Desafio do café
Postado no 26 de janeiro de 2019 2 Comentários
Por: Mona Vilardo.

Quando um ano começa temos em mente que muitos desafios virão!
Mudar de emprego ou de casa, emagrecer, começar a academia na segunda feira, terminar aquele namoro que só te faz andar pra trás, ser uma pessoa melhor. Quem nunca se propôs algum desses desafios?
Joga tudo isso fora. O maior desafio dos primeiros 20 dias do ano se chama #10yearschallenge.
Ele dominou as redes sociais, pior que Big Brother num começo de ano. Tirou o foco da política e colocou o foco – como está se tornando cada dia mais – no EU!
E claro, como toda exposição que se prese, um jeitinho ali, um filtro mais bonito aqui e está pronta a minha mudança em 10 anos mostrando ao mundo como eu fiquei mais bonito, muito mais interessante e os anos só me ajudaram! EU me amo e ai de quem discordar!
Assim seguimos na rede: falando muito de nós mesmos, dizendo oi apenas virtualmente e postando a foto do prato de camarão. Biscoito maisena com requeijão ninguém mostra, né?
Não estou condenando quem usa suas redes para fotos e coisas pessoais, estou apenas refletindo sobre quem o faz em excesso, sem filtro e controle. Algo a se pensar como sociedade mesmo. Algumas postagens dos #10yearschallenge foram bem divertidas, mas a importância que se dá para certas modas me assusta um pouco, e vejo isso se refletir em assuntos mais relevantes.
Continuando… essa semana resolvi procurar fotos antigas na casa da minha mãe, um verdadeiro acervo organizado por ano, evento, filho X e filho Y. Minha mãe é tipo a maga da arrumação! Eu nunca postei isso pra vocês? Que furo virtual!
O que achei nessa busca por fotos foi bem mais que 10 anos. Foi memória!
Resolvi tirar foto da foto e enviar de bom dia para algumas grandes amigas. Amigas que não vejo sempre mas que fizeram parte de uma época importante da minha vida.
Ganhei o dia! Não teve print de tela da conversa para postar depois, mas teve muito papo. Não teve selfie, mas nos sentimos lado a lado. Teve recordações de uma época sem rede social.
Postei algumas fotos no meu Instagram, ao meu ver uma rede ainda um pouco mais intimista do que o Facebook, e o resultado desse achado foi um almoço e um café marcados com elas.
O desafio que me coloquei esse ano é esse: encontrar com pessoas que fizeram parte da minha história, amigas e amigos que se construíram junto comigo. Quem sabe ao final do encontro tiramos uma foto e lançamos a moda “10yearsmemory?
Essa moda tem mais sentido e é bem mais sentida: um café com memórias.
CARA do TEu seR
Postado no 24 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Thiago Amério

A palavra que vos digo,
sem ao menos precisar,
sete letras pode ter.
Esta é só a informação,
prescindindo (de) explicação,
que os profanos podem ver.
E o porquê (com circunflexo),
de tão pouco (em meus versos)
é fácil de decifrar:
se é a cara do teu ser,
incapaz até de ver,
não importa o “arraiá”:
ou não tem pelo viver,
ou se ganha até morrer…
quem sou eu para julgar!
O Tempo da Incerteza Resoluta
Postado no 23 de janeiro de 2019 1 Comentário
Por: Diogo Verri Garcia

O coração não tem tempo.
Um tempo certo para achar seu compasso.
Um momento exato pra saber se quer ter intento,
ou desafinar-se, entrar em descaso.
O coração quer ter um tempo.
Não explicações, pois a lógica é plana
e ele não a conhece.
Se exato fosse, seria melhor que a razão,
Que se acha senhora do amor e se esfalece.
O coração quer ter certezas,
mas nunca as tem: são variáveis e expectativas.
Cruzadas, em mil situações, incertezas e besteiras.
Acredita ser, para amar,
mais capaz do que já foi em qualquer dia.
O coração se alegra,
tanto qual se corrói, em autêntica autofagia.
Acena feliz, justo para quem o apequena.
Na hora inexata,
Se exila e destrói, quando o amor lhe maltrata.
E acredita ser, para amar,
incapaz em todo e qualquer próximo dia.
O coração se encanta por destrezas.
Quanto a encontrar o amor,
espera ter a certeza instintiva.
E, de tanto esperar, possa ser que perdeu.
O momento passou, outro alguém resolveu
e a escolha certa virou só narrativa.
O coração quer ter coragem
Para falar para aquela que,
com as palavras certas, aquiesce.
O coração deveria se calar
E não agir com mais besteiras,
justo com quem não as merece.
O coração é um órgão isento.
Isento de qualquer prudência mínima de acerto.
Não se acerta nem com a razão.
Cabe a Deus carregá-lo com zelo.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 21/10/2018).
Crédito da imagem: Pixabay
Ex Animo – N° 55
Postado no 22 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Enquanto o corpo descansava e a mente sonhava
O Senhor materializava as maravilhas de um novo dia
Enquanto o corpo trabalhava e a mente criava
O Senhor nos brindava com vigorosas moléculas de energia
Enquanto o corpo jogava e a mente relaxava
O Senhor nos distribuía abundantes doses de alegria
Enquanto o corpo desmanchava e a mente transmutava
O Senhor, como uma luz, nos iluminava e nos unia
Enquanto o corpo brilhava a e mente raciocinava
O Senhor, em todas as coisas, se manifestava com delicada e inteligente magia.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany. Ex Animo – N° 55. www.tadany.org®
Azul ou rosa?
Postado no 17 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Thiago Amério
Azul ou rosa
Não importa a cor
Quem julga por roupa
Segrega com dor
Ser humano é feito
De dignidade e valor
E com todo respeito
Aceita todos os jeitos
E iguala o amor

Ps.: reflexão real em Praga, Czech.
Poema à Praia
Postado no 16 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia
Nossos melhores caminhos levam à praia,
Onde vige a lei de Deus,
A regra do vento, o compêndio das águas,
Onde não sobra espaço para problemas teus.
Que ficam na praia, nada a lastimar.
Ficarão por lá, sem voltar contigo.
Até teus erros já gostam da praia.
Lá encontraram leveza, porque lhes é permitido.
O vento toca o rosto,
a água abre os caminhos.
Se veio algum desgosto contigo, veio:
voltará sozinho.
Os grãos de areia que te encontram na praia
São obra do mar
e ao tempo convém
dispersá-los ao sol,
entregues a quem os tocar,
Como orações pequenas que são,
de paz e bem.
(Diogo Verri Garcia. Rio de Janeiro, 14 de janeiro 2019).
Tua Geografia
Postado no 15 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
No céu de tua boca
Encontrei noites de luzes
Na caverna de teu hemisfério
Plantei minhas prazerosas cruzes
Nas curvas de teus quadris
Deslizei o gozo da paixão
Na doçura dos teus lábios
Comprendi o sabor da imensidão
Na pradaria de tuas costas
Senti o aroma cálido do desconhecido
No suave dançar de teus pés
Entendi o gozo de ser abduzido
Na geografia de tua estrutura
Fui aluno aplicado, alegre e diligente
Na matemática de nossa travessura
Um mais um não eram dois, éramos equivalente.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany.Tua geografia.www.tadany.org®
Flutuantes inspirações
Postado no 12 de janeiro de 2019 3 Comentários
Por: Mona Vilardo
– Porque que quando colocamos os pés no chão a brincadeira acaba? – Mafalda após parar o balanço.
Dia 2 de janeiro li a frase da Mafalda, essa personagem argentina cheia de voz.
Passei a virada do ano em Salvador praticamente embalada com o refrão “Tira o pé do chão” de Ivete Sangalo. Salvador e Ivete se completam como acarajé e vatapá, (acho melhor que pão com manteiga em se tratando da primeira capital do Brasil), não acham?
Se completam também as tirinhas da Mafalda e movimentos de revolução – ou seria melhor dizer evolução?
Gosto das duas: Mafalda e Ivete, e me identifico com brincar de balanço e tirar o pé do chão. Uma metáfora sobre viver com alegria e leveza. Não se trata de um “deixa a vida me levar”, mas sim de manter um olhar lúdico nessa a montanha russa que é a vida.
Sendo atriz, a canção de Chico Buarque “Beatriz” sempre me encantou, e um verso em especial parece que fala diretamente a mim: “Me ensina a não andar com os pés no chão”.
Beatriz tem várias dentro de si: é moça, é contrário, é divina, é mentira e comédia. Como nós que também somos vários ao mesmo tempo. Milhões em um.
Mafalda, Ivete e Chico: acho que tenho boas inspirações para me acompanhar no ano que começa! Tirando o pé do chão se caminha a passos largos!
Topografia do terror
Postado no 10 de janeiro de 2019 Deixe um comentário

o antigo quartel general
da “polícia” de hitler
virou um memorial
aberto todo dia
gratuito a quem for ver
sem nenhuma área verde
Porque nada pode crescer
no lugar onde se ordenava
a morte por ser autêntico
Judeus, ciganos, homossexuais,
Deficientes, todos diferentes
E ao mesmo tempo iguais
Na fatalidade inconsequente
Morte. Terror. Vazio doente.
Na busca por culpados
Sacrificaram inocentes.
Multiplicaram assassinatos.
Coisificaram inimigos.
Incendiaram abrigos.
O holocausto contra a vida.
Alemães se julgaram donos
Da verdade e da superioridade
Esqueceram quem nós somos
E aniquilaram a humanidade
Agora resgatam essa memória
Para não mais esquecer
E entrar pra a história
O que não pode se perder:
A dignidade do ser humano
E o respeito em todo jeito de ser
Em Garopaba
Postado no 9 de janeiro de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Em Garopaba, até dia chuvoso encanta,
Observar baleias-francas no mar que tanto agrada.
O pesqueiro branco, de nome rubro Agostinho,
Do mar não volta sozinho,
O vento forte o afaga.
De montes verdes, areia escura e água clara,
O mar em Garopaba compete a beleza com o sol.
Por entre as praias, a vida encontrou enseada:
serena, tem tempo que não se acaba, na paciência da rede ou do anzol.
Por agora, faz-se intenso o céu cinzento.
As águas seguem o tempo briguento,
Espelham a cor, moldam-se ao vento,
Grisalho se torna o mar.
Se faz calor, em Garopaba também faz frio.
Não é viver janeiro no Rio, onde a brisa se recusa a gelar.
Despede-se o poeta que escreve a Garopaba.
Lugar a que não foi.
Por quem fotografou, conheceu:
O barco, a chuva e o vento em Garopaba,
o mar que não se acaba,
o mar que almiranta.
E escreveu: em Garopaba, até dia chuvoso encanta.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro – Garopaba, 05/01/2019)
Nota do autor: os versos foram inspirados na imagem do fotógrafo gaúcho e amigo de longa data Ricardo Moglia Pedra. O clique, segundo ele, dado despretensiosamente, enquanto passava o fim de tarde em Garopaba, com sua família, retratou o barco branco (o pesqueiro Agostinho), o mar de Garopaba e o dia chuvoso. Logo abaixo da foto, foi posta por ele a legenda: “Em Garopaba, até dia chuvoso encanta”.
Créditos da imagem: Ricardo Moglia Pedra (@ricardomogliapedra). Acervo pessoal. Praia de Garopaba.




