E ao mesmo tempo iguais 

Na fatalidade inconsequente

 

Morte. Terror. Vazio doente.

Na busca por culpados

Sacrificaram inocentes.

Multiplicaram assassinatos.

Coisificaram inimigos.

Incendiaram abrigos.

O holocausto contra a vida.

 

Alemães se julgaram donos

Da verdade e da superioridade 

Esqueceram quem nós somos

E aniquilaram a humanidade 

 

Agora resgatam essa memória 

Para não mais esquecer 

E entrar pra a história

O que não pode se perder:

A dignidade do ser humano

E o respeito em todo jeito de ser 

Em Garopaba

Por: Diogo Verri Garcia

whatsapp image 2019-01-05 at 11.33.29

Em Garopaba, até dia chuvoso encanta,
Observar baleias-francas no mar que tanto agrada.
O pesqueiro branco, de nome rubro Agostinho,
Do mar não volta sozinho,
O vento forte o afaga.

De montes verdes, areia escura e água clara,
O mar em Garopaba compete a beleza com o sol.
Por entre as praias, a vida encontrou enseada:
serena, tem tempo que não se acaba, na paciência da rede ou do anzol.

Por agora, faz-se intenso o céu cinzento.
As águas seguem o tempo briguento,
Espelham a cor, moldam-se ao vento,
Grisalho se torna o mar.
Se faz calor, em Garopaba também faz frio.
Não é viver janeiro no Rio, onde a brisa se recusa a gelar.

Despede-se o poeta que escreve a Garopaba.
Lugar a que não foi.
Por quem fotografou, conheceu:
O barco, a chuva e o vento em Garopaba,
o mar que não se acaba,
o mar que almiranta.
E escreveu: em Garopaba, até dia chuvoso encanta.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro – Garopaba, 05/01/2019)


Nota do autor: os versos foram inspirados na imagem do fotógrafo gaúcho e amigo de longa data Ricardo Moglia Pedra. O clique, segundo ele, dado despretensiosamente, enquanto passava o fim de tarde em Garopaba, com sua família, retratou o barco branco (o pesqueiro Agostinho), o mar de Garopaba e o dia chuvoso. Logo abaixo da foto, foi posta por ele a legenda: “Em Garopaba, até dia chuvoso encanta”.


Créditos da imagem: Ricardo Moglia Pedra (@ricardomogliapedra). Acervo pessoal. Praia de Garopaba.